
Capítulo 205
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
Então, mantendo um tom completamente natural, eu disse,
"Estávamos só andando devagar para conferir uma coisa. Vocês dois já atingiram a meta de passos?"
"Ah, estamos chegando lá. Andamos bastante pra lá e pra cá enquanto olhávamos a loja."
"……"
"Uma pena, viu~ Poderíamos ter conferido mais duas opções de vielas!"
Kang Yihak estalou a língua com arrependimento.
Na tela do celular dela, o número de passos restantes estava claro.
Não desista do seu corpo!
Passos restantes: 1.052
"Já que gastamos todo o dinheiro que você nos emprestou, vamos dar uma olhada na próxima viela antes de voltar. Haha!"
"…Sim."
Você sabia?
Existia exatamente uma maneira para quem tivesse perdido o celular conseguir sair daqui com sucesso.
Um método registrado várias vezes, bem verificado e confirmado como fato.
Eu quase tive uma chance dessas há pouco.
E era…
Roubar o celular de outra pessoa.
O supervisor Park Dojeong se envolveu numa briga com um comerciante durante uma negociação. No processo, teve três fissuras em uma costela do lado esquerdo e o celular dele foi destruído.
Ele voltou com sucesso depois de agarrar o celular de um civil.
"……"
Eu olhei para o celular de Kang Yihak, balançando no ar, sem proteção…
Então disse,
"Certo. Por favor, voltem primeiro. Chefe de esquadrão, podem ir sozinhos?"
"Sim."
Enviei meus dois colegas embora.
"Então, vamos voltar. Obrigado…!"
"Haha, até amanhã no trabalho. Aí a gente fala mais sobre o que pegamos~!"
Os dois entraram na viela e sumiram de repente.
…Devem ter entrado na próxima viela.
Não faça nada que não consiga controlar.
'Isso é um ato de maldade indiscutível.'
Se eu fosse tão longe, talvez não conseguisse mais usar meu Coração Prateado.
Mesmo que não fosse isso, se depois percebesse que poderia ter sobrevivido sem roubar um celular, não suportaria isso na cabeça…
'A menos que seja o pior dos cenários, não vá tão longe.'
No momento em que ultrapassasse essa linha, minha corrupção poderia acelerar.
Tracei o anel prateado que já usava, me firmando.
– Ah, Senhor Cervo, escolheu a dignidade. Que contenção admirável!
– Alguns convidados recorrem aos atos mais vergonhosos só para chamar atenção. Isso também é uma espécie de profissionalismo nobre, mas não são competidores como você que realmente conquistam o público?
R-Certo.
'Obrigado.'
Embora, pra ser sincero, eu preferia não ser comparado a isso.
Respirei fundo, tentando não lembrar do caos do Quiz Show de terça-feira.
Já estava preso numa história de terror – não precisava reviver o momento em que quase morri em outra.
Em vez disso, foquei em vasculhar meus registros mentais, procurando alguma pista nessa viela que pudesse ajudar—
"Senhor Cervo."
Fwik—
Lee Jaheon me pegou pelo colarinho e me puxou pela porta de uma loja.
Depois de me arrastar pra dentro, ele se jogou no chão imediatamente.
"Tem água."
"……!"
Levantei a cabeça.
Estávamos dentro de uma lavanderia automática sem funcionários.
Além da porta de vidro fosco, a viela estava enchendo de água…
Ssshhhaaa—
Pela fresta estreita entre dois prédios residenciais — não era uma viela — uma água negra esgueirava, acumulando-se e se moldando numa forma familiar, parecida com a de um mascote.
Um personagem dragão que desliza.
'…Não parece o mascote de verdade.'
Diferente da última vez, não emanava aquela presença aguda e inteligente.
Mas isso só a tornava mais assustadora, mais ameaçadora.
'Acho que não vai dar pra negociar.'
– De fato. Tentar conversar com um balão de desfile é uma tentativa inútil, amigo!
A massa de água mexia os membros de forma abrupta, seu andar grotesco a levando de volta pela viela.
Felizmente, não olhou para dentro da lavanderia.
'Ufa.'
Espalhados pelo chão úmido estavam barras de chocolate, provavelmente lavadas de uma papelaria pela enxurrada.
Então chegaram os moradores da Viela da Morte — os que estavam hipnotizados pelo desfile — correndo até elas.
É meu! É meu!
Me levem para o Parque Temático Alegre!! Quero ganhar!!
Vamos achar a criança boazinha! Vamos achar a criança boazinha!
