Advento das Três Calamidades

Capítulo 512

Advento das Três Calamidades

....Como isso é possível?

Não consegui desviar o olhar da folha vermelha fininha que brotava do chão. Eu simplesmente não acreditava nos meus olhos, e ao pensar na cena anterior, uma ideia começou a surgir.

Quando o velho tossia, um pouco de sangue escorria.

Será que...

Espera, isso é mesmo possível?

A ideia parecia absurda, mas ao continuar observando a cena diante de mim, senti minhas convicções começarem a se virar.

Porém, mesmo assim, isso não era tudo.

Apesar das minhas tentativas de me mover, eu ainda estava preso ao lugar.

Não conseguia me mexer, e tudo o que podia fazer era encarar fixamente a pequena folha no chão sob meus pés.

Quanto tempo...?

Sob o ar árido, fiquei ali, assistindo a folha crescer mais e mais.

A terra se expandia, e o talo fino que se conectava à folha crescia mais alto. Logo apareceu um pequeno broto, carregando várias folhas vermelhas. O broto tinha a mesma altura que eu.

Perdi a conta de quanto tempo passou.

A terra permanecia invariável, o ar seco, e acima de tudo, o sol permanecia estranhamente igual—imutável e opressor na sua brancura que parecia engolir o mundo apenas com seu olhar.

Senti que me suffocava estar sob ele, e ao olhar para o broto na minha frente, percebi que ele também se sentia assim.

...Estava sufocando.

E, mesmo com as condições adversas, o broto continuava a crescer.

Com o tempo, virou uma árvore imponente, de folhas vermelhas sangrentas que se espalhavam amplamente, formando uma copa sobre tudo ao redor, tremulando suavemente na brisa invisível.

Permaneci ali, hipnotizado pela cena diante de mim.

Por quanto tempo poderia ficar assim?

Quando isso iria acabar?

Por que não parava?

....Será que algo mais deveria acontecer?

Isso é demais.

Com certeza, não era para eu ficar aqui só assistindo a árvore crescer. Seria demais.

Seria—

"Ei, olhe!"

Uma voz inesperadamente me tirou de meus pensamentos.

Virando a cabeça, um grupo de pessoas apareceu no topo de uma colina distante, com rostos e roupas desgastados. Suas expressões mostravam surpresa e apreensão ao ver a árvore.

"O que é isso?"

"....Não sei, mas parece uma árvore."

"Árvore? Mas aquelas coisas..."

"Não, cuidado."

Bloqueando o caminho do grupo, um jovem de cabelos negros longos e olhos castanhos encarou a árvore com preocupação profunda.

"Às vezes as aparências enganam. Não se deixe enganar pela aparência. Pode ser uma armadilha. Por enquanto, precisamos marcar a localização dela e alertar os demais. Não podemos deixar nada atrapalhar nossos preparativos. Não vai demorar até podermos sair daqui."

Preparativos?

Para quê? Empurrei as orelhas para ouvir melhor, parecia que eu estava prestes a descobrir algo novo.

Meu coração acelerou ao pensar nisso, comecei a ficar animado, mas..

Contendo os lábios, o jovem anotou algo sobre a árvore e virou-se com o grupo.

'Não, espera!'

Estendi a mão na direção deles.

Preparativos para quê?

'Você ainda não terminou de dizer o que queria falar!'

Tentei gritar e alcançá-los, mas nem minha voz nem meu toque conseguiram alcançá-los. Só pude assistir, desesperado, enquanto suas costas começavam a desaparecer do meu campo de visão.

'Não, espera...!! O que você ia dizer, o que...!'

Era inútil.

Em poucos segundos, todos sumiram da minha vista. Não consegui mais ver nem ouvir nada deles.

Sussurro~

O único que permaneceu comigo foi a pequena árvore diante de mim, suas folhas vermelhas sangrentas balançando suavemente no ar árido e morto.

Era só nós dois...

Esperei, esperei, esperei que algo acontecesse.

Nesse momento, perdi a noção do tempo. Com a árvore parando de crescer, não tinha mais nada para focar. Tudo parecia tão mundano, tão monótono.

Era entediante, e o próprio ar parecia sufocar.

Este lugar...

'É um inferno.'

Como alguém gostaria de viver aqui?

Quem —!

'.....!"

Foi então que aconteceu.

Cr— Estalo!

Ouvi — um som fraco, mas inconfundível, de vidro se quebrando. Meu corpo se moveu instintivamente, e lá estava ela.

Uma rachadura delicada e tênue surgiu na própria estrutura do ar, como se a realidade estivesse começando a se fragmentar. Além da fratura, via um mundo distante, completamente diferente deste.

Lá, o verde vibrante dominava a paisagem.

Um céu azul intenso se estendia infinitamente acima, e abaixo dele, uma paisagem de tirar o fôlego — um lugar vivo, repleto de cores e vida, em completo contraste com o mundo ao meu redor. Era tão...

'Belo— Ah.'

Rapidamente recuperei o senso de realidade.

Olhando ao longe, recordei fragmentos da história do mundo que aprendi no passado;

Era da Ascensão do Soberano; O período em que os Quatro Impérios foram fundados.

A Era do Domínio das Sombras; A Era da expansão da Dimensão do Espelho.

E, por fim,

'A Era do Mundo Arruinado.'

A era mais antiga conhecida e aquela em que surgiu a Dimensão do Espelho.

Seria isso...?

'Ha.'

Comecei a recordar o encontro anterior, e meu coração parou de repente.

'Não podemos deixar nada atrapalhar nossos preparativos.'

'Logo poderemos sair daqui.'

