O Mago Supremo

Volume 27 - Capítulo 2933

O Mago Supremo

Tradução Automática | Revisado por KW 37


Acala poderia ter suspeitado que fosse uma armadilha, se o bilhete não contivesse detalhes sobre ele que apenas Amanhecer poderia saber.

Além disso, sua presença foi solicitada, não exigida, e o mensageiro misterioso dissera que ele não tinha obrigação alguma de comparecer e que, caso Acala decidisse dar o bolo, eles entenderiam.

O antigo Patrulheiro tinha quase certeza de que era mesmo Amanhecer, o que lhe causava uma mistura de medo e antecipação. Antecipação porque ele estava ansioso para encerrar aquele capítulo de sua vida de uma vez por todas e seguir em frente.

Medo porque temia que toda a sua autorreflexão e determinação desmoronassem no momento em que a visse. O relacionamento deles havia começado mal, se desenvolvido de forma estranha e terminado de maneira abrupta.

Isso, somado às atrocidades que haviam cometido juntos, deixou Acala em um estado mental deplorável. Ele olhou ao redor da ampla sala única que compunha a taverna, seus olhos se detendo mais uma vez no balcão do bar.

Diversas torneiras em forma de Dragão decoravam a parede leste e, ao puxar uma pequena alavanca, pareciam cuspir cerveja em vez de Chamas de Origem. Depois de nomear o estabelecimento, o dono havia ido até o fim com a temática.

Uma lei não escrita do Império determinava que todas as representações de Dragões precisavam mostrar apenas uma única escama ou o corpo inteiro. Pendurar a cabeça ou a garra de um Dragão numa parede, mesmo que fosse falsa, era o mesmo que sair por aí pedindo para apanhar feio.

Por isso, as torneiras eram apenas a parte final do dispositivo em forma de Dragão que trazia a cerveja dos barris escondidos atrás do balcão. Acala achava aquilo além de cafona, mas mais de um cliente novo já havia ficado boquiaberto com o efeito visual engenhoso.

O fluxo de cerveja era intenso e exigia habilidade do barman para encher uma caneca sem transformar o chão num desastre.

Um rangido repentino anunciou a abertura da porta da frente, fazendo Acala e os clientes entediados se virarem para observar a recém-chegada. Era uma mulher na casa dos vinte e poucos anos, com a pele pálida típica do povo do Império.

Ela tinha cabelos loiros, olhos azuis e traços tão comuns que não mereciam um segundo olhar. Usava um manto pesado com um grande capuz, que retirou apenas pelo tempo necessário para que todos pudessem observá-la bem e se certificar de que ela não era uma criminosa procurada.

Apenas o estrangeiro barbudo e malcuidado parecia hipnotizado por sua aparência. No momento em que ela perguntou educadamente se o lugar à frente dele estava livre e se sentou à sua mesa, todos lhe desejaram boa sorte em silêncio e voltaram aos seus afazeres.

“Como você me encontrou?” Mesmo com um hospedeiro diferente, mesmo com a mulher morta-viva usando Escultura Corporal para parecer uma gorgona comum, Acala conseguiria reconhecer Amanhecer em qualquer lugar.

“Eu vasculhei suas memórias em busca de uma pista sobre onde você poderia estar e deixei mensagens nos seus lugares favoritos no Deserto, no Império e no Reino. Mas os alarmes que configurei nunca foram ativados, então presumi que você não tivesse encontrado nenhuma.”

“Não encontrei.” A mulher-Amanhecer corou de constrangimento, trazendo um tom rosado delicado à sua palidez. “Tenho evitado todos os lugares onde estivemos juntos. Memórias demais.

“Quanto à sua pergunta, eu trapaceei. Você ainda usa meu equipamento, lembra? Entre seus encantamentos, há um feitiço de rastreamento que me permite saber sua posição o tempo todo.” Ela fez uma breve pausa antes de acrescentar: “E sua saúde.”

“Que apropriado.” Ele suspirou, fazendo um gesto para o garçom anotar o pedido da convidada. “Você nos separou sem meu consentimento e me largou no Império antes que eu pudesse me recuperar do choque da separação.

“Agora, depois de meses em que tentei e falhei em entrar em contato com você, é você quem define a data e o local da nossa reunião. Parece que nosso relacionamento continua andando no seu ritmo e com total desconsideração pelo que eu quero.”

Amanhecer se encolheu como se tivesse levado um tapa, sabendo que Acala estava certo. Por um lado, ela ouvia a amargura em sua voz e a raiva mal contida por trás dela.

Por outro, o fato de ele convidá-la a pedir comida em vez de gritar na cara dela e sair furioso do Dragão do Barril era um bom sinal.

‘Se ele quisesse se livrar de mim o mais rápido possível, não se daria ao trabalho de fazer uma refeição juntos.’ Ela pensou, enquanto Zepho fazia o próprio pedido primeiro, já que só havia bebido enquanto esperava.

Acala pediu joelho de porco com batatas assadas, enquanto Amanhecer pediu ensopado de carneiro, anéis de cebola e um bife.

“Pedimos a sobremesa depois.” Ela disse com um sorriso que deixou ambos os homens chocados.

O garçom porque não conseguia entender como uma mulher tão magra poderia comer tudo aquilo, e Acala porque sabia que mortos-vivos eram incapazes de comer comida. Pelas memórias de Amanhecer, sempre que precisava se misturar, ela fazia o hospedeiro pedir uma sopa e guardava cada colherada em sua dimensão de bolso, em vez de engolir.

Caso contrário, logo teria de encontrar um lugar seguro para vomitar tudo sem chamar atenção.

“Desculpa.” Ela disse assim que o garçom saiu do alcance da audição. “Eu sei que fui cruel, mas tente entender. Eu sabia que você tinha se tornado dependente demais de mim para aceitar a separação.

“Eu te deixei no Império, isso é verdade, mas num lugar seguro e apenas porque queria te dar espaço. Tanto emocional quanto físico. Se eu tivesse ficado lá, você teria ou implorado para nos ligarmos de novo ou me xingado de tudo quanto é nome, dizendo muitas coisas horríveis, mas verdadeiras, que teriam tornado este momento ainda mais constrangedor.

“Também sinto muito por ter te evitado por tanto tempo. Eu só queria ter certeza de te dar o tempo necessário para se decidir. Eu queria te visitar todos os dias, mas sabia que, se você me mandasse embora pedindo mais tempo, isso partiria meu coração.

“Não estou tentando justificar minhas ações. O que eu fiz é inexplicável, mas ainda preciso explicar meus motivos. Pelo que valer, peço desculpas pela dor que te causei. Toda ela.

“Desde o momento em que nos ligamos até agora.”

“Um pedido de desculpas em pacote.” Acala estalou a língua, a voz mais fria do que o inverno no Império. “Que conveniente.”

Amanhecer soluçou baixinho, enfiando o rosto fundo sob o capuz para que ele não visse seus olhos marejarem e pensasse que ela estava tentando manipular suas emoções.

‘É justo. Ele tem todo o direito de estar com raiva de mim. Ele precisa estar. Isso significa que eu ainda importo para ele. Se Zepho fosse indiferente, significaria que acabou de vez entre nós.’ Ela pensou.

“Desculpas aceitas.” Ele disse depois que o silêncio entre eles se prolongou até o garçom trazer os pratos e ir embora. “Mas não porque eu te perdoei. Apenas porque você está certa.”

“Como é?” Amanhecer ergueu a cabeça depois de enxugar as lágrimas com magia da água.

A voz de Acala já não estava fria, carregando uma emoção que ela não conseguiu definir.

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