Advento das Três Calamidades

Capítulo 599

Advento das Três Calamidades

"Hahaha."

Orson explodiu de rir, seus olhos caíram sobre Delilah.

"Você e suas reações habituais. Quando rejeitar alguém, ao menos tente ser mais educada."

Embora tenha dito isso, ele não parecia levar a sério nenhuma das palavras. Na verdade, ao olhá-lo, parecia orgulhoso dela.

Por outro lado, Delilah permaneceu ali, seu olhar desviando de mim.

Ela... quase não parecia querer olhar para mim de jeito nenhum.

Eu mordi os lábios.

"Na verdade, eu—"

"Ah, que horas são? Está na hora do Congresso começar. Continue assim, Julien. Transmita meu cumprimento ao seu pai."

Sem me dar qualquer espaço para falar mais, ele se foi directly, empurrando Delilah com a cabeça.

"Não, espera."

Ao vê-los partir, tentei alcançá-la, mas rapidamente fui impedido pelo seu olhar.

"Ah."

Nesse momento, eu vi.

Senti.

Ela não queria ter nada comigo. Se eu tentasse me explicar agora, só pioraria as coisas.

Mas eu ainda queria esclarecer tudo.

"Sobre o casamento, foi uma brincadeira. Eu—"

Mesmo enquanto falava, ela nunca se virou.

Nem Orson, que já havia se afastado.

"..."

No final, a única coisa que pude fazer foi olhar para as costas dela enquanto se afastava, sua silhueta parecendo mais distante do que nunca.

Fiquei ali, em silêncio, enquanto todos lentamente se deslocavam para seus assentos.

Naquele exato momento, senti uma dor aguda puxando meu peito.

Não era tão forte ou dolorosa como qualquer outra dor que já tinha sentido antes.

E mesmo assim...

Por algum motivo.

Doía mais do que tudo que já experienciei até então.

Antes que eu percebesse,

havia me apaixonado por ela mais intensamente do que eu jamais imaginei.

"Pessoal, por favor, satisfaçam seus lugares. O Evento começará em breve."

Um instante depois, o atendente anunciou, e eu sem pensar me dirigi a um assento e me sentei de repente.

O Imperador apareceu logo depois, e logo começou seu discurso.

"Quero aproveitar esta oportunidade para falar sobre a situação recente dentro da Kasha do Norte. Recentemente, com os acontecimentos na Kasha do Leste, a Kasha do Norte nos contatou para uma possível colaboração para..."

Ele dizia algo importante—acho—mas suas palavras entraram por um ouvido e saíram pelo outro. Eu não conseguia focar nele; toda minha atenção estava fixa no que estava à minha frente.

Quem estava à minha frente.

'Quando foi que tudo começou...?'

Não tinha certeza.

Estava tão focado no meu objetivo que não tinha tido tempo de me concentrar verdadeiramente em mim mesmo.

Porém, não era como se eu não percebesse meus sentimentos ou os dela. Era só que... eu os negava constantemente ou os colocava no fundo da minha mente.

Meu objetivo vinha antes de qualquer coisa.

Era assim que as coisas deveriam ser. Como deveriam ter sido.

E ainda assim...

'Preciso fazer ela me ouvir. Por que ela não escuta...?'

Não conseguia pensar em mais nada além dela.

Sobre a situação e como resolvê-la.

Estava consumindo cada pequeno pensamento meu, fazendo meu peito ficar leve. Eu estava ansioso.

Ansioso para esclarecer tudo.

Para fazer ela perceber que era só uma brincadeira.

Mas esse era o problema. A ela agora... parecia que ela não queria me ouvir de jeito nenhum. Ou seria essa a verdade?

Ela realmente não me ouviria?

"Haa."

'Acho que... só estou com medo.'

Medo dos meus próprios sentimentos e do futuro.

Será que eu poderia mesmo segurar essas emoções? Eu poderia... ser feliz de verdade?

Pensei na resposta por um bom tempo.

Se fosse o eu do passado, eu teria rejeitado a ideia imediatamente. Nunca tinha sido realmente feliz na vida. Desde a morte dos meus pais, até minha doença, e criar Noel. Embora agora soubesse que havia mais do que minhas memórias mostravam, eu sabia que, naqueles tempos, nunca tinha sido feliz.

Sua vida...

Era um sofrimento.

Não aguentaria mais viver assim.

Senti isso desde que vim para cá.

Não podia... deixar que o que eu quero escapasse entre meus dedos.

'...Eu simplesmente não posso.'

Com os dentes cerrados, respirei fundo.

'Certo, eu não posso.'

Voltei a olhar para frente, para as costas dela.

Interessando os lábios, fechei os olhos.

'Desculpa por estar demorando tanto.'


O Quarto Dia do Congresso finalmente chegou ao fim. Restava apenas um dia para o encerramento do Congresso.

Tentei procurar por Delilah, mas isso se mostrou uma tarefa impossível. Ela estava ativamente evitando eu.

Por mais que tentasse, não consegui encontrá-la.

"Haa."

