Advento das Três Calamidades

Capítulo 515

Advento das Três Calamidades

Sussurro~

Um som suave de farfalhar percorreu a Kasha. Apesar de discreto, chegou aos ouvidos de todos, como uma carícia delicada no ouvido. Tudo abruptamente parou, fossem os monstros atacando a cidade ou as pessoas reagindo à situação.

Todos viraram a cabeça na direção do norte.

Enquanto alguns conseguiam ver claramente, outros apenas captavam a tênue fumaça vermelha no ar.

Se bem que, se há uma sensação inegável, era a pressão imensa vindo de longe. Ela dominava tudo, e os rostos de várias pessoas ficaram pálidos ao perceberem isso.

— Ah, não.

Murmurando baixinho, Arten Myron colocou a mão atrás das costas, tentando esconder o tremor. Mas não adiantou.

Toda sua expressão entregava o medo e o pavor que sentia.

Dos seus olhos extremamente dilatados, à respiração pesada, até a face pálida.

Ele não era o único se sentindo assim.

…Isso é ruim.

Rosanna, a Zeladora-chefe da família Astrid, também estava em situação semelhante. Embora lidasse melhor com a tensão do que Arten, sua compostura começava a falhar.

Esse era o segundo monstro de ranking Destruidor que ela tinha à vista.

Um já era difícil o suficiente, mas dois…?

— Isso é impossível.

Não havia como eles lidarem com aquilo.

Se o velho chefe estivesse vivo naquela hora, as coisas poderiam ser diferentes, mas…

Ele já se fora.

Já tinha deixado o mundo.

— Haa.

Erguendo a cabeça, Rosanna olhou para o céu azul acima.

Era a primeira vez desde que se recuperara, e ao realmente observar, sentiu o peito apertar.

Esse era o último presente que o velho chefe lhes dera, e ainda assim…

— Gostaria… de ter podido aproveitar bem a vista.

Com os lábios comprimidos, fechou os olhos e desviar o olhar, tentando conter a emoção.

— …

— É bom que você não sinta emoções.

Kaelion murmurou enquanto fixava o olhar na distância, depois em Caius. Este permanecia quieto ao seu lado. Diante deles, várias dezenas de monstros haviam parado de repente, fixando o olhar na direção de onde vinha a pressão.

Seus corpos estavam marcados por ferimentos, camisas e calças rasgadas.

Estavam lutando há um bom tempo, tentando conter a ameaça e impedir que os monstros avançassem por completo na cidade.

Estavam se saindo bem, e ainda assim…

— Devemos tentar evacuar os civis. Talvez não consigamos, mas seja o melhor—

Antes que pudesse terminar, um tremor súbito interrompeu a frase de Kaelion.

Erguendo a cabeça, ele olhou ao redor, para a multidão de monstros ao seu redor, e seu corpo ficou tenso.

— Preparem-se.

A mana começou a escoar de seu corpo, assim como Caius, que franziu o cenho e abriu a boca, seus olhos se tornaram brancos.

Com o olhar fixo nos monstros ao seu redor, sua boca se abriu enquanto se preparava para falar, mas, exatamente quando as palavras iam sair, Kaelion colocou a mão à sua frente.

— Espera...

— ??

Caius piscou, a energia se condensando na garganta. Confuso, olhou para Kaelion e foi quando percebeu algo.

— Isso…

Ele não era o único a notar.

Quase todos perceberam as mudanças súbitas na situação, expressões de surpresa surgindo em seus rostos enquanto fixavam o olhar nos monstros à sua frente e, repentinamente, voltaram a encarar a direção da qual vinha a pressão.

Então…

Enquanto todos estavam perplexos com o que acontecia, os monstros dispararam na direção da origem da pressão.

Impacto! Impacto—!

Pareciam estar correndo para fora freneticamente.

— O que está acontecendo?

— Por que eles estão saindo?

O comportamento repentino deixou todos perplexos e apreensivos.

