
Capítulo 592
Advento das Três Calamidades
Hoje, por algum motivo, acordei com uma sensação ruim.
"Por que minha mão está tremendo?"
Não era apenas uma sensação ruim comum. Era algo que parecia vir bem lá do fundo dos meus ossos. Fazia meu corpo inteiro tremer, e quanto mais o tempo passava, pior a sensação ficava.
"O que está acontecendo? Será que desenvolvi os sentidos de Leon...?"
Esperei que alguma visão surgisse para confirmar meus palpites, mas ela nunca apareceu.
Quando já era hora de sair para o Congresso, a sensação só tinha piorado, corroendo meu interior como se fosse um verme-agarro.
'Sério, o que de repente está acontecendo?'
Por que eu estava me sentindo assim?
Para Tok—
Quando a batida inevitável de Leon veio, hesitei por um instante antes de finalmente estender a mão para abrir a porta. Assim que o fiz, ele abaixou a cabeça, o olhar afinando como se percebesse algo errado comigo.
"Você está bem?"
"Parece que não."
"...Seu rosto está bem pálido."
"Como eu imaginei..."
Por alguma razão, a sensação continuava a invadir todas as partes do meu corpo, ficando mais forte a cada segundo que passava.
"Será que você está exausto por causa de ontem?"
"Por que eu estaria exausto? Se alguém deveria estar, seria você."
"Verdade."
Leon sorriu de lado, inclinando a cabeça novamente.
"Então...?"
"Eu não sei."
De mãos abanando, levantei os ombros.
"Desde esta manhã, tenho uma sensação terrível. Não sei o que é, mas está me deixando inquieto."
"Você está com uma sensação terrível?"
As sobrancelhas de Leon se uniram profundamente assim que revelei o motivo do meu estado atual. Com a mão na boca, começou a cochichar, como se estivesse pensando alto: 'Não pode ser, né? Acho que só acontece comigo. Como isso é possível...? Não, deve ser só capricho dele...'
Capricho? Do que ele estava falando? Que tipo de capricho eu teria?
De qualquer forma,
"Não sei. Seja lá o que for, não podemos faltar hoje."
O evento era de extrema importância, e sabendo o quanto algumas pessoas podiam ser vaidosas, minha ausência facilmente poderia ser interpretada como uma ofensa deliberada.
Infelizmente, assim funcionava o círculo nobre às vezes. As coisas já estavam meio complicadas por causa da ausência do cabeça da família. Se não fosse o fato de Leon e eu sermos mais populares que ele, facilmente poderiam causar confusão.
A menos que estivesse na minha cama de morte, pular o evento simplesmente não era uma opção.
Suspirando, ajustei minha roupa e saí do quarto. Quando ia passar por Leon, de repente parei, meu olhar fixou-se na roupa dele—especificamente, no blazer e terno novos, impecáveis.
"Comprou um novo? Sério, podia ter mandado consertar o blazer antigo—"
"Você sabe..."
Leon me interrompeu com a mão.
"...Qualquer que seja a sensação ruim que você está sentindo, espero que aconteça."
"Hã?"
Fiquei surpreso.
"Como você fala assim comigo? Eu sou—"
"Dinheiro te mudou."
Leon rangeu a língua, balançando a cabeça desapontado, virou as costas para mim e voltou a caminhar.
Devagar, ele afastou-se e chutou o chão enquanto murmurava: 'Se eu fosse algum príncipe... eu mandaria ele para a cadeira elétrica na hora...'
"....."
Assistindo ele se afastar, abaixei a cabeça lentamente, encarando minhas mãos.
Eram tremente.
"O—oh."
Então lembrei quem eram as pessoas que estavam falando hoje e pressionei os lábios antes de pegar meu comunicador e escrever uma mensagem para Amell.
— Vocês... não pretendem revelar a identidade de Leon, né?
Rezei.
Rezei para estar pensando demais enquanto enviava a mensagem.
Mas,
Ding!
— Hã? Como você descobriu?
Minhas orações não funcionaram.
