Advento das Três Calamidades

Capítulo 667

Advento das Três Calamidades

Estamos muito perto. Não perca o foco.

...Não perca de vista o objetivo.

Eu esperei por esse momento por um tempo muito longo.

Em breve, seremos completos!

Várias vozes sussurraram na mente de Sylas, sua cabeça girando para a esquerda e para a direita enquanto seus olhos brancos ficavam distantes.

Ele já estava acostumado com as vozes.

Cada voz representava uma parte diferente dele.

Sylas... não era uma única entidade. Era a soma de várias entidades, todas presas dentro de um só corpo.

Até se poderia argumentar que ele era apenas a prisão que mantinha os espíritos remanescentes da dimensão espelhada.

Mas, ao mesmo tempo, com todo o tempo que passou, Sylas começou a desenvolver sua própria personalidade. Uma mais dominante e consciente do que as demais.

Ele estava começando a se tornar sua própria pessoa.

Porém, ainda não estava completo. Ainda faltavam várias coisas.

'Rápido! Não perca essa chance!'

'Precisamos nos apressar e não deixar escapar!'

Pensando na sua situação atual, o pescoço de Sylas estremeceu levemente.

As vozes dentro dele estavam ficando cada vez mais agitadas.

Depois de tantos anos, a liberdade finalmente estava ao alcance. Fazia um bom tempo desde que Sylas embarcara na busca por se tornar inteiro.

Elas não aguentavam mais.

Eram pacientes o suficiente, mas chegou a hora de eles finalmente se livrarem da maldição que os mantinha presos dentro daquele corpo.

De fato, isso era uma maldição.

Uma maldição aterrorizante que assombrava a eles desde os primórdios da Dimensão Espelhada.

Mas não por muito tempo.

Em breve, toda sua luta iria compensar.

...E a metade da chave para resolver tudo estava bem na frente dele, com seu corpo paralisado enquanto segurava um espelho com padrões intricados.

"Bem, vamos ver se funciona."

Sylas não perdeu tempo e pegou o espelho da mão de Lazarus. Sob influência de Xa'ruhl, Lazarus estava completamente indefeso. Seu corpo congelado no lugar, sua mente era a única coisa que funcionava normalmente.

Essa era a diferença entre um mero humano e o grande primordial.

Ele não era diferente de um pequeno inseto que podia ser esmagado à vontade do primordial.

"Devo inserir minha mana nisso?"

Sylas canalizou sua mana no espelho e balançou-o em direção à Boca. No entanto, ficou desapontado ao não perceber nenhuma reação do espelho. Não — na verdade, sentiu uma reação, mas foi extremamente fraca.

Na verdade, a reação quase parecia repulsiva. Como se o espelho estivesse tentando rejeitá-lo.

Isso só fez ele sorrir.

"Não se preocupe. Não vou usá-lo por muito tempo. Só me ajude a encontrar o cetro."

Ele tentou várias vezes, mas, de novo, sem qualquer reação.

Por fim, virou-se para olhar para Lazarus.

"Como é que funciona isso? Tem alguma ideia?"

"....."

Sem palavras ou reação.

Lazarus não conseguiu falar. E, ao lembrar de sua situação atual, Sylas soltou uma risada.

"Desculpe por isso."

Embora tenha pedido desculpas, suas palavras soavam mais sarcásticas do que sinceras.

Ele virou o espelho para si mesmo, estudando seu reflexo. Por mais que olhasse, parecia um espelho comum. Será que era só isso mesmo?

Sylas pensou por um momento e balançou a cabeça.

'Não, aquela reação que tive dele foi real. Não acho que foi uma mentira. Só não sei como usá-lo.'

"Bem, acho que não faz diferença."

Embora o cetro fosse tentador, não tinha muito sentido para ele.

Apesar de ser de uma deusa, o que mais importava para Sylas era alcançar seu objetivo de se tornar completo. Só assim ele se livraria das vozes e descobriria sua própria identidade.

Era tudo o que precisava. Tudo o que queria.

Ele tinha que conseguir isso.

Agora mesmo...

Ele. Eles. Elas.

Não tinham identidade.

Era Sylas, mas ao mesmo tempo não era.

O que poderiam mesmo ser?

'Ah, isso precisa parar.'

'Eu só quero ser livre de novo.'

'Rápido! Rápido!'

A cabeça de Sylas começou a torcer enquanto as vozes em sua mente ficavam mais inquietas.

"Entendi... entendi!"

Então, as vozes cessaram.

Por um breve momento.

'Dói.'

'Dói muito.'

'Por que você fez isso? Por que fez isso?'

Sylas apertou ainda mais o espelho antes de, finalmente, abaixar a mão.

Quase... Só precisava resistir mais um pouco.

Com cuidado, virou a cabeça, fixando o olhar no primordial. Olhando para Xa'hurl, Sylas levantou a cabeça para olhar para a Boca. Só pela presença de Xa'hurl, ele sentiu que várias figuras importantes tinham chegado para verificar a situação.

No entanto, Sylas não estava preocupado.

Se soubessem o que era melhor para eles, a última coisa que fariam seria vir até onde ele estava.

E, caso aparecessem..

Um sorriso lento começou a se formar nos lábios dele.

"Vai ser uma boa forma de alimentar minha nova mente."

"Vai ser uma boa forma de alimentar minha nova mente."

"Vai ser uma boa forma de alimentar minha nova min—"

As palavras de Sylas pararam abruptamente quando ele sentiu algo quente em sua mão. Surpreso, abaixou a cabeça e viu que o calor vinha do espelho. Sua sobrancelha se levantou de surpresa, mas antes que pudesse entender o que estava acontecendo, uma luz ofuscante saiu do espelho.

