Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 160

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

O Braun não está aqui.

“Q-Que é isso?”

“Es-"es-"essa pessoa, ele... se mexeu!!”

Como a moeda de prata dentro do bichinho de pelúcia havia sumido, será que o ritual do “Bons Amigos” tinha sido anulado? Ou seria apenas porque, como aquilo era um sonho, parecia só uma boneca comum…?

“Para com isso!”

Descobrir o que está acontecendo não é prioridade agora! Reaja!

Você está dentro de uma história de terror!

“Olha ali!”

Virei a cabeça rapidamente.

Num canto escuro da sala, alguém gritou. Era a pessoa que estava cutucando o “aluno” sentado rígido e imóvel na carteira, como uma estátua de cera.

Mas aquela estátua de cera…

“Ali!”

...não estava mais na carteira.

Seguindo o dedo da pessoa pálida que apontava perto dali, eu vi.

[Escola Técnica Sekwang]

O “aluno” desaparecido estava parado perto da porta dos fundos.

Segurando a porta.

Sem expressão.

Olhando para o resto da sala.

“……”

“O-O que é isso? Você está brincando, né?”

Sem resposta. Sem movimento.

“Espera um pouco.”

Alguém com coragem se aproximou e acenou com a mão na frente do rosto do “aluno”.

O “aluno” nem piscou. Continuava congelado na frente da porta dos fundos, perfeitamente realista.

“Ele não está respirando. Isso não é humano — é uma estátua.”

“Mas como uma estátua pode se mexer de repente? Talvez seja algum tipo de ilusão avançada pra parecer que ele não está respirando?”

“É, deve ser algum daqueles truques de câmera escondida, tipo dos programas de pegadinhas ou do YouTube.”

Não.

Claro que não havia câmeras ali, nem uma equipe de produção esperando pra assustar alguém por entretenimento.

Em vez disso—

[Ding-dong-daeng-dong-]

[Alunos da Escola Técnica Sekwang, a cerimônia de formatura começará em breve. Por favor, dirijam-se ao auditório.]

“Cerimônia de formatura…?”

O anúncio foi alegre, claro, e adequado para o ambiente escolar.

“Vamos? Isso tá meio interessante.”

“Ei, será que voltamos a ser como no ensino médio? Caramba. Que tipo de sonho é esse?”

Algumas pessoas do grupo, já convencidas de que era só um sonho, conversavam sem tensão.

Fazia sentido. Até agora, nada realmente assustador havia acontecido.

“Eles não sentem a gravidade da situação.”

Já que haviam voltado ao tempo do ensino médio, quem não ficaria feliz por isso?

Uma escola à noite pode ser cenário de histórias de terror, mas com um grupo de pessoas e um pouco de luz do luar, poderia até parecer romântico.

Porém…

“Ei, esse aluno estático? Dá uma olhada mais perto.”

Alguém se aproximou do “aluno” imóvel perto da porta dos fundos.

O “aluno” estava apontando uma mão para trás.

“Parece que a mão dele está sinalizando algo…”

[Para aquecimento e segurança, as cortinas automáticas serão fechadas e a iluminação ajustada.]

“Parece que ele ia trancar a porta.”

BUM.

As cortinas bateram fechando.

“Caramba!”

“Ah, que susto!”

Com um barulho ensurdecedor, as cortinas automáticas fecharam, mergulhando a sala em escuridão por um momento.

Piscar.

Depois de um instante, as luzes da sala se acenderam.

“Ah, graças a Deus.”

“Parece que só estavam ajustando as luzes… espera, o quê?”

Sangue começava a se espalhar pelo piso bege da sala.

“O que… o que é isso?”

Seguindo o rastro de sangue para cima, todos viraram o olhar para uma pessoa.

Alguém do grupo estava caído perto da porta dos fundos, com o pescoço completamente torcido pra trás.

Uma quantidade grotesca de sangue jorrava do pescoço torto de forma impossível, escorrendo pelas frestas do chão.