Ao voltar para meu quarto, vim com esperança de talvez encontrá-la aqui, mas era só mais uma esperança infundada da minha parte.

Sentado na cama, coloquei a mão na boca.

"O que eu faço...?"

Devagar, fui até o bolso e peguei meu dispositivo de comunicação. Olhei para seu contato e tentei dizer algo, mas parei.

Já tinha tentado falar com ela antes. Quando ela saiu, tentei também.

Mas não adiantou. Ela nem olhava para minhas mensagens.

No final, tudo parecia sem esperança.

Eu—

"Então era aqui que você estava."

Uma voz de repente ecoou no quarto, fazendo eu levantar a cabeça enquanto uma figura surgia do nada.

Ele vestia uma túnica branca, com um olho detalhadamente bordado no centro.

"...Venho em nome do Santo. Você já pensou na oferta que ele lhe fez?"

"Oferta?"

"Sim."

O homem assentiu, com olhos calmos.

"Ele me enviou para perguntar se você considerou. Recentemente, ele está de bom humor, pois acabou de sair da prisão. Ouviu dizer que você foi grande colaborador na sua libertação. Por isso, acredita que trará boas notícias."

"Boas notícias?"

Quase ri ao ouvir aquilo.

Ele, de todos, entendia meu estado atual. Não tinha como entregar tudo que era meu para ele.

O fato de ele ter enviado alguém até meu quarto só podia significar uma coisa.

'Ele só quer provocar uma reação minha.'

...Ou, mais precisamente, planejava agir.

"Olhe..."

Eu cobri o rosto, tentando manter a calma.

"Agora não é um bom momento. Diga a ele que vou encontrá-lo amanhã, ou outro dia, para discutirmos isso. Tenho outras coisas para resolver."

"Você não."

A voz do homem saiu plana, como se minhas palavras fossem irrelevantes.

Naquele instante, percebi. Ele me via apenas como alguém inferior.

Alguém que deveria ser sortudo só de falar com ele.

"Você tem duas opções. Você aceita a demanda do Santo, ou nós o obrigaremos a aceitá-la. Não há alternativa."

"Nenhuma outra opção?"

Olhei fixamente para o homem à minha frente.

Foi nesse momento que senti. Lentamente, virei a cabeça e vi várias sombras surgindo do nada, cercando-me por todos os lados.

Estava preso.

"Isso... realmente não é um bom momento."

mexi no cabelo.

As coisas só pioravam naquele dia para mim.

"O Santo previu que você poderia rejeitar a oferta. Por isso, pediu que nos acompanhasse pessoalmente até ele. Não complique mais as coisas e apenas obedeça às ordens."

"Haa."

Respirei fundo mais uma vez, sentindo meus dedos das mãos se arrumar e meu peito ficar mais pesado.

"...Não seria mais fácil se ele viesse até mim? Que tal ele vir aqui e eu conversar com ele? Se ele vier, acho que consigo discutir um acordo."

"Isso não é possível."

Respondeu o homem, se aproximando mais de mim.

"Temos ordens estritas para levá-lo até ele. Não torne isso mais difícil para nós."

"Mais difícil...?"

Segurei firme meu peito, sentindo o peso anterior ficar ainda maior, enquanto o sangue em mim acelerava ainda mais.

Finalmente, minhas lábios se abriram.

"Meu dia... não foi exatamente dos melhores hoje."

Levantei a cabeça e encarei o homem à minha frente.

"Na verdade, foi horrível. Tão ruim que... estou quase pirando."

Apontando para minha têmpora.

"Nunca pirar antes."

Mesmo quando fui torturado a ponto de arrancar meus próprios cabelos, não perdi a cabeça.

Mesmo quando tinha câncer e estava lentamente morrendo, não perdi a razão.

Até quando fui submetido a meses de tortura, pressionando a primeira folha continuamente, não perdi a cabeça.

Minha voz se elevou sem perceber.

"...Sempre tive controle excepcional sobre minhas emoções e minha mente. Então, quando digo que nunca perdi a cabeça, não é porque vocês possam testar meus limites. Não..."

Balancei a cabeça, lentamente me levantando.

"Estou dizendo isso porque realmente não sei o que pode acontecer se eu perder a cabeça."

"....."

Seguiu-se um breve silêncio, enquanto o homem me encarava.

Então—

Sorriso malicioso.

Um sorriso sutil surgiu nos lábios do homem enquanto as sombras ao meu redor se aprofundavam, revelando figuras vestidas iguais, com olhos fixos em mim.

"Como eu disse."

O homem falou, em tom baixo.

"Você não tem escolha."

"....."

Virei lentamente a cabeça para trás, na direção do espelho atrás de mim. Vi meu rosto se retorcer além de tudo que já tinha visto, os músculos do meu rosto se contraindo enquanto eu puxava os cabelos para trás.

Era eu mesmo?

"Muito bem, feito..."

Dois olhos vermelhos, bastante vermelhos, me encararam de volta enquanto minha mente ficava subitamente vazia.

Isso foi a última coisa que me lembro antes de pressionar a primeira folha.

Naquele dia.

Eu perdi a cabeça.

Comentários