The Water Magician

Volume 5 - Capítulo 13

The Water Magician

— Oscar, sua próxima luta é em cinco dias?

— Sim, Vossa Alteza. Se eu vencer mais duas preliminares de battle royale, passarei como um dos sessenta e quatro finalistas.

— É desnecessário dizer que tenho grandes esperanças em você, mas por favor, tome cuidado para não se machucar. Seu bem-estar é a coisa mais importante.

— Obrigado, minha senhora.

Embora o pedido dela fosse bastante irracional, considerando que era um torneio de luta, Oscar, no entanto, curvou a cabeça obedientemente. Ele sabia que as palavras de Fiona vinham do fundo de seu coração.

Ouvindo a conversa deles, Rupert assentia enquanto assinava documentos. Claro, Hans sentava-se à sua frente na carruagem, apoiando-o em seu trabalho.

— Hans, certamente você pode me livrar temporariamente desta montanha de papelada enquanto estamos na estrada?

— Vossa Majestade, isso só criará uma pilha maior depois.

Em momentos como estes, Hans se recusava a ceder um centímetro sequer.

Observando-os, Oscar e Fiona falavam em sussurros.

— Meu pai tem uma vida bem difícil como imperador, hm...

— De fato. Alcance uma posição alta o suficiente e tudo o que o espera é uma tonelada de papelada.

— Apesar de ser uma marquesa de grande importância, Lady Maria ainda consegue levar uma vida muito elegante... Eu preferiria me tornar uma adulta como ela... Mas isso não significa que eu não respeite meu pai. Eu o respeito muito!

Rupert também ouviu aquelas palavras e chorou por dentro.

Cinco dias depois, a segunda preliminar de Oscar aconteceu. Fiona visitou o coliseu naquele dia para vê-lo lutar dos assentos reservados para a família imperial.

— Boa sorte, Mestre.

— Obrigado, Vossa Alteza.

A troca de palavras deles foi a mesma agora como havia sido em sua primeira luta.

O Imperador Rupert não estava presente. Com sua agenda lotada até o segundo, ele raramente tinha tempo livre para tais divertimentos. A tradição ditava sua presença em todas as lutas a partir dos oito finalistas, e era exatamente por isso que ele estava tão ocupado — ele estava desesperadamente tentando liberar esse tempo em sua agenda.

Fiona entendia isso, então não culpou o pai por sua ausência. Mas o próprio Rupert foi atingido por pontadas de consciência. Ele não deveria ter assistido à luta por causa dela, se não por Oscar?

O Imperador Rupert VI emitiria calmamente até as ordens mais cruéis pelo bem de seu país e de seu povo. Talvez, então, essa fosse a própria razão pela qual ele mimava tanto Fiona.

Para sua segunda rodada de preliminares, Oscar alinhou-se na borda externa da arena circular, assim como da última vez. Mas, ao contrário da última vez, Emil não estava à sua esquerda. Os grupos mudavam a cada vez, o que foi demonstrado pelo rosto familiar à sua frente — Elmer, o espadachim da Shooting Spree. Percebendo Oscar, Elmer deu-lhe um sorriso irônico.

Apenas dois dos dez precisavam permanecer de pé. Se eles pudessem eliminar os outros oito, Oscar e Elmer avançariam para a próxima rodada.

— Agora começaremos a luta do vigésimo grupo na segunda rodada de qualificação. Comecem!

Da última vez, seus competidores deixaram claro que pretendiam eliminar Oscar, forçando-o a tomar a iniciativa. Desta vez, no entanto, algo estranho aconteceu: uma feroz luta de espadas começou entre os outros nove, deixando Oscar de fora.

— Hm?

Ele nunca pretendeu fazer o primeiro movimento, dado o que aconteceu da última vez. Ele queria esperar para ver, e este foi o resultado.

Depois de ver sua luta anterior, os outros devem ter pensado que seria imprudente enfrentá-lo. Apenas duas pessoas passariam por esta rodada preliminar. Com o andamento das coisas, seriam Oscar e outra pessoa. Assim, a batalha real de nove pessoas, que o deixou de braços cruzados. Ele não estava particularmente interessado em demonstrar sua proeza. Se era assim que a luta deles seria decidida, quem era ele para interferir?

A essa altura, o outro vencedor estava a um passo de surgir. Apenas dois dos nove permaneceram: Elmer e outro espadachim. Mas a diferença em suas habilidades era clara para qualquer um que assistisse. Então, como se fosse um sinal, Elmer bateu sua espada contra a de seu oponente, mandando-a voar alto no ar. Simultaneamente, ele pressionou a ponta de sua lâmina na garganta do outro homem.

— Eu me rendo... — disse o espadachim em voz baixa.

— Vencedores, Elmer e Oscar — declarou o árbitro.

Eles garantiram suas vagas na próxima rodada. Gritos irromperam da multidão. Embora Oscar não tivesse movido um dedo, os outros nove haviam proporcionado um espetáculo impressionante e emocionante para o público.

— Agora sou eu no lugar de Emil... — Oscar murmurou com um pequeno aceno de cabeça.

Apesar de estarem em posições completamente diferentes, ambos conseguiram avançar sem lutar. Ele entendia agora um pouco do constrangimento — entre outras coisas — que Emil devia ter sentido.

Oscar voltou para a seção imperial das arquibancadas, onde Fiona o cumprimentou.

— Mestre, bem-vindo de volta!

Ela estava radiante porque ele havia passado pela segunda rodada das eliminatórias sem nenhum ferimento ou se expor ao perigo. Seja no boxe, nas artes marciais mistas ou em outra forma de combate, talvez aqueles que enviavam seus entes queridos para o frenesi do combate sempre se preocupassem. Mesmo assim, se o coliseu apenas realizasse lutas como essa, as arquibancadas ficariam vazias.

