Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 175

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Creaaak.

A luz que passava pela fresta da porta queimava meus olhos.

Dentro, vários objetos brilhavam, como se emanassem sua própria presença.

Assim como o crachá que Jang Heo-un me deu.

‘Droga.’

Como eu suspeitava, a cena era ainda mais estranha e chamativa do que eu imaginava.

Depois de fechar cuidadosamente a porta do depósito, estendi a mão para os objetos…

Parece que ainda não posso pegar este item.

Ignorando o pensamento que surgiu como uma notificação, vasculhei os itens cintilantes—baldes, esfregonas, pequenos quadros brancos—e finalmente achei o que procurava.

"......"

Era um broche decorativo.

Uma decoração meio desajeitada, feita com papel grosso plastificado, parecendo obra de um amador.

Conseguiu a ‘Decoração de Crachá’!

Decoração de Crachá: Um broche floral com a frase ‘Parabéns pela sua formatura’. Parece ser inspirado na flor oficial da Escola Técnica Sekwang, a azaleia.

Talvez seja um presente para os formandos?

Guardei a brilhante ‘Decoração de Crachá’ no bolso.

‘Consegui.’

Agora tinha o item essencial para ‘atacar’ essa história de fantasmas.

Continuei explorando os locais que só os estudantes podiam acessar, conferindo se as informações que eu tinha dos registros de exploração correspondiam à realidade.

Peguei um livro na biblioteca, toquei as teclas do piano na sala de música…

‘Se algo estivesse minimamente errado, melhor seria morrer e acordar rápido.’

Por sorte, tudo bateu perfeitamente.

‘…Bom.’

Durante esse processo, evitei ir ao quinto andar, onde ficava o ‘salão de preparação para a cerimônia de formatura’.

Ainda não era hora.

‘Quando virá a notificação?’

Respirei fundo, tenso, e esperei devagar…

E então.

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Um rugido estrondoso atingiu meus ouvidos.

"……!"

Será que isso é o que chamam de falha sonora?

Era como o som de centenas de pessoas passando a unha no quadro-negro—uma cacofonia enlouquecedora!

E eu sabia o que era.

‘…Os monstros!’

As vozes dos exploradores, que para mim apareciam como monstros corrompidos, eram inconfundíveis!

O barulho ensurdecedor do que quer que eles estivessem dizendo lá embaixo martelava não só meus ouvidos, mas meu cérebro.

Uma vontade poderosa me envolveu.

‘Então é por isso que eles persegue os barulhentos primeiro!’

Pelo menos queria eliminar o som…

‘……! Calma, calma…’

Sufoquei o impulso avassalador e me contenho de descer correndo as escadas.

Ao invés disso, levei alguns segundos para acalmar meus instintos.

‘Agora, vamos lá.’

Quando estive plenamente concentrado, avancei com cuidado e avistei os monstros no final do corredor do quarto andar.

Os monstros confrontavam um estudante.

Não, a situação estava quase encerrada.

O estudante estava imóvel no chão, sem conseguir se mover.

Mas os monstros não estavam todos derrotados.

‘Droga.’

Preparei-me.

Um monstro ainda estava inteiro.

Ele encarava o estudante no chão antes de se voltar para mim.

E me parou no meio do caminho.

……

Eu o vi de longe.

O monstro que me congelou no lugar.

Seu rosto, horrivelmente derretido, parecia uma figura grotesca borrada como pixels.

Mas uma coisa o diferenciava dos outros monstros.

‘Está usando uma máscara.’

E a máscara era…

Um goral[1]!

‘…Go Yeongeun!’

* * *

"Uau."

Sou o único que restou.

Go Yeongeun recuperou o fôlego e encostou-se na parede do corredor.

Na frente dela, estava (provavelmente) o último estudante deste terceiro andar, imóvel no chão.

Parecia ainda estar vivo, mas ela não tinha intenção de matá-lo.

‘Se eu matar esse, vai dar outro apagão, e os outros vão aparecer em enxame... ha.’

Os civis que ela estava escoltando já tinham morrido todos.

‘Pelo menos os últimos três tinham crachás quando morreram…’

Segundo o protocolo da empresa, mesmo que alguém morra, pode continuar vivendo sua rotina no mundo real.

Mesmo assim, incomodava o fato de que o líquido no Coletor de Essência do Sonho só se reabastecesse ao conseguir um ‘crachá’.

‘…Algo definitivamente está errado.’

Go Yeongeun já tinha meio que desistido de colecionar os crachás à risca para conseguir uma limpeza de alto nível.

Em vez disso, dividia informações sobre eles e compartilhava com seus colegas.

