Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 140

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

—Então, qual é a aposta?

Em resposta, Kim Soleum cruzou os braços.

—Quem conseguir adivinhar mais letras no jogo da forca.

—Ah!

—Quem adivinhar mais letras do que eu vai ganhar os pontos.

Ele está louco?

—Para referência, eu só acertei uma, então só pegar duas já bate a meta.

—E-Espere!

O supervisor Park Minseong, do time D, levantou-se alarmado.

—Roe, por que você está fazendo aposta nessa situação…?

—Não tem muitas histórias de fantasmas classe B que sejam seguras, desde que o manual seja seguido à risca. Pensei que poderia ser uma boa chance para ver se adivinhar mais respostas certas desperta algum fenômeno especial. Entendeu?

Kim Soleum falou sério, olhando ao redor para os funcionários.

—Se o clima ficar estranho, parem. Espero que não vire algo perigoso.

—Hah.

Alguns funcionários trocaram sorrisos cínicos antes que um deles falasse com um sorriso sarcástico.

—Oh~ que nobre. Está fazendo aposta pra detalhar mais o manual e torná-lo mais seguro?

—Sim, exatamente.

Kim Soleum respondeu sem hesitar.

—Quero ajudar para que quem vier depois de nós consiga passar por isso com mais segurança.

—…Por quê?

—Nenhum motivo especial. Hm… só acho que alguém deveria fazer isso e estou na posição para fazê-lo.

—……

O funcionário que perguntou ficou em silêncio.

Por algum motivo… sentiam-se inquietos.

‘Pensando bem, esse novato não resgatou uma pessoa desaparecida?’

Outro recuerdo surgiu.

‘Na última vez, ouvi que ele salvou todos os outros funcionários de uma Escuridão classe B e foi promovido por isso.’

Ele resgatou um trabalhador de mesa pouco querido que ninguém se importava em encontrar, sem receber nada. Arriscou a vida numa Escuridão de alto nível para salvar colegas que nem conhecia.

‘Esse cara não é normal.’

Normalmente, essas pessoas teriam rido dele, chamando-o de ingênuo.

Mas, estranhamente, por algum motivo peculiar… não conseguiam.

Tiiing—

Um som metálico claro pareceu ecoar em suas mentes.

Era como se seus pensamentos se aguçassem, vendo tudo com mais clareza e objetividade, separados dos hábitos e da inércia costumeira.

…E, estranhamente.

Aquelas escolhas aparentemente bobas começaram a parecer, de alguma forma, impressionantes.

“……”

“……”

Falaram sem pensar.

—…Tá, vamos fazer essa aposta.

—Oh, obrigado!

Kim Soleum se curvou repetidas vezes, agradecendo aos funcionários agora silenciosos, e então começou a se afastar.

—Vejo vocês quando o jogo acabar.

Ele se aproximou da Assistente Eun Haje, que acompanhava toda a cena de queixo caído.

—Assistente.

Eun Haje sentiu uma latejante dor de cabeça.

‘O problema desse cara é que ele é bom demais!’

Novato inteligente ou não, esse era o defeito dele.

‘Ele é sincero demais.’

O tipo que vai se desgastar ou quebrar sob o peso de seus próprios ideais.

Ele declarou com paixão que seus itens pertenciam aos colegas só para tentar salvá-los antes, e agora estava fazendo essa loucura…

—Você, você está falando sério…

Kim Soleum baixou a voz e falou rápido.

—É um blefe.

“……”

Oh.

—Só mexi no assunto para ganhar tempo pra gente.

Por um instante, Eun Haje quase esqueceu que estava prestes a morrer, mas conseguiu responder.

—…Quer dizer que está ganhando tempo?

—Sim, senhora.

Hah.

—Espera, se planeja tentar alguma coisa nesse tempo, não faça isso. É assim que você se mata…

—E se eu insistir?

—……!

—Vamos tentar, custe o que custar. …Se você ajudar, nossas chances de sucesso aumentam.

Esse… esse teimoso!

Eun Haje rangeu os dentes.

—Ei. Eu disse que vou cuidar disso sozinha.

—Não acredito nisso. …Você já desistiu. Está pronta para morrer.

—……

Tão rápido de entender.

‘Argh.’

—…Não vou mentir que não pensei em tentar algo.

Finalmente, Eun Haje confessou.

Coisas que ela não tinha contado para não dar falsas esperanças aos novatos.

—Você sabe que essa história de fantasma impõe várias regras para os chamados “professores novatos”, certo? Mas sabe quem é a única exceção?

—…Seria—

—A Forca.

Eun Haje sorriu.

—Sou eu.

A Forca não era penalizada por nada — nem por palavrões, nem por bater a cabeça contra a parede forte o suficiente para quebrar o crânio.

