Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 212

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Não faço ideia de como consegui passar aquela noite depois de notar a rachadura no popsocket.

No dia seguinte, ignorei minha doença, saí direto e comprei um celular novo.

Depois de transferir o chip, com as mãos trêmulas, coloquei o popsocket rachado e liguei o aparelho.

‘…Funcionou!’

Felizmente, a wiki ainda estava no ar, mas…

Algo parecia errado.

Registros da Exploração Sombria / História de Fantasma

[Táxi Infernal]

Está dando problema.

Era como um computador velho no fim da linha, mostrando aquela lentidão típica de uma máquina moribunda.

Apesar de se recuperar depois, o arrepio na espinha continuava.

‘Claro. Até o merch pode estragar...’

A estranha realidade de usar merch comprado numa loja temporária de um universo creepypasta havia me feito esquecer o quanto eu dependia do celular.

“Por que não copiar ou fazer backup da wiki em outro lugar?”, você pode perguntar.

‘Isso levaria mais de um mês.’

As páginas acessadas pelo Popsocket Memorial não podiam ser copiadas nem capturadas. Cada entrada precisava ser transcrita à mão, meticulosamente.

‘E não há garantia de que o popsocket aguentaria tanto tempo.’

Apesar disso, não era hora de entrar em pânico.

Afinal, esse merch vinha de um universo creepypasta.

Eu construí uma base aqui nesses seis meses, e agora outras opções haviam se aberto.

Conseguir um popsocket novo.

Ou achar um jeito de consertar este.

Curiosamente, ambos exigiam o mesmo tipo de conexão.

‘O Escritório de Gestão de Desastres.’

A origem do popsocket, claro.

E eu sabia onde eram fabricados itens como este e o broche Coração de Prata…

Naturalmente, também sabia como acessar o lugar, o código de acesso, e os preparativos necessários.

Convenientemente, eu tinha até um crachá temporário de agente do Escritório de Gestão de Desastres.

“……”

Pressionei as têmporas e pensei.

‘Minha licença médica dura três dias.’

Ou seja, eu não poderia me envolver em nada relacionado à Death Lane ou ao trabalho da empresa nesse estado.

Mas, enquanto não estivesse na empresa, poderia me esforçar em outras áreas se suportasse. Afinal, a recuperação seria garantida em três dias.

‘Mas a dor da maldição da tarifa do táxi, essa eu não posso evitar artificialmente.’

Como era uma maldição, nem os analgésicos mais fortes ajudariam. Além disso, usar métodos sobrenaturais para fugir da dor só prolongaria a maldição.

Somente sofrer de verdade contaria como pagamento.

Então, salvo se fosse absolutamente necessário, eu deixaria meu analgésico ultrapotente, o Happy Maker, guardado sem usar.

Pra falar a verdade…

“……”

Lembrar de quando usei isso naquele pesadelo me arrepiava.

‘Não sentia dor alguma, só paz...’

Se não tivesse sido um sonho, ou se a Sala de Psicoterapia da Raposa não tivesse tratado a minha contaminação, eu poderia ter me viciado nele, revivendo aqueles momentos sempre que ficasse difícil.

Tenho que tomar cuidado.

‘…Certo.’

Não vou deixar para depois o que posso fazer agora — vou me preparar enquanto puder.

Com cuidado, retirei o popsocket rachado do celular, embalei e guardei no meu inventário tatuado.

“Braun. Vamos sair de novo.”

– Ah, o espírito indomável mesmo ferido! Essa é daquelas histórias que merecem entrevista. Um verdadeiro testemunho da paixão pela profissão, não acha?

– Mas se for demais, só falar comigo. Este Braun aqui, seu colega e amigo perfeito, está sempre à disposição para ajudar…

Foi reconfortante e ao mesmo tempo assustador.

“Valeu.”

Depois de um banho rápido para tirar o suor, vesti um moletom leve e enfiei o coelho de pelúcia com gravata borboleta brilhante no bolso da frente do moletom.

– Você está com tudo, senhor Veado! Pra onde agora?

Hmm.

“Para o lugar em Seul onde os jovens mais se reúnem.”

* * *

Desci na Estação Hongdae.

Era fascinante ver aquela área tão cheia mesmo numa tarde de dia de semana.

‘Mesmo longe da estação, tinha muita gente.’

De Mangwon a Yeonnam, cada rua estava fervilhando de visitantes.

Era um contraste gritante com o beco sem saída conectado à Death Lane de ontem — essa multidão parecia quase irreal.

– Que lugar vibrante, cheio de gente animada e cheia de energia! Ah, adoraria convidar todo mundo para um show, trazendo emoções e sustos inesquecíveis!

Ahhh!

Felizmente, Braun se distraiu rápido, poupando-me de ter que acalmar sua voz empolgada.

– Hum, o cheiro de café está ótimo! Quer uma xícara, amigo? …Vish! Você está cambaleando. Quer que eu te apoie?

‘…Estou bem.’

Maldito pela doença, e agora na movimentada cidade de Seul ao lado desse morador do universo de contos de terror, era inevitável que coisas estranhas acontecessem… Ah, bem.

Mesmo assim, a sensação de estar num lugar animado e ensolarado era reconfortante.

Uma rua cheia de cafés, banhada pelo sol, sem um pingo de sombra sombria à vista.

Era quase impossível imaginar algo místico ou assustador acontecendo ali, em plena luz do dia.

‘Exatamente por isso é seguro.’

Recordei as instruções sobre como acessar o local onde eu poderia consertar o popsocket.

O documento do Escritório de Gestão de Desastres, registrado na wiki, com uma foto da anotação.

! Destruir após leitura completa

Onde ir: Um café com telhado azul e sem placa. É uma casa adaptada com uma coroa de flores de trigo sarraceno na porta.

Lá estava.

Com a ajuda de Braun, suprimi totalmente minha presença e entrei no prédio de telhado azul.

Era um café grande, cheio de clientes.

Mesmo em plena luz do dia, o lugar brilhava com todo tipo de luz e decoração, e os funcionários corriam para pegar pedidos e preparar bebidas.

Em vez de entrar na fila para pedir, me afastei discretamente, me abaixei e escorreguei para a cozinha.

Avancei mais fundo e logo me deparei com duas portas na esquina.

[Somente Funcionários]

Embora as duas portas amarelas fossem idênticas, uma dava para o lado de fora, enquanto a outra…

‘Era a porta que eu precisava abrir.’

Entrar somente pela porta da direita. Não tocar na da esquerda. Se tocada, a ‘localização’ se torna inacessível pela porta direita.

Com cuidado, me aproximei da porta da direita e bati na superfície ritmadamente.

Bate-bate, batebate—, bate-bate, batebate—

O Jangdan Jajinmori, uma batida familiar a qualquer um que tenha passado pela educação pública coreana.

Abri só um pouco a porta e me esgueirei para dentro.

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