Uma mistura caótica de pedestres e comerciantes invadiu o lugar, rasgando as barras de chocolate, procurando desesperadamente pelo que estava dentro —
Provavelmente ingressos para o parque ou passes de membro.
…Igual à minha tatuagem.
: Socius :
'……Se eles virem, vão arrancar minha pele junto com ela.'
Aquele cenário clássico de história de terror passou na minha mente, arrepiando até a espinha.
Abri a porta de vidro de leve no instante em que a massa de água desapareceu no final da viela.
Clink.
…Por sorte, os pedestres da Viela da Morte que vasculhavam os chocolates freneticamente não olharam para cá.
Engoli em seco, joguei uma moeda e convoquei uma terceira mão no ar.
A mão translúcida se esgueirou cuidadosamente pela fresta da porta de vidro e pegou uma das barras de chocolate que havia pulado da viela para dentro da lavanderia…
No momento em que a terceira mão voltou, agarrei rápido a barra e enfiei na minha outra tatuagem.
'Ufa.'
Se eu já estava causando problema, ao menos coletaria informações para analisar.
Felizmente, fosse pelo anel prateado agindo, não senti alucinações estranhas nem barulho, nem aquele desejo ardente pelo parque temático.
'Vou examinar isso melhor quando voltar para a realidade.'
Ao tirar a mão do estoque da tatuagem e desativar a terceira mão, me lembrei de um item que vinha carregando o tempo todo sem nunca usar.
O item mais caro da loja alienígena.
Podemos Ajudar! – ₩66,666,666
"……!"
Retirei esse item.
Um pequeno botão vermelho.
…Certo, Braun tinha dito algo assim:
– Hmm. Sim, Senhor Cervo, você pode encarar isso como uma 'fuga de emergência'.
Fuga de emergência.
'Devo apertar?'
Pelo preço, parecia que devia guardar para um nível superior de Escuridão, mas com a ameaça de desaparecer, talvez fosse melhor usar agora do que arriscar tudo.
'Tá bom.'
Vamos ver o que acontece.
Antes de apertar, mostrei o botão para o chefe de seção Lee Jaheon.
"Chefe, isso é—"
"Quer minha opinião?"
"……"
Hã?
"Quer minha opinião?"
"…Sim."
"Não use."
"……"
Um calafrio me percorreu.
"Você sabia desse botão, chefe?"
"Sim."
"…Acontece algo ruim se eu apertar?"
"Depende do ponto de vista."
"…Pode ser mais específico?"
"Não é possível."
"……"
"Mas, na situação atual, não recomendo usar."
"……"
'Huu.'
No fim, guardei o botão de novo.
Chefe Lee Jaheon pode não dizer tudo que sabe, mas não mente.
E o fato de ele também poder comprar itens na loja alienígena me deixava ainda mais inquieto.
'Foi por causa dele que consegui o link da loja alienígena no começo, com a conta dele.'
Enfim, usar esse item agora seria como marcar meu próprio registro final sombrio na exploração.
– Poxa, você não vai apertar? Eu estava curioso pra ver o que aconteceria, que chato.
Sério?
Uma onda de cansaço profundo me invadiu.
Foi como perceber que a escada de corda que achei que apareceu do nada era só um desenho.
"……"
Encostado na parede da lavanderia, reprimi um suspiro.
"Nesse caso, todas as opções que restam são apostas no escuro."
O chefe Lee Jaheon me olhou. Eu tamborilei os dedos nervoso no braço.
"Tipo… talvez se destruirmos uma casa inteira, possamos criar uma brecha no conceito da viela e escapar— Espera, não faça isso!"
"Sim."
Estou ficando louco.
Rapidamente, impedi o lagarto de socar um buraco na parede com as próprias mãos, e então me joguei no chão.
'Não existe mesmo outro jeito?'
Ou morremos, ou escapamos.
Será que não há opção mais confiável que apostar numa jogada extrema?
Certamente, os métodos para sair de uma história de terror…
……
Ah.
"……!"
Levantei de um salto.
"Senhor Cervo."
"Chefe!"
Isso—isso pode funcionar!
"Tem um jeito que podemos tentar. Primeiro, saímos daqui e nos mudamos—"
Lee Jaheon agarrou meu ombro e me puxou pra trás.
"Afaste-se."
"……"
Virei a cabeça.
Através da porta de vidro da lavanderia, vi uma forma escura.
Estava nos observando.
Uma massa de água negra.
Encontrei vocês.