Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 165

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

O agente e eu pressionamos nossas costas contra a parede, com os olhos fixos no corredor à frente — especificamente na sala 1-5, da qual acabáramos de escapar.

Então, finalmente eu vi.

Pisque.

No fim do corredor, surgiram figuras que pareciam manequins.

‘...Três deles?’

Outra pessoa se juntou ao grupo.

Dois estudantes do sexo masculino e uma estudante do sexo feminino.

Os dois que tinham saído da sala estavam ensanguentados, sorrindo na nossa direção, enquanto a terceira — ainda com o uniforme escolar impecável — permanecia imóvel.

Quando a luz estava acesa, pareciam manequins de cera grotescamente realistas ou pessoas congeladas no tempo, como em uma fotografia.

Mas cada vez que as luzes piscavam —

Pisque.

— eles reapareciam mais perto de nós.

De novo e de novo.

Mesmo quando recuávamos mais —

Pisque.

— eles avançavam até a borda do feixe da lanterna.

Quando a luz os iluminava, eles congelavam, enfiados numa pose assustadoramente próxima.

Mas nunca se afastavam.

Pisque.

"……"

Eu não consegui evitar imaginar o que aconteceria se a bateria da lanterna acabasse.

Esse impasse terminaria... e não a nosso favor.

‘Hah.’

Mesmo me movendo cuidadosamente, o medo roía minha mente.

Finalmente, chegamos ao fim do corredor, onde fomos obrigados a parar.

E então —

[Din-don-daeng-don-]

"……"

[Ocorreu uma morte na sala 3-2.]

Caralho.

[A falecida é a estudante do terceiro ano Park Chae-ah.]

[Por favor, observem um minuto de silêncio por cinco segundos.]

"Prepare-se."

Segurei firme a lanterna e encostei minhas costas na parede.

[5]

Varri rapidamente a luz da lanterna sobre as três figuras.

Cada vez que o feixe passava e voltava, elas estavam mais perto.

[4]

O agente e eu dividimos nosso foco, apontando as lanternas para duas das entidades.

...Mas e a terceira?

[3]

A terceira — onde ela estava?

Bati a lanterna de um lado para o outro, cobrindo todos os pontos cegos, mas não havia sinal dela.

[2]

O tempo parecia acelerar junto com a ansiedade crescendo em mim.

Onde? Onde ela poderia estar? Onde —

Ah.

Apontando a lanterna para baixo, rapidamente percebi.

[1]

A luz revelou meus pés e...

Uma mão branca manchada de sangue segurava meu tornozelo.

Uma mão com o punho do uniforme escolar.

"……"

Uma estudante da Sekwang Technical High School jazia caída no chão, sorrindo para mim.

[O momento de silêncio acabou. Que a vítima descanse em paz.]

"……"

Devagar, puxei o pé para trás.

‘Hah.’

Merda, merda, merda!!

Se meus reflexos tivessem sido um pouco mais lentos, eu estaria morto.

‘Nunca joguei um game de terror em VR, e agora estou vivendo isso na vida real?!’

Ficava piscando um olho de cada vez, garantindo nunca fechar os dois juntos, enquanto recuava lentamente.

Meus membros tremiam incontrolavelmente.

O agente, ainda encarando os dois estudantes restantes, falou.

"Quando saímos de um andar, os alunos daquele nível geralmente param de nos perseguir com tanto afinco."

Eu sabia disso.

Se ainda houvesse presas naquele andar, eles provavelmente dariam prioridade a elas, e não a nós...

"Vamos para o andar de cima."

"...Não para o primeiro andar?"

"Não. O objetivo desta missão é o quinto andar, mais especificamente o auditório."

Imediatamente, lembrei do anúncio que ouvimos no começo:

– Estudantes da Sekwang Technical High School! A cerimônia de formatura começará em breve. Por favor, se dirijam ao auditório.

"...O que tem no auditório?"

"Ainda não sabemos. Por isso precisamos investigar."

Claro.

‘Os registros de exploração até agora ainda são considerados material de estágio inicial a intermediário no <Registros da Exploração das Trevas>.’

Poucas pessoas iriam voluntariamente ao local anunciado como ponto de encontro nesta escola de pesadelo.

E quem tentasse subir provavelmente encontraria os estudantes e morreria.

Quanto mais alto o andar, mais agressivo, imprevisível e inteligente o comportamento dos estudantes se tornava.

E o problema maior era este.

Nunca suba para o quinto andar!! É melhor morrer nos andares inferiores. Nunca suba.

— Registro final da Exploração #12

...É isso que acontece quando você, de alguma forma, consegue chegar até o quinto andar.

‘Hah, eu realmente não quero ir...’

Mas o mais doloroso era saber que um dia eu teria que ir lá, de qualquer jeito.

Pelo menos podia me confortar por ter um companheiro.

Mas do jeito que estávamos, não chegaríamos vivos. Eu precisava me preparar bem, e tinha uma ideia para ajustar o plano um pouco.

"Podemos parar rapidinho para explorar também o terceiro e o quarto andares?"

"Tem algum motivo em especial?"

"Bem, isso tudo me parece um jogo de terror, sabe."

"……!"

"Nos jogos, conseguir itens-chave costuma ser essencial para avançar."

Falei enquanto subíamos as escadas de costas, devagar.

"Não tenho certeza, mas se fosse comigo, começaria checando as salas especiais — como a sala de música, o laboratório de ciências ou a sala dos professores. Eu também daria uma olhada no anuário ou nos registros dos alunos."

"……"

"Acho que podem haver pistas ou chaves escondidas em objetos ou adereços."

Conforme subíamos, a distância entre nós e os “estudantes” que nos cercavam aumentava, permitindo que o feixe da lanterna cobrisse uma área maior e os mantivesse sob controle.

Foi só aí que o agente finalmente falou.

"Nosso time de análise também chegou a uma conclusão parecida... essa história de fantasma parece ter uma estrutura baseada em games."

Ah.

"Eles notaram como o nome da escola fictícia e a estrutura de correr e se esconder de monstros são surpreendentemente parecidos com um jogo."

"Ah, pensei a mesma coisa."

"Mas é a primeira vez que ouço essa sugestão — focar não nos monstros ou nas pessoas, mas nos objetos..."

Por alguma razão, os olhos do agente pareciam brilhar.

Como ele parecia um estudante do ensino médio sem olheiras, aquilo não soava estranho.

"Muito bem. Vamos examinar os espaços o máximo que pudermos. Também vamos passar essa ideia para os outros agentes quando eles chegarem..."

Mais agentes? Preferia que não.

Mas o agente, como se estivesse animado, deu um passo além.

"Agora que você é um agente temporário, devemos nos chamar por codinomes. Você tem algum preferido?"

Ai, meu Deus.

"Oh, normalmente usamos referências históricas para os codinomes. Termos incomuns facilitam a identificação dos agentes."

‘Ele até está me deixando escolher meu próprio codinome?’

Era como se estivessem realizando todas as fantasias possíveis.

...Ah. Será que eu já não tinha um codinome que queria usar como agente do Departamento de Gerenciamento de Desastres nos Registros da Exploração das Trevas que eu imaginei?

Tenho. Tenho sim.

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