Em sua terceira eliminatória, três dias depois, Oscar foi mais uma vez deixado de lado pelos outros lutadores. Ele não conhecia nenhum deles desta vez, e ninguém se aproximou dele também. Ele podia sentir uma sensação de frustração crescendo, mas o sorriso de Fiona quando ele voltou a derreteu. Talvez esta tenha sido a primeira vez desde que deixou a vila de Fost que Oscar experimentou o calor de saber que alguém estava do lado de fora esperando por ele.

Dois dias após a terceira preliminar garantir seu lugar na fase de mata-mata do torneio, Oscar estava na arena ao lado dos outros sessenta e três finalistas.

Uma multidão enorme encheu o coliseu, ansiosa para ver as chaves decididas.

Os organizadores haviam sorteado os lotes para designar os participantes aos seus grupos durante as eliminatórias de battle royale... ou assim disseram. A realidade era menos clara devido ao que aconteceu na primeira rodada de Oscar. Mas o sorteio de hoje seria verdadeiramente aleatório, e isso deixou o público em polvorosa, apesar de não haver batalhas acontecendo. Fiona também não era exceção. Sabendo o quão teimosa ela era, ele apenas sorriu ironicamente para ela antes de descer para a arena mais cedo.

Agora ele cumprimentava alguns rostos familiares entre os finalistas.

— Elmer, Zasha! Que bom ver que vocês dois conseguiram!

Ambos faziam parte do grupo de Rank-B chamado Shooting Spree.

— Com certeza conseguimos! A terceira rodada foi por pouco, mas eu consegui.

— Bem, para mim foi fácil!

Tanto o espadachim Elmer quanto o portador de duas espadas Zasha estavam felizes por terem avançado tanto. E por que não estariam? Chegar aos sessenta e quatro finalistas do Torneio Imperial de Artes Marciais, especialmente este comemorativo, era prova de ser um aventureiro de primeira linha. Ambos os homens tinham vinte e seis anos, no auge como aventureiros, espadachins e portadores de duas espadas. Não apenas possuíam velocidade, poder e agilidade, mas também tinham experiência que os adolescentes não tinham. Se não pudessem vencer agora, quando teriam sua chance?

Entre os finalistas, Oscar notou outro rosto familiar.

— Oscar, finalmente começando a se interessar por mulheres, hein? Estou emocionado — Zasha provocou.

— Com licença?

— Não se preocupe, eu também estaria olhando para ela, vendo como ela se destaca.

Era a elfa que havia lutado no palco ao lado do deles durante a primeira eliminatória: Sera.

— Dizem que ela é uma aventureira de Rank-B do Reino.

— Ah, ei, igual a nós. Definitivamente não podemos perder agora!

Tanto Elmer quanto Zasha estavam cheios de motivação.

— A habilidade dela com a lâmina é aterrorizante — disse Oscar, diminuindo imediatamente o entusiasmo deles. — Eu a observei.

— Ah, qual é, eu não queria saber disso.

— Droga. Quão talentosa ela deve ser, então?

— Bem, nunca se sabe o que vai acontecer em uma batalha — disse Oscar com um encolher de ombros.

— V-Você está certo!

— Bom ponto.

Sua observação pareceu animá-los, embora não estivessem tão animados quanto antes.

— Ok, então... Há bolas em uma caixa com os números de 1 a 64 escritos nelas, e os competidores as tiram uma de cada vez na ordem de seus números de inscrição — explicou Zasha.

— Então os nomes são inseridos naquele quadro — disse Elmer, gesticulando para o enorme quadro do torneio com números no centro da arena.

Os cidadãos imperiais sabiam como o sistema de sorteio funcionava porque era sempre o mesmo, mas Oscar não tinha a menor ideia simplesmente porque não se importava.

— Qual é o seu número de inscrição, Oscar? — Zasha perguntou a ele.

— 7505.

— Isso é bem no final da lista. Você pode acabar sendo um dos últimos — acrescentou Elmer.

Até onde Oscar podia ver, Emil, que havia se registrado antes dele e avançado com ele na primeira rodada de qualificação, não parecia estar entre os finalistas. Ele perguntou aos outros sobre isso.

— Ah, ele. Ele perdeu na terceira rodada. Bem no finalzinho também... — disse Elmer. — Eu me lembro dele só porque ele é muito habilidoso apesar de ser tão jovem. Acho que ele vai se classificar bem alto no torneio daqui a cinco anos.

— Os quatro primeiros da última vez estão aqui. Eles são cabeças de chave automáticos — disse Zasha.

— Felix List venceu o último torneio e agora faz parte dos Doze Cavaleiros do Imperador, então ele não participará. O vice-campeão se aposentou, então sobram... Anselm, que ficou em terceiro, e Dieter, que ficou em quarto — corrigiu Elmer.

Oscar não tinha certeza do que fazer com toda essa informação. Ele não conhecia nenhuma daquelas pessoas, mas os outros dois o encaravam com expectativa — como se esperassem que ele continuasse a conversa.

— Esses dois são oponentes difíceis, então? — ele perguntou hesitantemente. Ao contrário das aparências, Oscar sabia ler o ambiente.

— Eu diria que sim. Este é um torneio comemorativo, afinal, então você pode esperar pessoas incríveis de todas as Províncias Centrais. Já que você chegou aos sessenta e quatro finalistas, por que não assistir às outras lutas também? — sugeriu Elmer, percebendo a falta de interesse de Oscar nos outros participantes.

— Todos os finalistas, por favor, formem uma fila aqui.