E aquelas pessoas tinham acabado de morrer.

‘Ugh…’

Acostumada a toda essa carnificina cheia de sangue, monstros e fantasmas, ela não se deixava dominar.

Afinal, tinha concluído seus estudos de anatomia e prática com cadáveres na faculdade de medicina, então sempre fora forte emocionalmente.

‘Ainda bem que eles não morreram de verdade…’

Estava tão acostumada que até pensando assim ela já nem se assustava mais.

‘…Devo subir agora?’

Exatamente quando Go Yeongeun decidiu recuperar o fôlego e seguir em frente—

Piscar.

"……!!"

Do outro lado do corredor…

Surgiu outro ‘estudante’.

Era alto, usando o uniforme meio desalinhado da Escola Técnica Sekwang, com a vibe de um delinquente.

‘Ha.’

Caramba…

Não aguento mais!

‘Vamos embora.’

Surely, aguentar até aqui já devia ser o suficiente para passar na avaliação de desempenho.

Go Yeongeun estava tão exausta que só queria arrancar o farol ultra potente preso à cabeça.

Estava pronta para acordar desse pesadelo horrível…

Piscar.

…Espera?

‘E-Espere.’

Na penumbra, ela viu os traços do estudante.

Rosto calmo, afiado, sereno.

"…Sr. Gamurça?"

Era Kim Soleum.

Ela pensou que fosse um estudante parecido à primeira vista.

Mas, mesmo parecendo mais jovem do que o que estava acostumada, era inconfundivelmente ele.

Era mesmo Kim Soleum.

Um calafrio percorreu a espinha de Go Yeongeun.

‘E-Espere um segundo…!’

Que situação era aquela?

Poderia ser?

Se certas condições fossem alcançadas nesta história de fantasmas, alguém acabaria ‘corrompido’ e ficaria assim?

Transformado num monstro estudante?

"Ah…"

Depois de meses trabalhando, ela já sabia o suficiente sobre contaminação em histórias de fantasmas para sentir um medo crescente.

Mas, no instante seguinte, ela se decidiu.

‘Preciso confirmar isso.’

Se acordasse agora e algo estivesse realmente errado, odiaria se tivesse fugido.

‘Não tem problema se eu morrer e acordar do sonho mesmo.’

Resoluta, ela se aproximou do corredor, tentando não piscar os dois olhos ao mesmo tempo.

Quanto mais perto do estudante imóvel ela chegava, mais certa ficava de que era Kim Soleum.

‘…Até o coelhinho de pelúcia sumiu.’

O chaveiro de pelúcia que ele sempre carregava não estava ali, deixando Go Yeongeun com uma mistura estranha de amargura e tristeza enquanto se aproximava.

Piscar.

A luz piscou, mas a lanterna presa à sua cabeça a protegida de qualquer problema.

‘Só mais um pouco.’

Ela se aproximou.

Mas então—

Baque.

De repente, uma luz ofuscante atingiu os olhos de Go Yeongeun.

"……!!"

Sua visão desapareceu temporariamente.

A fonte era uma lanterna na mão de Kim Soleum.

Ela foi acionada para piscar alguns segundos depois, cegando momentaneamente quem se aproximasse.

Go Yeongeun não conseguiu identificar exatamente o que era, mas rapidamente entendeu a situação.

‘Uma armadilha?! Armazenada antecipadamente?!’

Uma onda repentina de tontura a atingiu, mas logo ela se recompôs.

‘Não tem jeito.’

O que a frustrava era não conseguir compreender totalmente aquela situação estranha.

Mas não havia tempo para pensar muito. Os monstros eram incrivelmente rápidos.

No próximo momento, ela morreria…

"……??"

Ela não morreu.

Não sentiu dor nem a sensação flutuante de acordar de um sonho.

…Ela estava bem!

‘O quê?’

Com a visão se ajustando aos efeitos do flash, Go Yeongeun olhou confusa para o ‘estudante’ parado e fixou o olhar nele.

……

Kim Soleum, vestindo o uniforme da Escola Técnica Sekwang, não estava olhando para Go Yeongeun.

Em vez disso, estava encarando o chão.

‘O chão?’

Go Yeongeun deu um passo atrás, alinhando a visão para ver tanto Kim Soleum quanto o chão ao mesmo tempo.

"……!"

No chão, haviam palavras escritas.

Uma folha A4 fora colocada, com uma mensagem rabiscada nela.

Sr. Goral?

"GAAAHHHH!!"

[1] – Goral: um pequeno antílope encontrado nas montanhas da Ásia, conhecido por sua resistência e agilidade. Aqui, a máscara representa um animal dessa espécie.

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