Advento das Três Calamidades

Capítulo 602

Advento das Três Calamidades

Pum—!

A barreira tremeu, e o coração do Diácono também.

Mãos emergiram ao redor dele—dezenas, talvez centenas—cada uma mudando de cor como óleo sangrando. As vermelhas inchavam, pulsando com uma energia violenta enquanto se expandiam em tamanho.

Então, com um estrondo ensurdecedor, acertaram a barreira ao seu redor.

O impacto reverberou como trovão no ar, e o campo de proteção tremeu sob a força, gemendo como se pudesse se despedaçar.

"Como faz sentido...?"

A expressão do Diácono se contorceu de confusão e insegurança.

O que ele estava vendo agora...

Não fazia sentido algum. Destruía completamente seu senso comum, e naquele momento, ele não conseguiu manter a calma.

Pum!

A barreira oscilou novamente, e o Diácono deu um passo para trás, o peito pesando cada vez mais.

Já estava em desvantagem, considerando que estava dentro do domínio de Julien. Além do fato de não poder matá-lo e do choque que experimentava, o Diácono estava sendo lentamente recuado.

Um passo.

Dois passos.

Três passos.

Ele estava sendo empurrado cada vez mais para trás.

Mesmo assim, ele não se importava.

Observando as múltiplas mãos ao redor dele, batendo contra sua barreira, sentiu a mente ficar vazia.

'Maldição... Emotiva...'

Ele podia sentir as duas propriedades se misturando de uma maneira que não deveria ser possível.

Mas mais do que isso...

Como poderia haver duas propriedades assim?

'Dois domínios...? Como isso ainda...'

A realização o deixou sem fôlego, o choque e a incredulidade se estabeleceram em seu peito.

O Diácono tinha testemunhado muitas coisas na vida—coisas que torciam a mente e arranhavam a alma—mas nada se comparava a isso.

O que ele via agora rasgava o tecido de sua compreensão, obliterando cada fibra de lógica na qual se apoiava.

Sua respiração lentamente saiu de seu corpo, e pela primeira vez, ele não conseguiu pensar.

Ele só pôde ficar parado, paralisado, enquanto seu mundo era coberto por mãos.

Mas o choque não durou muito tempo.

Pum!

"Uhk—!"

A ofensiva implacável finalmente despertou o Diácono do seu torpor, sua mão pressionando contra o peito enquanto sentia algo se levantar de seu interior profundo.

Um leve estalo acompanhou a sensação.

Estalo!

Veias de luz se espalharam pelo campo de proteção, formando uma teia de aranha em todas as direções.

Ele virou, com os olhos arregalados, absorvendo o caos, e respirou fundo.

Então—mais um golpe.

ESTALO!

Uma mão vermelha acertou novamente, e as fissuras se aprofundaram.

O Diácono rangeu os dentes e finalmente conseguiu recuperar a compostura.

"Maldição!"

Sem perder tempo, deu um passo à frente.

Uma suave ondulação de luz divina floresceu sob seu pé, espalhando-se em ondas graciosas. A barreira fragmentada ao seu redor brilhou, então pulsou.

Fissuras se costuraram rapidamente, curando-se a cada passo que dava.

E em segundos, a barreira ficou inteira novamente, sua radiação cegante.

As mãos pararam por um instante.

O silêncio que se seguiu parecia sufocante.

"Hooo."

Depois de soltar um suspiro, os olhos do Diácono ficaram mais afiados.

'Embora seja impressionante, ainda consigo lidar com isso. O único problema é que sinto o elemento maldito de cada mão. Não posso deixar que me toquem.'

Planos começaram a se formar na cabeça do Diácono naquele momento. Ele via que estava numa posição desvantajosa, mas a situação ainda não era desesperadora. Só se tornaria sem saída se deixasse a situação se arrastar, pois seu mana se esgotaria rapidamente.

Nessa linha de raciocínio, ficou claro para ele que não podia ficar parado, esperando que as mãos vermelhas continuassem a bater na sua barreira sem parar.

Ele precisava encontrar Julien rapidamente e derrotá-lo antes que fosse tarde demais.

Mas como...?

Como poderia encontrá-lo?

Pum!

Os olhos do Diácono se moveram rapidamente, vasculhando além da confusão de mãos ao seu redor. Seu mana pulsava para fora, sondando o ambiente em busca da origem de tudo.

'Ele está usando muita mana. Não deve ser difícil encontrá-lo.'

Seus pensamentos se confirmaram rapidamente ao conseguir detectar a fonte de todas as mãos.

"Ha."

Um sorriso lentamente se formou no rosto do Diácono ao finalmente avistar Julien.

"Achei você."

Sem perder tempo, deu um passo à frente, a barreira ao seu redor ondulando enquanto as mãos vermelhas ficavam frenéticas, batendo contra a barreira que o cercava.

Suor escorria de seu rosto enquanto avançava.

Os ataques incessantes estavam cansando sua mente e sua mana, mas ele ainda conseguia continuar sem muito problema. Ele tinha um único objetivo, e apenas um: chegar até Julien.

BUM!

Quanto mais se aproximava de Julien, mais frenéticas as mãos ficavam. Batiam, batiam, batendo com todas as forças, criando rachaduras constantes na barreira do Diácono, mas a cada passo, uma leve ondulação de luz se formava sob seus pés, curando instantaneamente a barreira.

Era preciso bastante concentração para persistir assim, mas seus esforços estavam começando a dar resultado.

Agora ele estava mais perto de Julien do que nunca.

E, após finalmente avistar Julien, que permanecia imóvel enquanto uma dúzia de mãos se agarravam ao seu corpo por baixo, o Diácono sorriu.