Os sessenta e quatro indivíduos se alinharam em fila única a pedido do mestre de cerimônias. Assim como Elmer e Zasha haviam previsto, Oscar estava no final. O último, na verdade. À sua direita, estava um homem usando um manto que o escondia e uma máscara branca. O próprio manto de Oscar estava abotoado, escondendo a espada presa em sua cintura, mas a frente do homem mascarado estava aberta, revelando o punho e a bainha de sua espada... Ele a usava de uma forma que podia sacá-la a qualquer momento...

O homem mascarado inclinou a espada em direção a Oscar, que estava olhando para o punho de sua arma. — Você tem algum assunto comigo? — ele perguntou.

No momento em que ouviu aquela voz, um arrepio percorreu a espinha de Oscar. Era semelhante a uma que ainda assombrava suas piores lembranças... Ele soava um pouco abafado por causa da máscara, mas a semelhança o deixou inquieto. Certamente não era possível...

Oscar se recompôs. — Minhas desculpas — ele murmurou. Se falasse um pouco mais alto, temia perder o controle. — Fiquei apenas hipnotizado por sua espada. É uma peça magnífica.

— Heh. Bom olho.

O homem mascarado desembainhou a espada até a metade, e o que Oscar viu fez seu coração saltar violentamente para a garganta. Ele pressionou a mão direita no peito, tentando acalmar os batimentos cardíacos... Claro, ele não conseguiu... Mas ele tinha que tentar.

— É realmente uma espada magnífica... Obrigado por me mostrar.

Ele forçou essas palavras a saírem, mas rapidamente descobriu que não conseguia dizer mais nada. Na verdade, ele não conseguia nem abrir os lábios nem mover o corpo.

Porque o que ele tinha visto era a lâmina da espada que seu mestre havia forjado e seu pai havia empunhado.

A lâmina que havia matado seus pais e o ancião...

— Anselm, número sessenta e três.

— Dieter, número dois.

Dois homens que chegaram aos quatro primeiros no torneio anterior tiraram suas bolas de sorteio primeiro. Eles se encontraram em extremidades quase opostas em termos de confrontos.

Ao redor deles, os competidores podiam ouvir os comentários da multidão.

— Ohhh! Será que esses dois vão se enfrentar na final?

— Mas antes disso, alguém terá que enfrentá-los primeiro. Sinto um pouco de pena de seus oponentes.

À medida que o sorteio continuava, a empolgação dos espectadores aumentava por seus favoritos das preliminares.

— Elmer, número trinta e três.

— Zasha, número trinta.

— Sera, número quarenta e oito — a voz do mestre de cerimônias ecoou.

De repente, a plateia rugiu. Como a única elfa e uma beleza estonteante, Sera já era popular entre eles. Havia outras duas mulheres entre os finalistas. Como os lutadores corpo a corpo inevitavelmente tinham a vantagem no torneio de artes marciais, os participantes masculinos eram mais propensos a permanecer. As mulheres tendiam a ter uma afinidade maior com a magia do que os homens, então muitas escolhiam profissões mágicas. Tudo isso explicava por que Sera e as outras competidoras eram tão populares com a multidão.

E assim o sorteio continuou, até a vez do sexagésimo segundo competidor.

— Ei, olhe! — gritou um dos espectadores.

— Só os mais difíceis sobraram — disse outro.

Esse sentimento era generalizado na multidão. Apenas duas pessoas ainda não haviam sorteado: o homem mascarado e Oscar. E apenas duas vagas permaneciam abertas na chave do torneio: os números um e sessenta e quatro. O primeiro enfrentaria o número dois e o outro, o número sessenta e três, os dois primeiros competidores a sortear.

— Anselm e Dieter são cabeças de chave... Esses dois vão ter uma vida difícil.

— Acho que um se autodenomina 'Boss' e o outro é Oscar.

— Oscar, nós te adoramos! — gritaram as mulheres na plateia.

A maioria das pessoas descreveria Oscar como bonito. Sua boa aparência, juntamente com sua demonstração de força esmagadora nas preliminares, lhe rendeu uma base de fãs femininas dedicadas. Infelizmente, a força esmagadora nas eliminatórias não contava muito na final. Todos os sessenta e quatro competidores restantes eram esmagadoramente fortes.

— Boss, número um.

— Huzzah!

Um enorme aplauso ecoou por todo o coliseu. A luta de abertura finalmente foi decidida. Dieter, um dos quatro primeiros da última vez, lutaria contra o homem mascarado, misterioso, mas imponente, chamado Boss. Sem dúvida, a luta hipnotizaria a plateia.

E então havia a última vaga restante...

— Oscar, número sessenta e quatro.

Seu primeiro confronto na fase de mata-mata seria contra Anselm, que ficou em terceiro lugar da última vez.

A primeira rodada da fase de mata-mata ocorreria ao longo de quatro dias. Assim como as preliminares de battle royale, a arena sediaria duas lutas ao mesmo tempo, quatro vezes por dia. Oscar decidiu assistir às lutas, começando no primeiro dia após o sorteio. Mas ele não tinha ingresso, então teria que comprar um de um cambista...

— Mestre, eu também gostaria de assistir — disse Fiona.

— Vossa Alteza?

— Como este é um raro torneio comemorativo, qualquer batalha entre aqueles dignos de avançar para a final pode ser benéfica até mesmo para amadores como eu. Além disso, comigo, você pode assistir dos assentos imperiais.

— Urk...

Oscar não tinha contra-argumento para a lógica de Fiona. No final, eles receberam permissão de seu pai para assistir às lutas pelo resto do torneio.

