
Capítulo 246
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
Quando levantei o olhar, a Assistente de Gerência Jin Nasol me observava calmamente.
— E aí, como foi?
— É um lugar asqueroso, horrível. Quem cair sem preparação quase certamente terá colapsos mentais ou sinais de contaminação.
— É mesmo? Então se levante. Precisamos garantir—
— Ei! Por aqui! Essa pessoa está bem!
……
As palavras de Jin Nasol foram interrompidas, e ela franziu a testa irritada enquanto civis se aglomeravam ao nosso redor.
‘V-Vamos fazer isso rápido.’
Vendo o espanto no rosto deles, esbocei um sorriso fraco e sem foco.
— Você está bem?! Meu Deus!
— Essa pessoa pulou de livre e espontânea vontade! Mas... ela está bem?
— Sim, agora estou bem. Mas... o que aconteceu depois que eu caí?
— B-Bom...
Depois de uma conversa confusa e aflita, os pontos importantes ficaram claros.
— Depois que você caiu, a contagem regressiva reiniciou…!
— Sim! Foi como se o sistema tivesse sido resetado e passado a exigir outro sacrifício.
Exatamente como eu esperava.
— …! Entendi. E depois disso, o trem bateu de novo?
— Não! Não foi isso!
Um dos passageiros deu um passo à frente para esclarecer.
— Aconteceu algo estranho. Ninguém do nosso vagão caiu, mas de repente a oferta foi aceita e o caminho abriu…
……
— Teve uma confusão nos vagões da frente. As pessoas falaram que alguém caiu, mas todo mundo estava tão alterado e brigando que não dava para saber direito o que aconteceu.
……
— Ainda nos chamaram de loucos! Quando são eles que não estão entendendo a situação!
— Exato!
— É tão frustrante!
— Em jogos, não dá para deixar “trolls” assim passarem impunes.
Entendo.
A tensão começava a crescer.
‘É daqui que esse ciclo começa.’
Terceiro Ciclo :
Os vagões do trem se dividem em facções e começam conflitos. Passageiros pressionam uns aos outros para oferecer sacrifícios. Surgem os primeiros casos de violência e derramamento de sangue.
E…
Eventualmente, mortes acontecem por brigas dentro dos vagões.
……
Assenti com calma.
— Entendi. Parece que o número de sacrifícios exigidos aumenta conforme cada altar.
— C-Como assim?
— Uma pessoa para o primeiro altar, duas para o segundo. Parece que as ofertas necessárias aumentam em sequência.
— Ah…!
Eles provavelmente suspeitavam disso, mas não tinham coragem de dizer em voz alta. Ouvi murmúrios angustiados e suspiros reprimidos, mas ninguém negou minha afirmação. Estavam simplesmente com medo demais.
— E agora? O que fazemos? Não... Por que isso está acontecendo com a gente? Huiic...
— Te-Temos que pular pela janela para isso acabar?? É isso?!
Era um palpite razoável, mas coloquei a mão no ombro da pessoa gentilmente.
— Não. Calma. Com certeza existe um jeito de acabar com isso.
— Huiicc...
— Olhe para mim. Eu caí, e estou bem. Sempre tem um jeito.
— Ah……
O clima começou a se acalmar um pouco. Aproveitei a tranquilidade para falar com suavidade.
— Você disse que os outros que caíram não estavam bem, certo? Pode me levar até eles?
— Ah… Ah, sim!
— Por aqui!
Seguindo eles apressados, comecei a andar pelo corredor, observando os outros passageiros pelo caminho.
— Eu também!
A Supervisora Golfinho me acompanhou imediatamente, e atrás dela, a Assistente de Gerência Jin Nasol estava com os braços cruzados, como quem desafiava eu seguir adiante.
‘Ela está me deixando fazer isso.’
Não me surpreenderia se, no momento em que julgasse minha abordagem ineficaz, ela se virasse e começasse a jogar as pessoas problemáticas pela janela, uma a uma.
‘Mas isso não vai resolver o cenário.’
Por enquanto, essa era a opção mais eficiente e humana que eu tinha.
— Aqui… ele está sentado aqui…
Olhei para quem estava sentado na cadeira indicada.
Era o homem de óculos, olhando fixamente para o nada. O primeiro sacrifício do segundo ciclo — o homem que caiu pela janela.
— Senhor?
……
Sem resposta. Ele parecia totalmente fora de si.
— O que exatamente tem lá embaixo para deixá-lo assim...?
— É horrível. Mas…
Coloquei a mão sobre o peito.
— Eu percebi algo lá embaixo.
— …O quê?
Suavemente, baixei a mão e enfiei-a no bolso interno do paletó.
Alfinetei o pequeno distintivo que estava escondido ali.
O Coração de Prata.
— Pessoal! Não precisa se preocupar.
Enquanto falava, me aproximei do homem de óculos.
— Hic! Hic-hic! Hic!
— Está tudo bem... Está tudo bem.
Injetei com cuidado uma dose de Happy Maker nele.
‘O próximo ciclo vai zerar os efeitos, então é melhor ele ter um alívio temporário do que ficar preso nesse pânico.’
Diante do caos e terror que ele havia vivido, essa era a opção mais misericordiosa. E como o Happy Maker era do tamanho de uma caneta, para os outros pareceria só que eu estava ajudando ele a se acalmar com palavras de conforto.
Como mágica.
……Huuhk!
O homem respirou fundo, e a clareza voltou aos seus olhos. Um senso de tranquilidade o dominou.
— F-foi realmente horrível… mas, ah… acabou.
Devagar, um sorriso fraco apareceu no seu rosto.
— Obrigado… Eu me sinto… tão aliviado agora…
Ele se levantou lentamente, depois me abraçou, assim como os outros passageiros. Surpresos, eles aceitaram o abraço meio sem jeito, enquanto me olhavam maravilhados.
— Vocês… fizeram ele voltar a si…
— Como conseguiram isso…?
Sou uma fraude.
Mas mantive o rosto calmo, como se até eu estivesse maravilhado com o que havia acabado de fazer.
— Não sei por que ganhei essa habilidade, mas agora…
Respirei fundo.
— Acho que entendo o que está acontecendo neste trem.
…!!
— S-Sério?
— Sim.
Levantei a mão e comecei a contar nos dedos enquanto explicava.
— Sei quem precisa ser jogado pela janela, e quantas vezes isso precisa acontecer para que esse tormento acabe.
— M-Meu Deus.
O que eu estava fazendo, mesmo?
‘Mentindo.’
E esse tipo de golpe? Clássico em histórias apocalípticas.
‘Tática clássica de líder de seita.’
Um vigarista manipulando pessoas sob a máscara de orientação divina ou profecia.
Em ciclos anteriores, chegou a aparecer um líder de seita no Vagão 6. Se minha memória não falha...
Quinto Ciclo :
Cada vagão forma facções exclusivas. Alguns adotam crenças supersticiosas e chegam a realizar rituais sacrificiais, jogando vítimas pela janela após assassinatos ritualísticos.
Desculpem...
Não. Na verdade, não estou nem um pouco arrependido.
‘Esse papel de líder de seita agora é meu.’
Vou assumir antes que alguém mais o faça.
— Caros passageiros do Vagão 7, por favor, me dêem atenção.
Fiquei perto da porta do trem e levantei a voz.
— Fomos escolhidos para uma grande provação!
— Ai, meu Deus!!
Do bolso do meu paletó, ouvi Braun aplaudindo contente.
Eu acabara de ganhar o selo de aprovação do apresentador de creepypasta.
Aqui e agora...
Um líder de seita oficialmente fazia sua estreia.