
Capítulo 631
Advento das Três Calamidades
Lázaro passou o dedo na água, e as estátuas ao seu redor começaram a se mover de acordo com o seu movimento, formando uma linha única de ambos os lados dele.
An'as olhou para a cena com uma expressão de espanto.
Ele parecia completamente perplexo.
Lázaro apenas lhe lançou um olhar superficial antes de sorrir. Estava bastante satisfeito neste momento.
'Esse tipo de poder não é ruim.'
Sua mente se sentia extremamente clara, e ao olhar ao seu redor, podia ver fios vermelhos conectados a cada uma das estátuas à sua frente. Mas não era só isso; ele também notou que esses fios se estendiam além da área em que se encontrava, indo para diferentes regiões.
Como se tudo estivesse conectado à sua mente, ele podia perceber tudo.
Com um simples pensamento, podia 'ver' pelo que suas outras conexões estavam enxergando, e neste exato momento, era como se toda a cidade estivesse sob seus olhos.
Esse tipo de poder...
'É inacreditável.'
Por outro lado, também era extremamente cansativo para sua mente.
Só por conectar a um 'ponto' ele sentia uma dor de cabeça pulsante.
Na parte de trás da cabeça também doía.
[Não há muito tempo a perder, humano. Sinto que algo sinistro começa a se formar não muito longe daqui. Se não nos apressarmos agora, temo que talvez seja tarde demais.]
'...Tudo bem.'
Lázaro saiu de seu estado de embriaguez e rapidamente ficou mais sóbrio.
Fechando os olhos, alguns milhares de pontos vermelhos apareceram em sua mente. Ele os expandiu individualmente, exibindo diferentes áreas da cidade.
Por fim, seu olhar se fixou em uma estrutura imponente e alta.
Feita de pedra escura e erguendo-se do coração da cidade, ela estava envolta por um coral carmesim, que a abraçava de todos os lados, como se tentasse perfurar sua superfície. O resultado era uma aparência assustadora, quase sinistra.
Aquele coral...
Pertencia a ninguém menos que o monstro colmeia.
'Acho que aquela é a estrutura para a qual preciso ir.'
[Correto.]
'Entendido.'
Lázaro não perdeu tempo e ampliou ainda mais sua visão. Ele via toda a estrutura da cidade.
Nesse ponto, percebeu várias anomalias em algumas áreas específicas.
'Posso detectar vários monstros poderosos escondidos por aqui. Provavelmente, o melhor caminho é este...'
Logo uma rota ideal surgiu na mente de Lazarus.
Considerando os monstros que estavam furtivamente ao redor e o percurso mais rápido que poderia tomar sem alertá-los, ele abriu os olhos novamente e deu um passo à frente.
Ao mesmo tempo, ele deu um toque na cabeça de An'as com a testa, que o seguiu após um breve momento de hesitação.
Lazarus podia sentir pelo olhar dele que tinha alguma dúvida, mas não se importou.
Ele não se dava ao trabalho de explicar, já que não podia falar.
Felizmente, a jornada até a grande estrutura em forma de pirâmide foi bastante tranquila. Em poucos minutos, já estavam diante dela, e Lazarus viu pela primeira vez o quão grande ela realmente era.
A estrutura era extremamente imponente, e ao virar a cabeça, pôde perceber a reverência nos olhos de An'as enquanto encarava o local.
Foi então que algo clareou na mente de Lazarus.
'Será que esse lugar tem relação com a Deusa da Luz?'
Nunca tinha visto An'as fazer expressões tão específicas quando lidava com algo relacionado àquela deidade.
O interesse de Lazarus aumentou ao observar a estrutura, e seus olhos inevitavelmente foram atraídos pela grande abertura que levava ao interior. Algo naquilo parecia perturbador... A escuridão que ali dentro parecia consumir toda a luz, como se a própria entrada estivesse viva e esperando, tornava tudo aquilo especialmente inquietante.
[Este é o ponto onde você precisa ter cautela. Tentei várias vezes entrar neste lugar, mas sem sucesso. A única coisa que consegui foi tentar destruir toda a estrutura, mas mesmo assim, não foi suficiente.]
'Entendo.'
Lázaro olhou para todas as várias corais penduradas na pirâmide. Se isso não fosse suficiente para deixar claro, então nada mais o seria.
Ele avançou, permitindo que a escuridão o engolisse.
An'as o seguiu logo em seguida.
Claro, Lazarus trouxe várias estátuas consigo, achando que seriam úteis mais adiante.
An'as não parecia muito relutante em entrar na estrutura. E logo ficou claro o porquê: as corais em seus pescoços pulsavam com uma luz vermelha branda, iluminando o ambiente enquanto uma grande passagem surgia na sua visão.
Alguns passos adentro, murais e gravuras começaram a aparecer nas paredes.
O mural mais chamativo mostrava uma jovem vestida de branco, com longos cabelos amarelos, de pé diante de uma grande multidão, com as mãos estendidas em sua direção enquanto a veneravam.
Parecia sagrada. Pura, na imagem.
...E ao virar a cabeça, Lazarus podia ver An'as observando a pintura com uma expressão semelhante.
'Algo não parece certo.'
Lazarus conhecia bem esses deuses. Sabia que eles não eram realmente deuses. Eram apenas pessoas que receberam poderes que nenhum humano comum deveria ter acessado.