De repente, a escuridão que envolvia o ambiente dissipou-se por um breve momento, até Xa'hurl também foi afetado pelo espelho.

"O quê—!?"

Foi apenas por um segundo, mas foi suficiente.

Quando a luz desapareceu e tudo voltou ao normal, ele ficou chocado ao perceber que Lazarus não estava mais no lugar de antes.

Em vez disso...

No exato lugar onde deveria estar, havia uma grande estátua.

Sylas parou por um instante, balançando a cabeça enquanto suspirava.

"Quando vão aprender?"

Ele baixou o espelho de suas mãos.

"...Não há como escapar."

O olho atrás dele tremeu, fechando-se enquanto o mundo começava a tremer.

Trovão!

"Agora você complicou tudo."

Sylas balançou a cabeça, um sorriso se abrindo em seu rosto.

"...Você enfureceu aquilo que não devia ter sido provocado."

***

Trovão! Trovão—!

As mudanças foram rápidas e inesperadas. Em um momento, a área ao redor da Boca estava calma, e, no próximo, uma energia antiga e aterrorizante começou a brotar fundo dentro da Boca, cobrindo tudo ao redor.

Barcos atracados lá fora começaram a balançar, enquanto as faces de algumas pessoas ficavam visivelmente pálidas, algumas até desmaiando na hora.

Apenas alguns poucos conseguiam manter a calma.

"Hmm."

Olhando fundo para a Boca, as sobrancelhas do Santo Vivo se franziram enquanto ele levantava a mão e lançava um grande escudo brilhante ao redor do barco.

O navio começou a se estabilizar quase imediatamente, enquanto a pressão sufocante ao redor começava a diminuir lentamente.

Ele fez tudo isso com tanta facilidade que parecia quase sem esforço.

Mas será que era mesmo fácil assim?

Anne voltou sua atenção ao Santo Vivo, que permanecia de pé na proa do navio, com as mãos atrás das costas e o olhar fixo na Boca ao longe. Embora tentasse esconder, Anne percebia o leve tremor dos dedos dele.

'...O que será que está acontecendo de verdade?'

Sua confusão durou só alguns segundos.

Bum!

Assim que a barreira se formou ao redor do barco, uma figura apareceu não muito longe dela, com o rosto pálido.

".....!"

Ela nem teve tempo de se assustar ou fazer um som ao parar ao perceber quão pálido ele estava. Mas, assim que se recuperou, viu ele indo direto em direção ao Santo Vivo.

"O que—? Por que você está aqui? O que aconteceu lá embaixo? W—"

"O primordial chegou."

Respondeu Lazarus, sua voz estranhamente calma mesmo diante da situação.

"Precisamos sair daqui rápido."

Mesmo agora, ele tremia. Só de olhar para o primordial, o deixou completamente paralisado, incapaz de se mexer.

Felizmente, ele já esperava por algo assim.

Por isso mesmo, tinha preparado várias estátuas. Em circunstâncias normais, não conseguiria escapar, mas graças ao espelho, tinha uma chance.

Este não era um relicário comum.

Era um dos quatro relicários sagrados. Então, quando Sylas o tocou e tentou usar seu poder, o relicário tentou rejeitá-lo instinctivamente.

Nem todo mundo podia usar os relicários como quisessem.

Até Lazarus tinha suas limitações.

Havia requisitos específicos para usar esses relicários. No caso de Lazarus, ele tinha uma identidade especial que lhe permitia usar o espelho.

Isso não se aplicava a Sylas.

Consciente disso, Lazarus aproveitou a oportunidade e teleportou-se de volta para o navio.

Mesmo assim, tinha plena consciência de que ainda estava longe de estar livre do domínio do primordial.

Na verdade...

Isso era só o começo.

Swoooosh!

De repente, enormes rochas d'água começaram a subir das profundezas, rompendo a superfície e formando grandes ondas carmesmas, metade do tamanho dos navios. Uma pressão sufocante se espalhou pelo local, esmagando tudo ao redor com seu peso.

Parecia que o próprio ar tinha ficado mais espesso, pressionando cada peito, dificultando cada respiração.

Lazarus congelou, com os olhos fixos no caos que se desenrolava. Do coração da Boca, a forma gigantesca de um monstro começou a surgir, lentamente emergindo das profundezas.

"O que está acontecendo?!"

"Cuidado!"

Enquanto seu corpo colossal se libertava da água, ondas de choque atravessavam o mar, criando monstruosas ondas que batiam contra o navio a cada segundo.

"O-que diabos é aquilo?"

O tamanho da criatura era esmagador, sua silhueta mal aparente na névoa de água e céus escurecidos.

O navio rangia sob a pressão, fazendo alguns tropeçarem.

Apenas alguns conseguiam permanecer de pé, e desses poucos, nenhum conseguiu pensar direito ao ver aquela silhueta enorme que se aproximava.

Todo o processo durou poucos segundos. Conforme seu enorme corpo emergia, as ondas que haviam se formado começaram a se dissipar, desaparecendo quase tão rápido quanto vieram.

Tudo silenciou.

Então—

"Ele chegou."

Ninguém sabia quem disse isso, mas as palavras refletiam o pensamento de todos presentes.

"Xa'hurl está aqui."

Pela primeira vez em muito tempo, o grande primordial apareceu.

Assim que fez.

O Sul do Restante tremeu.

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