
Capítulo 652
Advento das Três Calamidades
Clank!
"Kh!"
Recuando rápido, uma figura de olhos cinza ofegava pesado enquanto encarava a criatura gigante à sua frente.
"Cuidado!"
Enquanto um grito ecoava atrás dele, como se tivesse olhos nas costas, o corpo de Leon virou uma névoa e desapareceu do local.
BANG!
Poças de poeira explodiram no ar enquanto o chão trepidava sob o impacto. Rachaduras se espalharam como teias de aranha a partir do ponto de contato, e pedaços de pedra salientes como dentes quebrados circundavam a borda da cratera. A bola, coberta de espinhos irregulares do tamanho de espadas, vibrava com um som baixo e ameaçador.
Um silêncio tomou conta do campo.
Aproxime-se, Leon olhou para a criatura blindada e respirou fundo, frio.
'Isso realmente não é brincadeira.'
Logo ao entrarem na Zona Vermelha, eles se depararam imediatamente com várias criaturas de Classificação Terror. Leon já tinha perdido a conta de quantas criaturas de nível Terror tinha enfrentado, e essa se juntava às demais.
"Hooo."
Leon inspirou profundamente, seu olhar varrendo o entorno.
Árvores mortas espalhadas ao redor, seus galhos retorcidos lançando sombras longas e frágeis. O chão sob seus pés estava seco e rachado, dessecado pelo calor do sol pálido que brilhava sob um céu sem nuvens.
Como um forno, o ar parecia estalar sob o calor intenso.
Com árvores tão densamente agrupadas, era difícil se mover e enxergar longe.
Felizmente, Leon não precisaria lutar sozinho.
Ele não estava só.
Xiu! Xiu! Xiu!
De repente, de dentro da floresta, surgiram várias espadas que dispararam ao ar.
Elas pairaram no lugar, zumbindo ominosamente enquanto lentamente se viravam para apontar para a criatura blindada e, sem aviso, explodiram em chamas.
"Rooooar!"
A besta rugiu ao ver as espadas, mas antes que pudesse reagir, o chão sob ela escureceu até ficar preto, enquanto várias mãos emergiam por baixo, agarrando suas pernas.
Um enorme círculo mágico roxo se formou logo acima, selando-a no lugar.
"H-ho."
Leon olhou para o que havia acima dele com um sorriso irônico.
Ele podia sentir cada fio de cabelo do seu corpo se arrepiar diante da cena diante de si.
"... Acho que não vou sair vivo dessa."
Para piorar, vários outros ataques começaram a se formar logo acima da criatura, e Leon, que estava perto dela, de repente sentiu a pressão aumentar sobre si.
Por sorte, o espaço atrás dele se agitou e uma figura de cabelo branco apareceu, agarrando seu corpo e puxando-o para as sombras.
A visão de Leon escureceu pouco depois.
E então—
BANG!
O mundo tremeu.
Como se um terremoto tivesse sido desencadeado de repente. O chão se abriu com um estrondo poderoso, árvores se partiram e tombaram, e nuvens espessas de poeira levantaram voo.
Nem deu tempo para a criatura emitir um último gemido antes de ser assassinada de fato.
Quando Leon saiu das trevas, sentiu-se completamente sem chão.
"....."
Tudo que viu foi uma pilha de carne.
Nem tinha certeza se algo sobrara dela.
"Nossa, foi fácil."
Aoife surgiu ao longe, sua silhueta cortada pela poeira que se assentava. Uma menininha caminhava ao lado dela, com um pirulito na mão, encarando o ambiente com indiferença.
Swoosh!
As espadas dispersas lentamente levantaram-se do chão e se dirigiram em direção a Aoife, alinhando-se antes de deslizar suavemente pelas costas dela.
As espadas eram centenas, e ainda assim... cabiam todas juntas no coldre dela.
Era uma visão que fez a mente de Leon parar por um momento até que ele balançasse a cabeça.
'Ela é rica. Esse tipo de artefato não deve ser estranho.'
Depois, olhou para a distância, onde viu Evelyn aparecer. Seu rosto estava um pouco pálido, mas, fora isso, ela se saía bem.
