O Mago Supremo

Volume 10 - Capítulo 1187

O Mago Supremo

“Vastor teve que me dar acesso aos diários de Arthan para evitar que eu perdesse tempo tentando reinventar a roda.” disse Quylla.

“Uma coisa não bate.” disse Morok. “Nalrond viu um Rezar, mas não temos como saber se a sombra era uma Besta Imperador ou um de seus ancestrais.”

“De qualquer forma, se um Rezar sabia como fundir as duas forças vitais de um híbrido, por que ele não compartilhou tal conhecimento?”

“Teremos que esperar Nalrond acordar para responder a isso.” Friya disse. “Enquanto isso, é melhor ligarmos para Lith. Nenhum de nós sabe nada sobre Despertos ou ligações mentais.”

“Talvez a mulher com o cabelo de Faluel fosse o equivalente Desperto de Arthan e talvez ele possa nos explicar como lutar contra as sombras no mesmo nível.” Ela tirou seu amuleto de comunicação de seu item dimensional, percebendo que todas as runas estavam acesas.

Fora do conhecimento deles, a Margem era como um gêiser de mana gigante, permitindo-lhes alcançar os outros no continente Jiera mesmo enquanto fora da torre de Solus.

Friya desativou os hologramas antes de ligar para Phloria. Ela não queria que Morok visse sua irmã de camisola e nem queria arriscar expor a existência de Solus antes de ter certeza de que o Tirano era totalmente confiável.

“Espero que isso seja importante. Você faz alguma ideia de que horas são aqui?” Phloria já estava dormindo fazia algumas horas, mas ainda se sentia um lixo.

“Não, não faço. Porém, eu não ligaria para você se isso não fosse tão importante. Estamos com o tempo contado aqui. A Margem tá bem longe de ser desabitada e estamos a isso aqui de sermos queimados vivos.” Friya respondeu, explicando a Phloria sobre os Dewans e sobre a tentativa fracassada de se comunicar com Mogar.

“Acalme-se. Ainda estou meio sonolenta, então não estou entendendo nem metade do que você tá falando. Além disso, não posso pedir ajuda a Lith. Nalrond teve o corpo machucado, mas Lith está pior. A força vital dele está comprometida e ele precisa descansar. Posso perguntar a S-“

“Morok disse oi para você.” Friya a interrompeu.

“Oi, irmã moleca da Quylla.” Morok não fazia ideia de por que as formalidades importavam naquele momento, mas não ligava o suficiente para pedir uma explicação.

“Sério que você ainda não consegue lembrar o meu nome?” disse Phloria. “Deixa pra lá, eu vou chamar os outros.”

Ela foi primeiro a Tista, mas os efeitos do revigoramento ainda não haviam reiniciado e ela estava tão cansada que nenhuma batida em sua porta poderia acordá-la. Phloria então foi para o quarto de Solus, encontrando-o aberto e vazio.

‘Eu deveria saber que ela não sairia do lado de Lith, não importa o quão cansada ela esteja. Aposto que Solus está cuidando dele desde que fomos dormir.’ Phloria pensou.

Quando ela abriu a porta e encontrou o Fogo Fátuo descansando no peito do Wyrmling como um cachorrinho, a cena a comoveu.

‘É realmente difícil adivinhar o quão profundo é o vínculo deles. Mas se eu estivesse no lugar de Kamila e visse isso, ficaria louca de ciúmes.’ Phloria sacudiu Solus gentilmente, tentando não acordar Lith também.

O Fogo Fátuo balançou quando ela recuperou a consciência, ficando vermelho como uma beterraba quando Solus percebeu que havia sido pega em flagrante. Por razões óbvias, ela não dormia com Lith desde que recuperou o corpo humanoide.

“Sinto muito por acordá-la, mas Friya pode ter encontrado algo sobre sua mãe e achei que você precisava ouvir primeiro.” Phloria sussurrou enquanto lançava uma Zona Silenciosa ao redor de Lith.

