The Water Magician

Volume 2 - Capítulo 4

The Water Magician

Na manhã seguinte, a rotina de Ryo foi imediatamente virada de cabeça para baixo. Tudo começou no refeitório da guilda. Ele foi lá para tomar o café da manhã, pois queria passar o resto da manhã na biblioteca do norte da cidade.

Ele chegou no seu horário de sempre, um pouco depois das sete, mas não havia mais nada do café da manhã. “Já acabou tudo?”, ele perguntou.

“Sinto muito, Ryo. Aqueles acadêmicos e inspetores da capital levaram tudo com eles. Estou indo para o mercado em breve para comprar tudo o que preciso para o almoço e o jantar, então essas refeições não serão um problema. Mas... de novo, sinto muito, por você e pelos outros.”

O chefe de cozinha curvou a cabeça em desculpas, uma mudança de atitude em relação à sua alegria habitual na cozinha. Ele era, claro, um ex-aventureiro de rank C, um pouco mais velho que o mestre da guilda. Para os jovens aventureiros, ele era como uma figura paterna que sempre cozinhava comida deliciosa para eles. Quando um homem como ele curvava a cabeça, não podiam criticá-lo. Por outro lado, as impressões dos aventureiros sobre o grupo de acadêmicos só pioraram, já que foram responsáveis por forçar o chefe de cozinha a agir assim.

Equipes de pesquisa eram despachadas da capital real sempre que algo incomum ocorria no país. Elas eram enviadas para investigar a causa e o curso do evento, e então determinar uma previsão para o próximo evento. As equipes de pesquisa consistiam em uma variedade de indivíduos, frequentemente acadêmicos da Universidade Real Central e pesquisadores da Universidade de Magia. Às vezes, magos reais também compunham o núcleo das equipes de pesquisa.

Quase uma década havia se passado desde a última Grande Maré Violenta e o mais recente surto na única dungeon da Província Central tinha sido o maior da história registrada, o que explicava o tamanho da enorme equipe de pesquisa enviada a Lune nesta ocasião. Nunca antes um grupo tão grande de pesquisadores havia sido enviado. Geralmente, a Universidade Real Central, a Universidade de Magia e o Bureau de Magos Reais simplesmente enviavam quantas pessoas cada organização podia dispensar.

Eles haviam mobilizado cinco mil pessoas no total.

As equipes de pesquisa geralmente consistiam em cinquenta pessoas, no máximo cem. Então, cinco mil significava... que todas as acomodações da cidade estavam sobrecarregadas à capacidade máxima. Os membros desta enorme equipe de pesquisa que não conseguiram garantir quartos dentro da cidade eram na sua maioria pessoal de baixo escalão, carregadores de bagagem e guardas. Infelizmente, foram forçados a acampar do lado de fora de Lune.

“Mas que porra é essa?!”, Hugh gritou, sua voz reverberando por todo o seu escritório.

Três dos figurões da equipe de pesquisa estavam na frente dele:

Clive Staples, presidente da Universidade Real Central.

Christopher Blatt, instrutor-chefe da Universidade de Magia.

Arthur Berasus, conselheiro do Bureau de Magos Reais.

Todos os três eram considerados manda-chuvas no meio acadêmico da capital real, particularmente o presidente da Universidade Real Central, que havia assumido o comando da equipe de pesquisa. Ele possuía um ar tanto acadêmico quanto burocrático e era, sem dúvida, um dos principais líderes acadêmicos da capital.

Nada disso importava para Hugh. Embora entendesse que seria um pé no saco se fizesse inimigos de qualquer um deles, ele ainda não se importava com nada disso.

“A sua turma confiscou toda a comida da guilda dos aventureiros assim que chegou e agora 'tá me dizendo pra liberar a dungeon porque 'tá querendo mergulhar de cabeça? E ainda exige aventureiros como guardas? Vocês têm culhão pra caralho, sabiam?!”

A fúria de Hugh não teve muito efeito em nenhum do trio. A expressão de Clive permaneceu fria, Christopher olhava para algum outro lugar, e Arthur bebia seu chá enquanto balançava a cabeça em exasperação.