—O problema é que, mesmo assim, mexer meu corpo é complicado.

Ela fez um gesto com os olhos em direção às cordas que a amarravam.

—Mas… por outro lado, isso quer dizer que eu posso fazer o que quiser com a parte superior do corpo.

—……!

Claro, as chances de qualquer coisa funcionar eram mínimas.

Eun Haje falou com calma, mantendo a compostura.

—Ouviu? Só eu posso tentar essa brecha. Mesmo assim, ainda não sou punida. Então, vocês que são alvos de penalidade só ficam aí e—

Os olhos de Kim Soleum brilharam.

—Vou usar essa brecha para maximizar a taxa de sobrevivência.

—O quê?

—Por favor, lembre-se do que estou prestes a dizer.

Kim Soleum explicou clara, firme e concisamente o que Eun Haje precisava fazer.

E depois…

—……!

—…Isso é tudo.

Eun Haje teve a sensação de ter sido jogada num banho de água gelada.

Eles realmente iam fazer isso?

—Nós vamos começar o trabalho agora. Até já.

—Ei!

Espera um segundo.

—Roe!! Badger!! Vocês seus pestinhas!

Mas os dois já estavam saindo da sala de jogos.

—Ei! Voltem aqui!

* * *

‘Ufa.’

Parecia que a tática de ganhar tempo havia funcionado.

Eu seguia pelo corredor do jardim de infância, estranhamente limpo, colorido e silencioso, junto ao supervisor Park Minseong.

‘Vamos andar mais rápido.’

Os relatos do supervisor Park e da assistente Eun me ajudavam a formar um quadro mais claro. Minha mente oscilava entre ansiedade e esperança.

Mesmo assim, o clima desconfortável dessa história de fantasma ainda me dava arrepios.

Mas, corajoso como sempre, o supervisor Park continuava olhando para trás com uma expressão preocupada antes de finalmente falar.

—R-Roe, você tem certeza disso? Esses 2.000 pontos não são brincadeira… E se alguém realmente adivinhar duas letras?

Ah.

Isso?

—Isso nunca vai acontecer.

—……!

Eu sorri.

—Com personalidades egoístas e todo mundo se vigiando, é impossível.

—Hã?

—Eles vão sabotar um ao outro toda vez que alguém tentar adivinhar.

—……!!

Segundo os registros, o limite de tempo de cada pergunta variava entre 7 a 10 minutos, dependendo do capricho da história de fantasma.

Mesmo conservador, teriam que passar por nove rodadas com esse tempo integral.

Então, qual é o melhor método?

—Provavelmente vão continuar batalhando e se sabotando até o último segundo. E, como ainda não querem acumular penalidades, alguém vai acabar propondo termos para as apostas deles, meio a contragosto.

E a probabilidade de estar certo? Muito pequena.

—No fim, todos vão acabar levando penalidades, e o tempo vai se arrastar.

Além disso, quando a contaminação começar a aumentar, vão hesitar em chutar letras aleatórias, atrasando ainda mais.

Então…

—Vai levar fácil uma hora.

Disse isso com confiança.

—E já que o prêmio não são os 2.000 pontos em si, mas um item que você pode comprar com eles, fica mais difícil dividir a recompensa. Eles não conseguem formar times para compartilhar, e acordos verbais não são confiáveis.

‘A única razão de terem confiado na minha promessa foi por causa do Coração de Prata.’

Eu tinha que garantir que aquilo não fosse exposto. Evitei até pensar no broche no meu bolso enquanto continuava.

—Então, não se preocupe com isso. Vamos focar em salvar a assistente primeiro.

—……

Um lampejo de emoção passou pelo rosto do supervisor Park sob a máscara. Percebendo que não havia tempo a perder, ele rapidamente a reprimiu.

—Certo. Vamos começar! Ah, chegamos.

—Sim.

Era hora de iniciar os preparativos.

‘Huu.’

Eu me sentei com o supervisor Park, acomodando-me no chão.

Era o maior espaço do jardim de infância.

[Sala de jogos]

Tentei não olhar muito de perto para a cena à minha frente.

Na nossa frente, um colorido tanque de bolinhas e um palco decorado com flores e borboletas.

Mas sobre o palco alegre, dois pedaços e grotescos de carne se erguiam de forma desconfortável.

Uma perna esquerda. Um pé direito.

Eram partes do corpo da Assistente Eun Haje.

‘Haah.’

Um arrepio percorreu minha espinha, eriçando os pelos do meu pescoço. Se era medo, pavor ou sensação de crise, não sabia dizer.

‘A forca.’

Havia apenas uma chance.

Eu precisava agarrá-la ali.

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