Advento das Três Calamidades

Capítulo 722

Advento das Três Calamidades

Mesmo ao sair da sala com uma sensação positiva, não pude deixar de sentir um peso no peito enquanto me afastava do lugar.

'...Algo na Aoife parecia estranho.'

Não conseguia colocar as palavras exatamente, mas por um momento ela quase parecia uma pessoa completamente diferente.

Era quase como se estivesse possuída ou algo assim.

"Não, isso não está totalmente certo."

Balancei a cabeça.

Era certamente a Aoife. Eu conseguia perceber.

No entanto, parecia que tinha algo a mais ali.

Algo mais sombrio.

'Estou imaginando coisas, ou tudo isso é por causa do estresse acumulado que ela tem devido à situação atual?'

Queria mesmo acreditar que fosse isso.

No entanto, um sentimento de fundo dizia que as coisas não eram tão simples assim.

Foi nesse momento que me lembrei de algo que não pensava há bastante tempo.

O medidor de calamidades...

Agora que não tinha mais meu sangue original comigo, não conseguia determinar a porcentagem de cada uma das três calamidades. Ainda não entendia exatamente o que eram as calamidades. Já se passaram cerca de três anos desde que cheguei a este mundo e, mesmo assim, eu ainda não tinha informações sobre esse medidor.

'Droga, eu devia ter perguntado ao Noel na hora certa.'

Ele realmente saberia?

'...Não, deixa pra lá. Tenho certeza que ele deixou a maior parte do conhecimento na cave. Vou dar uma olhada lá e ver se acho alguma resposta.'

Ficara complacente com relação ao medidor de calamidades.

Estava tão focado nas outras coisas que acabei esquecendo dele completamente.

Não era sem motivo.

Realmente, tinha muitas coisas que eu precisava resolver.

...E a situação estava sob controle.

Pelo menos, assim parecia.

Agora que não tinha mais o medidor comigo, não conseguia saber qual era a porcentagem ou se ela tinha aumentado.

'Tenho certeza de que aumentou, mas quanto será?'

Comecei a ficar um pouco nervoso.

A ideia de não saber me deixava ansioso.

Por outro lado, sabia que precisava me acalmar. A ansiedade é um sentimento inútil.

Era necessário avaliar a situação.

'Noel disse que logo vou recuperar meu sangue, mas quando será isso?'

Já faz bastante tempo que voltei da Dimensão do Espelho e ainda não recebi nenhuma notícia sobre Jackal ou meu sangue.

Perguntei ao Noel, mas a única resposta que obtive foi: "Na hora certa. Não precisa se preocupar muito. Você vai saber quando chegar a hora de ter seu sangue de volta. Por ora, relaxe e treine."

Discretamente, pouquei os lábios e caminhei pelo corredor vazio do palácio.

À medida que avançava, meus passos diminuíram.

"Ah, é mesmo."

De repente, lembrei do Leon.

Finalmente tinha voltado para o Império.

Havia algo que eu precisava dele.

'A Taça.'

Já tinha coletado três das quatro relíquias. A única que faltava era a taça, que Leon possuía.

'...Embora eu ainda não entenda o que vai acontecer quando eu coletar todas, Noel disse que assim que conseguir todas, vou conseguir lembrar de tudo.'

Parecia ser a coisa mais importante no momento.

Meus passos inconscientemente aceleraram.

Percorri os corredores do palácio até encontrar a saída e sair.

O sol ainda castigava lá fora, e, ao olhar ao redor, vi que muitas pessoas ainda estavam presentes. Provavelmente, estavam "socializando", mas, ao observar melhor, percebi que os grupos estavam divididos em várias grandes turmas.

Provavelmente esses eram os diferentes grupos que representavam os candidatos ao trono.

Ou havia também um grupo separado para os que estavam de fora do Império. Logo avistei o Leon. Ele conversava com a Evelyn e a Kiera.

Estava prestes a me aproximar dele quando uma mão me colocou no ombro.

"Espere um momento."

"Hã...?"

lentamente virei a cabeça para ver um rosto familiar. Com cabelo preto como a noite e olhos amarelos intensos, ele tinha uma aparência bastante elegante. Tinha uma expressão calma no rosto enquanto sorria gentilmente na minha direção.

Preciso dizer, mas quem tem sangue Megrail realmente tinha uma aparência marcante.

"Sua Alteza, é uma honra conhecê-lo."

Inclinei um pouco a cabeça em sinal de respeito.

Essa era uma etiqueta que eu devia seguir, independentemente do grupo ao qual pertencesse.

"...Haha, não precisa ficar tão rígido."

O príncipe riu, empurrando a própria mão para cima.

"Sou apenas um filho ilegítimo. Não há necessidade de me cumprimentar com tanta formalidade."

"Ainda assim, preciso fazê-lo."

Naquele momento, meu desejo era cuspir. Senti repulsa ao ouvir minhas próprias palavras.

'Tudo que estudei sobre etiqueta valeu a pena, acho.'

Se fosse o antigo eu, provavelmente teria dito algo como, "Legal, parabéns, e tchau", e ido embora.

Provavelmente, isso me causaria muitos problemas.

Melhorei minhas maneiras.

De qualquer forma, só queria ir embora logo.

Esse príncipe...

Havia algo nele que me deixava desconfortável.

"Bem, se você insiste, então seria falta de educação eu impedir você."

Ele simplesmente parecia...

Como uma cobra.

'É isso. É isso mesmo.'

Desde sua postura gentil e sorriso até os olhos delicadamente fechados. Senti meu corpo ficar tenso de cautela.

Queria muito usar a magia emocional do nível cinco para ler suas emoções, mas me segurei, ciente de que o lugar estava cheio de figuras incrivelmente poderosas.

