
Capítulo 236
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
Por um momento, pensei que ainda estivesse preso na história de fantasmas da Igreja do Desconhecido Luminoso.
Mas minha mente totalmente desperta avaliou rapidamente a situação.
'Isso é diferente.'
A Eun Haje que estava diante de mim não era mais aquela chefe impecável, de terno e gravata, que eu lembrava do escritório.
Ela parecia mais uma detetive que estava numa vigília disfarçada de três dias... ou talvez uma repórter.
A realidade me atingiu como um banho de água fria.
'Que situação é essa?'
Levantei-me imediatamente da cama.
"Assistente de Gerente."
"Sim."
Eun Haje assentiu.
"Antes de tudo, desculpe invadir seu lugar sem avisar. Não posso ser vista agora, mas precisava te contar algo importante."
Tendo sumido por dois meses, ela agora estava no quarto de outra pessoa como uma intrusa, lançando olhares desconfiados pela janela.
Como se estivesse sendo perseguida.
"…Quando você diz que não pode ser vista, quer dizer que estão te rastreando?"
"Algo do tipo. Mas me escuta primeiro."
Eun Haje ignorou minha pergunta e respirou fundo.
"No dia 2 de janeiro, quando você for trabalhar, será designado para uma Escuridão. …No papel, parecerá normal. É classificada como C, tem um manual completo, e você não será o único designado. Mas…"
Mas.
"Não vá lá."
"……"
"Encontre qualquer jeito de evitar. Tire uma licença médica ou até mesmo peça demissão se for preciso. Porque…"
Ela cerrou os dentes, depois os relaxou.
"Se você entrar, vai morrer."
"……!"
"Não pergunte como eu sei. Só faça o que eu digo."
"É o Kwak Jekang?"
"…!"
A expressão dela me deu toda a confirmação que eu precisava.
'Droga, um aviso de morte logo que eu acordo?'
Levei a mão à testa, tentando processar tudo.
"O que esse chefe de seção tem contra mim?"
"Todo mundo sabe que ele é psicopata."
Não dava para discordar disso.
Eun Haje falou com amargura.
"Mas você é talentoso, já conseguiu várias proezas impressionantes. Dessa vez, ele provavelmente quer te jogar numa situação onde você vai morrer com certeza só para ver como você tenta sobreviver."
Então, mostrar minhas qualidades da geração MZ tinha acabado me prejudicando.
'Droga.'
Sim, com alguém como ele, dava para imaginar o quanto ele ficaria empolgado em me usar como cobaia, me jogando numa história de fantasmas bizarra com condições estranhas.
No entanto…
"Mesmo assim, Assistente de Gerente, ainda tem chance de eu sobreviver, né?"
"……"
"E se ele está curioso para ver como vou sair vivo, não escolheria uma Escuridão onde a sobrevivência ao menos seja possível?"
Relutava em admitir, mas eu era mesmo um funcionário de elite subindo rápido na empresa.
Tinha bons contatos — o Diretor Cheong gostava de mim (por motivos desconhecidos) e o Diretor Ho também me via com bons olhos.
'Não importa como eu veja, duvido que um projeto desses, para me jogar na morte certa, fosse aprovado só com a palavra do chefe de seção.'
Ser enviado para um lugar perigoso sempre era possível, claro, mas histórias de fantasmas, por natureza, são inerentemente arriscadas.
'Até a própria Assistente Eun Haje disse que era C e com manual completo.'
Algo não estava fazendo sentido.
"Então, por que você tem tanta certeza de que eu vou morrer lá?"
Olhei para ela, pedindo silêncio para uma explicação. Eun Haje levou os dedos à testa franzida, como se tentasse conter um suspiro.
"Só tem uma coisa que eu sei com certeza."
Ela apontou para mim.
"No dia 2 de janeiro, você está marcado como falecido."
"……"
"Eu confirmei… numa Escuridão que mostra o futuro."
"…!"
Droga.
Uma história de fantasmas que revela o futuro? Algumas entradas na wiki me vieram à cabeça.
Mas mesmo deixando de lado a questão de como Eun Haje — que supostamente estava de licença — conseguiu acesso a essa Escuridão…
'Algo parece errado.'
"Chequei em qual Escuridão você seria designado no dia 2, e vim aqui imediatamente. Você me salvou uma vez, então isso é o mínimo que posso fazer."
"Espere um momento. Assistente de Gerente, isso ainda não faz sentido."
"O que quer dizer?"
"Eu também vi meu futuro. Lembra daquela história de fantasmas que eu estava cuidando? A das cartas de tarô?"
"…Lembro."
"Recentemente, tirei uma carta muito boa. E aquela previsão ainda não se concretizou."
Me lembrei da carta do Sol que tirei.
Direita. Uma carta que garantida felicidade.
"Você não pode ser feliz depois de morto."
"Pode ser feliz e depois morrer."
"……"
Ainda não me convencia.
Mas vendo o quanto Eun Haje estava ansiosa e sabendo que ela não tinha motivo para mentir, concordei por enquanto.
"Entendi. Vou pensar em um plano."
"Droga, tudo bem."
Eun Haje olhou brevemente para o céu, como se o peso tivesse saído dos ombros. Depois murmurou, como se quisesse se justificar,
"Roe, eu não planejava invadir seu lugar assim. É que… as coisas estavam urgentes, me perdoa. Ver alguém que saiu do time sempre deixa tudo meio estranho, né?"
"Não tem problema. Fiquei meio surpreso, mas fico feliz em ver que você está bem."
"…Huu. Roe, com sua personalidade, como pretende sobreviver nessa empresa…?"
"Haha."
Minha personalidade é comum — são as personalidades dos funcionários dessa empresa que já são histórias de fantasmas por si só.
'Sério, se eu agisse com menos respeito ao ex-chefe que veio até aqui me salvar, eu seria um verdadeiro maluco...'
E nem vou entrar no mérito de que meu maior problema não é personalidade, e sim que sou covarde.
De qualquer forma, a Assistente Eun Haje parecia aliviada, deu um sorriso cansado e fez um gesto com o queixo.
"Então tá, vou indo. Descanse."
"Espere um pouco."
"O que foi agora?"
"Bem, sobre sua mão…"
Olhei cautelosamente para a manga vazia dela, do lado esquerdo.
Eun Haje balançou o braço casualmente.
"O quê? Ainda está preocupada com isso? Roe, eu te disse, não uso mais poções de regeneração. Você que use."
"Não é isso que quero dizer."
Recentemente, pensei numa possível solução.
"Você me passou um equipamento de comunicação, lembra?"
"Ah, sim. Passei. Mas foi só porque eu não precisava mais..."
"Então, eu gostaria de te apresentar um equipamento em troca."
Eu joguei a moeda — meu equipamento pessoal.
Uma terceira mão surgiu no ar. Por uma moeda de 500 won, eu podia usar esse equipamento—
A Terceira Mão.
Ou seja, um item que concede a habilidade de crescer uma mão adicional.
"Que tal usar isso como item principal e customizar um para você, Assistente de Gerente?"
"…!"