
Volume 22 - Capítulo 2419
O Mago Supremo
Tradução Automática | Revisado por KW 37
“Isso soa como um insulto pra mim.” murmurou Lith entre os dentes.
“É fácil pra você me dizer pra ter paciência, Rena.” respondeu Tista. “Os Despertos se curam sozinhos em poucas horas, mesmo de ferimentos graves. Poxa, até um falso mago a essa altura já teria regenerado uma perna inteira com um feitiço. Como é que algumas penas demoram tanto assim?”
“Eu não sei.” Rena balançou a cabeça. “Mas também sei que se preocupar tanto assim não vai te fazer bem.”
“Não são só as penas.” Tista recolheu as asas nas costas, incapaz de continuar olhando para elas. “Sinto como se algo precioso tivesse sido arrancado de mim. Como se eu tivesse perdido um pedaço da minha alma, e a dor fantasma está me enlouquecendo.
“Como você tratou seus ferimentos nas asas, maninho?”
“Eu nunca sofri ferimentos nas minhas asas com penas.” respondeu Lith. “Na forma de filhote de Dragão, eu só tinha asas membranosas. As penas apareceram quando alcancei o núcleo violeta profundo, mas naquela época eu já tinha vinte metros de altura e pesava toneladas.
“Arrancar até mesmo uma pena minha exigia habilidade e força maiores que as de um monstro. O que posso te dizer é que, quando fiquei completamente careca na academia, levou uma noite inteira de descanso para o cabelo crescer de novo, mesmo depois de ter sido queimado até a raiz.
“Talvez seja o mesmo com você.”
“Talvez.” suspirou Tista. “Ou talvez o seu sangue dracônico tenha ajudado a esconder suas penas até você ser forte o bastante pra protegê-las.”
O jantar foi alegre, já que as crianças estavam felizes por terem as tias de volta e queriam ouvir tudo sobre as viagens delas. Tista fez o melhor que pôde para sorrir e não se preocupar com as asas, mas suas mãos, involuntariamente, se moviam até as costas de tempos em tempos.
Quando, na manhã seguinte, sua condição não mostrava nenhum sinal de melhora, o desespero começou a tomar conta.
“Já esperei tempo demais! Façam o que quiserem, eu vou ligar pra Vovó.” Todos os membros da família Verhen tinham Salaark na discagem rápida, e a Guardiã atendeu imediatamente.
Mesmo através do holograma, Salaark podia sentir a angústia e o desespero de Tista graças à habilidade de linhagem da sua marca de sangue.
Assim que a Dama Vermelha terminou de contar tudo, a Guardiã já havia cruzado o Portão dimensional do palácio até a mansão.
“Você fez bem em me chamar, Pequena Plumada.” disse Salaark. “Você não é como seu irmão. O meu sangue corre mais forte nas suas veias, e para uma Fênix, as plumas das asas não são apenas enfeites.
“Elas são o nosso elo com o céu e o meio pelo qual até mesmo nossos filhotes recém-nascidos conseguem conjurar as Chamas Primordiais. Sem elas, ficamos aleijadas.”
“Tá me dizendo que minha condição é permanente?” Tista empalideceu, chocada.
“Não diga bobagens! É claro que tem cura. Fazer crescer novas penas é algo que toda Fênix ensina aos filhotes antes de deixá-los voar pela primeira vez. Eu não te ensinei porque achei que você nunca fosse precisar.
“Parece que me enganei.” Salaark deu de ombros. “Acontece até com Guardiãs.”
“E o que teria acontecido se fosse comigo, em vez da Tista, e um ou mais dos meus Selos do Vácuo fossem danificados?” perguntou Lith.
“Um segundo.” Salaark usou sua técnica de respiração, o Sol Materno, para escanear as penas de Lith de cima a baixo. “Você estaria na mesma condição da Tista, e a alma armazenada nelas teria se perdido.”
“Meus Demônios não poderiam simplesmente escolher outra?” Lith sentiu a garganta apertar.
