
Capítulo 1573
Chrysalis
Outro canal rompido.
‘Mais um… Quantos falharão?’
Cobalt cerrou as mandíbulas em frustração, encarando a energia fluindo à sua frente. Não havia a menor variação ou tremor, os aprimoramentos estavam funcionando perfeitamente. Ou será que ela apenaspensavaque era esse o caso? Houve seções aprovadas por escultoras que falharam. Duas, para ser exata. Mesmo a menor falha era suficiente para desequilibrar a energia, degradar o sistema e torná-lo vulnerável a falhas sob altas cargas.
Não pela primeira vez, ela se sentiu grata pelo ritmo com que Solant permitiu que trabalhassem na fortaleza. Se tivessem avançado tão rápido quanto ela imaginara… sem dúvida, a fortaleza inteira estaria perdida agora.
“Mostre-me o mapa”, ela exigiu, e um dos membros de sua equipe rapidamente atendeu, colocando uma placa de pedra fina e endurecida no chão à sua frente.
Na pedra, a rede de canais para esta área da fortaleza estava marcada, com todas as falhas, pontos de tensão e seções verificadas claramente indicadas. O novo canal rompido era uma marca fresca na página e um novo espinho em sua carapaça. Felizmente, as artesãs sentiram sua chegada e cortaram quase todo o fluxo antes que finalmente se rompesse, caso contrário, o dano teria sido catastrófico. Nenhuma seção da fortaleza havia sido isolada do resto neste estágio, mas estava chegando perto. Mover-se de um lugar para o outro já estava se tornando difícil. Mais rupturas só complicariam ainda mais o mapa e cortariam mais túneis. Eles seriam limpos eventualmente, mas isso levava tempo, e a fortaleza ainda estava sob cerco. Quaisquer falhas internas tornavam a defesa das plataformas muito mais difícil.
“Aqui”, disse ela, chamando a atenção de sua equipe. “Estas quatro seções foram verificadas. Vamos estrangular os canais aqui, aqui e aqui, e permitir que a maior parte se mova por esses quatro canais. A carga mais leve deve manter as outras operacionais enquanto consertamos este segmento.”
“Émuitaenergia para se concentrar em tão poucos canais, sênior”, disse um dos membros da equipe. “Por quanto tempo eles conseguirão tolerar tanta mana?”
“Não demorará muito”, afirmou ela. “O que significa que precisamos consertar o problemarapidamente. Se tudo correr bem, podemos resolver todos os problemas deste mapa em poucas horas.”
As formigas assentiram, determinadas a terminar o trabalho, antes de se dispersarem. Após construir a fortaleza, as equipes de trabalho em serviço eram as melhores entre as melhores, sabiam o que estavam fazendo. Contanto que todos estivessem na mesma página, não havia problema que não pudessem resolver com eficácia.
“Parece que as coisas estão tão desafiadoras aqui quanto eu ouvi dizer”, disse Solant.
Cobalt se virou e viu sua irmã mais nova rastejando pelo túnel, acompanhada de uma fração de sua comitiva habitual.
“O que você está fazendo aqui? Não é uma emergência?”, ela disparou.
Solant apenas assentiu.
“É sim. No entanto, há limitações para o que posso falar por meio de mensageiros. Isso vale tanto para você que me envia uma mensagem quanto para mim, que a respondo. É importante que nos encontremos pessoalmente de vez em quando.”
“Acha que tenho tempo para conversar? Estamos ocupadas!”
“É por isso que vim até você”, disse Solant, sensatamente. “Cuide de suas tarefas enquanto conversamos, não vou tomar muito do seu tempo.”
Tentar convencer Solant a não conseguir o que queria era um exercício inútil. Cobalt sabia muito bem disso, então ela simplesmente limpou suas antenas, virou-se e marchou pelo corredor, com a formiga menor seguindo em seu encalço.
“A taxa de falhas é maior do que você esperava. É justo dizer isso?”, perguntou Solant.
“É sim”, retrucou Cobalt, rangendo as mandíbulas. Esses erros eram das artesãs, dela e de Tungstant, elas eram as responsáveis por fazerem tudo certo da primeira vez.
“Pessoalmente, eu esperava mais. Você e suas equipes estão de parabéns”, disse Solant, com toda a seriedade.
Se estivesse falando com um humano, Cobalt poderia ter achado o comentário sarcástico, mas vindo de uma formiga, era completamente sincero.
“Se as coisas continuarem a piorar nesse ritmo, a fortaleza vai cair, mas você já sabe disso, não é?”
“Acredito que você esteja errada”, respondeu Solant. “Se a taxa de falhas fosse aumentada em um terço, seria algo próximo. Do jeito que está, ainda podemos nos antecipar aos danos antes que seja tarde demais.”
“Tarde demais para quê?”
“A cascata. Um fracasso levando a outro, que leva a outro, que leva a outro.”
“Se houver a menor chance de isso acontecer”, disse Cobalt, mexendo as mandíbulas e as patas dianteiras enquanto começava a separar os componentes, organizando-os para os reparos futuros, “então não deveríamos desligar a entrada?”
“Não podemos”, Solant balançou a cabeça. “Aconteça o que acontecer, nunca poderemos fechar as entradas. Não se quisermos ter sucesso.”
“Não foi isso que você me disse antes”, disse Cobalt, confusa. “Você disse que poderíamos, como último recurso.”
“A situação mudou.”
“Mudoucomo?”
“Para pior”, disse Solant simplesmente. “Se não convertermos cada gota de energia que conseguirmos, não será suficiente. Fracassaremos e seremos forçados a voltar para o quarto estrato, se sobrevivermos.”
“O sistema mal está se mantendo, Solant. Se a pressão continuar a subir…”
Solant assentiu, capaz de preencher as lacunas sozinha.
“Certifique-se de que você e suas equipes descansem quando puderem, Cobalt”, disse a pequena general. “Acredito que vocês estarão ocupadas de agora em diante.”
A artesã não precisou pensar muito para entender o que ela queria dizer. Elas não podiam fechar as entradas de ar, a quantidade de mana fluindo para o sistema só aumentaria com o tempo. Se as saídas de ar não fechassem, e quem poderia dizer quando e se fechariam, elas estariam caçando erros na rede de canais a partir de agora até que a onda passasse. Contanto que conseguissem se manter à frente da curva, poderiam evitar uma cascata catastrófica. Se não, estariam todas mortas.
“Vou começar a trabalhar”, ela disse.
…