Até pouco tempo, estavam lutando para romper a barreira, e de repente, querem sair?

Que diabos estava acontecendo?

— Para os monstros partirem assim, pode ser algo bom ou ruim. Espero que seja o primeiro, mas tenho medo de que não seja o caso. O melhor a fazer é evacuar todo mundo.

Observando os monstros com os olhos semicerrados, Rosanna já se preparava para dar a ordem de retirada quando duas olhos amarelos surgiram subitamente na sua visão.

— Zeladora-chefe.

Com sua voz suave e monótona, Caius apareceu diante dela, o olhar fixo nos monstros que se afastavam.

— O quê?

— Precisamos impedir que eles saiam.

— Como assim?

As sobrancelhas de Rosanna se franziram enquanto ela olhava fixamente para Caius. Foi aí que percebeu algo também.

— A pressão que você sente…

Ignore seu olhar, Caius continuou, o queixo apontando na direção de onde vinha a pressão.

— Está vindo do nosso lado.

***

Ao mesmo tempo.

Na origem de toda aquela pressão.

— O que está acontecendo? O que é isso…?

Segurando a árvore com uma das mãos, o rosto de Seraphina mudou. ‘Plic! Plic! Plic—!’ Ela sentiu a conexão entre a árvore e ela se romper, e sua expressão se contorceu ao perceber que tinha perdido o controle.

Olhou ao redor e viu mudanças ocorrendo na árvore.

Farfalhar~

As folhas, que antes caíam, começaram a voltar, tornando-se de um tom vermelho mais intenso do que antes.

Mas não era só isso.

O que veio após as folhas foi outra transformação.

Erguendo a cabeça, refletido nos olhos de cristal de Seraphina, surgiu um tom rosado suave.

— Flores.

De fato, flores começaram a aparecer por toda a árvore.

Com o passar dos segundos, cada vez mais flores desabrochavam, cobrindo o topo da árvore, acompanhadas por um aroma doce e estranho.

Inicialmente, Seraphina não deu atenção ao cheiro, focando novamente na árvore na tentativa de recuperar o controle, mas poucos segundos depois, sua expressão mudou visivelmente.

— Perigo!

Separando a mão da árvore, sua figura se esfumou, aparecendo a alguns metros da árvore.

Ao mesmo tempo, levou as mãos ao pescoço e começou a tossir.

— Huek—!

Sua visão ficou turva e o mundo à sua frente começou a distorcer. Ela levantou a mão, estalou os dedos e tudo se quebrou.

Estalo!

Logo depois, tudo voltou ao normal.

Enquanto olhava ao redor, sentiu um calafrio frio descendo pelas costas ao ver a árvore à sua frente, seus olhos tremendo ligeiramente.

— O que era aquele cheiro?

Uma simples fragrância quase a fez cair em uma ilusão.

Alarmes soaram na sua cabeça.

— Isso é perigoso.

Seraphina se orgulhava de sua força mental. Contava nos dedos de uma mão as pessoas que ela achava rivalizar com ela nesse aspecto.

Na verdade, a razão de conseguir controlar tantos monstros ao mesmo tempo era justamente sua força mental.

Era algo de que ela se orgulhava.

No entanto, um simples cheiro da árvore já foi suficiente para descontrolar sua mente.

Que tipo de situação era essa?

— Não, ukh—!

Segurando a cabeça, Seraphina ouviu um som de estalos contínuos ecoando na mente enquanto via as linhas se romperem na árvore. Seu controle ia se desfazendo à medida que o aroma se espalhava.

— Não, não…

Retrocedeu com uma expressão pálida.

— Como isso…?

Sentia tudo desmoronar. Seu plano, que levara tanto tempo para ser elaborado e executado… tudo se desintegrava bem diante dos seus olhos. Ela não podia falhar.

Esse plano era de extrema importância.

Aliás…

Esse era o local onde a fusão ia começar.