"A—ah."
Mas já não fazia mais diferença nenhuma.
"Vou ser executado, né...?"
*
Mesmo com todos os motivos para evitar, eu sabia que precisava ir. Minhas pernas estremeciam enquanto eu caminhava até o palácio para o Congresso e, pelo caminho, percebia várias pessoas lançando olhares curiosos na minha direção.
Estava tão ocupado pensando em como parar toda essa confusão que nem me importei.
'O repórter pode estar aqui de novo. E se eu usar a tag Emotive e fazê-lo desmaiar? Assim, todo mundo se distraía e o anúncio não saía. Ou então, deixo ele fazer seu trabalho... De qualquer jeito, estou ferrado. Nesse caso, melhor escolher o mal menor...'
A situação estava desesperadora. Não queria pensar assim, mas estava sendo encurralado.
'...Até melhor, e se eu me tornar um terrorista?'
Meus pensamentos só se aprofundavam, ficando cada vez mais sombrios.
"O que há de errado com você? Você está agindo estranho desde que começamos a ir ao congresso."
Quando a voz de Leon me puxou de meus pensamentos, percebi que ele me encarava, com uma expressão confusa.
Simplesmente ignorei a preocupação dele com um gesto de cabeça.
"Estou bem... Só um pouco cauteloso com essa sensação estranha. Espero estar exagerando."
Apressei os passos e entrei no local. Como de costume, estava lotado, e guardas cercavam todo lugar.
Estava tão bem protegido quanto no dia anterior. Observando rapidamente ao redor, meus olhos finalmente caíram sobre uma figura específica caminhando em nossa direção com calma, passos firmes.
Bem, ele parecia calmo na aparência, mas, ao olhar mais de perto, dava a impressão de estar um pouco apressado.
"Ah, vocês... chegaram."
A figura era ninguém menos que Amell, que se aproximou de nós com um sorriso, embora parecesse forçado.
"Estive muito ocupado nos últimos dias, então não tive chance de cumprimentar vocês."
Disse isso, mas eu podia perceber que a única razão dele ter saído era por causa de algo mais, pois seus olhos continuavam a cruzar comigo, nervosos.
Mais ou menos entendia o motivo de seu comportamento.
'Por algum motivo, estão mantendo o anúncio em segredo.'
Minha teoria era que provavelmente tinha a ver com a segurança de Leon.
Não tinha muita familiaridade com a política do Império Verdejante, então só podia especular.
"Encontrei a Aoife a caminho daqui. Ela também parece bastante ocupada. Ah, e o Kaelion e o Caius também estão aqui."
"Eles estão?"
Olhei ao redor. Não tinha visto os dois desde que o Congresso começou. Mas, afinal, os dois não eram exatamente populares na própria nação deles.
Pelo menos o Kaelion não era um nobre de alto escalão, e o Caius já havia caído em desgraça com a família há muito tempo.
"Sim, sim, estão bem ali."
Amell apontou para uma direção específica. Seguindo o movimento dele, meu rosto se contorceu.
Finalmente, percebi o motivo de não conseguir encontrá-los de jeito nenhum.
Não porque estavam escondidos, ou algo do tipo. Muito pelo contrário.
"Ah."
Leon coçou a parte de trás da cabeça, com uma expressão estranha.
"Os dois são bem populares."
De fato, eram bastante queridos. Cercados por várias garotas, eles sorriam gentilmente e conversavam com elas, com expressões calmas e cabelos bem penteados.
A primeira vista, pareciam a personificação de nobres refinados—perfeitos símbolos de elegância e delicadeza. Meu rosto se torceu de nojo.
'Dá vontade de vomitar.'
Como se percebessem nossos olhares, os dois ergueram a cabeça e olharam para nós. Nossos olhos se cruzaram por um breve instante, e seus rostos congelaram.
balanço a cabeça em decepção.
'Repulsivos...'
Mas, mais importante, por que a diferença entre nós era tão grande?
Não que me importasse de estar cercado como eles, mas tinha certeza de que também era bem bonito.
