
Capítulo 684
Advento das Três Calamidades
Eu imaginei que, sem a interface do sistema, seria difícil entender como funcionavam as habilidades. Mas não foi o caso. No momento em que absorvi o osso, eu instintivamente soube tanto o nome da habilidade quanto o que ela poderia fazer.
Na verdade, eu poderia até argumentar que isso facilitou as coisas para mim.
"Haa…"
soltando mais uma respiração e encarando meu próprio reflexo — ou melhor, meus olhos — eu tinha alguns sentimentos mistos.
Estou bastante familiarizado com a habilidade. Tendo sido submetido a ela, eu sabia o quão assustadora ela era. No entanto, ao mesmo tempo, não era exatamente igual àquele momento em que Xa'hurl a usou em mim.
'Se não me engano, a habilidade deve me permitir apagar a existência de qualquer um para quem eu olhar. Não apenas outras pessoas, mas eu mesmo também.'
Enquanto minha mana suportar, poderei apagar minha própria existência e a de qualquer alvo. Isso era principalmente o que eu sabia sobre a habilidade. Para descobrir mais, precisava fazer alguns testes.
"Tenho certeza de que, com minha força atual, a habilidade não é tão poderosa quanto quando Xa'hurl a usou."
Por exemplo, Xa'hurl tinha o poder de quase eliminar minha existência da própria realidade. Eu não conhecia toda a extensão do efeito, mas tinha certeza de que, pelo menos na dimensão espelho, eu estava sendo esquecido devagarzinho, pedaço por pedaço, na memória de todos.
Eu não era capaz de fazer a mesma coisa.
...Mas, ao mesmo tempo, tinha um pressentimento de que o motivo pelo qual Xa'hurl conseguiu realizar tal feito não era apenas por causa de sua força.
Com certeza havia algo mais que lhe concedia esse poder.
"Se tivesse que fazer uma suposição, provavelmente eu posso afetar um determinado alcance. Talvez toda a cidade?"
Não tinha certeza total. Precisaria testar para descobrir isso. Outras coisas que precisava entender com essa nova habilidade eram o consumo de mana.
'Tenho certeza de que ela consome mais mana dependendo do número de pessoas nas quais uso a habilidade e do nível de força delas.'
Seria necessário mais testes para entender melhor isso.
De qualquer forma, entendi os princípios da habilidade e as formas de utilizá-la.
Se usada corretamente, essa habilidade é extremamente poderosa. Se eu puder apagar minha existência à vontade, junto de outra pessoa, poderei me isolar ao lado do alvo, criando muita confusão.
Podia transformar situações onde eu fosse atacado por múltiplos inimigos em confrontos um contra um.
'Posso até potencialmente fazer com que eles esqueçam que estão me perseguindo.'
Contra inimigos mais fracos, sinto que isso pode funcionar. O problema são os mais fortes. Não acho que consiga manter essa habilidade por muito tempo com eles. Mas, com certeza, pode me dar um tempo e uma abertura.
Pelo menos assim, evitaria uma situação como quando fui atacado pela Igreja de Oracleus.
No geral, essa é uma habilidade extremamente poderosa, digna de um osso de nível primordial.
"Hoo."
Respirando fundo, fechei os olhos, abrindo-os novamente para ver que minhas pupilas retornaram à mesma cor hazel de sempre. Meu rosto também começou a mudar levemente, deformando-se do meu formato original. Rapidemente, controlei isso canalizando minha mana.
Eu ainda não podia voltar ao meu aspecto original.
'Em outra nota, sinto que minha mana aumentou bastante após absorver o osso. Não deve estar muito longe do sétimo nível.'
Sinto que não vai demorar para eu atingir esse nível.
Ao pensar nisso, meu ritmo de progresso é extraordinário. Normalmente, do sexto nível em diante, leva anos para alcançar o próximo. Pelo que sei, a Deliah levou alguns anos para chegar ao sétimo nível.
'Embora ela tenha começado mais tarde que outros por causa da sua teimosia, isso ainda não muda o fato de que estou crescendo numa velocidade nunca vista.'
Tenho sentimentos ambivalentes quanto a isso. Feliz por um lado, mas, ao mesmo tempo, sei que ainda não é rápido o bastante. Meu ritmo atual de crescimento ainda é muito lento.
"Antes, achava que Sithrus seria o fim de tudo, mas parece que isso é só metade da verdade."
Seres Externos.
Foi assim que a Deusa os chamou.
Ainda não sei muito sobre eles, nem qual é seu objetivo. Mas, se há uma coisa que tenho certeza, é que eles são a principal razão por trás da Dimensão Espelho. O que quer que eles queiram, certamente não será algo que eu goste.
'Eu acho que Sithrus pode ser o único capaz de enfrentá-los. Preciso chegar ao ponto em que esteja pelo menos no mesmo nível dele, para ter alguma chance de lutar contra esses Seres Externos.'
