
Capítulo 222
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
– Amigo, seu superior é um soldado chato e sem imaginação…
‘U-uh-huh.’
Agradeci ao Lee Jaheon e fui buscar o Braun.
Me senti um pouco mal pelos dois, porque quando voltei, o chefe Lagarto já tinha levado o bichinho de pelúcia para o próprio quarto, já que estava bem tarde.
Por causa disso, o Braun acabou conhecendo um lugar que eu mesmo nunca tinha ido — e, sinceramente, não tinha nenhuma vontade de conhecer —, então ele ficou um pouco animado.
– Ah, eu teria preferido ficar sozinho no chão frio do backstage de algum estúdio.
‘…Certo.’
No fim das contas, deve ter sido chato mesmo.
Enquanto o Braun reclamava que “não tinha absolutamente nada na casa daquele cara, nada de resmungos, nenhum cantarolar, só um silêncio que se arrasta sem fim”, eu comecei a suar frio.
“Mas, sinceramente, o lugar era tão sujo que não me sentiria bem te deixando ali naquele prédio abandonado. Como seu amigo, simplesmente não poderia fazer isso.”
– Amigo…!
Começo a entender agora. Usar o “bom amigo” como argumento na hora de lidar com o Braun parece ser a forma mais tranquila de fazer ele reagir.
‘Bem, não é toda mentira.’
De qualquer forma, enquanto recebia o Braun, lembrei da conversa que tive com o Lee Jaheon.
– Obrigado.
Disse, baixando a cabeça.
– E desculpe. Fiz algo que merece punição e acabei te causando problemas também, chefe de pelotão.
Na verdade, numa empresa comum, eu já teria levado uns tapas na cabeça com uma pilha de processos por isso.
Mas mesmo depois de ouvir a história inteira, o chefe do pelotão lagarto continuava calmo.
– Sim.
– …Eu simplesmente não conseguiria, sem motivo, empurrar um colega para uma situação onde ele obviamente morreria…
– Entendo.
Ele me encarou um instante e então falou:
– Assuma a responsabilidade pela sua escolha.
– …Sim!
Foi um pouco intimidador, mas parecia que ele ia relevar.
‘Ainda bem.’
Depois de mais algumas rodadas de desculpas e agradecimentos, entreguei uma caixa de lanches que tinha preparado. Agora eu descia as escadas do prédio residencial.
– Então, vamos voltar para seu quarto humilde e aconchegante para descansar, Sr. Corça?
“Não, ainda não.”
Saí do prédio.
“Ainda tem uma coisa para resolver.”
Hoje era o dia de tirar as cartas do tarô para O Dilema, a Escuridão F que eu estava administrando.
Faziam dois meses desde minha última visita ao anexo para conferir as cartas. Outro tinha me substituído durante minha licença médica, e o ciclo havia chegado novamente.
“Olá.”
Cumprimentei a silhueta preta do segurança na mesa, peguei a chave e segui pelo corredor.
‘Da última vez, tirei a carta da Lua invertida.’
– Ah, vai usar o truque de novo? Pegar a carta de cabeça para baixo, quer dizer!
Hmm. Aquela.
“Eu uso se for preciso, mas prefiro evitar.”
– Oh?
Tem algo… que me incomoda.
‘Quando tirei a Lua invertida, supostamente significava a resolução da incerteza.’
– De fato. Qual o problema nisso?
A carta em si não era o problema. Durante aquele mês, várias coisas ficaram mais claras ou foram resolvidas.
Por exemplo… minha designação.
‘Fui confirmado para permanecer no Pelotão D.’
…Depois de perder dois membros, claro.
“……”
Mas aqui está o ponto.
‘Resolver incertezas requer antes vivenciar uma situação incerta.’
Ou seja, tirar uma carta ruim invertida implica que…
‘Eu ainda teria que passar pelo estado negativo primeiro.’
Para me recuperar ou escapar daquela situação, eu teria que enfrentá-la pelo menos uma vez.
– Ahá, uma perspectiva interessante! Bem convincente também!
