
Capítulo 825
Advento das Três Calamidades
Evelyn J. Verlice : Corrupção
: Progresso - 84%
Zuuuuuum—
Eu não tive escolha a não ser me mover. A enxurrada de notificações tornava impossível ignorá-la, então pedi licença e segui em direção a onde ela estava.
Não demorou muito para eu a encontrar.
Mas o que me recebeu foi uma visão que fez meu coração despencar.
Ka Cha! Ka Cha!
Relâmpagos rasgavam o ar, colidindo em todas as direções e obliterando as estátuas que avançavam contra ela.
O poder que emanava de seu corpo era o suficiente para me fazer estremecer. Quando nossos olhos se encontraram, a primeira coisa que vi foram as finas veias negras subindo por seu rosto.
‘...É exatamente como a Aoife.’
Não havia dúvidas.
Ao vê-la assim, só pude suspirar em silêncio.
‘As coisas continuam piorando para o meu lado. Não só tenho que pensar em uma maneira de me livrar da maldição, como também preciso garantir que a Evelyn não se corrompa. Ótimo. Muito legal mesmo.’
Eu queria vomitar.
Ainda assim, mantive a calma enquanto olhava para ela.
Seu rosto estava pálido e o leve tremor em seu corpo indicava que ela estava com frio. Fiz um gesto em direção ao abrigo.
— Pare de ficar parada aqui no frio. Você vai voltar comigo.
— .....
Evelyn não respondeu, mantendo o olhar fixo em mim enquanto seus olhos piscavam por um momento.
Foi tudo o que bastou para meu coração afundar.
E, como esperado, um sorriso sarcástico logo surgiu em seus lábios.
— Vamos fazer isso de novo?
Sua voz era suave, mas carregava um tom rouco que me fez prender a respiração instintivamente.
— Não vamos.
Por fim, balancei a cabeça.
— ...Não vamos fazer isso de novo. Você é livre para fazer o que quiser. Se você quer ajudá-los, não vou mais te impedir. Na verdade, admito que você é a única que pode curá-los. É por isso que estou pedindo para você voltar. Para que eu possa te ajudar a curá-los.
— Você vai me ajudar...?
Evelyn ergueu a sobrancelha, e o sorriso em seus lábios ficou ainda mais acentuado.
— Com que habilidade? Você pode ser forte, mas quando se trata de controle elemental, você é praticamente um nível abaixo de todos. Você vai tentar suprimir minhas emoções. É isso que você vai fazer?
— Isso é mais do que suficiente.
— Ha.
Evelyn riu, olhando para mim com descrença.
— ...Você vai levar o crédito por isso? Eu farei todo o trabalho, mas no final, você ainda vai ganhar algum crédito. É só isso que você quer, não é?
— O quê?
Senti minha cabeça latejar.
Ela surtou.
Ela perdeu completamente a cabeça.
— Você não vai me deixar fazer isso sozinha, vai? Você quer roubar o meu momento. No final, eu continuarei sendo inútil, enquanto você será aquele que ajudou a inútil, não é? Esse é o seu objetivo final, certo?
— .....
Minha boca abriu, mas nenhuma palavra saiu.
Eu estava sem palavras.
Não sabia como responder.
Evelyn estava tão perdida em suas próprias ilusões que nem percebia o quão idiotas eram suas palavras. Que crédito? Que bobagem era aquela? A última coisa com a qual eu me importava era crédito! Eu só queria cair fora desse lugar.
Mas, ao encarar as linhas negras que se espalhavam pelo rosto dela, entendi o motivo de Evelyn não estar sendo racional.
‘Isso está se alimentando das inseguranças dela. Mesmo que eu diga qualquer coisa, não vai adiantar de nada.’
Por fim, levantei as duas mãos e suspirei.
Ao mesmo tempo, fiz uma pausa antes de olhar de volta para Evelyn.
— Tudo bem, você me pegou.
Mudei o tom da minha voz, adicionando um sorriso malicioso aos lábios.
— Você me leu como um livro aberto. É exatamente isso que eu queria fazer. Para alguém tão perdida quanto você, estou surpreso que tenha conseguido ler minhas intenções. Você mudou. Estou bem surpreso com essas mudanças.
O sorriso desapareceu do rosto de Evelyn, sendo substituído por um olhar frio enquanto ela me encarava.
Eu conseguia sentir as veias negras ao redor de seu rosto começando a se espalhar ainda mais.
Ao mesmo tempo, também pude ver a confusão em seu olhar ao notar a mudança repentina na minha postura.
Ainda assim, não deixei que as dúvidas dela prosseguissem, e comecei a provocar sua expressão, com meu sorriso ficando ainda mais evidente.
— O quê? Você falou como se soubesse. Por que de repente me olha assim? Não me diga que, na verdade, nem você acreditou nisso?
— .....
Evelyn não falou; em vez disso, permaneceu imóvel. Foi esse silêncio que provou para mim que eu estava certo, e eu estava prestes a continuar quando parei de repente.
Hã?
Virei a cabeça levemente, meu olhar fixo na figura que aparecera do nada.
Ele estava parado em meio à neve, seu cabelo azul balançando ao vento frio enquanto observava a cena em silêncio. Fragmentos de gelo estilhaçado cobriam o chão ao redor dele, resquícios das estátuas que Evelyn destruíra, e, ali perto, as veias escuras rastejando pela pele de Evelyn pulsavam fracamente.
Ele viu tudo.
Senti, de repente, um pressentimento ruim.
Foi naquele momento que soube que precisava fazer alguma coisa.
Tik, Tik—
— Esse poder...
