Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 233

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

O sargento de segurança me entregou uma toalha para que eu pudesse limpar o sangue que manchava meu uniforme de limpeza.

Eu o fiz mecanicamente, tomando cuidado para não olhar para o lado.

Ali, jazia o corpo grotesco do cultista da Igreja do Desconhecido Luminoso, com a cabeça esmagada pelo sargento.

– Hmm. Certamente não é uma visão agradável! Falta qualquer tipo de requinte estético enquanto mancha o chão… Ah! Sr. Corço Roe, algo interessante está acontecendo!

"……??"

Instintivamente virei a cabeça.

Aquela massa sangrenta e a cabeça esmagada que estavam ali começaram a derreter.

Como se o tempo estivesse sendo rapidamente rebobinado, as manchas de sangue no chão secaram e se transformaram no corpo ressecado de alguém totalmente mumificado e irreconhecível.

Da boca escancarada do cadáver encolhido, caiu uma folha de papel amarrotada e envelhecida.

A superfície interna do papel, originalmente marcada com caracteres dourados ilegíveis, se contorceu no momento em que meus olhos pousaram nela, transformando-se em coreano legível.

Escritura da Seita Mimética, Verso 4

Usurpador de Histórias

"……!"

Uma lei sagrada.

Na essência, funcionava como um gerador de histórias de terror para a Igreja do Desconhecido Luminoso.

Iniciados podiam engolir fragmentos da escritura sagrada e, por meio de oferendas ritualísticas em um altar, adquirirem os poderes correspondentes.

O sargento de segurança se aproximou devagar e se abaixou, parecendo disposto a recolhê-la.

"Quarto nível, hein… Ei, quer ficar com ela?"

Desculpe?

"A empresa… acho que compra essas por um bom preço. É só dizer que achou em outro lugar e vender depois."

"…Jay-ssi, você foi quem lidou com a situação, então será que é certo eu ficar com isso para uso pessoal?"

"Não faz diferença…"

"……"

"Eu realmente… não preciso de dinheiro."

Na verdade, eu queria saber se seria adequado ficar com aquilo após uma intervenção da segurança da empresa, mas como ele estava oferecendo, peguei rápido.

"Obrigado."

Várias utilidades imediatas vieram à mente, até além de vender para a empresa.

‘Quanto mais cartas na manga eu tiver, melhor.’

E depois de tanto sofrimento, eu merecia sair com algo.

Para evitar qualquer efeito indesejado, envolvi o item no 'Embrulho 12B357나', antes de fingir guardá-lo no bolso e, de fato, colocá-lo no meu inventário.

‘Huu.’

"Obrigado novamente por salvar minha pele. Estou te devendo a vida."

"De nada…"

Enquanto isso, as memórias dos últimos dois dias começaram a voltar lentamente.

A rotina monótona e sem acontecimentos dignos de nota.

Dias que passaram em um piscar de olhos, sem nada relevante para registrar num diário.

Dias que, em um ano, provavelmente nem eu me lembraria — o que na literatura chamam de “narrativa pulada”.

Aquilo me deu calafrios.

Era como se o tempo tivesse sido sugado de mim.

‘Igreja do Desconhecido Luminoso… Eles são o pior.’

Havia um motivo pelo qual eu menos queria me envolver com essa facção, entre as três grandes.

‘Creepypastas que se misturam perfeitamente à realidade.’

Jamais pensei que encontraria uma dessas enquanto limpava.

Claro que eu sabia que a Igreja do Desconhecido Luminoso tinha infiltrado a Daydream Inc., mas nunca imaginei topar com uma entidade descontrolada da sala de isolamento sem preparo algum.

‘Tenho sorte de estar vivo.’

Soltei um longo suspiro de alívio.

Eu só queria ir para casa e descansar…

"Ah, olha ele lá no corredor."

Rasgo.

Além da porta do Isolamento B, que o sargento de segurança abriu, um homem vestindo uniforme laranja de limpeza caiu desacordado no chão.

O outro faxineiro que veio comigo.

"…Supervisor Texugo!"

Ahhh!

Ele também estava aqui no terceiro dia!

* * *

Felizmente, o Supervisor Park Minseong recobrou a consciência pouco tempo depois de ser levado para a sala de descanso.

"…Hã? O quê? Lá… Alguém me empurrou..."

"Houve uma fuga envolvendo uma das salas de isolamento."

"Hã?!"

Expliquei tudo que havia vivido até então.

O sargento de segurança, por sinal, assentiu de vez em quando quando perguntado, mas não demonstrou interesse em me interrogar sobre a Igreja do Desconhecido Luminoso.

Honestamente, parecia que ele não queria se envolver com aquilo.

‘Bem… Ele é funcionário de longa data, então não posso culpá-lo.’

Eu entendi.

Após ouvir minha explicação, a expressão do Supervisor Park Minseong escureceu.

"Agora que você menciona, não lembro direito do que você fez nos dias um e dois… Só que limpamos tudo sem problemas. É só isso que ficou na minha memória."

"……"

"Assustador. Aquela seita é de arrepiar."

"Exato."

O cultista da Seita Mimética da Igreja do Desconhecido Luminoso havia absorvido e anulado até mesmo o próprio incidente que causou.

Como se nada tivesse acontecido. Tudo calmo e rotineiro.

‘E isso é só nível 4?’

Uma forma de manipulação da realidade, em outras palavras.

Para ser sincero, comparando com a classificação da Daydream Inc., seria algo entre nível B e C — nada baixo.

O problema é que existem inúmeros fanáticos na Igreja do Desconhecido Luminoso que possuem creepypastas classificados como poderes nível 4 ou superior.

Lembrei do cultista da Seita Mimética que mal parecia humano e engoli em seco.

Por favor, que eu não cruze com eles de novo até juntar todos os meus pontos para realizar desejos.

"Hum… Já que a limpeza terminou, você também deveria se trocar."

"Ah, certo. Vou me trocar rápido, Roe. Só me espera um instante!"

"Tá bom."

Me despedi do Supervisor Park Minseong enquanto ele saía da sala.

Perto de mim, o sargento de segurança varria os papéis que Park Minseong havia deixado cair, jogando-os na lixeira.

Entre eles estava aquela estranha folha de dicas de trabalho.

"……"

"Aliás, essa folha de dicas…"

O sargento falou primeiro, como se esperasse a oportunidade para tocar no assunto.

"Eu ia perguntar sobre isso de qualquer jeito — é muito suspeito. Essa dica realmente circulava na equipe de segurança?"

"Sim… circulava. Mas… jamais teríamos dado isso para aquela pessoa."

"…O quê?"

"Para o Supervisor Texugo…"

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