A luta de abertura do torneio final colocou Boss, o homem mascarado, contra Dieter, que havia ficado em quarto lugar no torneio anterior. Embora o Imperador Rupert não estivesse presente, uma parte da multidão ficou animada ao saber que a décima primeira princesa, Sua Alteza Fiona, estava.

— Ela está aqui de novo hoje!

— Tenho certeza que ela estava aqui quando as chaves estavam sendo definidas! Ela deve estar muito interessada em assistir aos lutadores.

— Dizem que, ao contrário das outras princesas, ela é bastante habilidosa com a espada.

— Incrível!

Oscar estava um pouco abaixo de Fiona, e a iluminação o tornava quase invisível para o resto da multidão. Alguns descobriram que um de seus guarda-costas estava participando, mas ninguém tinha certeza se ele havia avançado para a fase de mata-mata.

Boss e Dieter já estavam em seus respectivos palcos, esperando o sinal para começar a luta.

— Vamos agora começar a primeira luta da rodada de sessenta e quatro. Comecem!

Ambos demoraram a começar. Eles desembainharam suas espadas, mas permaneceram parados na distância inicial de vinte metros.

— Hmph — resmungou Boss.

Então, quase casualmente, ele começou a caminhar em direção a Dieter, que franziu um pouco a testa em resposta, mas permaneceu imóvel, com a espada ainda em guarda. Boss se aproximou pouco a pouco...

Sem aviso, Dieter avançou, diminuindo a distância entre eles, e desferiu um, dois e um terceiro golpe. Quando foi para desferir um quarto golpe, sua cabeça de repente foi para trás. Quase no mesmo momento, seu braço direito, em extensão total, foi subitamente decepado. Ele caiu no chão, e foi o fim.

Ninguém fez um som. Nem a plateia. Nem o mestre de cerimônias. Nem mesmo o árbitro.

— Ei, você vai anunciar ou não? — Boss latiu para o árbitro.

— Ah, d-desculpe. Vencedor, Boss!

— Uauuuu!

Os espectadores então recobraram os sentidos. Gritos de raiva irromperam da multidão. A maioria deles não entendia o que havia acontecido. O que diabos tinha acontecido com Dieter? Ele estava no ataque quando, no instante seguinte, seu corpo se arqueou e seu braço direito decepado voou pelo ar.

Ainda assim, eles sabiam que haviam testemunhado algo incrível, e isso era tudo o que precisavam saber!

As reações de algumas pessoas foram um pouco diferentes.

— Você viu aquilo, Zasha? — perguntou Elmer.

— Com certeza vi... Aquele desgraçado mascarado é insano. Pensei que Dieter tinha ficado em quarto da última vez?

Elmer e Zasha assistiram à luta das arquibancadas. Como haviam dito a Oscar, compraram ingressos para a primeira rodada da final, com a intenção de assistir a todas as lutas.

E ao redor deles...

— Zasha, se você chegar às semifinais, talvez tenha que lutar com essa coisa — disse Jusch.

— Zasha, se você chegar às semifinais, se tornará a vítima dessa coisa — acrescentou sua irmã Rusch.

Os membros restantes da Shooting Spree, Anne a batedora e Mesalt o curandeiro, simplesmente balançaram a cabeça.

— M-Mas isso só se eu chegar às semifinais, certo? Duvido que chegue tão longe, então não tenho nada com que me preocupar! — protestou Zasha.

— Tenha um pouco de amor próprio, cara... — Elmer lhe deu um olhar de pena.

Eu sabia... Aquela é a espada que o Mestre forjou...

Obviamente, as emoções de Oscar estavam em tumulto. O homem mascarado provavelmente era Boskona, seu inimigo mortal que havia matado seus pais e o ancião. Bem diante dos olhos de Oscar, ele empunhava a espada que havia tirado de seu pai. Era impossível para ele sequer cogitar a ideia de permanecer calmo.

— Mestre?

Fiona, agudamente ciente da mudança em Oscar, olhou para ele ansiosamente. Ele não estava se comportando como de costume, e não de uma boa maneira... Aquele olhar instantaneamente o estimulou a recuperar a compostura.

— Vossa Alteza, me desculpe.

Ele curvou a cabeça. Suas palavras eram tanto um pedido de desculpas quanto uma expressão de gratidão a Fiona por trazê-lo de volta à razão.

— O que há de errado?

— Eu estava apenas lembrando do passado...

Fiona não insistiu, adivinhando corretamente que ele estava pensando em seus pais ou talvez em seu pai adotivo. Mas nem mesmo ela podia imaginar que o homem vil que os matou estava bem diante de seus olhos.

— Eu vou chegar até ele... — Oscar murmurou. — Muito provavelmente na final, hein?

No segundo dia da final, o portador de duas espadas Zasha, da Shooting Spree, fez sua estreia. Embora tenha lutado, ele saiu vitorioso em seu primeiro confronto. No terceiro dia, seu companheiro espadachim Elmer lutou e venceu com algum esforço. Na quarta luta daquele dia, a elfa Sera fez sua estreia. Ela venceu em apenas dez segundos. Oscar visitou o local nos dois dias, mas não conseguiu encontrar o homem mascarado.

Então veio o quarto dia da fase de mata-mata.

— Mestre, boa sorte — disse Fiona.

— Obrigado, Vossa Alteza.

Ele deixou a seção das arquibancadas reservada para a família imperial e se dirigiu para a sala de espera. A rodada final estava prestes a começar.

— Por favor, recebam Anselm, o terceiro cabeça de chave do último torneio!

Enquanto o mestre de cerimônias anunciava seu nome, Anselm acenou e subiu ao palco. A multidão imediatamente foi à loucura.

— Eeeeeek!

— Você consegue, Anselm!

