
Capítulo 601
Advento das Três Calamidades
Algo começou a contorcer-se sob os pés de Julien, movendo-se sutilmente a princípio, depois lentamente espalhando-se para fora, rastejando pelo chão ao seu redor.
"Chamando seu domínio?"
O Diácono olhou para Julien antes de balançar a cabeça. Ao mesmo tempo, aqueles ao seu redor começaram a se preparar.
Domínios não eram difíceis de manejar.
A chave era não entrar neles. Desde que uma pessoa não entrasse, eles eram praticamente inúteis.
Por isso, ninguém usava plenamente seu domínio, apenas parcialmente.
Pois invocar alguém para dentro de um domínio exigia força e precisão extraordinárias. Embora Julien fosse poderoso, ele estava em desvantagem numérica, e o Diácono superava-o em força bruta, como um Mago de Tier 7.
'Dito isso, a magia emotiva dele ultrapassou minhas expectativas.'
O Diácono virou-se para olhar para seu camarada caído no chão. Sua expressão ficou séria então.
Se fosse fazer uma comparação, ele sentia estar ficando para trás. Isso se devia principalmente ao fato de não ser especializado em combate, mas mesmo assim... o Diácono não era alguém com quem se devia brincar.
O fato de alguém mais forte que ele ter sido derrotado por Julien...
Somando-se ao fato de todos estarem equipados com ferramentas capazes de manipular magia emotiva de alto nível, ficou extremamente claro que as habilidades emotivas de Julien estavam muito além do que ele tinha imaginado.
'Tenho que admitir... nem um Mago de Mente Tier 8 seria capaz de lidar com algo assim.'
O pensamento...
Isso deixou o Diácono extremamente apreensivo, finalmente tendo uma pista do motivo pelo qual o Santo o tinha tão cauteloso.
Mas, mesmo assim, ele ainda era controlável.
Erguendo a cabeça, ele fixou o olhar na domain que se aproximava.
Até agora, os alvordes recuaram, enquanto os magos imediatamente começaram a conjurar feitiços, direcionados na direção de Julien.
A estratégia aqui era impedi-lo antes que conseguisse liberar totalmente seu domínio.
"Atirem!"
Todos os feitiços caíram simultaneamente sobre Julien, cujo corpo ensanguentado permanecia imóvel enquanto as magias se aproximavam dele.
Bang!
Uma explosão terrível se seguiu logo após, ao atingir o corpo de Julien.
"Ho..."
O Diácono respirou com um sorriso de diversão ao ver Julien permanecer de pé, o domínio sob seus pés continuando a se estender lentamente. De alguma forma... ele conseguiu resistir aos ataques de todos os lados.
Claro, embora tenha resistido, não saiu ileso.
Sangue continuava saindo de seu corpo enquanto o domínio em expansão sob seus pés desacelerava consideravelmente.
O Diácono conseguiu perceber a olho nu que ele estava na fase final.
'Só preciso de um empurrãozinho.'
Pensou em avançar para concluir, mas hesitou.
"....."
Lembrou-se do que tinha acontecido anteriormente quando alguém se aproximou demais e imediatamente sentiu receio de avançar.
Respirando fundo, tentou se acalmar.
'Não há necessidade de agir. Ele está à beira de desabar. Melhor jogar pelo seguro.'
O Diácono é naturalmente cauteloso. Não queria correr riscos desnecessários enquanto tudo estava sob controle.
E assim,
Erguendo a cabeça e olhando para os magos, ele gritou.
"Atirem de novo."
Bang!
Mais uma chuva de magias caiu sobre Julien, que tremia, enquanto o domínio sob seus pés parava completamente, quase recuando.
Então—
Thump!
Incapacitado de se manter de pé, Julien cambaleou, ajoelhando-se, o peito subindo e descendo enquanto sangue escorria pelo chão.
Outra onda de magia estava prestes a atingir Julien quando o Diácono levantou a mão.
"Pare."
Tudo cessou no momento em que ele falou.
O silêncio tomou conta do ambiente.
Com todos os olhos voltados para Julien, o Diácono permaneceu de pé no lugar.
"É impressionante como você ainda está agarrado ao seu domínio mesmo com seu corpo à beira de desistir."
A avaliação do Diácono era sincera. O corpo de Julien claramente estava à beira de ruína, e mesmo assim, ele teimava em manter a ideia de expandir seu domínio.