"Não, isso não é suficiente…"
Preciso ficar mais forte que Sithrus. Desenvolver minha magia emotiva mais ainda e me tornar o oitavo deus. Eu me tornando o oitavo deus é a chave para tudo.
"Sim, devo focar em aprimorar minha magia emotiva ainda mais."
Acabo de alcançar o quinto nível, mas ainda tenho muito a melhorar. O quinto nível é diferente dos anteriores. Nesse nível, consigo enxergar as emoções de uma pessoa através de orbes diferentes. No entanto, controlar os orbes depende principalmente do nível dessas emoções.
Minhas emoções mais fortes são raiva, medo e tristeza.
Posso manipular as duas primeiras sem problemas. O desafio está nas outras emoções. Preciso melhorar nesse aspecto.
Só quando dominar todas as emoções básicas poderei realmente alcançar o próximo nível.
"O sexto nível."
Exatamente. Agora que alcancei o quinto nível da magia emotiva, tenho certeza disso. Existe um nível além do quinto. A única razão de ninguém saber ou falar dele é que ninguém chegou a esse nível ainda.
Apenas quem atingiu o quinto nível da magia emotiva consegue percepcioná-lo.
Mas mesmo assim…
É tênue. Extremamente tênue, e… até eu não tenho certeza de como acessá-lo. Mas uma coisa eu sei: ele existe.
Isso é tudo o que preciso.
Todo conhecimento que tenho é suficiente para me impulsionar adiante.
Mas, claro, isso é mais fácil falar do que fazer. O percurso ainda é longo, e sei que não será fácil.
"Certo."
Fechando os olhos novamente e respirando fundo para recuperar minhas forças, abri-os e me afastei da pia, voltando para o quarto, até que parei repentinamente.
"Sobre isso…"
Arrumando a nuca, fiz biquinho.
'Será que devo fazer a An'as pagar por isso?'
***
A escuridão engoliu completamente o ambiente. Uma única figura sentava na treva, olhando fixamente para a própria mão, que tremia naquele momento.
"…….."
Seguindo a escuridão, reinava um silêncio sufocante.
Ele envolvia toda a sala, cobrindo cada centímetro, enquanto a figura permanecia imóvel.
Porém, logo, alguma coisa começou a acontecer.
A escuridão pulsava. Quase como se fosse viva.
Bateu. Bateu.
Ela pulsava cada vez mais forte a cada segundo, fazendo o ambiente estremecer. Uma pressão assustadora começava a emergir na sala. Algo que parecia quase engolir tudo ao redor.
Se não fosse pelo controle cuidadoso da figura sobre seu poder, essa força poderia facilmente dominar tudo, achatando o ambiente.
Bateu.
A pulsação persistia, crescendo em intensidade. A escuridão pulsou mais uma vez, mas, desta vez, como se fosse um véu, ela começou a se esticar de forma estranha.
E então…
BATE!
Com um súbito e poderoso pulsar, a escuridão se expandiu para fora antes de colapsar sobre si mesma, desnudando o ambiente. Um espaço simples: uma cama, uma mesa, uma cadeira e um armário. Nada extravagante. Mas a figura sentada no centro tinha um contraste marcante com a plainidade ao redor.
Cabelos negros que balançavam suavemente no ar parado, olhos de obsidiana que pareciam encarnar a própria escuridão. E, ainda assim, havia ali uma beleza inegável — algo que nem toda a escuridão conseguia esconder.
"…"
Já se passou um dia desde a batalha com o monstro gigante.
Apesar das tentativas de Delilah de suprimir a dor após o acontecido, ela se viu incapaz, pois uma força estranha e estrangeira cavava fundo em seu corpo, agarrando-se ao seu sangue e fazendo-o agitar.
Delilah passou o dia todo tentando entender o que era essa energia misteriosa.
No começo, pensou que fosse sangue do monstro. Mas logo percebeu que não, pois aquilo que entrou nela era extremamente forte e parecia ter vontade própria.
Normalmente, qualquer um se preocuparia ao ter uma substância estranha entrando no corpo. Mas, por alguma razão estranha, Delilah sentia que aquilo estava de alguma forma 'conectado' a ela.
Em vez de tentar prejudicá-la, parecia quase que aquilo queria ajudá-la.
Ela sentiu todas as feridas que tinha, tanto na luta quanto no passado, começarem a cicatrizar lentamente, junto com seu corpo.
Ao mesmo tempo, seu coração começou a aquecer.
Quase como se estivesse ficando animado.
'O que poderia ser isso?’
A situação deixou Delilah completamente confusa. Ela queria investigar fundo seu corpo para descobrir a origem dessa substância estranha e por que ela ressoava tanto com ela.
Mas isso não era tão simples quanto parecer.
E, sobretudo…
Baixando a cabeça para olhar novamente sua mão tremendo, Delilah apertou os lábios.
Ela podia sentir o quê?
A barreira que vinha tentando romper há anos… finalmente começava a mostrar rachaduras.
Ela… estava a um passo de alcançar o próximo nível.
O Zenite.