A dela foi a ataque mais forte de todos que haviam sido direcionados ao monstro.
Era natural ela estar cansada.
Logo em seguida, vários outros cadetes surgiram da floresta, todos com expressões complicadas ao olharem para a criatura.
"Normalmente, isso seria suficiente para nos formar, mas... acho que este ano é diferente."
Aoife coçou a nuca enquanto estendia a mão para Teresa.
Plof!
"Ai!"
Somente para ser esmurrada pela menininha, que fez bico.
"Qual é o seu problema?"
Aoife encarou a menina que fazia bico.
"O que eu faço agora? Aqui não tem sinal. Como vou te deixar assistir ao Justice Man?"
"Você pegou o que era meu."
"Não, o que..."
"Hmph!"
"Essa menina..."
Leon coçou desconfortavelmente a lateral do rosto, olhando para as duas, até voltar o olhar para Kiera, que olhava ao longe. Seguindo sua linha de visão, ele detectou várias explosões na distância.
"Parece que eles também estão lutando contra uma criatura de nível Terror."
O expedição foi dividida em duas equipes.
Cada grupo foi a áreas diferentes caçar. Seu acampamento-base ficava próximo de onde estavam. O objetivo na caçada era encontrar comida e recursos. Os monstros não só ofereciam boa carne, como também forneciam ótimos equipamentos.
O couro podia ser usado para fazer coberturas e telhados, enquanto os ossos davam base para construir as estruturas de cabanas improvisadas.
Era assim que as coisas deveriam acontecer...
Mas, miseravelmente, eles falharam.
Olhando o que restou do monstro, Leon suspirou.
'Se tivesse algum osso, duvido que estivesse inteiro...'
Sentiu uma pontada no coração ao pensar nisso.
Porém, no final, só pôde balançar a cabeça e seguir em frente, procurando o que sobrou do que restava da criatura.
Enquanto fazia isso, os outros começaram a explorar o entorno, procurando por qualquer outro monstro.
Nos últimos dias, eles haviam se tornado cada vez mais habilidosos em trabalhar em equipe. Depois de muitas emboscadas e quase morrerem várias vezes, eles já estavam habituados.
Agora, eles se moviam como um só corpo, de forma fluida.
Era uma visão satisfatória.
"....."
Dois olhos negros fixaram seu olhar na turma ao longe.
Ela pairava suspensa no ar, sua presença fundindo-se facilmente ao ambiente ao redor. Seu cabelo preto balançava suavemente, e seus olhos piscaram preguiçosamente antes dela puxar um bloco de anotações e começar a anotar algumas ideias.
De modo geral, Delilah estava satisfeita com o que via.
O progresso que os cadetes demonstraram nos últimos dias era bom.
Eles estavam mais alertas e conseguiam trabalhar juntos sem problemas. Além disso, não parecia haver conflitos de colaboração, e o relacionamento entre eles era bastante amigável.
Isso contrastava com anos anteriores, quando grupos e panelinhas sempre se formavam.
Talvez essa fosse uma das razões pelas quais aquela espécie de teste de graduação fosse aceitável. Se os anos passados acontecessem de novo, as perdas seriam enormes.
Apesar de Delilah estar presente, ela não planejava interferir, a não ser que surgisse uma criatura além do que pudessem suportar.
Aliás...
Ela tinha um objetivo diferente ao estar ali.
Fwap!
Um corvo apareceu ao ombro de Delilah.
O olhar dela permaneceu fixo, sem demonstrações de reação enquanto o corvo surgia.
"E então? Encontrou alguma coisa?"
"....."
O corvo não respondeu imediatamente, fazendo Delilah franzir a testa.
Porém, após um instante, o corvo puxou uma folha vermelha do nada e a apresentou para ela.
"Sim, encontrei isto. Não muito longe daqui."
"Isto...?"
"Parece pertencer a uma criatura de nível Destruidor."
Os olhos de Delilah se estreitaram.
