Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 207

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Mas, honestamente, quem em sã consciência ficaria ali tentando negociar calmamente em vez de sair correndo numa situação dessas?

‘Aposto minha barra de ouro que ninguém.’

Huu.

Naquele instante, Lee Jaheon desceu despreocupadamente da máquina de lavar atrás de mim.

Perguntei sem pensar.

“Chefe de esquadrão, se eu não tivesse agido antes, você teria tentado aniquilar... quero dizer, eliminar aquela massa de água?”

“Sim.”

“……”

Como esperado.

O timing foi perfeito, e se eu tivesse ficado paralisado na papelaria, as coisas teriam terminado muito mal.

‘Acho que fugir naquela hora foi a decisão certa.’

Será que eu deveria rir ou chorar?

Mas vamos focar.

‘Ainda estamos presos nesse beco.’

O lado positivo era que eu conseguira pensar numa possível rota de fuga.

“Chefe de esquadrão.”

Eu dei uma sacudida na barra do meu terno e me posicionei em frente à porta de vidro da lavanderia.

“Pensei numa forma de escapar... Se algumas condições forem atendidas, podemos tentar mesmo estando neste beco da Morte.”

“Entendido.”

“Sim. E a primeira condição é...”

Eu observei as lojas ao longo do beco.

O objeto que o dono da papelaria usou para fazer a ligação — aquele que nos colocou nessa enrascada.

“Um telefone.”

* * *

Algum tempo depois.

Clink—

Entramos numa loja no beco sombrio, cuja vitrine emanava um brilho surpreendentemente acolhedor.

Por coincidência, era o mesmo lugar onde meus colegas fizeram suas compras antes.

Fiel ao letreiro ‘Tricô Artesanal’, a loja exibia suéteres, meias e cachecóis aconchegantes — mas misturadas havia umas fibras estranhas, puídas e... úmidas...

‘Argh.’

Tentei não prestar atenção e comecei a examinar a disposição da loja.

Depois de horas desviando da fúria do dono da papelaria e explorando várias lojas do beco, finalmente achei o que procurava.

‘Aqui está!’

Outra porta.

Na parede oposta à que entramos, havia uma porta grande.

Era maior do que a que acabara de atravessar, o que significava...

‘Essa deve ser a entrada principal.’

E além dela, havia uma rua desconhecida, fora dos becos da Morte...

Era o que os <Registros de Exploração das Trevas> costumavam chamar de ‘posteriormente marcada como desaparecida’.

De vez em quando, uma porta do lado oposto das lojas da Morte era encontrada. Entrar nelas era fortemente desaconselhado.

※ Até hoje, não há registros de retorno.

O medo provocado pela pergunta “Para onde vão os exploradores que se desviam do caminho?” é respondido apenas pelo aterrador “Não sabemos.”

O terror do desaparecimento.

‘Huu.’

Rápido, desviei o olhar para não encarar o letreiro de neon ao outro lado da porta de vidro fosco.

Enquanto isso, Lee Jaheon examinava as meias, escolhendo uma que comprovadamente era segura. Levei-a ao caixa.

“Olá.”

O lojista, tricotando com seis mãos, me lançou um olhar por trás dos óculos antigos.

Mais uma vez, discretamente mantive meu olhar na blusa dele, evitando encarar o rosto.

Entreguei casualmente as meias e falei.

“Por favor, dê entrada nelas. Ah, e posso usar seu telefone para uma ligação rápida?”

Sem parar por aí, deixei algumas moedas extras sobre o balcão.

……

O velho comerciante da Morte pegou seu telefone analógico e me passou.

“……Obrigado.”

Huuuu.

‘Com isso, garanti todas as condições.’

1 - Um telefone.

2 - Uma porta para sair, longe do beco.

E...

3 - Um meio de transporte.

Examinei o disco giratório do telefone antigo.

Claro que discar um número do mundo real num telefone da Morte não garantiria a conexão.

Havia registros esporádicos de chamadas que pareciam conectar, mas sempre de forma estranha, como em uma história de fantasma.

Às vezes, alguém fingia ser parente e caía na risada quando descoberto, ou a linha conectava a uma família fazendo funeral pelo chamador devido ao tempo distorcido.

‘Assustador.’

Então, o que eu pretendia não era um pedido de socorro.

‘Se for algo... é o oposto.’

Levantei o dedo e girei o disco com certa dificuldade.

666666 4444 8282

O número não fazia sentido algum e, normalmente, a ligação sequer tocaria...

Brrr... click.

Incrivelmente, funcionou.

[......]

Encarei a respiração do outro lado da linha e falei o mais calmo possível.

“Alô. É a companhia de táxi? Gostaria de pedir um carro.”

[Localização confirmada.]

Uma voz rouca respondeu, polida, mas com um tom levemente sarcástico e condescendente.

[Por favor, informe o horário desejado para o serviço.]

“Gostaria que chegasse agora.”

[Por favor, informe o destino.]

“...Saída 1 da Estação de Seul.”

[Entendido. Enviando um motorista...]

Afasto o telefone do ouvido por um momento.

Alguns segundos depois —

[Seu transporte foi despachado. Tenha uma boa viagem.]

Click...

Beep-beep-beep.

A ligação encerrou automaticamente.

“...Obrigado.”

Devolvi o telefone ao lojista com uma reverência educada e entreguei a bolsa com as meias para Lee Jaheon, escondendo o tremor das mãos.

‘Huu.’

Feito.

Como você deve imaginar, não era um serviço de táxi comum.

Um misterioso táxi que transcende tempo e espaço.

‘É uma história de fantasma...!’

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