Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 247

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

O método da enganação se assemelha a uma forma de marketing antiético:

1- Conquistar a confiança.

"Ele realmente consertou aquele cara dos óculos? Mesmo ele estando completamente fora de si?"

"É! Olha ele agora — está bem. E esse outro também caiu da janela e sobreviveu. Disse que viu algo lá embaixo!"

"Uau... Você realmente tá bem?"

"Sim, estou bem. E ele também — agora está em paz."

2- Apresentar o problema e sua causa.

"Então... você está dizendo que isso é tipo um teste? Se passarmos, podemos sair?"

"Sim. Tenho certeza de que poderemos sair."

"Ah...!"

"Espera, isso não é alguma história de caçador de fantasia? A gente vai despertar algum poder ou algo assim...?"

"Exatamente! Não tem como a gente ser jogado numa situação tão louca sem motivo!"

"Certo. Existe um motivo."

Quando o clima esquentou o bastante.

"E para escapar dessa situação..."

3- Vender a solução mágica.

No marketing antiético, essa “solução” seria o produto vendido. Num culto, é a doutrina.

E o método que propus foi:

"Todos têm que sair pela janela ao menos uma vez."

"…!!"

"Q-Quê?!"

"Não tenham medo, pessoal."

Sorri e apontei para mim mesmo.

E para o homem de óculos, agora tranquilo graças ao Happy Maker.

"Quem aceitar minha recomendação e pular pela janela ficará bem, assim como eu. Isso é uma espécie de prova."

"Ah...!"

"Se estiverem céticos... Posso tentar convencer vocês. Ou até pular de novo eu mesmo."

Justamente nesse momento, o aviso apareceu novamente.

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"Ah...!"

Mas, dessa vez, a atmosfera era diferente.

Pelo menos no Carro 7, onde as pessoas tinham ouvido meu “marketing”, começaram a murmurar e olhar para a janela.

'Será que sair dali pode realmente ser seguro?'

Não havia só pânico e medo — havia curiosidade e até certa expectativa.

– Ah, isso é fascinante! Que trabalho incrível, Sr. Roe Deer!

– Mas todo grande artista enfrenta desafiantes. Olha ali!

Thwack!

"Que porcaria é essa, seu maluco!!"

O homem de meia-idade de antes — com o rosto vermelho — bateu com força no apoio do banco e gritou.

Era ele quem havia caído da janela no primeiro ciclo e empurrado o homem de óculos no segundo.

'Parece que pular uma vez ajudou a recuperar um pouco do juízo.'

Mas ele ainda não estava totalmente normal.

"Aquele desgraçado empurrou outra pessoa pela janela antes — ARGH!"

"Seu louco... Cai fora, seu filho da puta!"

Os olhos dele giravam descontrolados, parecia prestes a me esfaquear a qualquer momento.

"Pular pela janela?! Eu não vou pular! Nem a pau, seu merda! Você que pule de novo!"

Ele empurrou outro passageiro e avançou na minha direção. Falei com calma.

"Se não quiser participar, não precisa agora."

"Q-Quê?!"

"Pode ir com calma. Além do mais, agora você não tem direito."

"Q-Quê?!"

"Digo que mesmo que implore para pular pela janela, não vou ajudar você."

Esse era outro passo crucial.

4- Restringir o acesso à solução.

Por que marcas produzem em quantidades limitadas, criam escassez artificial e mandam o cliente enviar mensagem para saber os preços?

A escassez faz as coisas parecerem valiosas, e itens difíceis de conseguir parecem ainda mais desejáveis.

Você dá às pessoas a sensação de que estão perto demais para agarrar, mas longe o bastante para que perder seja devastador.

"Só quem estiver qualificado pode passar pela janela sem sofrer."

"Q-Que tipo de papo é esse...?"

"E você não está qualificado. Não conquistou o direito de passar na prova sem dor. Afaste-se."

"…U-Uh..."

O homem de meia-idade gaguejou, cambaleou para trás e caiu no assento.

Funcionou de novo. A frase “enfrentar a loucura com loucura” bateu certinho dessa vez.

Com toda a agitação, todos no carro estavam com os olhos fixos em mim. Sorri calorosamente.

"Mas não se preocupem tanto. Chegará uma hora em que todos estarão preparados."

"…!"

– Magnífico!

Enquanto Braun vibrava, a multidão se aglomerava ao meu redor, me bombardeando com perguntas.

"Com licença! Então, quem é qualificado?"

"Não sei. Só sinto quem está pronto."

"Então, tem alguém qualificado entre nós?"

Foi quando—

"Eu... Eu sou qualificado?"

O homem de óculos, que estava sentado quieto, levantou a mão e perguntou.

Graças ao Happy Maker, ele estava calmo, sem medo nem PTSD. Não reagiu mal ao homem de meia-idade que já o atacou.

Mesmo assim, não conseguiu esconder o nervosismo e engoliu em seco.

Sorri e assenti.

"Sim."

"…!!"

"Você está qualificado. Já provou seu valor."

Fui até ele e segurei sua mão.

"Não precisa descer de novo. A calma que você tem agora é a prova. Você suportou tudo. Foi corajoso."

"Ah... Ahhh!"

Lágrimas escorreram pelo rosto do homem.

Os murmúrios ao nosso redor silenciaram.

Em seu lugar, um novo sentimento começou a se formar — desejo e concordância.

"De agora em diante, para quem for considerado qualificado e descer, darei um amuleto para proteger vocês da maior dor possível."

"…!"

"E-Então..."

Mas ainda não havia voluntários.

'Como esperado.'

Eu acabara de dizer que todos precisavam pular pela janela para escapar.

Ninguém teria pressa de se lançar numa possível tortura sem benefício claro.

– Amigo, tem alguma carta na manga?

Claro.

'Motivar eles de novo.'

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