“Mestre McGlass, Sua Majestade Real em pessoa nomeou o Conde Harold Lawrence, ministro de assuntos internos, como chefe desta expedição de pesquisa, que por sua vez nos concedeu total autoridade sobre a equipe enquanto estivermos em campo. Leia o decreto você mesmo”, disse Clive.

McGlass era o sobrenome de Hugh. Seu nome completo era Hugh McGlass.

Clive entregou uma carta selada com cera, bem como um decreto de autoridade, para Hugh.

“Um decreto de autoridade?”

Como o documento afirmava, poder total foi dado aos mencionados... Em resumo, os três homens à sua frente foram nomeados procuradores do Conde Lawrence pelo próprio rei. Eram indivíduos que não deviam ser subestimados.

Hugh encarou o selo de cera na carta. Um selo oficial exclusivo do Conde Harold Lawrence. Um olhar para ele e qualquer um saberia de quem era a carta. Ele quebrou o selo no envelope e leu a carta dentro.

“Huh... Aqui de fato diz que eu devo acomodar o bando de vocês tanto quanto eu puder.”

“Agradecemos sua compreensão.” Clive sorriu educadamente, embora sua aura fria ainda permanecesse.

“A palavra-chave sendo *puder*, senhores. E há coisas que eu posso e não posso fazer. A guilda não pode fornecer comida pra todos vocês”, Hugh disse sem rodeios.

“Mestre McGlass, você entende o significado das palavras ‘deve *acomodar*’?”

“Clive Staples, você entende o significado das palavras ‘tanto quanto eu *puder*’?”

Outra voz interveio enquanto os dois homens se encaravam.

“Clive, Hugh, já chega. Somos todos líderes do mesmo país. Hugh, você está certo sobre os suprimentos de comida. Desculpas por pegar tudo dos refeitórios da guilda. De agora em diante, não vamos mais pisar lá nem pressionar a guilda para nos fornecer comida. Falaremos com os líderes de Kailadi ou Acray e combinaremos para que nos entreguem comida. Isso deve funcionar, certo?”

Aquele que resolveu a disputa foi provavelmente o mais velho entre os quatro, Arthur Berasus, conselheiro do Bureau de Magos Reais. Ele tinha uma longa barba branca e usava as vestes cinzentas características de um mago. Ele possuía um grande cajado. Ele era um mago que parecia exatamente um mago.

“Sim... Muito obrigado.”

Mesmo agora, Arthur Berasus podia ser considerado um dos dez magos mais poderosos do Reino. Ele costumava ser um aventureiro em sua juventude, então o próprio Hugh certamente não podia desrespeitar a intervenção de um colega veterano como aquele.

“Entendido. Se o Conselheiro Berasus insiste, cederei quanto aos suprimentos de comida, mas não posso ceder na suspensão do bloqueio da dungeon, porque então não teria havido sentido em virmos até aqui”, Clive persistiu.

“Nenhum de nós tem ideia do que tá acontecendo lá dentro. Então me pedir pra abrir de novo tão cedo é...”

Clive zombou. “É precisamente por isso que estamos aqui. Para investigar o que está acontecendo.”

Hugh rosnou baixo em sua garganta com a ofensa óbvia antes de falar novamente. “Certo. Mas saibam disto. Todos vocês assumem total risco por si mesmos no momento em que pisarem na dungeon. Não importa o que aconteça, nem a cidade de Lune nem a guilda dos aventureiros e seus membros assumirão qualquer responsabilidade. E todos os três vão assinar reconhecendo estas estipulações.”

“V-Você—”

“Se não gostam, então não vou suspender o bloqueio!”

Clive e Hugh se encararam mais uma vez.

“Clive, não temos escolha a não ser aceitar seus termos. Hugh, você não terá problemas se contratarmos aventureiros e lhes pagarmos comissões regulares, certo? Aventureiros sempre precisam ganhar dinheiro, não é?”

Arthur, o ex-aventureiro... Aceitar uma condição ele mesmo enquanto força seu oponente a aceitar outra. Dar e receber. Um mestre nos fundamentos da negociação. No que dizia respeito a Hugh, era isso que tornava o conselheiro excepcionalmente difícil de lidar.