“Podemos, por favor, consertar meus ferimentos de verdade antes de nos preocupar com os hipotéticos do Lith?” Tista sentiu a paciência se esgotar.
Saber que podia se curar só fazia sua vontade de se sentir inteira de novo aumentar.
“Desculpe, Pequena Plumada, você tem razão.” Salaark afagou sua cabeça. “É incrivelmente simples. Transforme-se na sua forma de Demônia Vermelha.”
Tista obedeceu, assumindo sua forma híbrida. A transformação lhe causou tanta dor que ela quase chorou. Como Demônia Vermelha, ela sentia o fluxo do próprio mana ser interrompido sempre que alcançava as partes calvas das asas.
Tudo parecia errado. Suas escamas estavam mais opacas do que o normal e até mesmo o batimento do coração parecia fora de ritmo. Era como se aquele corpo não fosse mais seu, como se estivesse habitando o corpo de uma estranha.
“Agora, respire fundo como se fosse conjurar suas Chamas Primordiais mas, em vez de soltá-las pela boca como um Dragão, mova-as até as asas, como uma Fênix.” explicou Salaark.
Tista seguiu as instruções, mas, além das penas restantes se incendiarem e as áreas calvas arderem como feridas abertas, nada aconteceu.
“Você está quase lá. O passo final é ouvir o batimento do seu coração e deixar o fogo interior dançar no ritmo dele. O fogo de um Dragão nasce dos pulmões, enquanto o coração é onde seu mana se acumula.
“Para uma Fênix, por outro lado, o fogo nasce do coração que representa nossos sentimentos e paixões. Suas penas são uma extensão do seu eu mais íntimo, e pra fazê-las crescer de novo, você só precisa restaurar essa conexão.”
Tista fechou os olhos e se concentrou na respiração, excluindo todos os outros sons até que tudo o que ouvia era o ar entrando e saindo do nariz e o ritmo constante do próprio coração.
‘E agora?’ pensou após alguns segundos. ‘Nada aconteceu, e minha cabeça tá cheia de preocupações e pensamentos aleatórios. O que estou fazendo de errado? A Vovó disse que isso era pra ser fácil!’
Tista inspirou fundo para tentar se acalmar… e então mudou de ideia.
‘Deuses, como sou idiota. Isso é algo que as Fênix aprendem quando ainda são bebês, e o que um bebê faria no meu lugar depois de se machucar? Faria um escândalo! Eu não preciso me acalmar. Eu não sou uma droga de Dragão, sou uma Fênix e eu preciso me enfurecer!’
Tista deixou sua dor e preocupação fluírem junto com as chamas, enquanto seu coração acelerava. Ela abraçou a fúria das asas feridas e o ódio pelos trolls que haviam violado seu corpo com aquelas mãos cheias de presas.
Ela gritou de frustração, revivendo aqueles momentos dolorosos em sua mente e desejando poder voltar no tempo para dar aos inimigos a morte cruel que mereciam. Quando parou de lutar contra as próprias emoções, as Chamas Primordiais se moveram das asas para o resto do corpo.
A Demônia Vermelha agora era uma pira viva mas nenhuma faísca queimava o chão, nem ela emanava calor algum. Lith e o resto da família estavam a poucos passos de distância, respirando normalmente, o ar ainda fresco.
O fogo que Tista produzia não era uma arma, mas a manifestação física de seu verdadeiro eu. Ele dançava ao ritmo do seu coração, acelerando quando a raiva ou a tristeza a sacudiam e diminuindo apenas quando ela precisava recuperar o fôlego.
Tista percebeu que ainda não havia sinal das penas perdidas mas agora isso não importava mais. Ela podia sentir o vazio nas áreas calvas através do fluxo das chamas, e tudo o que precisava fazer era preenchê-lo.
A Demônia Vermelha inspirou fundo mais uma vez, enviando uma torrente de Chamas Primordiais através da própria corrente sanguínea, diretamente para as áreas feridas das asas.