— Estamos contando com você! Você é o único para nós!

O terceiro lugar no torneio anterior lhe dera imensa popularidade.

— Ele enfrentará nosso qualificado mais jovem, Oscar!

— Eeeeeeeeeeee!

— Nós te amamos, Oscar!

— Oscar, case comigo!

— Oscaaar, seu gostoso!

Os aplausos caíram ainda mais fortes para Oscar, a maioria deles de mulheres. Jovem, bonito e forte, não era de se admirar que ele fosse popular com as damas. A trigésima primeira luta no palco adjacente havia terminado mais cedo, então todos os olhos no coliseu estavam fixos na luta final entre Oscar e Anselm.

— Rodada de sessenta e quatro, luta trinta e dois começará agora. Comecem!

Ao comando do árbitro, Oscar avançou com toda a sua força. Ele cortou com uma mão, estocou, estocou, cortou novamente e terminou sua combinação com um golpe de duas mãos.

Anselm, no entanto, desviou dos quatro primeiros ataques e bloqueou o golpe descendente final com sua espada. Ele se moveu com a mesma graça e empunhou sua espada com tanto poder avassalador quanto o campeão anterior, Felix Liszt, segundo os rumores.

Apesar de seu treinamento, Oscar sabia desde o segundo em que se enfrentaram que Anselm o superava. Mesmo assim, ele queria saber quão grande era o abismo entre eles — e foi por isso que ele atacou primeiro.

Com sua saraivada de ataques bloqueada, Oscar saltou para trás. — Acho que entendo seu estilo.

— É mesmo? — respondeu Anselm, irradiando confiança.

— Levará algum tempo para eu alcançar suas alturas — admitiu Oscar, totalmente convencido de sua vitória, apesar de suas palavras.

A expressão de Anselm enrijeceu ligeiramente, como se estivesse ofendido.

— Como eu preciso absolutamente chegar à final, vou usar meu trunfo — Oscar o avisou.

— Isso deve ser interessante. — Anselm se preparou.

Tempestade de Fogo. — Oscar conjurou três línguas de fogo ao redor de sua espada e as lançou em Anselm.

— Magia, é?!

Mesmo que a magia não fosse proibida no torneio, poucas pessoas a usavam. Primeiro, os feitiços das Províncias Centrais exigiam o canto de encantamentos; segundo, um oponente poderia interromper um conjurador com combate corpo a corpo antes que terminassem o feitiço. Por essas razões, a magia era simplesmente impraticável.

No entanto, Oscar não precisava cantar para lançar seus feitiços. Além disso, sua velocidade de conjuração era anormalmente rápida.

Mesmo com a magia ofensiva de Oscar sendo incrivelmente rápida, Anselm ainda reagiu.

— Não me subestime! — ele gritou, cortando as rajadas de fogo que corriam em sua direção, um feito que apenas um espadachim de primeira linha poderia realizar. Infelizmente, no momento em que suas espadas tocaram as chamas, elas explodiram espetacularmente.

— Ngh!

De alguma forma, Anselm escapou do raio das explosões. Impressionante, dado que ele ficou em terceiro da última vez.

Só que aquelas bolas de fogo eram iscas. No momento em que Anselm percebeu isso, ele viu uma luz branca perfurar ambas as suas pernas.

— Gaaah!

Ele soube imediatamente que era magia de fogo. Mas isso era tudo o que ele sabia. Porque como chamas brancas poderiam parecer tanto com luz radiante? Incapaz de sustentar seu peso por mais tempo, suas pernas danificadas cederam e ele caiu de joelhos.

— Droga!

No momento em que Anselm caiu, Oscar, agora a curta distância, pressionou a ponta de sua espada na garganta do homem.

— Eu me rendo... — Anselm admitiu a derrota.

— Vencedor, Oscar!

As quartas de final começaram no oitavo dia da fase de mata-mata. O Imperador Rupert VI estaria oficialmente presente a partir deste dia. Os preços dos ingressos também dispararam, já que muitos nobres residentes na capital imperial estariam presentes.

Na primeira luta do dia, Boss avançou facilmente, tornando-se o primeiro a chegar aos quatro primeiros. Na segunda luta, Zasha da Shooting Spree conquistou uma vitória surpreendente de virada. Seu sucesso — mais a notícia que se espalhava de que outro membro de seu grupo competiria na terceira luta daquela tarde — significava que a Shooting Spree era agora um nome conhecido em toda a cidade. Embora antes fossem apenas aventureiros de Rank-B, a Shooting Spree de repente se tornou um dos principais grupos do Império.

Elmer, o líder de seu grupo, não compartilhou de sua sorte. — Isso vai ser impossível — ele gemeu, desanimado antes mesmo de sua luta começar.

— Pense positivo! Talvez você tenha sorte como eu e tropece em uma vitória?

— Não existe coincidência com aquela elfa...

À medida que a terceira luta se aproximava, o coração de Elmer afundava por causa de sua oponente, a aventureira de Rank-B do Reino, Sera do Vento.

— Ela tem o mesmo rank que nós, então talvez você consiga — disse Jusch.

— Ela não é um Rank-A, então talvez você tenha uma chance — acrescentou Rusch.

— Arrrgh... — Elmer soltou um suspiro profundo. Tendo chegado tão longe, ele sabia que não tinha escolha a não ser ir até o fim, qualquer que fosse o resultado.

— Acho que vou ter que dar o meu melhor!

Então ele subiu ao palco.

No momento em que a luta começou, Sera avançou a uma velocidade invisível a olho nu.

— Droga!

Elmer reagiu instintivamente, mas mal conseguiu bloquear o golpe. Ele se concentrou em aparar com a espada na mão direita e a manopla na esquerda.