“Sem problema nenhum. Cada aventureiro pode decidir por si mesmo se aceita ou não os trabalhos de vocês. Só se lembrem de uma coisa. Quase não há registros do que acontece numa dungeon depois de uma Grande Maré Violenta. Coisas que nunca aconteceram antes vão acontecer, e isso vale em dobro para os aventureiros de hoje em dia. Sugiro que conduzam sua exploração com muito cuidado.”

E assim, seis dias após a Grande Maré Violenta, o bloqueio da dungeon foi suspenso.

Ryo vagava pelas ruas da cidade procurando uma loja onde pudesse tomar o café da manhã, já que o refeitório da guilda não deu certo. Se a dungeon estivesse aberta, as avenidas principais que levam ao centro da cidade, onde a dungeon estava situada, estariam movimentadas com uma variedade de barracas de comida. Após a Grande Maré Violenta, no entanto, apenas algumas estavam abertas.

Parte do motivo tinha a ver com menos aventureiros atravessando a área, o que significava vendas mais baixas. O maior fator, no entanto, foi a súbita diminuição no fornecimento de carne de monstro da dungeon. Goblins no quarto e quinto andares da dungeon não eram bons para comer, mas carne de monstro deliciosa podia ser caçada em alguns dos outros andares até o décimo.

As poucas barracas que ainda estavam por ali, apesar do bloqueio da dungeon, ainda não estavam abertas tão cedo pela manhã, e foi por isso que Ryo decidiu procurar um restaurante localizado em uma das ruas principais. Mas... todos eles também estavam fechados...

“Ah, não... Isso significa que vou ter que ficar sem café da manhã...?”

O café da manhã era importante. A energia do dia começava com o café da manhã. De jeito nenhum ele poderia pulá-lo!

Esses pensamentos passavam por sua mente enquanto ele continuava procurando por um restaurante aberto. Então ele se viu em frente à Onda Dourada, o restaurante onde realizaram a festa de retorno de Abel, onde Ryo ficou ridiculamente bêbado. Ele sabia que a comida deles era soberba. Era também a estalagem que o grupo de Abel, a Espada Carmesim, usava como sua hospedagem preferida. A primeira coisa que se via ao passar pela entrada da Onda Dourada era o balcão de um recepcionista. À direita ficava o refeitório.

“Você está brincando... A Espada Carmesim não está aqui?”, alguém perguntou.

“Sim, eles saíram juntos há cerca de... meia hora, mais ou menos? Eles não mencionaram nada sobre desocupar seus quartos, então presumo que não irão muito longe no trabalho que pegaram.”

Ela e um hóspede estavam conversando no balcão. A cliente era tão baixa quanto Lyn, usava o mesmo estilo de vestes de maga negra que ela e segurava um cajado tão grande quanto o da maga do ar. Com base no que Ryo pôde ouvir de sua voz, a garota ainda era menor de idade. Quando soube que a Espada Carmesim não estava hospedada, sua frustração ficou clara em seus olhos.

“Você acha que eu poderia encontrá-los na guilda dos aventureiros...?”

“Hm, eu diria que há uma chance, sim.”

Então a estalajadeira notou Ryo, que havia entrado.

“Ah, olá, Ryo. Bem-vindo de volta.”

A garota se virou e o encarou. Um segundo depois, ela correu em sua direção e agarrou seu braço.

“Irmão mais velho!”

“Irmão mais velho?!”, a estalajadeira gritou, atordoada ao ouvir a garota se dirigir a Ryo daquela forma.

“Não, você entendeu errado. Eu definitivamente não sou o irmão mais velho dela.”

Ela poderia ter pensado que eles eram irmãos perdidos separados no nascimento, mas a garota era definitivamente uma estranha para Ryo.

“Você é um aventureiro, certo, irmão mais velho? Eu *preciso* ir para a guilda dos aventureiros imediatamente. Por favor, me leve lá.”

“Uhhh...”

Será que Ryo conseguiria tomar café da manhã nesse ritmo...?