— Não posso falhar. Não devo falhar.

Virando a cabeça, a expressão de Seraphina suavizou-se, e seu jeito mudou completamente, como se tivesse se transformado em outra pessoa. Com uma calma quase inquietante, ela olhou na direção das muralhas da cidade.

Rugido, rugido—!

O chão tremeu ao redor.

***

Era estranho.

Algo na atmosfera mudou.

Senti que ficou mais leve subitamente.

Squelch~

Observando as raízes que antes entrelaçavam meu corpo, comecei a relaxar, pois elas deixaram de pressionar com tanta força.

Consegui respirar novamente.

Mas isso não era o mais importante.

Retirei a mão da árvore e olhei para ela, vendo inúmeras flores desabrocharem diante dos meus olhos.

Era…

— Lindo.

Mal havia palavras que pudesse usar para descrever a cena diante de mim, e ao dar um passo para trás, tropecei em algo.

— Uh?

Quando virei a cabeça, percebi que era o Leon.

Ele fixava a atenção no Águia-Poderosa, com uma expressão vazia.

— Aqu…

Depois de alguns momentos, suas sobrancelhas se franziram enquanto focava o olhar em mim.

— O que aconteceu? Você…?

— Não, não fui eu.

Sorri com esse pensamento.

Essa mudança dificilmente tinha relação comigo.

Owl-Mighty estava sempre à beira de atingir o nível Destruidor. Seu corpo estava pronto, mas a consciência não. Tudo que precisava era de um empurrãozinho para chegar a esse ponto.

Era inevitável.

— Oh.

Os olhos de Leon se fecharam em dúvida, e assim que abriu a boca, de repente parou e cheirou o ar.

— …Você sente algo?

— O cheiro?

Inspirei e franzi o cenho.

— Não, não sinto.

Não havia cheiro algum no ar.

— Estranho.

Leon murmurou enquanto coçava a nuca.

— …Sinto algo doce, agradável, mas não consigo precisar de onde vem. E é estranho… parece até que é tentador. Minha cabeça fica um pouco leve, só um pouquinho.

— Sério?

Olhei de volta para Owl-Mighty, ou mais especificamente, para as flores que estavam desabrochando por toda a sua extensão, e tive uma leve ideia do que poderia estar acontecendo.

— Acho que o cheiro deve estar vindo de lá.

O fato de eu não conseguir detectar o aroma vindo deles é surpreendente, mas talvez haja uma razão para isso.

De qualquer forma, não era hora de pensar nisso; meus olhos vasculharam o ambiente e minha expressão se fechou.

— Owl-Mighty parece ter ficado mais forte, mas não há garantia de que conseguiremos sair vivos daqui. Na verdade, é bem provável que ‘ela’ esteja planejando algo fora daqui.

— …Eu sei.

O rosto de Leon ficou sério ao também examinar o entorno.

— Você acha que consegue mandar a árvore nos levar embora?

— Isso não é possível.

Como uma árvore poderia fugir de um humano? Não, não só de um humano, mas de alguém extremamente poderoso, que consegue controlar várias dezenas de monstros também poderosos.

— Então…?

— Não sei.

Rangei os dentes, sentindo a urgência da situação. É verdade que Owl-Mighty ficou mais forte, mas isso não significava muita coisa — a mãe de Julien era extremamente forte, e Owl-Mighty tinha acabado de ascender ao nível Destruidor.

— Quão forte ela poderia ser—

Foi nesse momento que uma notificação apareceu diante dos meus olhos, chamando minha atenção imediatamente.

Ergui a cabeça para olhar para a mensagem, e meu coração e rosto ficaram petrificados.

— O que… O quê?

Como se o ar tivesse sido sugado de mim, olhei por alguns segundos para a notificação, respirei fundo e preparei-me para o pior.

— Isto…

[ Véu de Engano ] —> [ Lamentosa Mentira ]

… Isso era até possível?

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