— Isso não é nada como ontem! Quando você ficou tão rápida?!

Ele havia assistido a todas as batalhas dela até agora. Suas habilidades com a espada, muito superiores às dele, o fizeram perceber que tinha poucas chances de vencer, mas agora ela estava mais rápida do que no dia anterior.

— Eu chamo de Manto de Vento — ela respondeu impassivelmente.

Então, após um golpe poderoso, ela saltou para trás.

— Impressionante, Elmer. Nem me lembro da última vez que alguém desviou da minha espada enquanto eu usava meu Manto de Vento.

— Obrigado?

Apesar do elogio dela, seu coração estava cheio de desespero. Ele subiu ao palco sabendo que a vitória seria difícil, mas se agarrou a um fio de esperança. Agora, até isso estava sendo esmagado.

— Vamos ver como você lida com um pouco mais de força.

— O q—

Antes que Elmer terminasse de falar, Sera avançou sobre ele com velocidade supersônica и desferiu um súbito golpe descendente. Ele o bloqueou com sua espada, ambas as mãos agarrando o punho.

— Ngh...

Ele cambaleou para trás, de alguma forma conseguindo evitar perder o membro inteiro. Não apenas ela era rápida, mas seus golpes eram incrivelmente pesados. Mesmo tendo bloqueado parcialmente o golpe, a espada de Sera ainda cravou fundo em seu ombro, e ela não parou por aí.

Sera enfiou o joelho bem na virilha dele. Mesmo sendo a parte mais vital de qualquer homem, tais ataques não eram proibidos em torneios de artes marciais. Afinal, visar os pontos fracos dos oponentes era uma tática natural a ser usada no campo de batalha.

Enquanto Elmer se contorcia de agonia, Sera pressionou impiedosamente sua espada em seu pescoço. Elmer não conseguiu emitir um som. O árbitro olhou para ele com pena e então fez sua declaração.

— Vencedora, Sera!

A plateia tanto rugiu de empolgação quanto lhe enviou olhares de simpatia.

Pela honra de Elmer, deve-se notar que ele nunca foi ridicularizado pelo que aconteceu naquele palco. Chegar aos oito primeiros de um prestigioso torneio de luta, especialmente um tão comemorativo, era suficiente para garantir a glória. Claro, ele acabou levando um golpe feio em seu órgão mais sensível, mas a culpa não era dele. Sua oponente era forte. Na verdade, muitos dos homens na multidão simpatizaram com ele, e nenhum deles zombou dele.

Levou apenas alguns minutos para Oscar derrotar Anselm usando seus feitiços Tempestade de Fogo e Fogo Perfurante. Agora, ele enfrentaria Sera nas semifinais...

Mas antes da luta de Sera e Oscar, outra partida importante estava prestes a acontecer.

— Pessoal, estou pensando em desistir... — Zasha choramingou, temendo sua luta iminente contra o homem mascarado chamado Boss.

— De jeito nenhum, Zasha — disse Jusch.

— Nem pensar, Zasha — acrescentou Rusch.

— Bem, vocês, idiotas, não são os que terão que enfrentar a espada monstruosa dele...

Zasha estava certo. Até agora, Boss havia derrotado todos os oponentes em menos de um minuto — incluindo Dieter, que ficou em quarto lugar no torneio anterior. O fato de Zasha ter chegado aos quatro primeiros já era prova suficiente de sua habilidade como lutador. Ainda assim, quando se comparava ao homem mascarado, ele não achava que tinha a menor chance de vencer.

— Acho que não há problema se você quiser desistir — disse Elmer.

Os outros olharam para ele com surpresa de olhos arregalados.

— Se você realmente não se sente confiante, vá em frente e desista — ele continuou. — Mas se você acha que tem a menor chance, quero que lute por mim também.

— Elmer...

Zasha não sabia o que dizer. Seu amigo havia desafiado uma elfa cuja esgrima rivalizava com a do homem mascarado e, no final, ele havia perdido miseravelmente. Para adicionar insulto à injúria literal, ele perdeu de uma forma que faria qualquer homem estremecer. Elmer não podia mais estar naquele palco, mas ele, Zasha, podia! Pelo bem de seu camarada, ele desafiaria aquele monstro. E se o derrotasse, não tinha dúvidas de que confrontaria a elfa que havia dado a seu amigo um enterro metafórico. Talvez ele pudesse até mesmo vingá-lo!

— Tudo bem. Eu vou fazer isso — disse ele, sem sequer ter que forçar as palavras. Em vez disso, sua voz soou com determinação inabalável. Ele e Elmer apertaram as mãos, e então Zasha subiu ao palco.

Ele se sentiu mais confiante do que nunca ao entrar na arena — como se pudesse fazer qualquer coisa.

Então a luta começou, Boss rebateu suas lâminas gêmeas e derrotou Zasha em vinte segundos.

— Hans, meus olhos me enganam, ou o nível de competição deste torneio está um pouco difícil demais? — murmurou o Imperador Rupert VI de seu assento na seção da família imperial.

— Com todo o respeito, Vossa Majestade, acho que isso se deve simplesmente ao homem mascarado chamado Boss.

— Entendo...

Era óbvio o quão fortes Boss, Sera e Oscar eram. Claro, para Rupert, tudo o que importava era que Oscar havia mais do que provado seu valor ao terminar entre os quatro primeiros. Ainda assim, como governante, seria embaraçoso se o nível de um torneio de luta organizado pelo Império fosse questionado...

— No anterior, Felix e os outros competidores lutaram em um nível incrivelmente alto simplesmente por causa de seus talentos. Então, quando indivíduos habilidosos se reúnem em um lugar, comparações inevitavelmente serão feitas e alguns serão considerados inferiores.