Claro, ele poderia ter ignorado o apelo da garota e desfrutado de um delicioso café da manhã na Onda Dourada, mas Ryo era, no fundo, um molenga. Ele levou a maga de volta pelo caminho que viera na avenida principal.

“Como eu disse antes, se você continuar indo para o sul nesta estrada, chegará à guilda...”

“Eu entendo. Seria terrível se eu pegasse o caminho errado em algum lugar e acabasse perdida... Acabei de chegar a esta cidade, então realmente não sei me localizar aqui.”

O nome da garota era Natalie. Ela lhe disse que havia chegado na noite anterior da capital real como parte da equipe de pesquisa, especificamente dos magos reais. Embora o resto dos membros do Bureau de Magos Reais estivessem hospedados na Onda Dourada e em outras estalagens próximas, seu quarto ficava em outra estalagem.

“O professor do meu professor de magia, um grande mestre, me deu uma carta que devo entregar diretamente a Abel da Espada Carmesim. É por isso que preciso visitar a guilda dos aventureiros...”

“Entendo. Parece que você tem muita coisa acontecendo, hm?”

Enquanto conversavam, os dois chegaram à guilda dos aventureiros. O momento foi impecável. Assim que chegaram, Abel e os outros membros de seu grupo estavam saindo da guilda.

“Abel, isso não poderia ser mais perfeito.”

“Ei, Ryo. Qual é o problema?”

“Esta jovem aqui tem algo para você. Não se preocupe, não é uma carta de fã.”

“Não faço ideia do que seja uma carta de fã, mas tenho quase certeza de que você está zombando de mim. Ou é só minha imaginação?”, Abel olhou para Natalie.

“U-Um, isto é do Mestre Hilarion, da capital.” Com isso, ela lhe deu um envelope selado com cera.

Abel não foi o único surpreso ao ouvir o nome Hilarion. Lyn também ficou.

“Provavelmente é uma boa ideia ler agora, hein? Que tal pegarmos alguns lugares no refeitório? Ryo, venha conosco. Você também, uhhh...”

“Sou Natalie.”

O nome dela surpreendeu Lyn ainda mais, mas ninguém notou o choque da maga do ar.

“Certo, Natalie. Junte-se a nós também, pois posso precisar que você dê a ele minha resposta.”

Os quatro membros da Espada Carmesim entraram no refeitório da guilda acompanhados por Ryo e Natalie. Um refeitório sem comida alguma no momento...

Depois de ler a carta de Hilarion, Abel coçou a cabeça e entregou o papel para Rihya.

“Você disse que seu nome é Natalie”, Lyn disse enquanto isso. “Como em Natalie Schwartzkoff?”

“Sou eu. Por que pergunta...?”

“Se bem me lembro, a casa dos Schwartzkoff é uma distinta que produz magos da água...”, Lyn divagou em pensamento.

Magos da água... Acho que esta é a primeira vez que encontro outro mago da água..., Ryo pensou, mantendo sua empolgação para si mesmo.

“Pessoalmente, ainda não sou muito habilidosa com magia, mas... eu estudo diligentemente todos os dias.” Natalie olhou para baixo, envergonhada, enquanto falava.

A carta de Hilarion passou de Rihya para Warren e, finalmente, para Lyn.

“Hm...”

Ryo não conseguia decidir se Lyn disse isso em resposta a Natalie ou à carta.

“Basicamente, o Bureau de Magos Reais quer reforços na dungeon, hein?”

“Reforços?”, Ryo deixou escapar. “Mas eu pensei que a exploração da dungeon estava suspensa até novo aviso?”

“Sim, está, mas os líderes da equipe de pesquisa provavelmente vão tentar reabri-la. Tenho a sensação de que o Mestre da Guilda vai acabar cedendo, já que o governo nacional enviou a equipe de pesquisa. Quando isso acontecer, é natural que eles queiram contratar aventureiros experientes... O que explica esta carta. Eles estão usando suas conexões pessoais para garantir nossos serviços.”

Então a expressão de Abel tornou-se ainda mais preocupada.

“Abel, essa sua cara significa que uma dungeon depois de uma Grande Maré Violenta é super perigosa?”

