Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 141

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

As emoções da Assistente de Gerência Eun Haje estavam uma bagunça completa.

‘Se eu for sair daqui, queria ir em paz.’

Ao que parecia, esse era um desejo impossível.

“Ei! Saiam daqui! Acham que eu não percebi que vocês já acertaram uma?”

“Ai! Saiam daí! Eu ainda não acertei nenhuma!”

‘Malditos trolls...’

Era um caos total.

A cena já estava feia quando todos agiam como se estivessem assistindo a um espetáculo, cada um se virando sozinho. Mas agora, com todo mundo se vigiando, sabotando e gritando um com o outro, piorou ainda mais.

Sobrevivência e pontos.

Dois objetivos significavam conflito dobrado.

Era como assistir a uma roda de carroça emperrada, incapaz de se mover por conta do atrito, só acumulando calor.

‘Roe, aquele moleque... Ele realmente é algo diferente.’

Fazia tempo que Eun Haje não via uma jogada política tão eficaz.

‘Ainda bem que ele é uma boa pessoa.’

Observando a confusão ali na frente, eles poderiam muito bem enrolar por mais de uma hora.

‘Quanto tempo já passou? Vinte minutos?’

_ _ T R A _ _ R

E mesmo assim, com só uma letra preenchida até agora...

[Aqui está a dica para a sexta letra!]

[Que obituário causou o trauma de avião da Professora Eun Haje?]

“Assistente Eun, que faleceu—”

“Ah, cala a boca.”

Mas qual era o sentido de enrolar, afinal?

‘Não vai ser diferente no final. Todos os meus segredos serão expostos, e eu vou morrer.’

Não era como se Eun Haje ainda se importasse em preservar sua honra, mas quanto mais isso durava, mais amarga e cansada ela se sentia.

E quanto mais pensava no que aqueles dois calouros estavam aprontando, mais tonta ficava.

‘Eles vão fazer algo louco.’

Eun Haje se lembrou do sussurro de Roe.

– Durante o enforcamento, lembre disso...

“……”

Não foi um pedido, mas uma afirmação, uma daquelas que não aceitam um não como resposta.

Ainda assim...

Se eles estavam mesmo decididos a seguir com aquilo, não seria justo que Eun Haje fizesse o possível para sobreviver?

...Mesmo sem saber se a resolução deles iria durar alguns minutos.

‘Vamos ver no que dá.’

Eun Haje cruzou os braços, meio filosófica.

E assim, passaram vinte minutos,

trinta minutos,

quarenta minutos.

“É isso! É a letra ‘B’ de ‘Believe’!”

[Correto!]

B _ T R A Y _ R

A palavra começava a tomar forma.

E neste ponto, era natural que alguém percebesse.

“Espera aí.”

“O quê?”

A verdadeira identidade da palavra.

“Essa palavra...”

* * *

“Roe, ali.”

Levantei os olhos.

Uma hora e oito minutos haviam se passado.

...A palavra estava completa.

B E T R A Y E R

Traidor.

“……”

[A palavra que melhor representa a Professora Eun Haje é ‘Traidora’!]

O quê?

[Há quatro anos, quando era repórter, a Professora Eun Haje traiu seu antigo chefe e equipe, tentando publicar uma matéria exclusiva sozinha. Ela falhou e teve sua história roubada.]

[E durante esse processo, seu falso relatório causou angústia emocional severa às suas fontes, deixando-as em desespero, ao ponto de algumas morrerem!]

“……”

[Qual é a lição dessa história?]

[A resposta é: ‘Pessoas que traem seu local de trabalho merecem punição’.]

Ha.

[O jogo da forca é um excelente recurso educacional utilizado aqui no Jardim de Infância ■■ para ensinar justiça e retribuição aos nossos alunos.]

“É a primeira vez que realmente me arrependo de não poder xingar.”

“……”

“Roe.”

O Supervisor Park segurou meu ombro.

“Ouvindo tudo isso, sua sunbae parece uma pessoa horrível, mas...”

“Você só vai saber de verdade se ouvir direto dela.”

“……!”

“É assim que essa tal Escuridão funciona.”

“Ela isola a vítima, inflige tormento psicológico e usa punições para assustar os membros remanescentes da Equipe de Exploração de Campo, forçando-os a obedecer.”

“Acho que ainda dá para conversar sobre isso depois que todos sairmos vivos.”

O rosto do Supervisor Park iluminou.

“Exatamente! Você tem razão, Roe! Por isso... ah.”

Thunk, thunk, thunk, thunk, thunk...

Virei a cabeça.

Eun Haje observava com o coração dividido.

“...Eles estão vindo.”

Pela porta aberta da sala de recreação, figuras entraram em uníssono, movendo-se devagar e com fluidez.

Não havia substâncias negras derretidas, nem gritos.

Apenas roupas pastéis impecáveis, rostos sorridentes, aventais e crachás.

As marcas da marca na testa.

[Turma Sunny ■■■]

[Turma Chick ■■■]

[Turma Broto do Sonho ■■■]

“...Essas pessoas foram aquelas totalmente contaminadas e presas aqui. Não, os monstros que antes eram pessoas... Não faça contato visual.”

“……”

“Se você se assustar, pode ser afetado.”

Desviei o olhar o máximo que pude daquelas figuras.

[Fim de jogo!]

[Agora, vamos enforcar o Enforcado pela última vez!]

“É hora.”

“……”

Lembrei da conversa que tivemos durante os preparativos.

– Supervisor, se estiver pesado demais...

– Você tá querendo que eu assuma?

– O quê?

– Ah, qual é. Isso não vai acontecer. Esse é meu equipamento personalizado. Você nem conseguiria usar, mesmo tentando!

‘Eu não estava dizendo que ia usar, mas... obrigado.’

E agora, o supervisor segurava seu equipamento personalizado.

Um pano de camuflagem.

‘Não era chamado de Lenço Mimético?’

Ele parecia igual àquele que usou pra me ajudar na exposição, mas tinha uma diferença importante.

“Está completamente encharcado agora, hein?”

Estava encharcado.

Havíamos despejado todo o restante do reforçador de bebidas do < Alice Picnic Set > nele.

O mesmo reforçador que dobrou o efeito do Adesivo Sorridente durante o Quiz de terça-feira.

‘Encharquei o lenço inteiro sem economizar.’

Para evitar sujar o chão com substâncias estranhas — o que causaria penalidade —, espalhamos minha jaqueta por baixo, praticamente sacrificando-a.

E se o reforçador funcionasse...

‘A camuflagem teria um poder tremendo, mesmo que só por um instante.’

Pelo menos até a umidade secar.

Como estávamos contra o relógio, era perfeito para a tarefa.

“Beleza, vou usar agora.”

“Sim.”

Assenti.

O supervisor olhou para os professores do jardim de infância subindo ao palco, então puxou silenciosamente o lenço para cobrir o rosto.

E...

Ele virou um deles, perfeitamente.

[Turma Broto ■■■]

“......!”

– Ah, excelente. Uma disfarce convincente. Mas não vai durar muito...

‘Precisa durar só um instante.’

Cerca de três minutos.

E eu também tinha que agir.

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