"Não adianta."

O Diácono deu mais um passo, aproximando-se de Julien.

BUM, BUM!

As mãos vermelhas, batendo na barreira dele, ficaram mais agitadas, e apesar de a expressão de Julien ser impassível, os movimentos frenéticos das mãos revelavam seu conflito interno.

Estalo!

Com as mãos ficando cada vez mais agitadas, a barreira naturalmente sofreu mais fissuras, que se ampliavam a cada segundo. Ainda que isso fosse um pouco problemático, não importava, pois o Diácono estava agora a poucos passos de Julien.

Ele sorriu ao levantar a mão, pronto para finalizar quando...

"....!?"

As mãos vermelhas pararam de se mover.

Silêncio.

À medida que o ambiente ficava quieto, o Diácono sentiu que algo estava errado.

Seu instinto gritou, mas seu corpo permaneceu imóvel, preso em seu próprio orgulho.

O que mais poderia fazer?

Então—

Já era tarde.

De trás das mãos rubras, surgiram novas mãos—mais elegantes, mais finas, brilhando com um brilho roxo doentio. Elas se moviam de forma diferente: mais devagar e mais livres.

Elas escorriam pelo barrier como fumaça, como se ela não existisse.

"Como..?!"

O pânico se estampou no rosto do Diácono quando ele levantou as mãos e recuou.

Ao mesmo tempo, aplaudiu, e as mãos roxas congelaram no lugar. Eram claramente mais fracas que as vermelhas, mas ele não podia deixar que tocassem nele.

O Diácono achou que tudo tinha se acalmado, mas a verdade era bem diferente.

Com a súbita perda de concentração, a barreira ao seu redor começou a piscar, enquanto as mãos vermelhas, de antes, ganhavam vida novamente, atingindo a barreira com movimentos rápidos.

Pum!

A barreira finalmente quebrou, e as mãos começaram a se mover freneticamente em direção ao Diácono apavorado.

"Maldição!"

Seus olhos ficaram vidrados de repente, enquanto múltiplos círculos mágicos flutuavam ao seu redor, cada um disparando um feixe de luz na direção das mãos vermelhas, destruindo-as de uma vez.

Em poucos segundos, mais da metade das mãos vermelhas haviam sido destruídas.

O Diácono estava quase soltando um suspiro de alívio quando—

"....Tem mais?!"

H hands verdes surgiram por trás das vermelhas. Mais finas e esguias que todas as demais mãos, e no instante em que se moveram, os olhos do Diácono tremeram.

'Rápidas! D++++++++++++'>

Ele tentou rapidamente conjurar outra barreira ao redor de si, mas assim que tentou, as mãos roxas ao seu redor começaram a se mover, atravessando a barreira incompleta.

Para piorar, as mãos vermelhas ainda avançavam de todos os lados, e incapaz de focar em tudo ao mesmo tempo, percebeu que algo tocou a sola do seu pé.

Seu corpo inteiro parou de vez, e sua cabeça caiu rigidamente para ver uma mão verde agarrando seu tornozelo.

"Droga!"

O coração do Diácono afundou.

Ao mesmo tempo, uma sensação de fraqueza começou a invadir seu corpo, entorpecendo sua mente por um instante.

Não foi por muito tempo. Só um piscar de olhos.

Mas isso foi suficiente para que as inúmeras mãos verdes o alcançassem, aprisionando-o por todos os lados.

"Aaah!!"

Um grito cortou a escuridão enquanto as mãos verdes chegavam nele.

Com cada toque em seu corpo, sua mente ficava mais confusa—uma fraqueza rastejante invadindo seus membros, apagando seus pensamentos e roubando sua força.

Mas se isso já não fosse ruim o suficiente...

Pum!

As mãos vermelhas desceram, batendo contra seu estômago, fazendo-o recuar enquanto uma outra mão aparecia, golpeando-o e fazendo-o voar na direção oposta.

"Huek!"

O Diácono tentou resistir, mas não adiantou.

Logo, o efeito da maldição das mãos de Julien começou a dominar seu corpo inteiro, e quando outra mão vermelha bateu em suas costas, ele já não conseguia pensar direito.

Bum!

Caindo de bruços no chão escuro, tentou se levantar, um gemido escapando de seus lábios enquanto lentamente levantava a cabeça.

Foi então que sentiu algo surgir à sua frente, e ao erguer a cabeça, viu a silhueta de uma figura parada diante dele.

"Eu te avisei..."

A voz dele estava vestida de rouquidão, como se fosse resultado de exaustão extrema.

"...Este... haaa... não era o momento adequado."

Quanto mais falava, mais sua voz ficava rouca.

"Por que você... haaa... teve que me fazer fazer isso? Por que teve que me pressionar até esse ponto?"

Ele colocou a mão à sua frente, tocando diretamente no rosto do Diácono.

"...É divertido... Haaa...?"

A mão de Julien apertou.

"Divertido... me fazer ficar com raiva... de você? É!? É—"

As palavras de Julien foram abruptamente interrompidas quando ele repentinamente levantou a cabeça. A escuridão que envolvia seu entorno dissipou-se rapidamente logo depois, enquanto a luz finalmente retornava.

E, ao fazer isso, uma figura apareceu não muito longe de Julien, com uma expressão calma enquanto observava o ambiente. Em direção aos corpos espalhados pelo chão, além daqueles dos Diáconos e outros membros.

Logo, um sorriso apareceu na expressão de Jackal.

"Vai entender?"

De olho em Julien, Jackal deu um passo à frente.

"No fim das contas, não foi tão difícil. Parece que você finalmente está pronto para entregar meu sangue, fragmento falso."

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