
Capítulo 186
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
A luz quente do sol entrava pela janela do Escritório de Aconselhamento Fox.
Do lado de fora da janela, havia outra versão de mim.
Ele segurava meu braço e mexia na tatuagem.
……
Hã?
Aquela é outra pessoa, não é?
Então eu preciso rejeitar isso. Será que quebrei alguma regra? Não. Exato, essa situação não está certa! Não está certa! Não está certa! Não está certa! Eu devo seguir as regras porque sou uma nova professora que as respeita.
"Prontinho, senhor."
A mão que estava mexendo dentro da minha tatuagem se afastou.
Tum.
Um objeto apareceu junto com a mão que saiu do que deveria ser uma tatuagem vazia.
"Isso estava aqui dentro."
Sob as luzes do jardim, o título vermelho em destaque ficou claro.
Uma pasta marrom.
<■■ Manual do Jardim de Infância>
"Parece familiar. Como você se lembra disso?"
Meu Deus.
Foi como se uma água gelada tivesse sido jogada em mim, e minha mente clareou instantaneamente.
'Isso…!!'
E como se uma represa tivesse estourado, fragmentos de memórias confusas das últimas semanas voltaram à tona com nitidez.
Quando eu selara o Supervisor contaminado Park Minseong do jardim de infância no meu pulso!
O espaço dentro da tatuagem o consumiu sem esforço… Ah, o manual deve ter me tocado! Eu pretendia lidar com ele separadamente e jamais teria feito aquilo de propósito.
O manual que Park Minseong segurava foi absorvido junto comigo para dentro da tatuagem!
Devo ter reprimido a vontade de tratá-lo separadamente, mesmo que planejava entregar tudo para a Equipe de Segurança depois do resgate.
Mas…
– Se você pegou algum item ou suprimento da "Corda do Carrasco Faminto" Escuridão, por favor, devolva-os.
– Ah, eu não tenho nenhum.
Eu não havia devolvido o manual.
Mais precisamente, toda vez que tentava lembrar se havia algo mais dentro da tatuagem, uma sensação inconsciente de rejeição me impedia.
Dúvidar das regras é contra as regras!
E até o fato de eu sentir essa rejeição foi sendo enterrado, como se não me fosse permitido reconhecê-la.
Porque os professores não podem sentir resistência às regras…
Não, eu não devia pensar demais nisso!
O que fica claro é que fiz várias tentativas.
Tentativas de avisar os outros de que algo estava errado comigo.
– …Chefe de Esquadrão.
– Sim.
– Se parecer que eu estou com uma obsessão estranha pelas regras, por favor, investigue…
– Sim.
– ……Ah. Ultimamente tenho me concentrado demais no trabalho, só queria mencionar.
– Entendi.
Até levei o assunto para o Chefe de Seção Lee Jaheon várias vezes, mas em todas as conversas terminava em dúvidas vagas e um silêncio constrangedor.
'Eu quase cometi um erro grave.'
O manual dentro da tatuagem começou a corroer meu subconsciente, e no fim, tudo parecia tão natural que eu não conseguia reconhecer nenhum dos sinais estranhos…
'…Pelo menos recuperei a razão no Colégio Técnico Sekwang!'
Graças ao doce da nostalgia.
Mas no instante em que acordei daquele sonho, até essa trégua acabou.
E ontem, o 'último assunto' que tive com o Chefe de Seção Lee Jaheon naquela conversa encerrou tudo.
– Kim Soleum-ssi.
– Sim?
– Você sentiu recentemente uma compulsão ou pressão incomum para seguir as regras?
– Seguir as regras é o mínimo para um membro do local de trabalho, chefe de esquadrão!
– Entendo.
"……"
Uau. Meu Deus.
'Estou me sentindo enjoada.'
Era realmente eu?
Me apoiei na janela, cambaleando.
'Por isso que o Chefe de Seção Lee Jaheon…'
Ele tinha sido tão insistente em me mandar direto para o escritório de aconselhamento.
"……Ha."
Agora tudo estava ficando claro.
Senti como se tivesse tirado um suéter de gola alta apertado demais ou limpado uns óculos embaçados.
Uma sensação revigorante de alívio e exaustão tomou conta do meu corpo inteiro.
E… um desconforto também.
"……"
"O que você está pensando agora?"
"…Estou cansada e aliviada ao mesmo tempo."
"Parece que você escapou de uma compulsão desconfortável?"
"…Sim."
O 'aconselhador', que parecia comigo e estava do lado de fora da janela, olhava para mim com uma expressão acolhedora.
"Você foi muito bem. Ficar aqui e seguir o aconselhamento demonstra sua força de vontade."
"……"
Então ele colocou o manual no chão do jardim, pegou uma pá de algum lugar e começou a cavar suavemente a terra.
"Quando você é dominada por compulsões ou ideias fortes contra sua vontade, é realmente angustiante, não é?"
Sussurro, sussurro.
A 'Kim Soleum' do lado de fora criou um buraco pequeno no canto do jardim externo.
Tum.
O manual foi jogado no buraco.
"Embora mudanças nem sempre sejam ruins, é certo resistir quando seu corpo e mente estão sendo forçados."
A versão de mim do lado de fora da janela cobriu o buraco com terra e limpou as mãos com satisfação.
"Senhorita Soleum, você vê a plantinha naquele vaso?"
Um vaso?
Quando virei a cabeça, realmente havia um pequeno vaso sobre a mesa perto do sofá.
Era um ramo com pequenos frutos verdes, do tamanho de feijões.
"Poderia pegar um dos frutos que mais gostar e me trazer?"
"……"
Cuidadosamente, escolhi o fruto que parecia estar mais maduro e o entreguei para o 'eu' do outro lado da janela.
"Você fez muito bem."
O conselheiro do lado de fora segurou tanto o fruto quanto minha mão.
Então—
"……!"
O fruto na minha mão amadureceu, ficando de um vermelho vívido.
Ele inchou, parecendo suculento e apetitoso, como se tivesse absorvido muitos nutrientes.
"Mastigue bem antes de engolir."
"……"
Coloquei o fruto na boca.
Uma torrente de ansiedade intensa, frustrações, pensamentos, tristezas e dores irracionais derretiam devagar junto com o fruto…
Quando um cliente com contaminação mental severa chega, frutos vermelhos (suspeitos de serem da família Pouch da Raposa ou de Contas da Raposa)[1] são oferecidos como medicação.
Esse fruto mostrou ter efeitos excelentes na estabilização mental.
Qualquer tentativa de levar o fruto para fora faz com que ele desapareça assim que ultrapassa a porta.
Huu.
Com uma respiração profunda, todos os resíduos emocionais se dispersaram como grãos de areia.
Senti paz.
Apenas mais uma funcionária cansada e comum.
Voltando a ser eu mesma.
[1] - A família Pouch da Raposa e as Contas da Raposa são elementos mágicos ligados a poderes de cura e estabilização mental no universo da narrativa.