
Capítulo 250
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
Espera aí.
Vamos dar um passo atrás e relembrar os encontros turbulentos de Baek Saheon com seu colega de quarto psicopata.
O doido que zombava dele por ter perdido o olho esquerdo.
O viciado em dopamina que usava as pessoas como isca em lugares perigosos na Escuridão.
O louco que fingia ser um serial killer, golpeando com um machado.
“E agora ainda tá fazendo papel de líder de seita??”
Naquele momento, o absurdo da situação ultrapassava qualquer lógica, e Baek Saheon começou a sentir o fenômeno da anomia — uma quebra das normas onde tudo nessa reunião caótica parecia esperado só por envolver aquele desgraçado do Kim Soleum.
Tá bom. Vamos dizer que tudo isso era irrelevante.
Mas como diabos ele estava encarando aquele maluco aqui e agora?!
“Eu até tirei férias!”
Ele não tinha simplesmente saído do alojamento da empresa — tinha saído de Seul por completo!
Baek Saheon balançou a cabeça violentamente, pensando se aquilo não era um pesadelo, mas a realidade não cedia.
Com dois supervisores da equipe elite ao lado e liderando dezenas de pessoas, Kim Soleum estava no meio do corredor do Carro 3, levantando os braços dramaticamente — como um líder de seita mesmo.
“Não há motivo para preocupação. Todos nós podemos passar nesse teste com segurança.”
A única coisa que confortava Baek Saheon era o fato de que as pessoas naquele vagão eram inteligentes o suficiente para apontar o dedo e ridicularizar o sujeito.
“Quem diabos é esse cara?”
“Jesus, agora temos outro maluco.”
“Aff…”
“N-Não faça contato visual.”
Escárnio e rejeição se espalhavam contra Kim Soleum, que despejava suas bobagens.
“É... Isso é normal.”
Mas Kim Soleum não se abalava nem um pouco.
Com um sorriso tranquilo, ele calmamente observou as pessoas no Carro 3.
“...?!”
Isso ficou ainda mais assustador!
“Pessoal, eu entendo que vocês estejam confusos com essa reunião repentina, e provavelmente acham isso uma loucura. ‘Um teste? Que teste?’”
Kim Soleum deu um sorriso sem jeito, com a postura de um funcionário formado e comedidamente calmo.
“Para ser honesto, eu sei que isso soa como coisa de seita, até para mim. É meio vergonhoso, na real.”
O tom dele era calmo e firme, como alguém dando conselho sincero durante um café.
“Mas em circunstâncias tão terríveis e assustadoras, temos que juntar coragem para falar. Se alguém souber a resposta, compartilhá-la é o certo a fazer.”
A expressão dele endureceu quando fez contato visual com os que o cercavam.
“Peço que deixem de lado o desconforto e reflitam. Não somos tolos — há um motivo pelo qual tantos de nós estamos aqui, compartilhando a mesma história.”
Baek Saheon olhou ao redor, para as pessoas pendendo na beira da loucura, presas nesse loop surreal de morrer e recomeçar no mesmo trem.
Kim Soleum dizia exatamente o que eles queriam ouvir — a promessa de uma saída.
E sua voz transbordava convicção.
“Isso é um teste, e há uma maneira de passar por ele.”
De repente, alguém falou.
“Então... você sabe como sair daqui?”
“Sim.”
“...!!”
Kim Soleum desviou sutilmente o olhar para trás.
As pessoas do Carro 7, todas animadas e com os olhos brilhando de entusiasmo, falaram com empolgação.
“Só precisamos sair pela janela!”
“É só pular pela janela, acabou!”
“Que merda é essa?!”
Os passageiros apavorados do Carro 3 receberam uma saraivada de explicações.
“Não é besteira! Tem um jeito de ser sem dor! Pelo menos dez pessoas já saíram!”
“Claro, é meio nojento, mas é só seguir a luz que você encontra a saída. Qualquer um consegue.”
“Se alguém tiver dificuldade para andar, outra pessoa pode pular junto para ajudar! Não é difícil!”
“Desde que o venerável Pathfinder ajude a gente...!”
O surpreendente era que, embora só dez pessoas tivessem pulado até então, dezenas — quase cem — seguiam esse grupo, incluindo passageiros de outros vagões.
Kim Soleum, vendo os olhos esperançosos e ansiosos ao redor, voltou o olhar para frente e sorriu, levemente.
“Isso mesmo, pessoal. Vocês todos podem sair pela janela.”
E naquele momento, Baek Saheon percebeu algo —
“Não haverá problemas.”
“É isso aí!”
— É um golpe!
“E-Este maluco do caramba.”
Ele está reunindo esses idiotas para pularem pelas janelas enquanto ele foge em segurança!
“Mas ele não vai me enganar.”
Baek Saheon engoliu a seco, convencido de ter decifrado o esquema.