Exatamente.
E mesmo que as coisas se recuperem no final, no mundo das histórias de terror, cair em um “estado ruim” traz riscos enormes.
Eu não podia me esquecer do incidente da contaminação.
‘É melhor tirar algo bom e na posição normal, se possível.’
Então, por favor, vamos evitar cenários em que as duas cartas sejam ruins, me deixando sem saída.
‘Huu.’
Entrei na sala de contenção e abri o isolamento d’O Dilema. Tirei duas cartas pretas do tarô e as coloquei viradas para baixo na mesa.
Respirei fundo e as virei.
A primeira carta:
O Diabo.
Droga.
‘Essa maldita carta do Diabo não para de aparecer.’
O único detalhe surpreendente era que, dessa vez, ela estava invertida.
– Ah, o Diabo invertido!
– ‘Libertar-se do Diabo.’ Uma carta de libertação. Significa superar vícios ou obsessões, ou tomar decisões futuras para vencer medos. Combina com alguém com sua força de vontade e criatividade, Sr. Corça.
Agradeci a explicação, mas logo me concentrei na segunda carta.
…O Sol!
O sol vermelho e amarelo brilhava intensamente, iluminando a carta do tarô com cores vibrantes.
Isso é…
‘Não é um sinal inegavelmente bom?!’
– Oh, o Sol!
– Sob a luz clara do Sol, se goza de alegria e bênçãos em abundância! Representa sucesso na carreira, relacionamentos fortalecidos e positividade sem igual. Garante felicidade em um futuro próximo.
– Alguns até consideram essa a melhor carta do baralho, mas… não seria um pouco chato ter sucesso e felicidade incondicionais?
Desculpa, mas eu adoraria um pouco desse “tédio” agora, Sr. Hospedeiro…!
‘Essa é uma escolha fácil.’
Estendi a mão e peguei a carta do Sol.
Com isso, garanti um futuro positivo, estável e na posição normal.
– Uma escolha meio sem graça, mas aplaudo, Sr. Corça!
‘Valeu.’
Assim, encerrei o ritual.
‘Sucesso e alegria, hein.’
Não tem lado negativo nisso.
Pelo menos, eu podia me confortar com a previsão de que algo bom aconteceria dentro do mês.
‘Hora de voltar para o dormitório.’
– Combinado, amigo!
E assim, voltei para casa tarde da noite, terminando um dia longo e cheio de acontecimentos. Infelizmente, não pude usar o elevador e tive que subir as escadas.
‘Subir a escada de incêndio à noite é mais assustador do que parece, mesmo sem histórias de terror…’
Parecia meio injusto.
Mesmo assim, esse foi realmente o último grande evento de um ano turbulento.
Para minha surpresa, os dias que restaram do ano passaram tranquilos.
Durante dezembro, quase nada aconteceu.
Kwak Jaekang não me chamou desnecessariamente depois do incidente, e nenhum projeto de pesquisa estranho foi designado para mim.
‘Parece que minha tática [eficiência MZ] funcionou…’
Eu estava preocupado que a Equipe de Pesquisa fosse tentar envolver o Jang Heo-un de novo, mas isso também não aconteceu.
[Jang Heo-un: Soleum-ssi! Sem mudanças na minha alocação – oficialmente vou continuar no Pelotão F.]
Parecia que ele tinha se estabilizado no Pelotão F sem problemas após o anúncio do pessoal de fim de ano.
‘Boa notícia.’
Mesmo ele estando no mesmo pelotão que o Baek Saheon… bem, pelo que vi no Colégio Técnico Sekwang, não parecia que estavam usando o Jang Heo-un como isca de forma imprudente.
Fora isso, tudo estava comum.
‘Entrei de cabeça nas histórias de terror.’
Não tive nenhuma missão envolvendo histórias de terror de nível alto, classificadas como C ou acima.
Como resultado, os únicos “horrores” que vivi foram gritos internos, medo e uma crescente coleção de desenhos infantis para tentar combater minha insônia.