Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 37

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Vou ser sincero.

Já faz um mês desde que entrei aqui.

Surpreendentemente, trabalhar numa empresa de histórias de fantasmas… até que é suportável!

“Nossa, loucura, mais um caso resolvido em 30 minutos!”

“Será que eles estão indo melhor que o esquadrão C?”

Ouvir frases que parecem saídas de uma web novela do YouTube sendo ditas na vida real é surreal.

“Aproveite, tudo isso é mérito seu.”

Era hora do almoço.

A assistente Eun, orgulhosa, carregava com facilidade as duas opções de cardápio da cafeteria e falava com naturalidade.

Aliás, já tínhamos resolvido um caso naquela manhã.

“Graças à Roe, estou conseguindo a loucura de fechar doze histórias de fantasmas novas em um mês.”

“Não, isso é graças à sua excelente liderança.”

“Liderança nada. Só tô curtindo o passeio.”

“Isso aí. Hoje eu pago o churrasco, sunbaenim Soleum.”

“Minseong, isso é meio…”

“E daí? Roe é com certeza mais sunbae que eu.”

Quando um superior faz piadas assim, pode ser surpreendentemente difícil reagir sem se sentir falso…

Mas, fosse brincadeira ou sério, o supervisor Park não esperou minha reação. Mostrou seu entusiasmo, exibindo orgulhoso a captura de tela da sua pontuação mensal acumulada.

“Já 5.000 pontos!”

É.

[Supervisor Park Minseong / Pontuação Acumulada: 5.200P]

Também foi a minha pontuação do mês.

‘Speedruns realmente funcionam…’

Jamais imaginei que minhas táticas de sobrevivência chegariam a esse ponto.

A maior parte das histórias de fantasmas eram classe F ou D, então dava pra levar.

‘Parece que casos de nível alto não aparecem com frequência.’

Se aparecessem, o mundo já teria acabado com um “E assim, o mundo pereceu” no final deste universo.

De qualquer forma, meus superiores ficavam mais animados do que eu. Achavam a situação engraçada justamente porque não era trabalho deles.

“Provavelmente o recorde mais rápido para um novato na história da empresa, né?”

“Oooh!”

Ah, pensando bem, mal vi os outros novatos.

Como eu frequentava o escritório do time de Pesquisa no 17º andar todos os dias, não tive muitas chances de encontrar os outros esquadrões do time de Exploração de Campo.

‘E Baek Saheon e eu ainda fingimos que o outro não existe.’

Para manter a persona de doido que adotei, às vezes solto umas piadas exageradas relacionadas ao trabalho.

– Hoje vai em investigação de fantasma, né? Quer apostar quantos civis vão morrer?

– ……

O pesquisador que curte apostas me inspirou. Valeu, amigo.

De qualquer forma, ver Baek Saheon cerrando os dentes e me ignorando mostrou que minha abordagem funcionava.

‘Tá indo bem.’

Encerrei o último gole do galbi-tang e apoiei a tigela na mesa.

Sair no horário e ainda ganhar bônus.

‘A comida da empresa também não é ruim.’

Como benefício, essa empresa provavelmente pegaria 3,5 estrelas ou mais em sites tipo o “Emprego Brasil”.

Claro, tem o estresse gigantesco de basicamente passar todos os dias em casas assombradas com fantasmas aparecendo…

‘Coisas que eu recusaria fazer a qualquer custo antes… Bem, isso é a vida corporativa normal agora, acho.’

E como em qualquer profissão, a sensação de vitória ao conseguir resultados te faz pensar que não é tão ruim assim.

“Roe.”

A assistente Eun falou baixinho, com calma.

“Nesse ritmo, os chefes lá em cima vão acabar percebendo.”

“…Como assim?”

“Seu desempenho, quero dizer.”

“……”

“Pode ser sorte uma ou duas vezes, mas não dez vezes seguidas.”

A assistente Eun estreitou os olhos e sorriu.

“Alguém de cima vai querer te olhar de perto. Quando isso rolar, não deixe de nos avisar. Avise o líder do esquadrão também.”

Hum.

Se fosse uma empresa normal, eu estaria preocupado com o crédito ser roubado e talvez pensasse em ficar na minha. Mas aqui?

Este é o mundo das histórias de terror, e meus superiores já haviam visto eu salvar a pele deles antes.

Assenti obedientemente.

“Pode deixar, vou avisar.”

“Viu? Por mais que ele não pareça… ou melhor, só de olhar pra ele dá pra perceber que nosso líder de esquadrão é bem diferenciado, né?”

Nossos olhares foram até o chefe de seção Lee Jaheon, que terminava a refeição rapidamente e saía da cafeteria.

“Se algum pedido absurdo aparecer, peça ajuda uma vez pra ele. Ele te dá a mão.”

Aquele lagarto?

“…Entendido.”

“Beleza. Roe, você entende rápido.”

Pra ser honesto, não estava completamente convencido, mas apenas acenei com a cabeça. Isso é algo que vou guardar para mim.

De qualquer forma… Então os chefes maiores podem começar a falar sobre mim, né?

Levantei, levando minha bandeja, enquanto pensava.

‘Nesse ponto, ser notado é inevitável.’

Já aceito isso.

Afinal, se eu visse um palhaço saindo de um retrato só com a parte superior do corpo, provavelmente desmaiaria na hora…

Mas tem uma coisa em que posso confiar.

‘Eles não vão mandar um novato algo mais difícil do que isso, né?’

Se mandassem, não seria só despejar trabalho, seria passar as tarefas principais do departamento pra alguém inexperiente que está há um mês.

Fazer um recruta novo, que mal tem experiência, lidar com as responsabilidades centrais do departamento?

Isso só existe em esquetes doidos do YouTube. Além disso, vai contra as regras não escritas de qualquer grande empresa.

Vou chamar isso de “histórias não resolvidas” evoluindo no meu trabalho e me considerar sortudo.

Se isso virar rotina, vão pensar “Ah, esse cara é especialista nisso” e se acostumar.

“Vamos voltar?”

“Sim, senhora.”

Decidi e entreguei meus pratos.

Mas naquele momento, enquanto me acostumava com esse mundo estranho e a vida no trabalho, me esqueci de uma verdade universal da sociedade.

Aquela sobre…

Quem se destaca, leva martelada!