O que o intrigava, porém, era por que eles permitiam que as pessoas os venerassem como deuses.
No começo, Lazarus achava que era por causa de suas ações, mas agora parecia algo mais profundo do que isso.
Os Deuses...
Eles tentavam fazer as pessoas venerá-los.
Mas por quê? Por que fariam isso?
Seria possível encontrar uma razão dentro daquele estranho local? ...E os eventos estariam, talvez, ligados a isso?
Os olhos de Lazarus se aguçaram enquanto avançava, e a pulsação ao redor dele ficava cada vez mais fraca.
Ao mesmo tempo, ativou [Lamento das Mentiras] e mascarou sua presença, junto à de An'as.
Quanto mais fundo entrava no corredor, mais fria ficava a água, e ao seu passo desacelerar, notou uma abertura tênue à distância.
Não foi imediatamente em direção a ela.
Em vez disso, controlou uma das estátuas atrás de si e a impulsionou adiante, conectando sua mente à coral naquela estátua, o que lhe concedeu uma visão do que estava acontecendo.
A estátua avançava lentamente em direção à abertura.
Para não chamar muita atenção, Lazarus fez questão de diminuir a luz vindo da coral na estátua, e ao passar pela abertura, surgiu uma grande sala vazia.
O ambiente permanecia silencioso, escuro, com contornos tênues de uma grande estátua ao longe, e várias fileiras de bancos dispostas de frente para a figura que provavelmente representava a Deusa da Luz.
'Aqui era onde eles costumavam rezar.'
Lazarus tinha mais ou menos uma ideia do que esse lugar representava.
Olhando para sua ausência de pessoas, seu corpo relaxou, mas então—
[Alguém está observando.]
A voz do monstro ecoou em sua mente, e seu corpo se arrepelou enquanto girava a cabeça para olhar para cima.
Observando? Quem era...?
E então ele viu.
As inúmeras silhuetas sentadas nos bancos, todas olhando na direção das estátuas. Aos poucos, suas cabeças se viraram para revelar olhos vazios e fundos. Lazarus sentiu seu coração acelerar.
——!
Ele perdeu a conexão imediatamente após isso.
Tudo aconteceu tão rápido que ele quase não teve tempo de reagir.
Quando percebeu o que tinha acontecido, uma dor aguda invadiu sua mente, e seu rosto se alterou discretamente.
Ele segurou a dor até se acalmar.
'O que foi isso?'
[...O mesmo que acontece comigo toda vez que tento entrar naquele lugar. Parece que eles têm uma maneira de cortar completamente minha conexão com meus corpos.]
'Entendi. Mas quem são eles? Quem exatamente está fazendo isso?'
[Humanos.]
'Humanos...?'
Lazarus pensou de volta naquilo que tinha testemunhado pouco antes e balançou a cabeça.
'Isso não faz sentido.'
As coisas que ele viu... não pareciam nada humanas.
[São humanos que já estão mortos, mas assumiram os corpos de outros humanos.]
'Eca?'
O que diabos isso queria dizer?
Lazarus ficou completamente sem palavras.
[Seu companheiro aqui deve ter uma ideia melhor. Pode perguntar a ele.]
'Hm?'
Lazarus voltou sua atenção lentamente para An'as, que olhava para os murais ao redor com brilho nos olhos. Ao pensar nas palavras do monstro, uma ideia lhe passou pela cabeça e sua expressão mudou repentinamente.
Por que não tinha pensado nisso antes?
A coral que estava grudada no corpo de An'as pulsou suavemente, e Lazarus falou.
'Preciso da sua ajuda.'
'Hã?'
A cabeça de An'as girou surpresamente com as palavras de Lazarus, até que finalmente parou e o encarou.
'Espere, você consegue falar?'
'...Consigo.'
'Mas—'
'Isso não vem ao caso agora. Preciso da sua ajuda para descobrir algo.'
Lazarus fechou os olhos e seguiu o fio que ligava à coral de An'as, colocando o dedo direto na testa dele.
'Uau...'
Os olhos de An'as abriram-se levemente com a ação inesperada, mas logo uma lembrança surgiu na mente dele, e sua expressão mudou rapidamente.
Lazarus viu o rosto de An'as ficar completamente pálido enquanto ele recuava um passo, com um medo visível ao olhar na direção do incidente.
'Precisamos sair daqui.'
Ele disse, com a voz trêmula.
Lazarus franziu a testa ao ouvir as palavras de An'as.
'Por quê?'
'É... Eu entendo o que está acontecendo. Precisamos sair imediatamente!'
O olhar de Lazarus se tornou mais sério, e ele encarou An'as com concentração. Via na expressão de medo dele que ele sabia o que estava acontecendo ali ao lado.
'Diga exatamente por que está agindo assim.'
'Isso...'
An'as olhou para a abertura, recuando um pouco.
'Aquelas coisas... Elas... Não são algo com o qual devamos nos envolver. São hollow!'
'Hollow?'
As sobrancelhas de Lazarus se levantaram. Ele tinha uma ideia vaga do que era um Hollowed. Eram os corpos que tinham sido tomados pelas vozes.
E se aqueles fossem realmente hollowed, então...
'Isso é ruim.'
Seu olhar se desviou da abertura à distância, mas justo nesse instante, algo acima dele chamou sua atenção.
Ele parou, lentamente virou a cabeça para cima.
Enfrentou seus olhos um par de olhos brancos.