Advento das Três Calamidades

Capítulo 766

Advento das Três Calamidades

Uma escuridão totalmente negra.

Uma que parecia sufocante, envolvendo-o cada vez mais fundo.

Era assim que Leon se sentia.

Por mais que tentasse lutar contra a escuridão, ela se agarrava a ele, arrastando-o cada vez mais para o fundo do abismo abaixo.

Ele se esforçava ao máximo, mas seus esforços eram inúteis.

A escuridão venceu, e seu mundo se tornou preto.

"....."

Seus olhos se abriram de repente, e a escuridão se retraiu, dando lugar ao brilho intenso do lustre acima.

Uma dor aguda permaneceu em sua mente enquanto ele franzia a testa.

Suas memórias estavam turvas, e ele lutava para compreender devidamente o que tinha acontecido.

Até que—

"Você está acordado."

Uma voz familiar que o despertou de seus pensamentos. Levantando a cabeça, o olhar de Leon caiu sobre Julien e, naquele momento, como se tudo tivesse desabado na sua cabeça, as lembranças do que tinha acontecido antes de desmaiar surgiram com força.

"A—ah!"

Ele quase começou a gritar, mas foi interrompido por Julien, que empurrou seu peito contra a cama.

"Eu sei o que você está tentando dizer. Não há necessidade de dizer mais nada."

Porém—!

"Sei. Não se preocupe."

Julien sorriu. Seu rosto estava calmo, aparentemente impassível com toda a situação.

"Você esqueceu quem eu sou...?"

As palavras súbitas fizeram os olhos de Leon se arregalarem. É isso mesmo, ele... A lembrança repentina foi tudo que ele precisou para finalmente se acalmar, enquanto Julien respirava fundo aliviado e procurava um assento para se sentar.

Após um momento de silêncio, Julien começou a falar.

"Não precisa se preocupar se alguém entrar. Ainda não começou o evento, e eu avisei às pessoas para nos darem um tempo para conversar."

Enquanto falava, seu rosto permanecia com um sorriso confiante, como se dissesse: 'Vai ficar tudo bem'. Mas Leon já conhecia bem aquela expressão. Tinha convivido tempo suficiente com Julien para entender aquilo.

Seu coração afundou.

"Dá para perceber pela sua expressão que você não acredita nenhuma palavra que eu diga."

"Não, eu acredito."

"Sobre...?"

"Que não há ninguém por perto."

"Ah, então e o que acha do ‘não se preocupe’?"

"Ah, isso. Na verdade, eu não acredito em nada disso."

"....Entendi."

JulienRange a língua, sentando-se de volta na cadeira enquanto balançava a cabeça e murmurava coisas como: 'O que faço neste momento? Nem minha palavra podem confiar.'

Apesar da tentativa de Julien em animar o ambiente, o rosto de Leon permanecia sério.

"Agora não é hora de brincadeiras."

Ele ainda se lembrava da sensação palpável que tinha sentido há pouco tempo. Ela permanecia na sua mente, ameaçando consumi-lo até agora. Ele não compreendia exatamente o que era, mas era a primeira vez que passava por algo assim.

Um medo tão poderoso que quase parecia impossível de escapar.

Independente de onde fosse...

Era impossível.

"Julien. Precisamos sair de repente deste lugar. Não, temos que procurar o Chanceler. Ou alguém forte. Não sei. Temos que fugir o quanto antes. Não sei se você usou seus poderes ou não, mas eu—"

"Pare."

Julien interrompeu Leon no meio da fala.

O rosto de Leon caiu, e justo quando ia discutir, seus olhos se fixaram no sorriso que ainda permanecia no rosto de Julien.

Aquele sorriso...

O coração de Leon mergulhou completamente.

Era a primeira vez que via aquele sorriso de Julien. Era um sorriso de aceitação e resignação ao mesmo tempo.

"Não, mas—"

"Não vou morrer."

Julien começou, com o sorriso ainda no rosto.

"Posso te prometer isso. Não será igual da última vez. Eu não vou morrer."

"Você... não vai?"

Leon pôde perceber, na expressão de Julien, que ele não estava mentindo.

Nesse caso...

"Não vou morrer."

Julien reafirmou com firmeza. Leon podia ver no rosto dele que não era mentira, e isso foi suficiente para aliviar seu coração.

"Se você não vai morrer, então...?"

Julien apenas sorriu.

Não respondeu. Em vez disso, pegou algo de seu anel. Uma longa espada negra que fez os olhos de Leon saltarem de espanto. Ele havia visto a espada antes e não pôde deixar de sentir que aquela era até melhor do que a que ele mesmo possuía.

"Isto...?"

"É para você."

Julien entregou a espada a Leon.

Aquela ação fez Leon mudar de expressão, seus olhos se arregalaram ao olhar para Julien.

"Espera, o quê?"

Ele não era bobo. Já sabia o valor da espada em um instante. Era algo além de tudo que ele já tinha tido.

Por que ele...?

"Só aceita. Você vai precisar dela. Não, na verdade..."

Julien parou, os olhos brilhando enquanto olhava para Leon.

"Vou precisar dela."

"O que... Wh—"

"Aceita logo."

Julien empurrou a espada na direção de Leon, ainda chocado.

"Como eu disse, não vou morrer. Mas, enquanto isso, vou precisar que você faça várias coisas."

"Eu...?"

Leon olhou para Julien com uma expressão vazia, seu olhar fixo na espada na sua mão. E foi então que o rosto de Julien ficou extremamente sério. Tão sério que, por um momento, deixou Leon atônito.

"Preste atenção no que vou te dizer. Provavelmente essa será a única chance que terei de te falar isso, então ouça bem. Você é a única pessoa que pode me tirar dessa situação, e essa também é a razão de eu estar te dando essa espada."

"....."

Leon engoliu em nervosismo, com a expressão misturando confusão e preocupação. Por fim, conseguiu balbuciar uma palavra.

"Eu?"

"Sim."

Julien assentiu, soltando uma respiração curta antes de explicar seu plano e sua situação.

Conforme falava, o rosto de Leon ia ficando cada vez mais pálido.

Até que—

Seu rosto ficou completamente branco, encarando Julien em choque e horror.

Sem conseguir pronunciar uma palavra, apenas abriu os lábios sem emitir som algum.

Julien olhou para ele e, depois de dar uma leve palmada no ombro, falou.

"Vou contar comigo, Leon. Você é a única pessoa em quem posso confiar."

E com essas palavras, Julien se virou e saiu, deixando o cômodo em silêncio total e absoluto.

No silêncio, Leon permaneceu imóvel.

Nenhuma palavra ou som escapou de seus lábios enquanto ele fixava o olhar na porta de forma vazia.

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