Advento das Três Calamidades

Capítulo 573

Advento das Três Calamidades

Correu o vento~

Não demorou muito para que as reforços chegassem.

— Vocês chegaram!

— O que está acontecendo...?!

Mas, quando eles chegaram, tudo já tinha acabado. Não dava pra evitar. Toda a sequência dos acontecimentos não durou mais do que alguns minutos no total.

Embora parecesse que haviam se passado várias horas, tudo aconteceu muito rápido.

Desde a derrota dos membros do Céu Invertido até a fuga da tia de Kiera. Tudo levou apenas alguns minutos.

'Também não foi difícil encontrar o dispositivo de teletransporte.'

Tudo o que eu precisei foi espalhar meus fios por cada centímetro do local para encontrá-lo.

— Finalmente, você chegou.

Voltei a cabeça para ver um par de olhos cinzentos familiares surgirem de um dos arbustos.

Ele parecia um pouco surpreso ao me ver bem.

— Por que você está desapontado?

—... Eu não estou.

— Está sim.

— Você tem razão.

Minha boca torceu. Ele nem tentou esconder isso.

Estava quase para abrir a boca e dizer algo quando algo passou rápido por mim, indo direto em direção a Kiera. Tentei reagir, mas não fui rápido o suficiente.

— Espere—

Quando finalmente reagí, já era tarde demais, pois a silhueta saltou em cima de Kiera, que abriu os olhos bem abertos.

Foi nesse momento também que a silhueta ficou nítida, e eu parei de imediato.

— Você está bem, não está?

Uma voz pairou no ar.

Era calma e também acolhedora. No entanto, ao olhar para as costas enormes dele de onde eu estava, consegui ver que tremia.

— Eu entendo que você me odeia pelo que aconteceu com sua mãe, e eu entendo isso. Mas... ainda assim, não desejo que algo ruim aconteça com você. O que aconteceu no passado, você ainda é minha filha. Por favor, cuide de si mesma se não quiser que eu o faça.

Kiera abriu a boca tentando falar algo, mas logo parou ao envolver suas mãos em torno das do pai.

— Tudo bem.

Foi tudo que ela disse, mas, ao mesmo tempo, suas mãos apertaram firmemente ao redor do pai.

— Eu farei isso.

— Isso é bom—

— Deixarei que você cuide de mim.

— Hã?

— Afinal, é seu trabalho.

***

No dia seguinte.

— Então, você está dizendo que Rose conseguiu derrotar os quatro guardiões sozinha?

Naturalmente, após os acontecimentos do dia anterior, delegados da família Megrail foram enviados à propriedade para nos interrogar. Com a gravidade do incidente e a perda de uma equipe inteira, a situação rapidamente escalou.

Eu, junto de Kiera e alguns outros, fui levado a questionamentos.

— Sim, foi bem aqui. Eu a vi derrotar todos os quatro com meus próprios olhos.

Naquele momento, eu estava mentindo descaradamente.

A morte dos membros da equipe foi em grande parte resultado do que nós três havíamos conquistado juntos.

E ninguém acreditaria que Kiera e eu tínhamos desempenhado um papel na derrota de adversários tão poderosos.

De fato, ainda era algo inacreditável.

— Não sei se vocês encontraram, mas deve haver um braço por aí. É de Rose— ela levou vários ferimentos na luta.

—... Sim, conseguimos encontrá-lo.

A interrogadora era um homem magro, com olhos e sobrancelhas afiados. Com cabelo preto até os ombros, parecia extremamente sério ao analisar as informações diante dele. Enquanto olhava, escutei-o murmurar:

— O fato de estarem todos queimados até virar cinzas condiz com as habilidades dela... Não há sinais de nada além disso. Isso é realmente a verdade? Mas, se for, isso significa que ela é ainda mais forte do que se pensava anteriormente?'

Eu apenas esperei pacientemente sentado, enquanto ele continuava a murmurar consigo mesmo. Estava confiante de que eles não encontrariam nada, nem mesmo se tivessem o melhor esforço.

Os corpos das pessoas mortas estavam todos queimados até virar cinzas, dificultando a identificação de qualquer traço de Magia Emotiva em seus corpos, mesmo que quisessem.

Não havia como eles associarem isso a mim.

Claro, também sabia que as coisas estavam longe de acabar.

Eu ainda tinha que responder aos da Sky Invertido. Mas já estava preparado.

— Entendi. Bem, tudo condiz com o que observamos. Parece que precisaremos reavaliar a pessoa conhecida como Rose.

Como se estivesse satisfeito com o que havia descoberto, o homem se levantou e fechou o livro de evidências à minha frente.

Ele estendeu a mão na minha direção.

— Muito obrigado pela cooperação, e desculpe pelo transtorno. Como você sabe, isso é algo bastante importante, por isso não tivemos escolha senão interrogá-la.

— Sem problemas.

Respondi de forma fria, também me levantando e apertando a mão dele.

Depois, sem lançar mais um olhar na direção dele, virei para sair da sala.

Clank—

Fora da sala, alguns rostos familiares aguardavam.

— Vocês também foram interrogados?

— Não. Como não envolvemos diretamente, não precisaram nos interrogar.

— Ah.

Quem respondeu foi Aoife, com aparência preocupada. Ela estava preocupada com os quatro guardas que haviam sido mortos?

Pensei rapidamente em uma forma de consolá-la, mas decidi não fazer isso.

Quanto menos ela soubesse, melhor.

— Mas tem mais uma coisa me incomodando...