“Você está meio certo. Originalmente, as dungeons deveriam ser bloqueadas quando uma Grande Maré Violenta terminava. A prática começou algumas décadas atrás, quando um grupo de rank A não voltou da dungeon após a Grande Maré Violenta. Eles não eram *apenas* um grupo normal de rank A. O líder deles era um espadachim inumanamente poderoso que poderia ter sido um rank S. Então, o fato de nunca terem retornado foi um grande problema e levou à criação da prática.”

“Então *é* super perigoso... Então como estou apenas meio certo?”

“Dado o desaparecimento do grupo de rank A, até hoje, ninguém sabe o que acontece em uma dungeon após uma Grande Maré Violenta. Então a outra metade tem a ver com não querer entrar quando nem sabemos que diabos poderia estar nos esperando lá dentro”, disse Abel com um encolher de ombros.

Melhor não chegar perto por um tempo, então, Ryo jurou a si mesmo firmemente. Então ele se levantou. “Certo. Vou tomar café da manhã.”

“Hm? Por que você simplesmente não come aqui? Mas, espere... Ninguém está comendo nada...”

Perplexo, Abel virou a cabeça e examinou o refeitório. As poucas outras pessoas sentadas na área bebiam apenas água, criando uma visão bizarra para o salão de jantar.

“A equipe de pesquisa levou toda a comida esta manhã.”

“O qu—”

Primeiro Abel ficou sem palavras com esta notícia, rapidamente seguido por Rihya, Lyn e o sempre silencioso Warren. Embora o que mais surpreendeu Ryo foi o choque de Natalie. Ela se apressou em explicar.

“O-Os magos reais deveriam estar pagando por seus próprios suprimentos de comida e cozinheiros... Então estou chocada ao ouvir que algo assim aconteceu...”, ela parecia arrependida, apesar de saber que não era sua culpa.

“Se isso se espalhar na guilda, a equipe de pesquisa terá dificuldade em contratar aventureiros, considerando quantos de nós somos tão irritáveis com coisas assim”, observou Abel calmamente.

“Com certeza. A maneira mais rápida de ganhar o ódio de alguém é tirando sua comida”, respondeu Lyn com uma verdade universal. De qualquer forma, Ryo já havia decidido ficar bem longe da dungeon no futuro imediato.

“Abel, se o bloqueio da dungeon vai ser suspenso, significa que precisamos cancelar a caçada de hoje, hm?”, perguntou Rihya.

“Sim, acho que sim. Tenho a sensação de que o Mestre da Guilda vai convocar os principais grupos e explicar tudo em breve. Provavelmente deveríamos ficar na cidade onde ele possa nos alcançar. No mínimo, ele pedirá que os grupos de rank B apareçam.”

“Isso significa nós e a Brigada Branca. Também deve haver cerca de vinte grupos de rank C atualmente em Lune.”

“Ah, isso me lembra...”, disse Lyn. “Sera está de volta.”

“Sera do Vento, huh? Ela está na capital há um tempo, certo?”

Ryo, que esteve de pé o tempo todo, finalmente decidiu deixar o refeitório. “Vou indo, então.”

“Entendi. Você deve conseguir comer algo na Onda Dourada.”

“Sim, foi exatamente por isso que fui lá em primeiro lugar...”

Natalie, com o rosto corado, curvou a cabeça para Ryo quando percebeu que havia roubado a chance de Ryo tomar café da manhã. “Um, sinto muito...”

“Está tudo bem. Você estava com pressa e precisava de ajuda. A gente se vê por aí.”

Então ele deixou a guilda e partiu em uma jornada para a Onda Dourada, com a intenção de satisfazer seu apetite pelo café da manhã.

Natalie não conseguia parar de se sentir mal mesmo depois que Ryo saiu. “Ryo foi à Onda Dourada para tomar café da manhã... e ainda assim ele acabou me trazendo até aqui...”

“Ei, não se preocupe com isso. Porque o Ryo com certeza não está.”, Abel a confortou com uma risada.

“Oh, Natalie, tenho uma pergunta para você. Como membro da família Schwartzkoff, renomada por seus magos da água, você conhece um tipo específico de magia da água em que o usuário pode criar uma Muralha de Gelo longe de si mesmo e no alto do ar?”