Nível Destruidor... Isso realmente seria problemático para os cadetes enfrentarem. Talvez fosse melhor resolve-lo antes que chegasse até eles. Mas, na verdade, não era exatamente isso que ela buscava.
"Sinto uma energia familiar nele."
".....?"
Os olhos de Delilah se arregalaram ao ouvir as palavras do corvo.
"Energia familiar?"
Seu coração, que estivera imóvel por tanto tempo, de repente pulou uma chefe.
"Por que você diz isso? De quem é essa energia...?"
"É... a mesma energia da dragão que pertencia ao humano."
".....!"
O coração de Delilah voltou a disparar.
Ela tentou manter uma expressão fria e indiferente, mas isso não era algo que ela pudesse simplesmente controlar.
"Isso é verdade?"
"Sim, tenho certeza. Mas... é estranho."
"O que é?"
Delilah desacelerou a fala.
"É... sinto que há algo estranho na folha. Quase como se... ela tivesse sido colocada lá de propósito."
"Eh?"
Colocada lá de propósito?
"Sim."
Os olhos do corvo se estreitaram enquanto olhava para a folha.
"...De propósito. Como se quisesse ser descoberta."
Delilah abriu os lábios para falar, mas as palavras ficaram presas na garganta. Ela fechou a boca, mordendo o lábio. Lutando para conter as emoções que surgiam, deu uma respiração silenciosa, e, lentamente, seu semblante voltou à sua calma habitual.
"Entendi."
Ela tentava.
De verdade, dar o seu melhor para se manter composta.
Porém, ao olhar para a folha e ouvir as palavras do corvo, não pôde deixar de pensar...
Propósito...?
Para quem?
Suas mãos formigaram, seu lábio tremeu, mas após um suspiro, ela se segurou para não saltar a praça. Seus olhos ficaram nublados.
Por fim, sua figura desapareceu.
Quando voltou, se viu diante de um lugar vazio onde várias folhas surgiram.
Pressionando o dedo contra o chão e fechando os olhos, ela tentou sentir a energia residual no ar.
Ficou assim por alguns segundos até abrir os olhos.
E quando o fez...
Seu semblante mudou.
"H-h."
Uma dor que achava ter esquecido reacendeu no peito, fazendo-a cerrá-la com força enquanto segurava a folha.
Ela apenas suspeitava.
Podia até dizer que se iludia achando que ele ainda estava vivo.
Mas... isso...
Não havia como negar.
Ele... ele estava realmente vivo, e...
O fato a machucava tanto quanto a trazia alívio.
Por quê?
Por que ele não veio falar comigo?
É minha culpa, não é?
Eu...
***
Ao mesmo tempo.
Splash! Splash!
O barco balançava de um lado ao outro, as ondas batendo contra a proa.
Conforme o barco se movia de um lado para o outro, uma figura calma caminhava em direção ao seu quarto, fechando a porta atrás de si.
Gradualmente tirando as roupas e enxaguando o cabelo molhado, Lazarus pegava uma roupa de sobra.
Durante todo esse tempo, uma carranca marcava seu rosto.
Era algo que ele não podia evitar.
Tudo... tinha acontecido rápido demais. Isso deveria ser uma coisa boa, mas a calmaria deixava tudo estranho e anormal.
Parecia muito artificial.
Como se alguma força estivesse interferindo na sua jornada.
Alguém poderoso...
'Será que estou pensando demais?'
Talvez essa fosse a verdade, mas Lazarus já tinha passado por experiências suficientes para saber que não existe coisa de "pensar demais". Se seu instinto lhe dizia que algo errado acontecia, provavelmente tinha algo errado mesmo.
Mas o quê...?
O que exatamente estaria acontecendo?
Devagar, virou o corpo para olhar o espelho ao lado e, de repente, seu rosto mudou bruscamente.
".....!"
Que tipo de...?!
Ele deu um passo para trás, o rosto mudando enquanto piscava várias vezes para garantir que não estivesse vendo coisas.
Cansado.
Ele poderia estar cansado.
Não podia ser... tinha que ser...
Porém, de novo, ele viu a mesma coisa.
Sua... ausência de reflexo.