
Capítulo 1620
Chrysalis
As curandeiras estavam ao meu redor antes mesmo que eu percebesse que estavam chegando. Depois que minhas vinte defensoras foram arrastadas para a raiz da árvore e, presumo, arrastadas de volta para a fortaleza, elas voltaram para me buscar, resmungando o tempo todo.
“Tirando uma boa soneca, Ancião?”
“Você sabe que esta é uma zona de guerra, certo?”
“Bem feito por você ter pulado da plataforma.”
‘Olha, eu tolero muita coisa das curandeiras, sei o quanto elas ficam sobrecarregadas e a futilidade de tentar evitar que as formigas se machuquem, mas isso é um pouco demais.’
“Como assim ‘Pulei da plataforma’? Que tipo de história revisionista é essa?! Eu heroica e nobremente caí da plataforma.”
“Você realmente vai se dar ao trabalho de responder isso quando deveria estar usando toda a sua energia mental para se manter vivo?”
“Você espera que a gente faça isso por você, não é? Típico.”
“Ei, estou trabalhando muito duro para me manter vivo!”
“Então por que não está funcionando?”
“Ah, não sei, talvez porque a toxina virulenta de um Antigo literal esteja corroendo minhas entranhas?”
“Parece que você está relaxando.”
‘Sinceramente, eu gostaria de responder a isso, mas, na verdade, preciso gastar quase toda a minha energia em conter o desastre que se desenrola lentamente dentro de mim. Protectant e as outras realmente me ajudaram, removendo um pouco dela, mas mesmo uma única gota já é o suficiente para ser perigosa e ainda tenho muito mais do que isso dentro de mim.’
‘Para ser sincero, é horrível.’
Sentia estar sofrendo uma mutação por dentro. A mana não estava apenas me destruindo, mas me transformando à medida que avançava, distorcendo e deformando tudo o que tocava em seu caminho. Já tentei liberar a glândula de regeneração pelo meu corpo, mas ela não atacava o tecido transformado como deveria, como se o reconhecesse como pertencente ao meu corpo.
“Eu… eu preciso de uma ajudinha”, disse as curandeiras. Simplesmente não tinha forças para discutir com elas.
“O que você acha que viemos fazer aqui?”, bufou uma delas, já cutucando e cutucando minha carapaça com as antenas. “Bem, viemos aqui por alguns motivos, mas você é um deles.”
‘Se o coração continuar enchendo nesse ritmo, logo estarei debaixo d’água, com mana líquido condensado colocando tudo, exceto minhas antenas, abaixo da superfície. Quanta dessa coisa nós fizemos?!’
Lá em cima, a batalha começou. Tinha uma vaga noção disso, mas não conseguia gastar energia para ver como estava indo. Tiny, Crinis e Invidia estavam lá, tinha certeza.
‘Eles cuidarão de tudo. Tenho que acreditar nisso.’
“Ah, o que mais vocês vieram fazer aqui?”, perguntei as curandeiras. “Reclamar diretamente comigo? Podiam ter me mandado uma correspondência.”
“Você acha que não temos nada melhor para fazer do que reclamar com você?”
‘Este é um novo aroma.’
Pelo canto do olho, vi uma curandeira emergir, maior que as outras.
“Mendant? O que você está fazendo aqui?”
As curandeiras ao meu redor estavam despejando sua energia, tentando conter a propagação da corrupção. Ajuda, mas a coisa era tão resistente. Tentar desfazê-la era como um processo de trinta etapas e se você falhasse em uma, tudo se desfazia e a mana se regenerava, como se eu nunca tivesse tocado nela.
Era exaustivo. Felizmente, tinha formigas suficientes por perto para renovar minha energia mental, então podia continuar, mas o mesmo não valia para as curandeiras.
“Cura”, suspirou Mendant. “Você acha que esse coração vai sobreviver a uma terapia de choque como essa?”
‘Huh?’
Voltei minha atenção para as paredes do coração.
‘Ah, acho que entendi do que ela está falando. O quinto pode não ter sido sempre a bagunça tóxica que é agora, mas o coração está imerso nessa corrupção há… sabe-se lá quanto tempo.’
Onde quer que o líquido azul entrasse em contato, a carne do coração estava… queimando.
Olhando mais de perto, parecia que a sujeira estava sendo limpa, mas depois de tanto tempo, não sobrava muita coisa. Se nada fosse feito, o coração seria curado, purificado, apenas para entrar em colapso logo em seguida.
“Mais trabalho”, resmungou Mendant. “Não basta curarmos as feridas, temos que curar a Masmorra também? Se isso se tornar uma rotina, vou exigir que dobremos o número de curandeiras nas próximas dez gerações.”
“Achei que tínhamos deixado as filhotes escolherem o que queriam fazer?”
“Ah… sim. Claro. Enfim, estou ocupado.”
‘Lá vai ela, com cada vez mais curandeiras emergindo da raiz da árvore.’
Havia centenas delas, talvez milhares ali e elas entraram em ação. Logo, o chão do coração se transformou em um tapete de curandeiras, derramando sua energia para reparar a carne, mesmo enquanto ela se desfazia, mantendo unida a bomba pulsante do quinto estrato.
“Uau. Isso é realmente impressionante. Não quero dar muita importância, mas tem… sabe… soldados de verdade naquela raiz de árvore, né? Sem querer menosprezar o que vocês estão fazendo, mas, sabe, não tem uma batalha acontecendo lá em cima?”
“Como se não pudéssemos cuidar de nós mesmas”, disparou um das curandeiras que subiu na minha carapaça, batendo nela com uma antena. “Você não é paciente? Fique quieto e deixe-nos fazer o nosso trabalho.”
“Ainda estou fazendo a maior parte do trabalho aqui”, disse, apenas para receber outro tapa.
“Não se preocupe. Tenho quase certeza de que a Brilliant reuniu todo mundo que podia”, garantiu outra curandeira. “Agora, fique quieto.”
‘Shhh? Um das meus próprias irmãs me mandou ficar quieto? Isso é um ponto baixo. Eu ficaria mais chateado se não fosse pelo veneno que tudo consome no meu corpo. Bem, as anônimas estão aqui, as coisas não podem ir tão mal com elas por perto.’
“NÓS BUSCAMOS!”
‘Oh não…’