O olhar dele vacilou, e senti uma pressão pesada irradiar dele, preenchendo o ar enquanto seus olhos se fixavam em Evelyn.
Ele riu um momento depois, seu olhar varrendo os arredores mais uma vez.
— Eu fui ingênuo. Eu fui um estúpido.
Ele cobriu o rosto com as mãos, outra risada escapando de seus lábios. Era um som baixo, mas ecoou pelo ar e, com ele, a temperatura pareceu cair ainda mais.
O olhar de Evelyn se fixou nele, sua cabeça tombando levemente. Ela começou a entreabrir os lábios, pronta para falar, mas antes que uma única palavra pudesse sair, ele a interrompeu.
— Você esteve com eles o tempo todo. Fui ingênuo ao pensar que você poderia nos ajudar. Finalmente entendi por que Reginald e Sal morreram! É por sua causa! Você fez isso com eles!
[+1]
[+1]
[+1]
[+1]
Os números na minha visão continuavam subindo. O rosto de Evelyn mudou ao ouvir as palavras de Velar, sua expressão fria anterior desmoronando enquanto ela balançava a cabeça, murmurando coisas como: "Não, isso não é verdade".
— O que não é verdade? Você fez isso! Não há outra explicação!
— Não, mas... eu realmente...
Mas suas palavras caíram em ouvidos surdos.
Quanto mais ela o olhava daquela maneira, mais alto Velar ria. Seu olhar ficou ainda mais aterrorizante, e o próprio solo tremeu com a força de sua presença. Era a primeira vez que eu via o, geralmente calmo, Velar perdendo o controle.
— Você diz isso, e ainda assim... ainda assim! Olhe ao seu redor!
Os olhos dele se voltaram para os estilhaços de gelo espalhados pelo chão, e a expressão de Evelyn rachou ainda mais. Só então o peso de tudo pareceu atingi-la. Ela olhou para suas próprias mãos trêmulas, seus lábios se abrindo enquanto um sussurro quebrado escapava — "Espere, eu... o que eu fiz? Isso é..."
[+1]
[+1]
[+1]
As veias em seu rosto escureceram, destacando-se de forma gritante contra sua pele cada vez mais pálida. Seus olhos, antes brilhantes, começaram a ficar turvos, tornando-se lentamente um preto absoluto.
Uma pressão sufocante emanou de seu corpo, densa o suficiente para tornar o ar pesado. A expressão de Velar endureceu, seu rosto tornando-se completamente frio.
A pressão esmagadora apenas confirmou suas suspeitas. Vários círculos mágicos brilharam ao redor dele enquanto o vento surgia, uivando pelo ar, e o frio se intensificava até cortar a pele.
Um ataque aterrorizante disparou na direção de Evelyn um momento depois. Incapaz de reagir a tempo, Evelyn foi atingida diretamente pelo ataque.
Bang—!
— .....!!
Seu corpo deslizou vários passos para trás, sua expressão mudando de choque para traição.
— O quê... por quê? Por que você está fazendo isso?
Velar não respondeu, enquanto mais círculos mágicos se acendiam ao seu redor, cada um maior e mais ameaçador que o anterior.
A expressão de Evelyn empalideceu ainda mais enquanto ela murmurava: "Não, por quê... por quê...? Por quê!!".
Seus olhos oscilaram de forma ainda mais perigosa.
[+1]
[+1]
[+1]
As notificações continuavam piscando diante dos meus olhos, o medidor subindo até atingir noventa. O ar parecia apertar ao meu redor conforme as veias negras no rosto de Evelyn engrossavam, espalhando-se como rachaduras em porcelana. Uma pressão sufocante explodiu de seu corpo, escorrendo como uma aura escura e viscosa que começou a envolver os arredores.
— Eu... não fiz. Eu não...
Sua voz tornava-se mais grave a cada palavra, ganhando camadas, sobrepondo-se a si mesma, como se outra presença estivesse falando através dela.
— ...Eu só estou tentando ajudar! Eu só quero ser útil! Eu não sou inútil!!
[+1]
[+1]
[+1]
[+1]
Evelyn soltou um grito estridente, o som rasgando o ar enquanto a neve ao seu redor se estilhaçava. Todos os ataques disparados contra ela se desintegraram em um instante.
— Uekh!
Velar foi arremessado para trás vários passos, seu rosto empalidecendo enquanto ele encarava Evelyn com horror.
— A maldição! Você é a maldição!
Ele continuou a gritar com ela, mas Evelyn não lhe dava mais atenção.
A cada segundo que passava, a escuridão que a envolvia se tornava mais densa, seu cabelo desbotando para o preto. Seus olhos, já escuros, tornaram-se um abismo ainda mais profundo conforme a pressão que emanava dela crescia, tornando-se cada vez mais aterrorizante.
Assisti a tudo isso acontecer de onde eu estava.
Eu queria agir, mas não conseguia.
Na verdade, eu não conseguia me mover, pois meu corpo tremia por dentro.
Encarando-a, eu podia sentir meu coração batendo forte contra o peito.
Mas não por medo dela, mas por outra coisa.
Ba... Tum! Ba... Tum!
[+1]
[+1]
[+1]
[+1]
As notificações continuavam aparecendo.
Quanto mais apareciam, mais sombria a presença de Evelyn se tornava.
Mas, dentro da escuridão, senti algo começando a despertar.
Algo que fez todo o meu corpo travar e congelar no lugar.
Engoli em seco, encarando a cena diante de mim com os olhos arregalados.
— Haaak! Hyaaaaak—!
Evelyn segurou a cabeça com as duas mãos, gritos rasgando sua garganta enquanto a escuridão a consumia completamente.
E logo—
[+1]
[+1]
O contador atingiu cem.