Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 249

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Eu tentei rapidamente salvar a situação.

"Estou ciente. Na verdade, um dos meus amigos próximos se envolveu com um culto e cortou todo contato."

Essa parte era verdade.

"Por isso decidi agir antes."

"Hum."

"Nessa situação, cultos e superstições tendem a prosperar. Quando as pessoas sentem dor sem entender o motivo, começam a se agarrar a qualquer coisa na esperança de algum alento."

Aconteceu nas voltas anteriores, afinal.

'Claro que as minhas ações atuais não serviam só para evitar isso. Era para escapar sem pânico em massa ou violência.'

Mas não consegui explicar tudo isso de forma lógica, então parei por ali.

"Escolhi esse método para minimizar os danos. Sei que é extremo e estranho, mas…"

"Hummm…"

Três segundos agonizantes se passaram.

"Bom, você até que tem um ponto."

Ufa.

"Ou seja, você está só falando essas coisas para acalmar o pessoal, mas na verdade está ajudando eles a sentirem menos dor e a encontrarem um jeito de todo mundo escapar, certo?"

"Exatamente isso, sim."

"Beleza! Vou cooperar totalmente!"

A Supervisora Golfinho estendeu a mão para um aperto.

Quando a peguei, ela me puxou para mais perto de repente.

"Mas você não pode tirar proveito de gente boa."

"……"

"Senão vou ter que brigar com você, supervisor."

"Claro. Vou lembrar disso."

"Ótimo! Perfeito!"

Sorri e finalizei o aperto de mãos com ela.

F-Fui salvo.

Suor frio escorria pelas minhas costas.

Lutar contra uma membro elite sênior dessa empresa do pesadelo e lidar com carne apodrecendo? Nem pensar! Prefiro bater a cabeça na parede.

"Pelo clima, parece que todo mundo no nosso vagão está 100% dentro, né?"

"É isso aí."

Squish, squish.

Continuei andando em direção à luz no fim do túnel enquanto respondia.

"Mas meu objetivo não para aqui."

Minha meta final…

"Vou fazer a maioria dos passageiros deste trem ‘acreditarem’ em mim."

Precisava que pelo menos sete dos oito vagões estivessem do meu lado. Tinha que garantir uma opinião pública dominante.

* * *

Quinta volta—

Após morrer e resetar várias vezes, os passageiros deste trem de alta velocidade afundavam além do pânico, numa mistura de exaustão, resignação e loucura.

Percepções distorcidas tornavam difícil pensar normalmente.

E, ao longo das repetições, tinham ouvido certas coisas inúmeras vezes.

"Alguém anda sussurrando umas coisas estranhas... tipo que somos escolhidos, que isso é um teste?"

"…Isso parece papo de culto. Que teste seria esse?"

"Parece que, se passarmos, ganharemos algum tipo de poder transcendental?"

"Mas as pessoas que caíram pelas janelas ficaram malucas. Já os do vagão de trás dizem que caíram, mas voltaram normais, contando o que viram lá fora…"

"…Sério? Impossível. Devem estar blefando, né?"

Mesmo com as dúvidas, a vontade por respostas era nítida.

Era a esperança inconsciente de que aquelas histórias fossem verdade.

"Tem um cara chamado ‘Desbravador’ no Vagão 7 que está ensinando como escapar."

"Ele tá oferecendo ajuda para todo mundo, dizendo que todos somos qualificados."

E, enquanto os murmúrios entre os passageiros do Vagão 3, uma cabine especial, aumentavam—

Lá, um homem sentado na poltrona da primeira fila.

Baek Saheon abriu os olhos.

‘Droga.’

Estava voltando para casa nas férias quando ficou preso nessa história maldita do trem fantasma. Sentia que ia apodrecer ali.

‘Não, é outra coisa…’

Pensou no olho novo escondido sob o tapa-olho médico e sorriu maliciosamente.

Observando como as coisas se desenrolavam, ele já tinha sacado.

‘Essa história toda é para jogar a galera pela janela!’

Basicamente, ele entendeu que precisavam expulsar uns metade dos passageiros para então chegar ao destino e acabar com o conto do fantasma.

‘Só preciso me esconder e ficar fora de vista.’

Cultos eram uma reação previsível em situações assim.

Em ambiente pequeno e de alto estresse, humanos tendem a fazer loucuras.

Com o trem dando voltas eternas até o ponto inicial e o estresse extremo do cenário sem saída, até sugestões ridículas, que geralmente seriam motivo de piada, passavam a parecer como última tábua de salvação.

Coisas que normalmente seriam rejeitadas com um “Nem tô comprando esse papo de culto” agora eram abraçadas. Era a natureza humana.

‘Só preciso ficar em silêncio e deixar que eles se joguem pela janela até o caos passar.’

"L-Lá atrás!!"

"…!"

Houve um rebuliço na parte de trás.

Briga?

Não. Não era briga.

Alguém entrou no vagão.

"Lá estão eles! O Desbravador e o pessoal do Vagão 7!"

Esse grupo do culto.

‘Vamos pelo menos dar uma olhada.’

Baek Saheon virou a cabeça casualmente para o corredor.

E então viu rostos familiares.

"...!!"

‘A equipe de elite.’

Jin Nasol, assistente do gerente do esquadrão A, e Lee Seonghae, supervisora do esquadrão C.

Reconheceu na hora—eram rostos que decorara no intranet da empresa, por precaução.

‘Que diabos eles estão fazendo aqui?’

Enquanto tentava entender se esse trem tinha alguma ligação com os Darkness gerenciados pela Daydream Corp—

"Atenção!!"

No meio do grupo tipo culto, a Supervisora Golfinho gritou, chamando a atenção de todos.

"Tem alguém aqui que vai ensinar vocês a escapar!"

Ela se afastou, e alguém surgiu pela porta que liga ao vagão posterior.

Um homem calmo, de terno e com um sorriso sereno, exalando uma estranha compostura.

Os olhos de Baek Saheon se arregalaram ao reconhecer.

‘...Kim Soleum!!’

"Por favor, não se preocupem."

Kim Soleum sorriu suavemente, abrindo os braços.

"Tudo isso faz parte de um grande teste, e vocês foram escolhidos."

S-Santa merda!!

Aquele louco psicopata é o líder do culto?!!

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