As sobrancelhas de Aoife se franziram bastante, de forma que comecei a ficar preocupado. Ela descobriu algo? Se sim, as coisas poderiam se complicar...

Talvez eu devia—

— Geralmente, levo minha câmera comigo, mas numa rara oportunidade que esqueci, acabei perdendo a chance de captar a Kiera chorando. Vocês acham que dá pra voltar no tempo? Só um pouquinho? Só pra lembrar meu eu do passado de levar a câmera?

—.....

Na hora, todas as palavras que iam sair da minha boca pararam.

Logo, senti meu rosto mudar enquanto recuava.

— O quê? Por que você está olhando pra mim assim? É como se estivesse vendo algo nojento...

Não respondi, apenas me afastei.

Que princesinha nojenta.

Registrando uma foto da Kiera no seu momento mais fraco.

Que degenerada repulsiva—

— Ei, por que você fica olhando repetidamente para o seu antebraço? Tem algo errado com ele?

— Hã?

Dei as costas às minhas mãos.

— Eu... machuquei ele.

Mesmo agora, ainda dói.

Eu só estava olhando porque doía, não por causa das palavras da Aoife.

Não era como se eu pudesse realmente fazer o que ela disse.

Ir pra trás no tempo pra interagir com meu eu do passado?

Nunca...

'Droga, por que também esqueci da câmera?'

***

Em outro lugar, ao mesmo tempo.

Dentro do Império Nurs Ancifa, quatro Ducados poderosos dominavam. Cada um controlando vastos territórios, tendo influência em segundo lugar somente ao Proeminente Condado Megrail.

Os territórios faziam fronteira uns com os outros, muitas vezes levando a pequenos confrontos entre eles.

Felizmente, esses conflitos eram menores, ocorrendo apenas ocasionalmente—normalmente por pequenas discordâncias. Nenhum deles jamais evoluiu para algo sério, nem mesmo os Ducados tinham intenção real de iniciar uma guerra de grande escala.

Não só porque a Família Megrail imediatamente interviria, mas também por causa de um certo Ducado.

O Ducado Rosemberg.

Com Orson Rosemberg à frente, liderando o Centro—e, em parte importante, devido à sua única filha, Delilah V. Rosemberg.

Com os dois liderando a família Rosemberg, nenhum dos outros Ducados pensou em provocar conflito. Na verdade, pode-se até argumentar que os outros três Ducados eram subordinados à Casa Rosemberg.

Atualmente, dentro da grande mansão da Casa Rosemberg.

Estava acontecendo um jantar simples.

— Fico muito feliz que finalmente conseguiu um tempo comigo, Delilah.

Um leve sorriso cruzou o rosto de Orson Rosemberg enquanto cortava o bife à sua frente. Essa era uma das raras ocasiões em que podia jantar com a filha.

Quanto tempo tinha passado?

—... Sim.

Ao contrário dele, Delilah não parecia particularmente empolgada.

Observando o bife à sua frente, ela cortou um pedaço, colocou na boca e mastigou.

— E aí? Como está? É de uma raça de vacas extremamente rara que consegui achar só para esse momento. A marmorização é maravilhosa, bem carregada, e o sabor está ótimo.

— Ah, está bom.

Delilah fingiu concordar.

Na verdade, ela não se importava. Não era chocolate, então...

— Que bom que você gostou.

Orson pareceu realmente satisfeito com a resposta dela e cortou outro pedaço.

Muito bom.

— Ah, certo. Como está a Academia? Você não tem me contado muito.

— Está bem.

— É só isso?

— Hmm...

Delilah pensou por um momento antes de inclinando a cabeça.

—... Agora está meio chato.

— Chato?

Orson arregalou os olhos.

— Por quê? Muito trabalho? Ah, sim. Considerando o que aconteceu recentemente, faz sentido. Se—

— Não exatamente.

Delilah dispensou as palavras do pai.

O trabalho não era tão mais pesado assim. O que a deixava entediada era outra coisa.

— Então...?

Sinalizando algo, Orson franziu a testa.

— Não me diga que é porque você não está comendo chocolate. Delilah, o que há com você e chocolate? Já conversamos sobre isso antes. Mas—

— Não, não é isso.

Delilah mais uma vez rejeitou o pai.

— Nada de chocolate?

O rosto dele mostrou sinais genuínos de choque. Nada de chocolate? Essa era realmente a filha dele? Orson começou a sentir uma sensação estranha enquanto parava de cortar seu bife.

— Essa... tédio... é porque você está entediada porque está sozinha?

—....

Delilah piscou por um instante antes de assentir.

— Sim.

Orson pursuou os lábios e colocou os utensílios na mesa.

— Ah, entendi. Acho que sei o que está acontecendo. Você está entediada porque está sentindo falta de alguém.

— Sentindo falta...?

Os grandes olhos obsidianos de Delilah piscaram por um momento antes de ela assentir novamente.

— Sim, pode dizer assim.

— Uau, então fez uma amiga?

Orson olhou para a filha com um sorriso feliz. Além da surpresa agradável, ele também ficou um pouco chocado. De todas as pessoas, alguém realmente conseguiu fazer amizade com a filha anti-social?

Isso...

'Quem quer que seja, deve ser uma santa.'

— Entendi. Então, você está entediada porque sua amiga não está aqui. Haha.

Orson deu uma pequena risada.

— Raro de você. Se for assim, então você gosta bastante dela!

—.....

Delilah não respondeu imediatamente, apenas piscou por um breve momento.

Gostar bastante dela?

Ela pensou nas palavras do pai por um instante antes de responder.

— Talvez, sim.

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