Advento das Três Calamidades

Capítulo 696

Advento das Três Calamidades

As notícias da volta dos cadetes ao Império já começavam a circular por toda parte.

Jornalistas aguardavam na frente dos arredores da Academia de Haven, cada um com vários equipamentos de gravação e blocos de anotações em mãos.

"Pelo que ouvi, não deve demorar muito para eles chegarem."

"...A qualquer momento."

"Quem você acha que teve a maior pontuação?"

"Não tenho certeza. Pelo que sei, a gravação parou na metade da missão."

O concurso de graduação dos cadetes era um evento que deveria ser exibido para o mundo inteiro. Mostraria não só suas habilidades, mas também daria ao público uma noção do quão perigida era a Dimensão Espelho, além de mostrar maneiras de sobreviver.

De modo geral, isso era algo que a maioria dos Impérios aceitava e queria que a população soubesse.

Com a Dimensão Espelho em constante expansão, havia a possibilidade de que precisassem de tal conhecimento no futuro.

"Pelo que ouvi, os cadetes entraram mais fundo na Dimensão Espelho, por isso a gravação foi interrompida. Felizmente, o Chanceler está com eles, então parece que nada de ruim aconteceu."

As discussões estavam animadas, e uma certa empolgação começou a envolver os arredores da Academia.

'Eles devem estar saindo em breve.'

Linus estava entre a multidão, observando o domo aberto que abrigava a Fenda do Espelho da academia, revelando-a a todos os presentes. Sua expressão era bastante complexa.

'...Consegui ficar em segundo na minha turma. Se eu tiver tempo, consigo ser o primeiro no próximo ano. Cresci forte o suficiente para estar no topo, e as pessoas finalmente deixaram de me desprezar. E mesmo assim... não consigo me sentir feliz com tudo isso.'

Por que Linus treinava?

Ele treinava por causa dos seus sonhos. Os Pesadelos que o assombravam constantemente, lembrando-o do futuro possível.

Ele treinava para parar o maníaco que era seu irmão.

E mesmo assim...

Estava morto.

Seu irmão estava morto.

Já fazia mais de seis meses desde que soube da notícia, e nesse tempo, os pesadelos parecerem ter parado. Ele deveria estar feliz.

Feliz por não precisar mais se preocupar com pesadelos e com seu irmão.

Feliz por poder descansar novamente.

E mesmo assim...

'Sinto-me tão vazio.'

Tudo que Linus sentia era uma estranha sensação de vazio.

O vazio vinha do fato de que ele nunca conseguiu mostrar 'para ele' suas mudanças. Ele nunca conseguiu... fazer 'ele' ver o quanto tinha crescido. Só para pará-lo.

"Vejo uma oscilação!"

"Eles estão vindo!"

De repente, várias vozes ecoaram alto pela multidão, enquanto Linus lentamente levantava a cabeça para ver figuras emergindo lentamente da fenda.

Cliques! Cliques!

O som repetitivo de câmeras clicando ecoou, e imediatamente o lugar entrou em caos, com os repórteres avançando.

"Por aqui! Olhem para cá!"

"Olhem pra mim!"

"Vejo a princesa! Princesa, olhe para cá!"

"Príncipe! Aqui!"

O caos se intensificou a cada segundo, e Linus sentiu que não tinha outra escolha senão recuar. De qualquer forma, ele não estava realmente interessado em ver os cadetes voltando.

Ele estava aqui apenas por formalidade.

Agora que eles estavam de volta, podia finalmente voltar aos treinamentos.

Porém, justo quando ia se virar, do canto mais tênue de seus olhos, ele avistou uma certa figura.

"Hã?"

Conforme sua cabeça se virou naquela direção, ele se deparou olhando para um dos guardas da academia.

Ele piscou lentamente.

'Será que estou vendo coisas?'

Ele coçou a nuca. No final, balançou a cabeça e saiu do local.

***

Clique! Clique!

"Por favor, olhem para cá!"

"Aqui!"

'Droga.'

Ao ver o caos que se desenrolava diante dos meus olhos, dei alguns passos para trás. Felizmente, tinha me preparado antes e Connie me entregou o uniforme de Guarda da Academia.

Com o uniforme, consegui me infiltrar na fenda sem ser notado.

Mas havia um problema.

"Ei! Ajuda aqui!"

"Segurem os repórteres para que não entrem!"

Agora, de fato, parecia um guarda, e para não perder minha identidade, não tive escolha senão seguir a orientação deles enquanto acelerava para ajudar.

"Não empurra! Ei, toma cuidado!"

Percebendo claramente minha presença, a cabeça de Leon se virou, e nossos olhares se cruzaram.

'Droga.'

Senti um aperto no coração ao perceber que Leon sinalizou para os outros e apontou na minha direção.

"O quê? O quê... Por que eles estão vindo para cá?"

Os guardas ao meu redor entraram em pânico, e eu também, enquanto os jornalistas aumentavam em número e minha carga de trabalho aumentava ainda mais.

Leon e os outros, por outro lado, pareciam totalmente indiferentes, fingindo que iam na minha direção.

'Esses idiotas. Espere até estar totalmente de volta. Eu vou acabar com todos vocês.'

A razão de eu manter minha identidade em segredo era simples.

Atlas.

Se ele descobrisse minha existência, viria imediatamente atrás de mim. Pelo que sabia, ele não estava na Academia, mas não podia correr riscos. Se ele sabia ou não minha verdadeira identidade, não tinha certeza.

Porém, não podia correr mais riscos do que já tinha corrido.