Os olhos, arregalados de choque, pareciam dizer que aquilo era um destino que ninguém jamais imaginara.

“AAAAAAAAHHH!!”

“Ahhhh! Aaaargh!!”

Começara.

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Registros da Exploração Sombria / História de Fantasma

[À Sombra da Escuridão]

: Uma história de fantasma presente em <Registros da Exploração Sombria>

: Código de identificação da Daydream Inc. – Qterw-()-62

: Número de registro do Departamento de Gestão de Desastres – 2845PSYA.2016.하53

Segundo a lenda, ler o infame arquivo de texto antes de dormir faz você despertar na Escola Técnica Sekwang à noite, onde é perseguido por entidades desumanas até a morte.

Todas as tentativas civis de localizar a verdadeira Escola Técnica Sekwang falharam, e presume-se que seja um lugar que não existe na Coreia dos dias atuais.

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Certo.

A única forma de escapar dessa história de fantasmas é pela morte.

Para sair dessa escola à noite, não há outra alternativa a não ser morrer.

E… como em tantas histórias de terror com entidades desumanas, essa virou um clichê horripilante.

“A-aquela pessoa!”

Um dos que gritavam levantou o dedo trêmulo para apontar.

Para o “aluno” que continuava parado perto da porta dos fundos.

Mas havia uma grande diferença.

“A mão dele... está coberta de sangue.”

“……”

A multidão virou seus olhares rígidos e horrorizados para o “aluno” novamente.

E confirmaram o fato.

No interior dos dedos enrolados do “aluno”, como tentando esconder, o sangue estava espalhado pelas impressões digitais.

“……”

Seus olhos voltaram para o cadáver.

Perto do pescoço grotescamente torcido do corpo, havia marcas de sangue… na forma de dedos.

“Aaah!”

“Mãe! Não, não, não! Aaah!”

E então, de novo.

Piscar.

As luzes piscaram.

O “aluno” da Escola Técnica Sekwang não se mexe enquanto alguém o estiver olhando.

Mas no momento em que ninguém o observa—

Num piscar de olhos, quando as luzes da sala se acendem novamente—

Ele se mexe.

De forma sobre-humana e rápida.

Quem apontava para a estátua desapareceu.

“Argh!!”

Encontrado no chão, corpo partido logo abaixo do tórax.

Baque.

O braço morto que apontava caiu no chão mole.

“Ah...”

“……”

“Aaaaaaaahhh!!”

O pânico, o medo e a histeria explodiram.

“A-agora! Temos que atacar! Quem estiver perto, bate nele!”

“P-Puta que pariu! Por que tá gritando comigo? Vai você, então!”

Piscar.

“Iiiih!”

Outro cadáver apareceu.

Um dos que gritavam estava cravado numa carteira, pendurado de cabeça para baixo.

Só a metade inferior do corpo permanecia.

“……”

“……”

No silêncio aterrador, os sobreviventes se viraram.

O “aluno” perto da porta dos fundos agora os encarava atentamente.

Um sorriso estranho apareceu em seu rosto.

“……!!”

“Eeeeek!”

“F-fujam! Saiam daqui!”

“Abre a porta agora!”

O grupo correu para a porta da frente, desviando do “aluno” que bloqueava a porta dos fundos.

Mas… já era tarde demais.

“Por aqui—aaaargh!!”

Quem abriu a porta da frente caiu em choque.

No vão da porta, estava outro “aluno” sorridente.

[Escola Técnica Sekwang]

A aluna, com a franja aparada certinha, usava a mesma etiqueta com nome.

“É só passar por eles!”

“Mexam-se, rápido!”

O grupo correu passando pelo aluno sorridente.

E então—

Piscar.

O aluno da porta da frente sumiu da minha visão.

“Aaaaaaahhhh!!”

…O corredor se encheu de gritos angustiados.

Um a um, os gritos foram cessando.

“……”

“……”

E então, silêncio. Silêncio sufocante.

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