O Diácono balançou a cabeça, levantou a mão para sinalizar aos alvordes que avançassem.
Já que não podiam matá-lo, eles recuaram bastante.
As perdas foram pesadas, mas, considerando a importância que o Santo atribuíra a Julien, o Diácono só pôde obedecer.
"Tenham cuidado. Não o matem. Só—hm?"
Interrompendo a fala no meio, o Diácono franziu a testa. De repente, começou a ficar com um pressentimento ruim enquanto olhava ao redor. Contudo, independentemente de onde olhasse, não percebia nada estranho.
Até mesmo o domínio que vinha se expandindo de dentro do corpo de Julien tinha parado de se mover completamente.
Nesse caso, tudo estava bem.
Por que—
Foi então que ele percebeu.
O lento, porém instável, sorriso de Julien enquanto ele lentamente levantava a cabeça para olhar na direção dele.
O coração do Diácono apertou, e sua boca se abriu, mas já era tarde demais.
".....!?"
O espaço sob seus pés tremeu, e ao redor ficou completamente escuro.
"O que...!?"
O Diácono olhou ao redor, com a expressão de choque claramente visível ao perceber que estava dentro de um domínio.
"Mas como?"
Ele tinha certeza de manter distância do domínio que tentava expandir de seu corpo. Era logicamente impossível prendê-lo dentro do seu domínio.
A não ser...
Uma distração?
'Não, isso não é possível. Eu senti. Aquilo era o verdadeiro domínio dele. Não era ilusão. Porém... parece diferente deste aqui.'
De fato, o que ele sentia do domínio anterior era diferente do domínio onde se encontrava agora.
Mas como poderia ser diferente?
De forma alguma poderia ser diferente. A não ser... que fosse.
"Isso é impossível!"
Ondas de inquietação atravessaram o coração do Diácono enquanto ele olhava ao redor. Estava escuro, e ele se sentia completamente isolado do mundo. Não via, não ouvia, não percebia nada.
Apenas um vazio sombrio.
'Preciso me acalmar. Ele ainda é mais fraco do que eu.'
Respirando fundo, o Diácono se controlou. Mesmo estando dentro do domínio de Julien e em desvantagem, ele ainda era mais forte. E, além disso, não estava sozinho.
Juvenil ou não, Julien não poderia lidar com ele sozinho.
Não deveria demorar para romper o domínio e escapar.
"Vou fazer isso."
O Diácono canalizou sua mana, uma pressão terrível explodindo de seu corpo enquanto círculos mágicos se manifestavam ao seu redor, flutuando no ar.
Seus olhos afiados vasculhavam o ambiente em busca de algum ponto de ataque. Impulsionar-se com força bruta não era impossível, mas ele não queria gastar toda a mana à toa, a menos que algo inesperado acontecesse.
Também tinha a impressão de que isso o tornaria extremamente vulnerável, o que não combinava com sua natureza cautelosa.
"Lá—!"
Como se percebendo algo, o olhar do Diácono caiu rapidamente em um ponto distante e uma explosão de luz disparou naquela direção.
Xiu!
A velocidade do ataque foi instantânea, chegando ao alvo em segundos.
"Ahhhh!"
Um grito cortou a escuridão logo após, fazendo o Diácono recuar assustado.
Perplexo, olhou ao longe e viu um de seus homens no chão, com um buraco aberto no peito.
"Droga."
O Diácono amaldiçoou, percebendo que havia sido iludido.
Raiva surgiu profundamente, e seus olhos vasculharam o ambiente com atenção aguçada.
"Onde você está!?"
Ele gritou, sua voz ecoando por toda parte.
"Não pense que vai me vencer com isso! Só estou adiando o tempo! Desista de resistir e venha comigo pacificamente. Vinha segurando tudo por causa do Santo. A última coisa que quero é ter que matar você!"
A voz do Diácono ecoou novamente por todo o domínio.
No entanto, mesmo enquanto falava, não obteve resposta. Em vez disso, sentiu vários pontos ao redor se contorcendo. Seu corpo estremeceu ao senti-los, mas ele conteve o impulso.
Percebia que eram as mesmas armadilhas de antes.
"Hooo."
O Diácono respirou fundo mais uma vez, sua expressão se contorcendo com a fúria crescente dentro de si.
'Não posso matá-lo. Não posso matá-lo. Não posso matá-lo...'
