Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 153

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

— “Infelizmente, não são para comer.”

Eu delicadamente juntei as mãos embaixo da mesa para esconder o tremor.

— “Parece que temos gostos parecidos. A textura realmente faz toda a diferença.”

— “Ooooh~ Camarada!”

O fantasma imitador do Golfinho sorriu radiante.

— “O Supervisor Cervo Roe não parece um fantasma. Fala tão normalmente sobre comida e tal.”

Uau.

‘Não vou aguentar isso por muito mais tempo.’

Se eu continuasse nessa conversa, com certeza chegaria um momento em que eu iria gritar.

– Ah, não! O Supervisor Cervo Roe parece ser particularmente sensível ao efeito do vale inquietante! Essas reações são ótimas para um público, mas péssimas nessa situação…

– Mas não se preocupe. Não é um conforto enorme ter esse Braun ao seu lado? Seu amigo está bem aqui!

…Esperar.

É isso.

‘O que o Braun disse faz sentido.’

– Um bom anfitrião sempre se adapta à situação!

Exatamente. O que eu estava sentindo naquele momento era um medo amplificado ao extremo pelo efeito do vale inquietante.

‘Medo do que parece humano, mas não é.’

Naquela sala de descanso comum, ver os colegas exibindo comportamentos grotescos e desumanos de forma tão natural era profundamente perturbador.

E ser o único humano só amplificava o pavor.

‘Se esse é o caso...’

Olhei de lado.

O lagarto estava comendo casualmente um sanduíche, ainda com a embalagem.

“……”

“……”

Nem um pouco menos assustador!

Mesmo que ele de repente língua de fora, ande de costas com um sorriso, ou levante e comece a balançar a cabeça enquanto dança loucamente e conversa despreocupadamente — era tudo a mesma coisa.

Porque ele já era assustador!

Porque ele já parecia um lagarto!

Não havia mais o que fosse “vale inquietante”.

‘Vou ficar junto do chefe de seção a todo custo.’

Finalmente uma solução apareceu.

Suprimindo o suor frio, virei a cadeira naturalmente na direção do Chefe Lagarto, como se tivesse uma pergunta urgente.

— “Chefe de Seção Lee Jaheon.”

E eu realmente tinha algo a perguntar.

Segundo os <Registros de Exploração das Trevas>, nessa história de fantasma, “os fantasmas são idênticos a seus companheiros em aparência, personalidade e caráter.”

Isso significa que, se você pedir algo de forma natural e sem pressão, há uma grande chance da resposta espelhar a do “original”.

A menos que eles de repente comecem a agir de forma fantasmagórica, claro.

‘Isso pode até facilitar a pergunta.’

Já que não era realmente eles.

Puxei a cadeira perto, como se quisesse ter uma conversa franca com um colega de equipe.

Quis criar uma atmosfera que desencorajasse os outros fantasmas a interromperem, e pareceu funcionar.

Então perguntei,

— “Geralmente não temos tempo para conversar durante o trabalho. Posso te fazer umas perguntas agora?”

— “Pode.”

— “Obrigado. Gostaria de saber... como você ficou tão forte, Chefe?”

— “Certo.”

Por sorte, Lee Jaheon não parecia incomodado.

— “É resultado de uma combinação de fatores inatos e aprendizado adquirido.”

“……”

A resposta perfeita e universal para qualquer pergunta!

Parecia perguntar para o melhor aluno como ele passou na prova e ouvir: “Eu estudei muito com meu cérebro bom.”

‘Gostaria de mais detalhes, no entanto.’

Com qualquer outro, isso seria um jeito de despistar, mas com o Chefe Lagarto era difícil dizer.

Resolvi colaborar e sorri sem jeito antes de continuar.

— “Entendi. Perguntei porque quero melhorar minha força também — sem depender de itens ou contaminação.”

— “Siga uma dieta rica em proteínas e combine exercícios aeróbicos e anaeróbicos.”

— “…Fazendo isso vou ficar tão forte quanto você?”

— “Não.”

— “……”

Com licença, eu já consigo força proporcional ao meu físico.

Quase mandei um olhar incrédulo para meu superior.

— “...Se tiver outro conselho, adoraria ouvir.”

— “Sim. Supervisor Cervo, você tem outras forças. Concentre-se em desenvolvê-las.”

O lagarto falou seco.

— “Nenhum indivíduo é excelente em tudo. Não desperdice recursos com coisas ineficientes ou desnecessárias. Use os outros para seu benefício.”

…Espera aí.

— “Quer dizer que, quando for preciso força, devo contar com você para esse papel, e focar em aprimorar minhas próprias forças?”

— “Sim.”

