
Capítulo 185
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
"……"
Não.
Não!!
– Como você ousa tratar meu amigo com tanta grosseria!!
E-Espere, calma.
Vamos não exagerar, Braun. Vamos nos acalmar…
‘Tudo bem. Parece um mal-entendido.’
Segurei um suspiro e levantei a cabeça.
Embora eu não estivesse nada animado…
‘Acho que não faz mal tentar uma sessão de aconselhamento. Pode até ser bom para a minha saúde mental.’
Vamos não pensar nos efeitos colaterais — provavelmente as chances são muito baixas mesmo.
– Hum… se é assim que você pensa, Sr. Corça!
Então tá.
Decisão tomada.
Arrastando os pés, caminhei com relutância.
À frente parecia haver um vestiário.
Um cartaz decorado com flores estava preso aos armários.
Seja bem-vindo, querido cliente!
Por favor, troque para a vestimenta antes de entrar ^^
Fileiras de jalecos hospitalares com estampas de folhas verdes estavam penduradas em vários tamanhos.
Será que é um exame médico ou o quê…?
– Se roupa fosse só para conforto, andaríamos todos nus.
– Nesse sentido, essa peça é um tecido que não serve para nada além de cobrir o corpo.
Exatamente.
‘Mesmo assim, eu deveria vestir.’
Do lado de fora, havia um lagarto que poderia destruir fisicamente histórias de fantasmas em vigília. É melhor cooperar e terminar logo essa sessão.
Troquei de roupa e vesti o jaleco.
‘Essa cortina parece ser a entrada para o espaço de aconselhamento.’
Quando estendi a mão para afastar a cortina que parecia a saída do vestiário, percebi uma escrita.
A partir daqui, somente o cliente pode entrar ^^
Amigos, família e responsáveis devem aguardar aqui!
‘Ah.’
Hum… Mesmo que tecnicamente fosse um benefício, ainda fazia parte de uma história de fantasma. Melhor não quebrar as regras.
"Braun, pode esperar aqui um pouquinho?"
– Oh, mentiria se dissesse que não estou preocupado, mas nesse caso, claro que preciso respeitar sua privacidade!
Ok.
Coloquei Braun cuidadosamente perto do vaso na mesa do vestiário e afastei a cortina.
Tilintar…
A luz do sol banhava quente lá fora sobre minha cabeça.
"……!"
Um espaço pequeno e aconchegante se abria à minha frente.
Um ambiente relaxante, iluminado pelo brilho do sol do meio-dia.
========================
Registros de Exploração Sombria /
História de Fantasma
[Escritório de Aconselhamento Raposa]
: Uma história de fantasma apresentada em <Registros de Exploração Sombria>
: Código de identificação Daydream Inc. – Qterw-E-925
Um espaço de aconselhamento composto por uma janela ensolarada, sofás em tons pastel suaves e um pequeno sino prateado que emite um som claro.
Listada como um benefício de nível E para funcionários da Daydream Inc., apresenta efeitos moderados na estabilização mental e recuperação de contaminações.
Consulte o documento completo para detalhes do uso do Escritório de Aconselhamento Raposa.
========================
De fato, a atmosfera aqui era… bastante agradável.
– Que seja uma sessão produtiva, amigo!
Eu realmente esperava isso.
Fechei a cortina novamente e entrei no ambiente.
Mais uma vez, uma nota de orientação apareceu.
Por favor, sente-se confortavelmente no sofá
e aproveite a vista lá fora!
Me sentei no sofá conforme instruído.
Depois, cruzei os braços.
Bom, o ambiente era agradável, mas…
‘Eu já sei o que vai acontecer.’
É realmente fascinante. Ajudou-me a recuperar a motivação perdida e a lembrar de coisas esquecidas…
– Entrevista após aconselhamento com Lee Jeongeun (Supervisor)
Alguém apareceria do lado de fora da janela para me aconselhar.
A figura seria personalizada para cada pessoa.
Provavelmente mostraria uma pessoa ou objeto relacionado ao meu trauma e criaria um cenário onde a situação seria resolvida para que eu pudesse observar.
Para aqueles que se aprofundam, a sessão traz cura emocional, e eles costumam sair em lágrimas ou com uma expressão serena. Esse é o clichê dos registros de uso deste “Escritório de Aconselhamento Raposa”.
‘Será que vai fazer efeito em mim, já que sei tudo?’
Nesse ponto, duvidava.
Cruzei os braços e olhei pela grande janela para o belo jardim iluminado pelo sol…
E então.
Alguém apareceu perto do jardim.
"……!!"