As palavras ecoaram alto na minha mente, e minha cabeça começou a pulsar enquanto os batimentos acelerados, ritmados, do meu coração se juntavam às peças que começavam a se encaixar.

'Não pode ser, né?'

Não fazia sentido, e mesmo assim, lembrei do velho que encontrei e senti uma nó na garganta.

Cr— Estalo!

Meu ouvido latejou mais uma vez, e quando virei a cabeça, uma nova rachadura apareceu ao longe.

'Ha... Ha...'

Quis rir, mas não consegui.

Fiquei ali, imóvel, encarando as cenas com uma expressão vazia.

Sussurro~

Ao meu lado, na minha distração, permanecia a mesma árvore, suas folhas vermelhas sangrentas balançando suavemente no ar seco e morto.

Continuaram a balançar até que pararam.

Tak—!

Ao ouvir o som sutil de um passo, voltei a atenção para uma figura que surgia ao longe, com o olhar fixo na árvore.

Por mais que tentasse enxergar melhor, seus traços permaneciam sombreados, envoltos em uma aura que parecia desafiar toda a luz ao redor.

"!"

Num piscar de olhos, ela apareceu bem na frente da árvore, e uma pressão invisível dominou o ambiente, deixando-me em um estado de paralisia total.

"...Que interessante."

Uma voz profunda, mas rouca, ecoou no ar.

"De fato parece uma árvore, mas é diferente. Sinto uma certa força vital dentro dela. Será que está tentando evoluir para um monstro?"

Sussurros~

As folhas da árvore mexiam-se suavemente, quase como se respondessem à pergunta, e naquele instante fugaz, quase pude perceber um sorriso imperceptível na figura à minha frente, embora sua expressão permanecesse escondida.

"Não, isso é um pouco diferente. Eu consigo sentir... Ah."

Como se tivesse chegado a uma compreensão, o homem colocou a mão sobre a casca da árvore.

"...Então você deve ter absorvido o sangue dele. Foi por isso que nasceu e foi criado. Isso é interessante. Um pensamento bastante… intrigante."

Voom!

Um brilho intenso surgiu repentinamente na mão do homem, envolvendo todo o entorno.

"De qualquer forma, isso já não será mais necessário."

Cra Crack!

Rachaduras começaram a se formar ao redor da casca da árvore, aumentando de número a cada segundo.

Fiquei ali, em silêncio, assistindo toda a situação sem ousar mover um músculo. Eu sabia que aquilo era uma visão; que eu não estava presente de verdade. Ainda assim, sob a presença dele, senti-me vulnerável, até mesmo nessa minha condição.

Que ele poderia fazer algo comigo.

BANG!

Por fim, a árvore se despedaçou em mil pedaços que voaram em todas as direções.

A cor vermelha cobriu o céu enquanto as folhas flutuavam no ar.

Encantado com a cena, o... Não, sua identidade estava clara.

Ele era ninguém mais, ninguém menos que...

'Sithrus.'

Contemplando a cena, Sithrus olhou para sua mão por um breve momento antes de estendê-la adiante, agarrando a própria estrutura do espaço à sua frente.

Cr— Rachadura!

Um som familiar de rachadura ressoou no ar.

Segurando a respiração, fiquei imóvel, com a mente acelerada enquanto via Sithrus rasgar a própria realidade, revelando uma rachadura que eu conhecia bem — uma que já tinha atravessado inúmeras vezes. A visão me arrepiou, trazendo memórias de volta.

'Uma rachadura no Espelho.'

Este era exatamente um Espelho rachado.

Voom!

Pouco tempo depois, uma figura apareceu atrás da rachadura.

Era uma figura baixa e robusta, que se assemelhava a um tigre.

"Raaarr—!"

Ao ver Sithrus, o tigre rugiu, mas Sithrus permaneceu impassível. Olhando para a criatura, ele avançou a mão em direção a ela e deu um empurrão.

Sem hesitar, o tigre foi puxado de sua posição, lançando-se com força tremenda em sua direção, mas parou a poucos metros, seu corpo gigante congelado no ar, como se estivesse preso por uma força invisível.

"Rooaaar!"

Mesmo tentando resistir, sob o poder de Sithrus, ele ficou impotente, e, dirigindo o olhar para onde antes ficava a árvore, Sithrus de repente levantou a mão acima da criatura.

"...Sei lá o que acontece se eu tentar usar meu sangue. Nosso sangue é diferente, acho que posso criar algo diferente."

Ele cortou a própria mão, fazendo o sangue pingar na direção do tigre.

Goteja, goteja!

De repente, mudanças aconteceram na figura.

"Roa, Roooar—!"

O corpo do tigre começou a se transformar, expandindo-se, músculos explodindo e rasgando a pele.

Gradualmente, a cor de sua pelagem escureceu, passando a um tom cinza profundo, ameaçador.

Uma pressão perceptível emanava de seu corpo, sufocando o ar ao seu redor, enquanto suas feições continuavam a mudar até que, no lugar do tigre, uma criatura completamente nova estivesse diante de Sithrus—seus olhos se tornaram vazios, completamente brancos.

'....'

Fiquei ali, paralizado, sem palavras, com a mente em branco enquanto um pouco do sangue de Sithrus pingava no chão.

'Não, isso não faz sentido.'

Como poderia...?

Como pode...

"Não foi mal."

Sithrus murmurou, observando a criatura diante dele.

"Não..."

Ele fez uma pausa por um instante, virou a cabeça, e naquele momento senti meu corpo completamente paralisado.

Isso porque...

Ele estava olhando diretamente para mim.

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