Ela pensou ter reconhecido Menadion pela descrição, mas não tinha certeza. Apenas Solus e Nalrond realmente viram a Primeira Governante das Chamas, os outros apenas ouviram falar dela.

Com essas palavras, qualquer resquício de sono em Solus desapareceu. Entre o gêiser de mana sob Reghia e estar tão perto de Lith, ela tinha recuperado a maior parte de sua força.

“Você consegue aguentar uma ligação mental?” perguntou Phloria.

“Eu posso, mas você ainda está muito fraca. Precisamos usar as palavras.” Solus podia ver com seus sentidos místicos que apenas a pura força de vontade permitia que Phloria resistisse.

“Eu vou deixar você falar com Friya, então. Ah, tome cuidado com o que você fala. Os outros foram para uma Margem e Morok está lá com eles.” disse Phloria.

‘Por que eles não esperaram por nós? Eu poderia ter aprendido muito com uma Margem, talvez até tivesse outra conversa com Mogar.’ Solus pensou. ‘A menos que Faluel os tenha enviado para lá como parte de sua prova de sabedoria, vou dizer a Nalrond umas poucas e boas quando o vir novamente.’

“Oi, terceira namorada misteriosa de Lith. Prazer em te ouvir de novo.” Morok disse assim que reconheceu a voz dela.

“Friya, você pode me explicar o que está acontecendo?” Não tendo paciência para aturar as bobagens do Tirano, Solus o ignorou.

Depois de ouvir tudo o que aconteceu desde que eles entraram na Margem, Solus tentou responder às suas perguntas com o melhor de suas habilidades.

“Quylla está certa. O homem era definitivamente Arthan. Pela sua descrição, ele usava as roupas e correntes do dia de sua execução. Quanto à mulher, ela era a Magus Ripha Menadion, empunhando seu lendário martelo, a Fúria.” Solus lembrou-se do livro de Orion.

O artefato tinha uma forma peculiar demais para ser esquecido.

“Ela disse alguma coisa?” Com base nas roupas esfarrapadas de Menadion e em seu frenesi de batalha, Solus percebeu que, assim como Arthan, a sombra provavelmente era a representação dos momentos finais da vida de Menadion.

Qualquer pista, por mais insignificante que fosse, poderia ajudar Solus a descobrir o mistério por trás de sua condição e do desaparecimento de Menadion.

“Não, ela não falou nada. Você tem alguma idéia de por que as sombras podiam usar magia e equipamentos enquanto Nalrond só tinha seu corpo humano?” Friya disse.

“Eu nunca lutei com Lith durante nossas ligações mentais, mas sei como o Reino Mental funciona.”  Solus respondeu. “Tudo o que acontece lá depende de sua percepção de si mesmo.”

“A forma que você assume no Reino Mental não está tão relacionada à sua aparência física, é mais como a forma que você se imagina. É semelhante a como uma Besta Imperador escolhe sua forma humana.”

Mesmo durante a fusão mental, Solus não era capaz de se ver como humana porque não tinha ideia de como era antes de se tornar um híbrido. Por outro lado, Lith poderia assumir a aparência de Derek McCoy, do Wyrmling, ou de seu corpo real.

“Deixe-me ver se entendi. Você acha que a razão pela qual Nalrond não pode mudar de forma nem usar magia é que ele se vê como um homem normal, correto?” Friya perguntou.

“Sim. Se ele considera tais habilidades como algo que pertence à sua metade besta, então ele não pode confiar nelas durante uma ligação mental. Além disso, o que o outro Rezar usou não era magia.”

“Era uma manifestação de sua força de vontade, assim como a força de Arthan ou o martelo de Menadion. Arthan se imaginou como um deus enquanto Menadion viveu e morreu empunhando sua ferramenta de Forja.” Solus respondeu.

‘Bons deuses, não é de admirar que Lith tenha conseguido chegar tão longe na academia e no exército. Estamos todos cansados, mas Solus conseguiu juntar as peças do quebra-cabeça como se não fosse nada.’ Friya pensou.

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