Embora perplexa com a pergunta de Lyn, Natalie respondeu sem hesitação. “O quê? Não, até onde eu sei, não existe tal magia.”

“Hm... Assim como eu pensei.”

“Nossa, Lyn, você ainda está presa nisso?”, perguntou Abel.

“Claro que estou!”, Lyn retrucou. “Não há absolutamente nenhuma maneira de um mago não ficar ‘preso nisso’, como você diz!”

“Você está dizendo que uma magia como essa de fato existe?”, Natalie perguntou timidamente.

“Sim, mas eu mesma não a vi.”

“Então quem viu?”

“Nosso aclamado líder aqui.”

Abel levantou uma mão e inclinou a cabeça educadamente. “Líder aclamado se apresentando para o serviço.”

“Eu... não acho que seja possível, mas... Abel, você tem certeza do que viu?”

Abel sorriu ironicamente em resposta à tenacidade de Natalie. “Huh, acho que você está certa sobre magos serem curiosos sobre esse tipo de magia, Lyn. Até a Natalie está intrigada.”

“Ack! E-Eu sinto muito. Mas se for verdade, então eu definitivamente gostaria de ver uma demonstração... Onde exatamente você testemunhou esse tipo de magia?”

“Em uma jornada...”

“Oh... Isso significa que não podemos mais ver.”

Natalie estava obviamente chateada. Não apenas por sua resposta, mas pelo que ela implicava, que poderia ter sido um truque de sua imaginação, já que ele viu a magia apenas em uma jornada...

“Não... exatamente. Antes de eu dizer... Natalie, preciso que você me prometa que manterá esta discussão entre nós, ok? Você não pode nem contar para sua família. Só continuarei falando se você me jurar que este segredo está seguro.”

“Huh...? C-Claro. Não contarei a ninguém. Você pode até me prender com magia de contrato!”

“Não, não precisamos ir tão longe.” Abel contemplou por um momento antes de continuar. “O mago que criou uma muralha de gelo no ar e a usou para esmagar golens foi aquele que você acabou de conhecer. Ryo.”

Os olhos de Natalie se arregalaram de espanto e permaneceram assim por algum tempo.

“Ryo é uma anomalia. Rihya, Lyn, Warren, vocês três escutem também. Nunca, e eu quero dizer *nunca*, se coloquem contra ele. Mesmo com nós quatro contra ele, ele nos mataria em um instante. E no pior caso de vocês se encontrarem lutando contra ele, rendam-se. Apenas se rendam. Dessa forma, ele os deixará viver. Entenderam? Estou falando muito sério agora. Esta é uma ordem do líder do seu grupo.”

“Entendido.”

“Entendi.”

Warren assentiu.

“Abel...”, Natalie olhou para Abel gravemente. “Ryo é realmente tão poderoso assim?”

“Natalie. Se algum dia você se encontrar em apuros e precisar que alguém a salve, mas não estivermos por perto para ajudar, quero que você confie no Ryo. Ele geralmente está em seu quarto, que é o número 10 aqui no anexo de moradia, ou em uma das bibliotecas. Se algo assim acontecer, não minta para ele. Ele saberá. E uma vez que ele saiba, ele provavelmente a matará. Apenas conte a ele tudo honestamente e seja sincera quando pedir sua ajuda. Ele é um cara bom no fundo e um pouco molenga. Contanto que você não tente enganá-lo, há uma boa chance de ele ajudar.”

Eles receberam a convocação do mestre da guilda uma hora depois que Ryo saiu para a Onda Dourada em busca do café da manhã. Hugh havia chamado todos os líderes de grupos de rank D e superior. Era prerrogativa de cada pessoa aceitar ou ignorar seu pedido, mas nenhum aventureiro era tolo o suficiente para ignorar o convite do mestre da guilda.

No entanto, se a convocação nunca chegasse à pessoa em questão, ela не seria capaz de respondê-la. Uma dessas pessoas era Ryo, um mago da água indo para a biblioteca do norte pela avenida principal após o café da manhã na Onda Dourada.

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