O lagarto assentiu.

— “Suas forças estão na criatividade e na tomada de decisões, Sr. Cervo.”

— “...Obrigado.”

Bem.

‘Devo considerar isso um elogio?’

Com certeza é melhor do que me dizerem para dar conta de tudo sozinho. Sou grato, claro.

‘Ainda assim, parece uma oportunidade perdida.’

Refleti por um momento e decidi aprofundar um pouco mais.

— “Mas às vezes entramos nas Trevas sozinhos. A força é um meio universal e eficaz, então acho que talvez precise dela em situações assim.”

— “Entendo.”

O lagarto encarou o vazio por um momento, como em profundo pensamento, antes de assentir confirmando.

— “Vou te apresentar um item.”

— “……!”

Acertamos em cheio!

— “Ele melhora a força?”

— “Algo parecido. Use-o como item base ao criar um novo equipamento especial.”

— “……! Obrigado.”

Já planejava melhorar ou expandir meu equipamento dedicado.

‘Pelo menos ganhei alguma coisa com isso.’

Mesmo em meio a uma história de fantasmas cheia de fantasmas, suando frio, consegui tirar algo… espera.

Pensando bem, o lagarto na minha frente nem é o verdadeiro Lee Jaheon — é um fantasma.

‘Posso confiar mesmo nessa promessa?’

Entrei em pânico por um instante, mas me lembrei do manual.

As pessoas substituídas por fantasmas mantêm memórias indiretas do que aconteceu no espaço isolado.

Dado o temperamento de Lee Jaheon, era muito provável que ele cumprisse a promessa.

‘Está resolvido.’

Ufa.

Conseguir algo me deu uma sensação de conquista, mesmo tendo que suportar o terror.

‘Vou usar essa sensação de realização para vencer o medo…’

Fingindo alongar, evitei olhar para os dois fantasmas do Esquadrão C que agora faziam cambalhotas e sorriam de forma assustadora para mim.

A essa altura, não me importava quem entre eles me apresentaria o Mercado do Salmão.

‘Esvazie a mente…’

Continuei fazendo conversa fiada com o lagarto, evitando interações diretas com os fantasmas.

O fantasma disfarçado de Chefe Lagarto não conseguia aprontar nada porque eu o bombardeava com perguntas, forçando-o a responder sem parar.

‘Aprendi um fato profundo — que o chefe de seção prefere carne bovina à suína…’

– Amigo, isso parece menos uma entrevista e mais uma chata investigação biográfica amadora…

Eu sei, Braun, mas que mais eu posso fazer…?

Quando até essa conversa óbvia secou, finji cochilar, brincando de palavras com Braun, que estava no meu bolso, para passar o tempo.

Não importava o absurdo que ecoasse pelo meu ouvido, eu mantinha uma resposta só: “Desculpe… estou muito cansado. Vamos continuar essa conversa depois que sairmos.”

“São 3 da manhã. Por favor, que isso acabe logo.”

Me sentia atolado em suor frio, mas nenhuma emergência aconteceu.

Apertando Braun no meu bolso, sobrevivi às horas terríveis que pareciam uma eternidade.

“……”

“……”

Click.

Finalmente, a porta da copa se abriu.

Eu tinha aguentado a noite inteira sozinho.

— “...Pronto.”

Consegui, droga!

Queria levantar e dar um soco no ar em triunfo, apesar da mente turva.

‘Sinto lágrimas em meus olhos.’

Foi a primeira vez que suportei o horror fantasmagórico tão cru e sozinho, sem atalhos.

Parecia que eu tinha superado um limite pessoal.

‘Vou me dar um tapinha nas costas…’

Tremi ao levantar.

Ninguém sabia o quanto um desafio de classe D era difícil para mim, e isso me deixou aliviado…

— “Sr. Cervo Roe.”

— “......?!”

H-Hã…?

Virando a cabeça, vi o lagarto parado calmamente ali, totalmente acordado.

Ele parecia bem, como se nunca tivesse passado a noite em claro... espera.

‘……?’

Ele está acordado?

— “Ch-chefe de seção?”

— “Não precisa esperar os membros do Esquadrão C acordarem. Pode bater o ponto.”

Eu olhei para o lagarto, perfeitamente ereto, e então me virei para os membros do Esquadrão C espalhados e dormindo.

“……”

“……”

Não acredito.

— “Você não era… um fantasma na noite passada?”

— “Não, não era.”

— “...Mas você estava batendo as mãos com o dorso delas?!”

— “?”

O lagarto inclinou a cabeça, então pareceu perceber algo e respondeu,

— “Achei que fosse uma moda popular.”

— “……”

Ah.

Ahhhhh!

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