Por que eles tinham tanta gente ao redor deles e eu não?
"Ah, é porque você parece assustador."
"Hã…?"
Levantei a cabeça e olhei para Amell, que tinha falado, com a cabeça inclinada.
O que ele...?
"Eu só achei que você estava pensando por que eles eram assim, e você não. Estava fazendo essa cara."
"Isso…"
Eu estava tão óbvio assim? Não, mais importante…
Virei a cabeça e olhei para Leon.
"Será que eu pareço tão assustador assim? Eu não pareço."
Leon fez um biquinho, murmurando: "Bem…"
"Sério?"
Leon não disse mais nada, mas sua expressão dizia tudo. Fiquei completamente sem palavras.
"Deixando o Julien de lado, fico mais surpreso com o Leon."
"Hã?"
Olhei para cima, percebendo que Amell me observava cuidadosamente, analisando Leon.
"Posso entender o Julien, mas estou mais surpreso com você. É por ser cavaleiro? Por quê—"
"Sei a resposta."
Cortei Amell.
"É porque sua cara parece idiota."
"Não parece idiota. Você que é idiota."
"Que resposta é essa?"
"Ele parece idiota?"
Amell franziu a testa, olhando para mim e para Leon. Depois balançou a cabeça.
"Ele não parece idiota."
"Claro que diria isso."
Vocês dois compartilham o mesmo gene de rosto bobo.
Pus minhas palavras para dentro na última hora, enquanto os olhos de Amell se estreitavam.
Então, como se lembrasse por que tinha vindo de repente nos cumprimentar, olhou na minha direção.
"Deixando esses assuntos de lado, há algo que preciso falar com vocês."
Depois, olhou para o Leon.
"Se não se importarem."
"…?"
Leon levantou a sobrancelha, alternando o olhar entre nós, mas ao ver que eu assentia, ele acabou se afastando e saiu.
Com ele indo embora, só fiquei eu e Amell, que baixou a voz enquanto observava a partida de Leon.
"Ele... sabe de alguma coisa?"
"Se você está perguntando se eu falei para ele o que descobri, pode ficar tranquilo. Não disse nada. Dá para entender por que você não quis revelar."
"…Que bom."
Amell colocou a mão no peito, suspirando de alívio.
Olhei para ele com atenção.
"Deixe isso de lado, tenho uma dúvida."
"Sobre o quê?"
"Sei que está tentando guardar segredo por causa dele, mas por que não contou antes? Pensei que o motivo de ter aparecido de surpresa em Haven fosse por causa disso."
"Esse era o plano original, mas... as coisas mudaram recentemente."
"Hã?"
Será que aconteceu alguma coisa no Império Verdejante?
Minhas orelhas se ergueram, mas antes que eu pudesse perguntar mais, uma agitação repentina atraiu a atenção de todos.
Devagar, virei a cabeça e vi várias pessoas surgindo perto da entrada do salão.
Vestidos com túnicas amarelas e com uma cruz grande no meio do peito, um grupo de pessoas entrou. Só a presença deles já era suficiente para chamar a atenção de muitos, mas não era o suficiente para fazer todos pararem para olhar.
A razão de todos estarem olhando era por causa de alguém mais.
Com cabelos longos e loiros e olhos semi-fechados, permitindo apenas um vislumbre do olhar azul cristalino, ela exalava uma aura de pureza que cativou todo mundo na sala.
Seus traços eram marcantes, carregando um charme natural que atraía o olhar de todos sem esforço.
A aparência dela... era suficiente para rivalizar com a de Delilah.
"É ela..."
"Ela chegou?"
"Por que ela veio?"
Vendo como todos comentavam sobre ela, olhei para Amell, que também parecia incrédulo.
"Espera, quem é ela?"
"A..."
Amell lambou os lábios, seus olhos voltando ao foco enquanto respirava fundo.
"...Ela é a escolhida da Mesa Redonda, a luz de todos os Cavaleiros. A Santa Mãe da Luz."