E assim...

Clique!

Pressionando suavemente o chão com o pé, a gravidade ao meu redor aumentou um pouco, e os movimentos de todos diminuíram consideravelmente.

"O-que? O que está acontecendo?"

"...Por que estou ficando sem fôlego tão de repente?"

Os rostos de alguns repórteres pálidos ficaram vermelhos de esforço, mas ignorei e empurrei os cadetes para fora do tumulto.

"Saiam! Vão embora!"

Os outros guardas seguiram meu exemplo, empurrando os cadetes para longe.

Quando chegou a minha vez de sair, Leon olhou para mim de lado, deu um sorriso sarcástico e saiu em silêncio.

Só consegui seguir seu rastro com o olhar antes de forçar os demais a saírem.

Dessa maneira, conseguimos afastar todos os cadetes do caos, e eu finalmente pude partir.

"Ufa."

Antes que percebesse, já estava sentado em uma das bancos ao redor da academia, enxugando o suor que escorria na testa.

'Nunca mais quero trabalhar como guarda na academia, nunca.'

Esse trabalho parecia um inferno. Com certeza, o salário era péssimo também.

"Bom, acho que faço o que for preciso para sustentar a família."

Sorrindo, abaixei o rosto para olhar o anel no meu dedo. Igual ao dela.

'Noiva, hein?'

Nem tinha certeza se ela realmente brincava ou não, mas, independentemente, eu ia levar na brincadeira.

Ela era linda. Rica. Poderosa.

O que mais eu poderia querer?

Mesmo que ela não me quisesse mais, eu tinha a intenção de ficar com ela como um polvo grudado.

"Pftt."

Aquele pensamento me fez rir um pouco.

Mas...

De verdade, eu levava a sério minhas palavras.

Não ia desistir.

'Ela é minha.'

***

"Chanceler. Chanceler. Alguma palavra sobre o desempenho dos cadetes?"

"Quer dizer, você tem algo a dizer sobre como eles se saíram? Teve alguém que reprovaram? Visto que todos voltaram, será que todos passaram?"

"Chanceler!"

No instante em que Connie saiu pelo portão, toda atenção se voltou para ela. Isso era natural. Não só pela sua aparência que já atraía todos os olhares, mas também por ser a pessoa mais forte do Império.

Ela era o centro das atenções onde quer que fosse.

Enquanto seu capa preta, repousando sobre os ombros, ondulava ao vento, Connie olhava calmamente ao redor. Vendo os inúmeros repórteres, seus lábios se abriram suavemente.

"Os cadetes acabaram de finalizar a avaliação. Os resultados serão divulgados em data futura. Por favor, deem descanso aos cadetes, e a Academia emitirá uma declaração posteriormente. Nenhum deles se feriu, e todos retornaram com segurança. Obrigada."

Com isso, ela acenou com a cabeça, e sua figura desapareceu diante dos olhos de todos.

"Espere! Espere!"

"Chanceler!!"

Os jornalistas ficaram tensos, tentando a todo custo obter uma declaração, mas já era tarde demais.

Connie já tinha ido embora.

Zuuuuuum!

Com as cortinas de seu escritório esvoaçando, Connie entrou delicadamente, olhou ao redor. Estava escuro, mas tudo limpo. Durante sua ausência, alguém devia ter limpado o lugar.

Satisfeita, Connie se sentou em sua cadeira.

Mas, assim que fez isso, algo piscou na sua frente.

—Connie.

Um rosto que ela conhecia apareceu diante dela. Sua expressão era séria, mas, ao olhar com atenção, dava pra perceber a preocupação sutil que havia nela.

"Pai."

—...Como foi a viagem? Alguma coisa deu errado?

"Não."

Connie respondeu de forma rápida.

"Tudo correu bem."

—Entendo.

Orson assentiu lentamente, enquanto o silêncio tomava o ambiente. Mas foi só por um breve momento, pois o rosto de Orson mudou sutilmente.

—...Sobre nossa conversa anterior. Você disse que tem alguém com quem está noiva. Quem é? Por que nunca me falou antes? Não foi só uma invenção para fugir de minha pergunta, né? Seria triste demais.

"Não é."

Connie balançou a cabeça.

"...Meu noivo."

Ela fez uma pausa, e a imagem de alguém específico passou pela sua mente.

"Ele existe."

—Então por que eu nunca o vi?

"Porque eu não quero."

—Então eu não aprovo. Se eu não puder vê-lo, ele não pode ser seu noivo.

"....."

As sobrancelhas de Connie se franziram enquanto ela olhava para seu pai. Realmente, para que ele fosse oficialmente reconhecido como seu noivo, precisaria da aprovação dele.

'Que chatice.'

"Tudo bem."

No final, ela assentiu com a cabeça.

"...Vou trazê-lo eventualmente."

— Sério?

Os olhos de Orson se iluminaram.

—Você não vai fazer alguém passar por seu noivo, né? Se você—

Clic!

A conversa terminou ali, pois Connie desligou o telefone.

Ela já estava acostumada com esses tipos de conversa. Era a única coisa que seu pai falava. Noiva, noiva, noiva...

Ele realmente não acreditava que ela tinha alguém.

Mas ela tinha.

Uma pessoa com quem não pretendia abrir mão. Afinal, demorou tanto para consegui-lo.

Seria complicado procurar outro, se ela tivesse que procurar.

...E ela não queria procurar outro.

Ele tinha que ser ele.

Ela levava a sério suas palavras.

Connie não ia desistir.

Porque...

'Ele é meu.'

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