— Verdade. — Rupert assentiu em concordância.

Claro, eles falavam em voz baixa. Fiona, focada na próxima luta de Oscar, não ouviu uma palavra.

— Vamos agora começar a segunda luta da semifinal entre Sera и Oscar!

Gritos irromperam de todo o local.

— Por favor, recebam Sera, uma aventureira de Rank-B da vizinha Knightley!

Gritos altos e estrondosos surgiram da base de fãs masculinos fanáticos que ela evidentemente conquistara.

— Seraaaaa!

— Sera, case comigo!

— Não, case comigo!

— Calem a boca, ela é minha!

Sera subiu ao palco, aparentemente impassível com os chamados. Os aplausos ficaram ainda mais altos antes mesmo de o mestre de cerimônias começar sua próxima apresentação.

— E agora, por favor, recebam o qualificado mais jovem da final, Oscar!

— Eeeeeeeeek!

— Oooohhhhh!

— Oscaaaar!

— Eu te amo!

— Não se machuque!

Os aplausos eram tão altos quanto os de Sera e, naturalmente, vinham principalmente de mulheres muito entusiasmadas. Oscar também subiu ao palco, igualmente impassível.

— Competidores, a seus postos e—comecem!

Imediatamente, ele entoou: — Tempestade de Fogo.

Ele lançou três plumas de fogo de sua espada em Sera, que as cortou com a sua própria. As chamas explodiram com o contato. Simultaneamente, Oscar lançou outro feitiço em sua mente.

Fogo Perfurante.

Duas finas lanças de fogo branco dispararam em direção às pernas dela, mas se desviaram antes de alcançá-la.

— Você as desviou? — Oscar murmurou.

— Sim. Eu já vi esse truque antes. Hora de um novo, hm? — respondeu Sera.

Como magos do ar, os elfos podiam controlar o ar, ou em outras palavras, o vento.

Então é esse tipo de magia que ela usa?

Neste momento, no meio da batalha, um entendimento vago era mais importante do que buscar uma verdade perfeita.

— Minha vez.

Ela avançou sobre ele em velocidade supersônica.

— Gah!

Ele a vira usar o Manto de Vento durante a luta com Elmer, mas assistir das arquibancadas era muito diferente de estar do lado receptor.

Um agudo klang ecoou na arena enquanto Oscar bloqueava a espada de Sera. Ela se esquivou de seu golpe seguinte e recuou para colocar distância entre eles.

— Que Barreira Física resistente.

Ele a implantara apenas por um instante, mas Sera, no entanto, a detectara.

De repente, a atmosfera mudou.

Tempestade Eterna — Sera entoou suavemente.

Barreira. — Oscar simultaneamente gerou não apenas uma Barreira Física, mas também uma Barreira Mágica.

Klink, klink, klink.

Suas Barreiras desviaram uma barragem aparentemente interminável de feitiços de magia do ar invisíveis.

Quanto tempo isso vai durar...

Primeiro uma dúzia, depois cem, depois várias centenas, e então—

Krak.

— Nh! — Oscar ofegou, sua barreira se estilhaçando. Ele imediatamente foi recriá-la. — Barreira.

Um duelo mágico era uma visão rara em um torneio de artes marciais, agitando a plateia em um frenesi. Qualquer coisa era válida desde que animasse as pessoas — era assim que as coisas eram.

Klink, klink, klink...

Ela deve ter enviado mais de mil feitiços contra ele a essa altura.

Sério, por quanto tempo ela consegue manter isso?

Mesmo Oscar nunca esteve do lado receptor de tantos ataques mágicos consecutivos. Não era tão surpreendente, considerando que nenhum mago comum tinha mana suficiente para disparar uma barragem tão espetacular de magia ofensiva...

Talvez algumas centenas de feitiços depois, Oscar ouviu um som semelhante.

Krak.

— Quebrou de novo? — ele sibilou. — Barreira.

— Lento demais.

Antes que Oscar percebesse, a espada de Sera estava mergulhando em seu abdômen.

— Ngh... Fogo Perfurante, Dispersar.

A mesma luz branca de antes emanou na frente dele.

Reconhecendo o brilho perigoso do feitiço que Oscar usara anteriormente, ela arrancou a espada do corpo dele e recuou na velocidade do som. O feitiço dele a perseguiu tenazmente pelo palco, mas ela o desviou com agilidade impressionante e acabou ilesa.

Oscar entendeu racionalmente a sequência de eventos que acabara de se desenrolar, incluindo a ferida maciça que acabara de sofrer. Instintivamente, ele usou sua magia de fogo para cauterizar o buraco em seu abdômen e parar o sangramento.

Szz.

Ele gemeu com a dor excruciante, mas já a experimentara várias vezes antes, então não era insuportável.

No entanto, sem o feitiço Curar, seus órgãos internos e músculos permaneceram danificados — e ele podia dar adeus a todo o sangue que perdera. Seu corpo não era mais capaz de lidar com uma batalha de resistência. Ela era mais rápida, mais poderosa, mais habilidosa e mais experiente. Como ele poderia vencer nesta situação?

Mesmo um homem como Oscar não conseguia encontrar uma resposta. Uma coisa era certa, porém: ele chegaria à final. Afinal, o homem que matou seus pais e o ancião já havia se qualificado.

— Eu te vejo lá, seu desgraçado — disse ele em voz alta.

