
Capítulo 232
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
Me lembrei das dicas de trabalho que recebi no primeiro dia.
Ireum-nim? Enfim, ele vai começar a te chamar por um nome estranho e falar de felicidade e outras bobagens do tipo. Só grita de volta, xinga se for preciso—ele vai se calar.
Se não quiser xingar, só manda ele sair daqui.
Estranho.
Mesmo que a segunda folha de dicas tivesse sido corrompida, as pistas que ela dava eram precisas.
Porque.
"Sai daqui."
O jeito de expulsá-lo é 'rejeitar completamente depois de perceber sua identidade'.
Será que ele precisa de um acordo tácito para roubar meu tempo?
Se eu não der permissão, acabou.
Então…
"Hum, o que foi…?"
"Sai daqui."
Declarei novamente, ainda de costas para ele.
……
Kekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekeke
Sério mesmo? De verdade?
Já tinha dado permissão duas vezes?
"Sai daqui."
"Roe, tá com esse tom? Mesmo se estiver ruim, por que falar assim com um superior…?"
"Sai daqui."
"Hã? Espera, Roe. Não tá meio duro demais? Tô só tentando ajudar na limpeza…"
"Sai daqui."
"Eu não quero… Mas tudo bem, vou ficar quieto aqui… Quero dizer… não falei nada pra você…"
"Sai daqui."
"……"
Kekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekekeke
Que vergonhaaaaaaaaa
A voz atrás de mim se distorceu, ficando tensa e sinistra.
Rejeitar a bênção concedida para nós, seres miseráveis que não conseguem deixar nem a menor marca no alicerce deste mundo. Que pena.
Se você tivesse entregue sua história modesta, poderíamos enchê-la com a graça luminosa do IREUM-nim. O IREUM-nim nos teria reconhecido. Que infortúnio.
"Sai daqui."
Que pena…
Cerrei os dentes.
"Sai daqui."
Os murmúrios estranhos atrás de mim começaram a desaparecer.
E então…
Ficou quieto.
"……"
Parece que desistiu de me perseguir.
'Ufa…'
Quase desabei com o alívio, mas me segurei. Em vez disso, comecei a pensar racionalmente.
Ainda não ouvia passos, então assim que ele fosse para outro lugar, planejava sair dali correndo e contar tudo para a Segurança.
Esse era o plano…
Bip-bip-bip.
"……!"
O rádio no meu bolso chiou.
Uma voz conhecida saiu do aparelho.
[Cheguei… hum.]
"Cheguei… hum."
Mas então, ouvi uma voz próxima.
"……"
Virei lentamente a cabeça em direção à entrada do depósito.
Estava ali, parado do lado de fora da porta, o Sargento de Segurança J3, com o rosto impassível olhando na minha direção.
'É ele mesmo?'
Não, tinha que ser ele!
Abri a boca rápido para explicar a situação—
"……! Jay-ssi."
—quando escutei uma voz atrás de mim.
Soava confusa.
Virei ainda mais a cabeça para olhar por cima do ombro.
O Usurpador de História da Igreja do Desconhecido Luminoso, agora vestindo um uniforme de limpeza laranja brilhante, estava ali.
"Eu não entendo o que está acontecendo."
Era um homem jovem, na casa dos vinte e poucos anos, cabelo preto e expressão pálida e chocada. Ele alternava o olhar entre o Sargento e eu, com a cara cheia de confusão.
Kim Soleum.
Imitava perfeitamente minha aparência atual, me olhando com tom perplexo.
"O que é isso…? Será que algo assim pode acontecer durante a limpeza?"
Estava me copiando.
'Maldito…!'
Um arrepio percorreu minha espinha.
Virei-me rápido para o Sargento de Segurança e falei com calma, mas urgente.
"Jay-ssi, essa é um cultista da Igreja do Desconhecido Luminoso."
"Igreja do… o quê? O que você quer dizer? Jay-ssi, você sabe o que tá rolando aqui? Isso parece uma dessas coisas das Trevas…"
"Jay-ssi! Não responda. Só escute e avalie a situação em silêncio. Se você responder, vai se envolver nisso."
"……"
"Se precisar testar algo, fale sozinho com a parede—ou melhor, grite pra nós dois saírem daqui. Essa é a opção mais segura."
O Sargento me encarou, rosto indecifrável.
Ao meu lado, o 'Kim Soleum' tremia um pouco e falou com voz trêmula.
"Eu… eu não entendo o que isso significa."
O quê?
"Pense bem, Jay-ssi. Eu só… vou limpar aqui por três dias. Só percebi que era algum tipo de Trevas porque… alguém do meu lado falou."
"……!"
"É mais natural eu não saber o que tem na área isolada da Segurança. Jay-ssi, pense logicamente. Não é mais provável… que eu seja a verdadeira?"
– Ah, bem convincente.
Viu? Droga…!
"E… eu fico aliviado de você ter vindo. Desculpe por ter se envolvido nessa confusão…"
"……"
'Esse cara fala bem demais.'
Comportamento típico de cultista. Cerrei os dentes.
Lembrei que quase caí na dele no primeiro dia, quando apareceu como Assistente Eun Haje.
'Como o Supervisor Park Minseong percebeu que não era a Assistente Eun Haje de verdade?'
Me esforcei para lembrar daquele momento.
O que entregou?
'Não tinha nenhuma inconsistência lógica naquela hora também…'
O que foi?
Um desconforto que só alguém familiarizado com a pessoa real notaria?
Um jeito diferente de falar?
'Ou…'
Enquanto analisava desesperadamente, uma voz suave e controlada veio ao meu lado.
"Jay-ssi, por favor, não se sinta culpado. Apenas aja conforme seu julgamento. Eu vou aceitar."
……
Ah.
'Agora entendo.'
Era isso.
Pressionei os dedos nas têmporas e falei.
"Jay-ssi, preste atenção no motivo por trás das palavras deles. Quem está tentando puxar papo e te envolver na situação?"
Naquela época, quando apareceu como Assistente Eun Haje…
Estava exageradamente amistosa, considerando a situação.
Quem acabara de escapar de um confinamento e tentava não ser notado não agiria assim.
'Se realmente fosse a Assistente Eun Haje, ela não teria se revelado e tentado nos convencer. Ela teria se escondido até poder fugir.'
Ainda mais dizendo que tinha um item de fuga e só precisava esperar o bloqueio acabar.
Não fazia sentido correr o risco de falar com a gente na hora.
Uma resposta estranha e fora de contexto.
Então…
"Quem está falando demais, sendo social em uma situação estranha e perigosa? Quem parece ter uma intenção oculta?"
Falei calmamente.
"Não precisa confiar completamente em mim. Só grite para aquele cara sair daqui e ignore-o—isso já é o suficiente para banir essa história de fantasma. Ou chame outra equipe de Segurança…"
"Hmm."
O Sargento de Segurança se levantou.
E então.
"É esse aqui."
Uma enorme garra negra, parecida com a de um lobo, desceu cortando minha cabeça como uma guilhotina.
'Droga…!'
No instante antes de eu conseguir fechar os olhos—
Toc.
Não foi minha cabeça que voou.
Foi a do doppelgänger.
"……!!"
Squish.
A garra sombria e grotesca, pingando com os restos esmagados da cópia, subiu com um barulho nojento e voltou para o braço do Sargento de Segurança.
"Hum."
"……"
"Você está bem…?"
Olhei para meu uniforme laranja de limpeza, agora encharcado com o sangue do doppelgänger, e desabei no chão.
"……!"
"Sim. Obrigada."
Sobrevivi.