Se alguém percebesse algo de mim, talvez fosse o meu último momento.

"...É ótimo que você seja rápido para entender as coisas."

O príncipe sorriu para mim antes de virar seu olhar ao longe.

Estava prestes a me despedir, quando ele falou novamente.

"Ouvi dizer que você vai participar de um Rito de Armamentos."

"Sim, vou."

"...Como estão seus preparativos?"

"Estou fazendo o melhor que posso."

Essa cobra...

Percebi que ele tentava sondar minhas respostas. E, se fosse uma aposta, acho que ele apoiava o lado do Marquês.

"Que bom ouvir isso."

Ele olhou para mim novamente.

Nossos olhares se cruzaram.

"Seria uma lástima alguém tão talentoso quanto você se machucar. Quando chegar a hora, farei o possível para ajudar você."

Foi tudo o que ele disse antes de se virar e sair.

Pousei alguns segundos no lugar antes de tmpopar os lábios.

'Esse cara...'

Não era bobo.

Entendia o significado por trás das palavras dele.

Ele claramente estava dizendo que eu ia perder, e, quando isso acontecesse, ele iria me ajudar a pelo menos ficar de pé.

Nem tinha vontade de responder às besteiras dele.

De cabeça baixa, virei-me para os outros.

Porém, ao mesmo tempo, fiz uma anotação mental.

'Vou conferir as notas do Noel mais tarde. Essa é a primeira vez que ouço falar de alguém como ele.'

Algo não estava certo.

*

"Como foi a discussão? Correu tudo bem?"

Assim que me aproximei, os outros perceberam minha presença rapidamente. Esforcei-me para parecer leve e descontraído, afinal, tinha certeza de que a Aoife não gostaria que os outros se preocupassem com ela.

Olhei ao redor.

Pude ver a Kiera, a Evelyn e o Leon. Ao longe, também notei a Amell, a Kaelion, a Agatha e o Caius. Todos estavam com seus respectivos Impérios.

Praticamente, tinha toda a minha galera ali.

'...Não esperava vê-los todos tão rápido assim.'

"A Aoife está bem?"

"...Tentei mandar mensagem, mas ela não respondeu."

"Ela está bem."

Reforcei a confiança da Kiera e da Evelyn, que pareciam preocupadas.

"Sério?" Kiera levantou a sobrancelha enquanto olhava para mim, e eu assenti.

"Sim, ela está bem. Se você tentar falar agora, acho que ela responde."

"Sério...?"

Kiera olhou para mim com desconfiança. Por fim, deu um leve encolhimento de ombros e um sorriso meio desanimado, como se dissesse "Vamos lá, tentar". Ela pegou o dispositivo de comunicação e enviou uma mensagem.

Depois de enviar, olhou para mim.

"Vamos ver se a—"

Trrr!

Ela recebeu resposta quase que imediatamente.

"O quê?"

Kiera ficou bastante surpresa ao olhar para a mensagem. Mas, nesse momento, percebi uma oscilação nela. No fim, ela colocou o dispositivo de lado, fez um bico e voltou a falar.

"Ela está bem."

Disse isso, mas pela expressão dela, não parecia confiável.

"O que ela falou?"

Até a Evelyn ficou curiosa e inclinou a cabeça para olhar o dispositivo.

Porém...

"Espera, deixa eu ver!"

"Não, para vai."

Keira rapidamente afastou a cabeça dela.

...Seus esforços estavam claramente fracos, pois a Evelyn conseguiu pegar o dispositivo pouco tempo depois.

Ela então começou a ler a mensagem.

"Eu estava bem até você mandar mensagem. Obrigada."

"...."

"...."

A face da Evelyn ficou séria.

Assim como a da Keira, que devolveu o dispositivo para o bolso de Keira e deu uma tapinha na coxa dela.

"Lá... lá..."

Keira mordeu o lábio.

Provavelmente, tentando ao máximo não atacar a Evelyn.

Enquanto isso, olhei para o Leon.

"...O que você ainda está fazendo aqui? Não vai com seu pessoal?"

"Meu pessoal?"

Leon me olhou com expressão de dúvida.

Inclinei a cabeça.

"Não são eles seus?"

"Quero dizer, sim... mas o que você—"

"Legal."

Cortei ele antes que pudesse explicar, sem interesse algum.

O olhar de Leon ficou frio, mas ignorei.

"De qualquer forma, ainda não me contou por que está aqui. Posso ver que vão estar saindo em breve. Se—"

"Não vou sair."

"Hã?"

Pisquei devagar, olhando para Leon.

"Você... não vai?"

"Não."

Ele balançou a cabeça.

"Tenho algumas coisas para resolver, e tenho que participar de um rito recente também."

Pisquei de novo.

Meu cérebro processou as informações e a lâmpada acima da minha cabeça se acendeu.

"...Você vai ser meu representante?"

"Sim."

"...."

incarminei a cabeça por um instante e depois escondi a mão na boca.

"Você ficou sensibilizado? Mesmo com tudo, fui criado pela Casa Evenus. É justo que eu os ajude quando precisar—"

"...Tá bom, beleza!"

Bati palmas satisfeito.

Era uma notícia excelente. Não apenas porque assim poderia pedir a Taça de forma mais apropriada, mas também porque Leon era bastante capaz.

Por algum motivo, talvez por causa do meu entusiasmo, os olhos de Leon se estreitaram com desconfiança enquanto ele recuava um passo.

"De repente, já não estou mais sentido..."

"Agora já era."

Impedí que Leon fosse embora. O olhei fixamente e sorri.

"Bem-vindo de volta, meu inútil cavaleiro."

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