De novo e de novo, precisava se lembrar de que não podia matar Julien. Teria sido muito mais fácil se tivesse autoridade para isso, mas as ordens do Santo eram lei.
Ele tinha que respeitar a lei.
"Esta é sua última advertência. Se você—!?"
A frase do Diácono foi interrompida quando percebeu algo vindo debaixo de seus pés. Olhou rapidamente para baixo e viu várias mãos roxas surgindo do chão, tentando segurar suas pernas.
"Tsk."
Reclamando, o Diácono chutou o chão e recuou.
Swoosh!
As mãos atingiram apenas o ar.
Porém, a luta ainda não acabou. Como se previsse seus movimentos, o espaço ao redor dele mudou, e ele viu ainda mais mãos surgindo, estendendo-se para agarrá-lo de todos os lados.
Crack!
Clicando os dedos, um escudo de luz cercou o Diácono, bloqueando todas as mãos que tentavam alcançá-lo.
'Domínio relacionado a maldições?'
Observando ao redor, o Diácono viu mais de algumas dezenas de mãos ao redor de seu escudo, tentando forçar uma saída.
Porém, era inútil. A força das mãos era insignificante.
"...Começo a ficar realmente irritado."
Ele murmurou, enquanto fixava o olhar nas mãos se aproximando. Com um simples olhar, mais ou menos captou a essência do domínio de Julien. Era um domínio de maldição, dando a ele controle total sobre essas mãos sinistras que emergiam de todas as direções.
Ele conseguia ver como muitas pessoas lutariam para escapar de um domínio assim.
No entanto, não era nada impressionante. Nada comparado ao que ele tinha esperado antes.
E justo quando ia abrir a boca para falar, parou.
Também as mãos recuaram.
"O quê...?"
Interrompendo o olhar, o Diácono viu uma esfera vermelha flutuando na escuridão.
Uma esfera vermelha?
Desde quando...?
O Diácono sentiu uma coisa se formar na garganta ao ver a esfera. Algo a respeito dela... Algo que não fazia sentido.
Parecia desligada do domínio. Estranha.
Mas ao mesmo tempo... também parecia conectada a ele.
"Isso não faz sentido..."
Inclinado para frente, o Diácono sentiu os lábios secarem enquanto examinava de perto a esfera vermelha. Quanto mais olhava, mais um pressentimento sombrio se agitava dentro dele, subindo do fundo do estômago.
Foi então que ele percebeu.
"Emotiva...?"
Wham!
Outra esfera apareceu, desta vez verde. Os olhos do Diácono se arregalaram enquanto a sensação crescente de antes se intensificava.
Wham! Wham!
Esferas roxas, azuis, rosas... foram surgindo ao redor, lentamente preenchendo o espaço ao seu redor. Em um piscar de olhos, várias cores de esferas dominavam o ambiente.
O Diácono sentiu seu ar escapar ao olhar ao seu redor.
Uma hipótese surgiu em sua mente, mas ele rapidamente balançou a cabeça.
"Impossível! Não pode ser...!"
Ele negou essa possibilidade com todas as forças. Aceitá-la seria como aceitar o impossível.
Não podia ser verdade.
Era tudo uma ilusão.
Uma ilusão!
...Mas será que realmente era?
Enquanto as esferas cercavam o Diácono por todos os lados, as mãos que também o cercavam começaram a se mover, cada uma estendendo-se para agarrar uma esfera.
De roxa a vermelha.
De roxa a verde.
De roxa a azul.
As mãos mudaram de cor de acordo com cada esfera que seguravam, e o Diácono sentiu uma pontada na garganta. Antes que pudesse realmente entender o que estava acontecendo, uma das mãos vermelhas apertou-se e chocou-se contra seu escudo.
Bang!
"Huek!"
O Diácono recuou com um sobressalto ao ver seu escudo tremer repentinamente.
Dar um passo atrás, ele fixou o olhar na mão, apertando a camisa enquanto a possibilidade de que tanto se esforçara para negar se firmava com força na sua mente.
"Como isso pode...?"
Ele mal respirava enquanto mais mãos se estendiam para agarrar as esferas no ar, virando-se na direção dele.
Queria negar a possibilidade a qualquer custo, mas diante do que via, só conseguia pensar em uma razão para as mudanças ao seu redor.
Isto era...
...A combinação de dois domínios.