
Capítulo 152
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
Quem poderia imaginar algo assim.
Ficar preso num espaço fechado com três fantasmas imitando humanos, tudo isso sentado em suor frio, fingindo agir normalmente.
E o pior...
Mas você nunca pode demonstrar que percebeu.
“...Não posso deixar transparecer.”
Mesmo que toda pessoa à minha frente—não, todo fantasma—estivesse batendo palmas alegremente com as costas das mãos.
Clap, clap, clap, clap, clap.
“Nada de parecer óbvio.”
Então, de repente, um deles se virou para mim e perguntou:
“Por que você não está batendo palmas?”
“……”
Ai, droga.
Com muito custo, segurei o tremor enquanto levantava as mãos.
E então...
Clap, clap, clap.
Coloquei uma mão sobre a outra educadamente e produzi um som baixo. Olhei ao redor, meio sem jeito, oferecendo um sorriso levemente constrangido, como um novato tentando entender a situação.
“...Perdi o timing para bater palmas e me atrapalhei. Fica meio constrangedor.”
“……”
Por favor.
Por favor, deixa passar.
“Eyy~ Sem problemas!”
“Ei, Leopard, não pressione o novato competente. Senta aí.”
“Aigoo, tá bom.”
O funcionário Leopardo—ou melhor, a “coisa” fingindo ser o Leopardo—deu de ombros e sentou, como mandado.
‘Huu...’
Mas meu alívio durou pouco.
Tum, tum, tum, tum, tum, tum.
De repente, a funcionária Golfinho baixou a cabeça no chão e começou a bater lateralmente.
Sem nenhuma expressão.
“Tem... tem um bug, um bug, um bug que não consigo pegar...”
Tum, tum, tum, tum, tum, tum.
“...Ouvi dizer que nenhuma outra criatura pode entrar nessa Escuridão. Talvez você tenha se confundido?”
“Ah.”
A funcionária Golfinho parou de bater com a cabeça.
Os cabelos desgrenhados estavam numa bagunça, e o crânio parecia esmagado.
“Faz sentido. Obrigada, Supervisora Veado.”
“De nada.”
E então, como se nada tivesse acontecido, ela voltou a conversar normalmente com o Assistente Leopardo.
“……”
Se eu desmaiar aqui... vou desaparecer?
Estou pirando.
‘Por que todo mundo, menos eu, foi substituído...!’
Quem dera eu pudesse ter apagado e sido trocado também—acordando amanhã de manhã sem lembrar de nada.
“Supervisora Veado, coma um pouco.”
“Ah, muito obrigada, Chefe...”
O fantasma mascarado de lagarto—não, para de pensar assim—Chefe Lagarto me entregou um pouco de comida.
Era um kimbap de uma lanchonete bem gostosa perto do escritório.
‘Preciso comer pra sobreviver às quase 24 horas até amanhã de manhã.’
Foi uma decisão racional... Se ao menos eu não sentisse que ia vomitar ou ter indigestão assim que colocasse qualquer coisa na boca...
‘Argh.’
“Oh, que tal compartilhar? Trouxemos alguns sanduíches também.”
Dois funcionários do esquadrão C tiraram seus sanduíches. Eu respondi instintivamente por educação social.
“Eu devia ter trazido algo, mas estava despreparado. Sinto muito e agradeço de verdade.”
“Eyy, maknae, relaxa. Não precisa se preocupar com essas coisas! Nem esse chefe aqui parece ligar pra formalidades, né?”
“É.”
Com a resposta curta do lagarto, o Assistente Leopardo fez um joinha com um sorriso.
“Ee-yah~ O chefe do nosso esquadrão C é desse jeito também. Ei, conhece o Chefe Pato Azul do esquadrão A? O nosso chefe está em outro nível.”
Ai.
“...Parece alguém digno de respeito.”
“Viu? O chefe ainda usou aquele bilhete de desejo pra tirar férias... Eyy, tomara que não vire aposentadoria.”
Evitei comentar a crítica sutil contra o líder do esquadrão A e mudei a conversa para elogios leves.