“Ouça quem já saiu pela janela...”
“A gente! Somos o casal que passou pelo segundo altar durante o terceiro loop da vida...”
Enquanto os passageiros do Carro 3 se inclinavam para ouvir os relatos dos sobreviventes do Carro 7, que soavam como histórias vitoriosas de um seminário de autoajuda, Baek Saheon clicou a língua.
Idiotas.
“Eu poderia inventar depoimentos assim com minha caneta a qualquer hora!”
Claramente, Kim Soleum usou a caneta que confiscou dele para doutrinar esses idiotas.
Beleza. Se era assim que ele queria jogar, Baek Saheon tinha sua própria estratégia.
“Ficar quieto.”
Enquanto ele não entrasse na fila dos adoradores de Kim Soleum, estaria tranquilo.
Baek Saheon sorriu com confiança, aliviado por ter pensado rápido. Quase foi puxado para essa confusão!
“Ficar fora do radar, e quando esse psicopata enganar todo mundo para pularem juntos...”
Então —
“Beleza, vou mostrar pra vocês agora! Dessa vez vou pular pela janela!”
Hein?
“Desta vez, eu sou o qualificado para passar pelo altar.”
“Sim, desta vez você recebeu a aprovação.”
“Uau!”
“Vamos dar uma salva de palmas!”
Espera, o quê?
“O primeiro altar é o mais solitário e assustador porque você tem que passar sozinho...”
“Tá tudo bem! Eu quero seguir exatamente os passos do venerável Pathfinder.”
“Eu-não sou um Pathfinder, só o primeiro a tentar... Hum. É isso. Bom.”
Kim Soleum sorriu timidamente antes de segurar as mãos do voluntário com sinceridade, como numa oração.
“Vou fazer o meu melhor para garantir que você fique protegido da dor, fortalecendo a marca que vou te dar.”
“...! Sim!”
Entrada no Primeiro Altar
Baek Saheon observou a cena, com a expressão vazia de descrença.
Sob a iluminação vermelha fraca do trem, ele viu Kim Soleum segurar delicadamente o braço do voluntário e fazer algo sutil...
“Vou nessa!”
“Até logo!”
“Boa sorte!”
Entre aplausos e incentivos, o voluntário, agora decidido, atravessou a janela.
Isso se repetiu várias vezes até —
Entrada no Quarto Altar
“E agora, temos nossos participantes finais.”
Foi aí que ele entendeu.
“...Itens!”
Kim Soleum estava secretamente usando algum tipo de item nos participantes antes de pularem.
Seja o que for, ajudava a evitar que eles enlouquecessem ao cair pela janela!
“Espera aí.”
Será que ele realmente estava fazendo algo a respeito disso?
E se esse psicopata estava indo tão longe para garantir a segurança das pessoas, então —
A mente de Baek Saheon girava rápido enquanto mudava o foco.
“Essa Escuridão é um sistema de limpar por ordem de chegada!”
Um sistema onde você precisava preencher a cota antes que alguém pudesse zerar o jogo!
“Pular pela janela não é só um ato simbólico — é o evento principal!”
E Kim Soleum seria o tipo capaz de criar um frenesi para fazer as pessoas pularem voluntariamente. Por quê?
“Porque isso lhe dá mais dopamina!”
Forçar pessoas a pularem pela janela não seria tão divertido para ele. Não, ele preferia esse método porque era mais emocionante e recompensador.
Que lunático assustador.
Baek Saheon estremeceu.
Mas esse não era o problema agora.
“Se esse psicopata tem um plano —”
Então!
“S-Supervisor!”
Baek Saheon levantou a mão e se pôs de pé, finalmente revelando sua presença logo após o trem passar pelo quarto altar e a luz retornar.
“Quem é esse?”
“Espera, tinha mais alguém aqui?”
Os passageiros, que já estavam familiarizados entre si depois de cinco loops, ficaram surpresos com a estranha cara nova.
Mas Baek Saheon fez uma expressão chocada, fingindo estar tão surpreso quanto eles, e se virou para falar com quem ele sabia que poderia dar a melhor chance — Kim Soleum.
Claro, se aproximar da equipe elite era tentador, mas ele duvidava que eles dariam atenção significativa a um desconhecido aleatório.
Melhor apostar na tática do colega de quarto.
E pelo jeito como Kim Soleum se impunha como o mestre de cerimônias daquele circo todo, parecia a aposta mais segura.
“Meu Deus... Olá, senhor! Não esperava te ver aqui.”
“......”
Kim Soleum o encarou silenciosamente por um instante.
Então, sorriu.
“Sério? Pois eu esperava.”
Droga!
“Sério mesmo?”
“Haha, claro que não. Tô brincando. Como eu ia saber?”
“......”
Dominado pelo medo crescente, Baek Saheon quase perdeu o controle.