Sera estava secretamente espantada. Este jovem estava controlando a magia do fogo sem cantar e usando feitiços que ela nunca tinha visto antes. Nenhum mago normal poderia lançar Tempestade de Fogo, mas Oscar a usara três vezes seguidas. E então havia o fogo branco. Ela se perguntara sobre isso quando ele o usou durante sua luta contra Anselm. No momento em que a chama branca atingiu sua perna, ela simplesmente derreteu sua carne. Quão quente era? O pensamento por si só era aterrorizante.

Sem mencionar sua força mental. Se ela fosse perfeitamente honesta, ela o superava completamente ao usar seu Manto de Vento em todos os aspectos da esgrima. Mesmo assim, ela ficou chocada com sua afirmação ousada de que iria para a final. Dizer isso diante de um oponente avassalador não era tarefa fácil.

Sera avançou novamente com sua velocidade incrível. Ela poderia prolongar as coisas lutando uma batalha mágica à distância, mas seu fogo branco permanecia um fator imprevisível. Ela havia evitado o primeiro usando magia do ar para mudar a trajetória de seu feitiço, mas ela sabia com que tipo de magia estava lidando. Mesmo um único acerto seria suficiente para encerrar esta luta.

A luta de espadas deles recomeçou. Como antes, Oscar continuou a aparar os golpes de espada de alta velocidade de Sera com sua Barreira Física e sua própria arma — mas sua defesa não era perfeita. O número de cortes em seus braços, pernas, flancos, cintura e bochechas crescia continuamente.

Estou acabado a este ritmo...

Por mais que ele não quisesse admitir, a diferença avassaladora de força entre eles parecia insuperável. As chances de ele virar o jogo não eram apenas improváveis — eram mínimas.

Mesmo sabendo que era verdade, Oscar cerrou os dentes—

Mas não posso aceitar!

—e continuou lutando.

Apenas mais um passo, apenas mais uma vitória, e lá está ele: o homem que matou meu pai, minha mãe e o ancião. Se eu estou tão perto, mas incapaz de chegar, eu nunca me perdoarei!

Ele nunca se perdoaria se não conseguisse sua vingança depois de chegar tão perto. Ele sabia disso melhor do que ninguém — porque odiava Boskona mais do que todos.

Se eu tiver que desistir de um braço para vencê-la, que seja. Eu consigo fazer isso...

Ele se decidiu ao mesmo tempo em que Sera cravou sua lâmina em sua carne, perfurando sua palma esquerda.

Ele soltou um grito abafado, depois um encantamento: — Cauterizar.

Uma luz branca, tão poderosa quanto seu Fogo Perfurante, brilhou em todo o braço esquerdo de Oscar — e então seu membro desapareceu, simultaneamente estilhaçando a espada de Sera.

No entanto, antes que ele pudesse contra-atacar, Sera cravou uma adaga em seu estômago.

— Hrgh... — ele gemeu, cuspindo sangue.

— Mago do fogo, eu sabia que você estava bloqueando usando tanto sua arma quanto sua Barreira Física para bloquear meus ataques para poder aquecer minha lâmina e destruí-la. Devo admitir, não previ que você iria tão longe com suas chamas brancas.

Suas palavras o deixaram sem fala.

— Minha faca está em seu abdômen — ela continuou. — Tudo o que tenho que fazer é empurrar um pouco mais, e nem você conseguirá permanecer de pé. Então, me diga, por que ir a tais extremos para avançar para a final?

Recusando-se a responder, Oscar a encarou enquanto ela cravava a adaga mais fundo nele.

— Sua relutância em responder me faz pensar que sua determinação não vale muito. Você prefere perder em desgraça? Se sim, estou um pouco desapontada com você.

— Aquele lixo... Boskona... — Oscar engasgou.

Sera se inclinou para ouvi-lo.

— Ele matou meu pai e minha mãe, e o ancião... — Oscar continuou. — Bem na minha frente. E agora, eu vou matá-lo.

— Vingança, então. E por três. — Sera balançou a cabeça. Após um momento de reflexão, ela arrancou a adaga da barriga de Oscar.

— Ahhh! — ele gritou. Apesar da dor, ele de alguma forma conseguiu resistir a cair de joelhos.

Então Sera levantou a cabeça. — Eu desisto! — ela gritou, sua voz ecoando pela arena.

Ninguém reagiu, então Sera se virou para o árbitro. — Eu desisto.

— Ah, sim, claro. Eu... Espere, o quê? Você disse que desiste?

— Isso mesmo. Sem arma, não posso lutar mais — disse ela antes de se virar para pegar sua espada do chão e deixar o palco.

— Vencedor, Oscar!

Apesar do final abrupto, os aplausos da plateia poderiam ter alcançado os céus.

Um curandeiro lançou repetidamente Cura Extra em Oscar e o forçou a beber um agente produtor de sangue desenvolvido pela Associação Imperial de Alquimia. Depois, ele finalmente permitiu que ele deixasse a enfermaria.

Oscar correu de volta para as arquibancadas dos espectadores. Quando chegou ao camarote da família imperial, ele se viu capturado em um abraço feroz.

— Hum, Vossa Alteza? — Oscar perguntou, confuso.

— Mestre, eu disse para você não se machucar... — Fiona murmurou enquanto enterrava o rosto choroso no peito dele.

— Você disse, e eu... me desculpe — disse ele. Ele não podia fazer nada além de se desculpar. Ele entendia o quão preocupada sua aprendiz devia estar e percebeu que poderia se ferir tão gravemente na próxima luta, ou ainda pior...

Rupert os observava, uma mistura complexa de emoções em seu rosto. Como pai, era difícil ver sua filha enterrar o rosto no peito de outro homem. Mas também o deixava feliz vê-la se tornar alguém tão aberta consigo mesma e com os outros. Ele não conseguia encontrar as palavras para descrever como se sentia, então não disse nada.

Comentários