Não que importe, já que são fantasmas... Mas tudo bem, vou manter isso.
‘Deixa pra lá, deixa pra lá...’
Honestamente, parecia menos uma história de fantasmas e mais aquele papo meio sem graça durante um retiro de integração com funcionários seniores de departamentos relacionados.
Claro que não durou muito.
Logo depois da comida, o Assistente Leopardo bocejou e se levantou.
“Ah, vamos ficar aqui a noite toda... Posso tirar os sapatos um pouco?”
“Ah, devia ter trazido chinelos como eu!”
“Eyy, o que eu posso fazer se não trouxe? Meus pés estão limpos, pelo menos.”
O Assistente Leopardo conversou casualmente com a Supervisora Golfinho enquanto começava a tirar os sapatos.
‘Claro, eu nem ficaria surpreso se ele começasse a fazer sapateado em cima da mesa...’
Mas não eram os pés, eram as mãos.
Espremidas e forçadas dentro dos sapatos, as mãos se abriram e se apoiaram no chão ao saírem.
“……”
“Ah, já que levantei, vou buscar mais café~ Todo mundo quer reabastecer, né?”
Thup.
De repente, o Assistente Leopardo ficou em pé sobre as mãos.
As mãos presas nos pés balançaram e acenaram.
Thup... thup.
Um funcionário andando de mãos dadas.
“Supervisora Veado.”
Engoli um grito.
“Sim, Assistente Leopardo.”
“Pode me ajudar a carregar o café? Por algum motivo, está difícil enxergar direito. E-Eh—”
Thump, thump, thump, thump.
Seu corpo invertido continuava esbarrando no balcão onde o café estava.
“Não é querendo mandar em você só porque é novata—é que você está mais perto. Desculpe se parecer que estou te pressionando.”
Bu-Bosta.
“Claro. Será um prazer ajudar, senhor.”
Levantei rapidamente e me aproximei do Assistente Leopardo.
Agora que penso bem, sentar ao lado de um fantasma com o crânio esmagado pode ser pior do que ajudar o fantasma de cabeça pra baixo.
Certo?
Cer-to??
– Fascinante! Seria esse um efeito intencional do vale estranho?
– Um show divertido, senhor Veado. Vamos aproveitar ao máximo!
Aproveitar?
Ao máximo?
‘Só conseguir manter os olhos abertos já merece um tapinha nas costas agora...!’
Aproveitar é um objetivo alto demais!
“Então, vamos mover isso daqui.”
“Sim, senhor.”
Entreguei as xícaras de café para as mãos presas aos seus pés, segurando duas xícaras e as colocando na mesa.
Me orgulho de não ter derramado nem tremido, apesar do absurdo da situação.
O problema real, porém, foi que, com o café reabastecido, o clima mudou para uma conversa casual.
“Bem então.”
A Supervisora Golfinho, sorrindo apesar do crânio afundado, sugeriu,
“Que tal a gente contar histórias das Escuridões que já limpamos? Vamos ser sinceros, é difícil continuar nesse trabalho se a gente não achar alguma diversão!”
O Assistente Leopardo dispensou a ideia.
“E se os fantasmas ouvirem e fizerem alguma loucura? Melhor falar das comidas favoritas ou algo assim.”
“Ah, isso também é bom.”
“……”
Ele não estava errado.
Falar sobre a troca de fantasmas não causaria nenhuma anormalidade.
Mas aumentaria muito o risco de alguém perceber quem era fantasma, algo altamente desaconselhável.
Mas eles são todos fantasmas.
“Eu gosto das coisas crocantes por fora e úmidas por dentro. Tipo berinjela frita, sabe?”
“Sério? Eu gosto de comida que estoura na boca. Tipo olhos?”
Fwick—
Golfinho se aproximou bem do meu rosto.
“Supervisora Veado, você tem olhos, né? Eu vejo eles. Você os trouxe debaixo da máscara, certo? Pra compartilhar? Compartilha com a gente.”
AAAARRRGGHH!!