
Volume 22 - Capítulo 2413
O Mago Supremo
Tradução Automática | Revisado por KW 37
Mesmo depois que a Invigoração restaurou as forças perdidas de Tista, ela não teve efeito algum nas áreas agora saudáveis, mas sem penas.
“E se eu estiver aleijada? E se demorar dias ou meses pra eu me curar?” Tista acariciou as asas, descobrindo-as tão sensíveis e inchadas que não suportavam nem o próprio toque.
“Não se preocupe. No pior dos casos, podemos pedir ajuda pra vovó. Aposto que você não é a primeira Fênix que se machuca.” respondeu Solus.
Tista assentiu e recolheu as asas para dentro das costas, estremecendo de dor. Feridas sangrentas se abriram em ambos os lados da coluna, e não havia como curá-las.
“Abre o portão! Precisamos de comida e descanso!” Solus gritou o mais alto que pôde para ser ouvida pelos guardas sobre as muralhas.
‘Quando o Lith perdeu o cabelo, ele ficou em uma condição parecida, mas dormir acelerou o crescimento. Espero que o mesmo sirva pra Tista e as penas dela.’ pensou, enquanto os soldados e o curandeiro-chefe murmuravam entre si.
Levou alguns minutos até que tomassem uma decisão e abrissem os portões da cidade.
“Bem-vindas de volta a Ne’sra. Ficamos felizes em ver que voltaram inteiras. Capitão Neforce, ao seu dispor.” Ele fez a saudação, mas ignorou as mãos que lhe foram estendidas.
“Não se preocupem com sua amiga ferida. Tomei a liberdade de contatar a Academia do Grifo Branco e preparar um Portal de Dobra que as levará até lá. Por favor, me acompanhem.”
O Capitão Neforce foi educado, mas não conseguiu esconder o tom ríspido na voz. Ele havia providenciado uma guarda de honra composta por soldados nas ruas e magos voando no céu, para escoltá-las até o destino.
Ainda assim, pelos rostos tensos e olhares aterrorizados dos cidadãos à sua volta, Solus se sentiu como uma criminosa perigosa que acabara de ser presa.
“Agradeço sua consideração, mas isso é desnecessário. Podemos nos mover por conta própria, e qualquer hospedaria decente já serve.” Na verdade, Solus precisava partir logo por causa das reservas de energia em baixa, mas queria ter certeza de que a paranoia que desenvolvera após anos na mente de Lith não estava lhe pregando peças.
O Capitão assentiu, mas não parou de caminhar.
“Fico feliz que estejam bem, mas preciso pedir que deixem Ne’sra o quanto antes pelo bem de vocês e pelo nosso também.” respondeu.
“Você tá nos expulsando?” Nyka arregalou os olhos, surpresa. “Pelos Deuses, por quê? Essas duas são heroínas de guerra, e nós três acabamos de arriscar a vida pra defender sua cidade!”
“Não estou expulsando. Ainda não.” suspirou ele, enquanto os soldados apertavam o punho nas armas. “É só que, como lhes foi dito antes, Ne’sra está com pouca gente no momento.
“Somos gratos por terem nos salvado daqueles monstros, mas se ficarem aqui, o tumulto que vai surgir pode causar tanto dano quanto a batalha.”
“Por que as pessoas fariam tumulto por nossa causa?” perguntou Solus.
“Porque a destruição que vocês veem ao redor as rachaduras nos muros que colocaram nossas vidas em perigo é obra de Bestas. E sua amiga é uma delas.” Ele gesticulou para os prédios desabados, as ruas rachadas e os muitos canteiros de reconstrução.
“Isso foi obra das bestas da Thrud!” rebateu Tista. “E além disso, eu ainda sou tão humana quanto vo…”
Uma tosse violenta sacudiu seu corpo, obrigando-a a parar de andar e se curvar de dor. Tista lançou seus melhores feitiços de cura e até Invigoração, mas a dor só piorava a cada segundo.
Quando começou a tossir sangue, Solus usou sua técnica de respiração, Bênção dos Céus, para entender o que estava acontecendo.
“Pelos deuses, Tista, muda de forma! Rápido!”
A jovem obedeceu, revelando um rosto coberto de escamas e uma fileira de presas afiadas na boca. Assim que abriu as asas, os magos apontaram, prontos para atacar ao menor sinal de agressão.
Mas o que aconteceu foi que o corpo da Demônia Rubra se contorceu, e sua boca se dilatou enquanto ela vomitava as próprias entranhas. Ossos inteiros e quebrados saíram pela garganta junto de pedaços de crânio e até um olho intacto.
Tista continuou vomitando até que seu estômago se esvaziasse de cada pedaço do Warg que ela devorara. A dor anterior vinha dos ossos longos e lascas afiadas que rasgavam seu estômago por dentro.
Os espectadores prenderam o fôlego, horrorizados muitos empalideceram e vomitaram tanto quanto a Demônia Rubra.
Já Tista, ao curar os novos ferimentos, sentiu as forças se esvaírem ainda mais. Estremeceu em choque, sentindo-se exatamente como o monstro que todos acreditavam que era.
‘Santos Deuses… o que foi que eu fiz?’ permaneceu de quatro, com os olhos fixos nos restos do Warg. ‘Naquela hora eu tava tão furiosa que agi por instinto. Se não fosse meu corpo aprimorado e resistente, eu teria morrido no momento em que voltasse ao tamanho humano.’
Ela podia ver mentalmente o próprio cadáver deitado numa poça de sangue, ao lado do crânio do Warg.
‘É isso que me espera se minhas forças vitais se fundirem, como aconteceu com Lith? Vou perder minha humanidade e não vou ter escrúpulos em devorar meus inimigos vivos, como um animal?’
“Não, Lady Verhen, você não é humana.” O Capitão Neforce balançou a cabeça, e suas palavras reforçaram as dúvidas e a vergonha dela. “Humanos não têm escamas, nem asas, nem devoram monstros inteiros. Além disso, há a questão do Cavaleiro Dourado.”
Ele se virou para Solus e fez uma reverência educada em sinal de desculpa.
“Metade da cidade odeia as Bestas pelas pessoas que mataram e pelos danos que causaram; a outra metade não suporta o Supremo Mago Verhen e o Cavaleiro Dourado.
“A região de Deirus faz fronteira com os territórios da Thrud. Muitos de nós tínhamos parentes e amigos lá que morreram por sua causa, Lady Verhen.”
“Resumindo, toda Ne’sra nos odeia.” concluiu Solus, com um aceno de compreensão. “Curioso como nada disso veio à tona quando estávamos trabalhando nos hospitais, curando exatamente essas mesmas pessoas que agora querem se livrar de nós.”
“Isso porque vocês deixaram claro que queriam manter um perfil discreto, e sua amiga aqui foi sábia o bastante pra manter a aparência humana. Mas agora todos sabem a verdade sobre ela e a horda de monstros que vocês trouxeram causou várias baixas.”
“Nós não fizemos nada disso!” protestou Nyka, furiosa. “Os monstros vieram por conta própria, e nós arriscamos a vida pra defender vocês!”
“Talvez. Ou talvez só tenham consertado um problema que criaram. Eu estava nas muralhas quando você conversava com aquele Balor, Lady Verhen. Vocês pareciam se conhecer. Como podemos ter certeza de que eles não vieram até Ne’sra por sua causa?”
Solus abriu a boca para responder, mas nenhuma palavra saiu. Ela queria dizer que o objetivo dos monstros era o gêiser de mana e que, se o alcançassem, teriam se tornado muito mais perigosos.
Mas revelar isso só exporia os crimes de um membro do Conselho e causaria histeria em massa.