Era… eu.
Uma versão cansada e sombria de mim mesmo estava no jardim ensolarado, olhando para mim dentro da sala.
Então, acenou.
"……!"
Instintivamente, levantei a mão… e depois a baixei.
‘O que é isso.’
Não era um doppelgänger, mas um estranho sentimento de inquietação e desconforto me invadiu.
No entanto, o ‘Kim Soleum’ plantado no jardim não parou por aí.
Olhou ao redor, pegou uma cadeira próxima e sentou-se mesmo em frente à janela.
Sorriu amplamente, encarando-me.
"……"
‘Será que eu deveria me levantar e sair?’
Mesmo que a porta não abrisse por uma hora, eu poderia esperar ali perto…
Fiquei mais desconfortável quando—
"Senhor Kim Soleum."
(Nota do tradutor: Aqui ‘Senhor’ é usado como uma forma de tratamento reverente, similar a ‘Professor’. O termo significa literalmente ‘professor’, mas também pode ser um sinal de respeito — Baek Saheon usou o mesmo termo quando se conheceram)
"……!!"
"Muito obrigado por vir para a sessão de aconselhamento hoje. Serei seu conselheiro."
A figura do lado de fora da janela, idêntica a mim, começou a falar.
"Você parece bastante cansado hoje. Como tem dormido recentemente? Quantas horas de sono costuma ter?"
Ralei os dentes.
"……Tenho dormido o suficiente."
"Entendo… Poderia me dizer um número mais específico? Mais de cinco horas?"
"……Às vezes."
"Compreendo. Você acha que dormir menos em certos momentos pode estar relacionado ao estresse do trabalho?"
Caramba.
‘Isso está me deixando louco.’
Com muita dificuldade, consegui responder.
"Não quero responder isso. Ouvir isso de alguém que parece exatamente comigo só me deixa desconfortável."
"Por que acha que se sente desconfortável, Senhor Kim Soleum?"
"Não é natural que as pessoas sintam uma ameaça existencial ao ver alguém idêntico a elas?"
"Mas… eu sou um ser inteligente, com diferenças claras de você, Senhor Kim Soleum."
O quê?
"Quer descobrir quais são essas diferenças?"
Instintivamente, examinei a pessoa à minha frente.
Olhos, nariz, boca, corpo, roupa.
"……Ainda idêntico."
"Então vamos usar um espelho para uma comparação melhor."
Claque.
A estante ao lado do sofá deslizou, revelando um espelho de corpo inteiro.
Me vi olhando para ele.
Um funcionário cansado.
"……"
"Quer comparar agora?"
Quer eu comparasse ou não, parecia exatamente igual…
"……"
"O que acha?"
"…Parece que eu,"
fitei meu reflexo.
"…Estou mais fatigado… talvez."
Seria só minha… imaginação?
"Entendo."
Mas o ‘eu’ do lado de fora da janela assentiu.
"Por que acha que há diferença?"
"Não sei."
"Então vamos observar um pouco mais. Talvez algo mais apareça."
Fui alternando o olhar entre o ‘eu’ fora da janela e o do espelho.
Olhos, nariz, boca, ombros, braços…
Punhos.
"A tatuagem."
Soltei num murmúrio, meio em transe.
"Você não tem tatuagem."
A tatuagem que eu mantinha do parque temático estava lá.
Mas…
: 恩主 :
Essa ali estava ausente.
A tatuagem que funcionava como meu inventário.
"Que tatuagem é essa? Ah, aquela!"
"Sim."
"Deve haver um motivo para você ter feito essa tatuagem. O que ela faz?"
"Permite que eu armazene itens."
"Entendo. Você tem algo armazenado nela agora?"
"Sim."
"Pode me mostrar? Se ficar desconfortável, pode só colocar os itens em algum lugar que eu não veja."
"…Tudo bem."
Retirei itens da tatuagem.
Equipamentos, moedas, vários objetos…
Todos familiares.
"Tirei tudo."
Ainda sem entender qual era o ponto disso.
Qual era a diferença em relação ao ‘eu’ de fora?
"Senhor Kim Soleum."
"Sim?"
"Acho que ainda há algo guardado dentro da sua tatuagem."
Basta!
"Quer estender a mão para mim?"
Eu não quero saber—
"Não, você quer. Você quer saber, Senhor, e consegue fazer isso."
"……"
Levantei-me do sofá.
Caminhei até a janela…
E estendi a mão.
"Você se esforçou muito."
O eu do lado de fora agarrou minha mão.
E então.
Ele enfiou a mão direto na minha tatuagem.