O Mago Supremo

Volume 10 - Capítulo 1186

O Mago Supremo

“Isso é novidade.” Mogar disse enquanto observava sua presa retornando ao seu estado original.

O rejuvenescido Nalrond usou os últimos resquícios de força de vontade que ainda possuía para cortar a conexão mental com o planeta e retornar ao seu corpo antes que a criatura voltasse a atacar.

Seus olhos se abriram assim que sua boca, ao tentar falar, tossiu o sangue que havia se acumulado em seus pulmões.

“Não fale, use a fusão de luz se puder. Nós precisamos do máximo de ajuda possível.” Quylla disse enquanto usava um feitiço de cura de nível 4 nele.

Nalrond havia perdido quase metade de seu corpo, mas com a ajuda de três curandeiros focados nele e sem sofrer mais danos do reino mental de Mogar, ele conseguiu sobreviver tempo suficiente para a fusão de luz fazer a diferença.

Ela espalhou uniformemente entre as feridas os feitiços que seus companheiros usaram, focando-os onde eram mais necessários, e acelerando seu metabolismo para permitir que as áreas danificadas recebessem um fluxo constante dos nutrientes das poções.

Manter Nalrond vivo até que seu corpo fosse capaz de funcionar novamente sem ajuda externa apesar da falência múltipla de órgãos custou vários minutos e toda a mana dos três curandeiros.

“Tem algo errado, mas não sei dizer o que.” Nalrond falou entre arfadas. Ele não havia movido um dedo, mas mesmo assim estava quase desmaiando devido a exaustão.

“Sem conversa. Você precisa descansar.” Friya disse enquanto o checava com um feitiço de diagnóstico. Entre as feridas e o abuso de mana da cura, o corpo de Nalrond estava à beira do colapso.

Ele acenou, dormindo assim que seu foco se dispersou.

Enquanto Quylla usava novamente a Injeção, os outros desfizeram os círculos mágicos para ter certeza que os Dewan não conseguiriam encontrar o local secreto dos Rezar devido aos seus sentidos aguçados. Eles iriam precisar disso caso Nalrond quisesse se encontrar com Mogar de novo.

“Você pode nos ensinar a usar Injeção?” Friya perguntou. “Você é a melhor curandeira entre nós. Se um de nós tomar conta das poções, você poderá focar completamente na cura.”

“Eu queria poder. Faluel me proibiu. Sinto muito.” Quylla suspirou enquanto usava um feitiço de flutuação para levitar seu amigo e movê-lo sem nenhum solavanco.

Eles abriram uma Dobra para fora da caverna e de lá para o lugar que eles entraram na Margem antes de abrirem alguns Passos de Dobra para a vila Dewan. Nalrond poderia precisar de mais cura e eles não estavam em condições de ajudar.

Infelizmente para eles, no momento em que os Dewan viram o inconsciente Rezar coberto de sangue, seu preconceito contra os humanos falou mais alto.

“Eu sabia que não tinha como pessoas como vocês serem amigáveis com um de nós. O que vocês fizeram com ele?” O Ancião Bahm disse enquanto mudava de forma e chamava reforços.

“Nós não fizemos nada!” Friya xingou interiormente a magia falsa pela enésima vez enquanto os Dewan rapidamente os cercavam, segurando armas encantadas.

‘Lith seria capaz de explicar a eles o que aconteceu enquanto tecia seus feitiços no caso desses caras perderem a razão devido à sede de sangue de sua metade animal, enquanto eu não posso lançar um feitiço sem arriscar escalar as coisas.’ Ela pensou.

“Nalrond tentou se comunicar com Mogar e quase morreu por causa disso. Ele está vivo apenas porque nós o ajudamos.” Friya disse.

“Que necessidade Mogar tem de derramar sangue?” Yunma, uma das mulheres, falou. “Acho que vocês simplesmente o torturaram para conseguir o que querem, assim como fizeram para entrar na Margem. Isso é o que os humanos fazem. Forçam os outros a pagar o preço por seus sonhos.”

“Então por que o traríamos de volta pra cá em vez de sair da Margem?” falou Quylla.

“Simples. Porque vocês não tem como sair sem ele.” O ancião respondeu. “Matem todos eles e salvem nosso irmão!”

Os Dewans Piscaram nas costas das garotas para finalizá-las com um golpe, só para serem bloqueados por uma parede de luz dura o suficiente para parar o ataque e elástica o suficiente para mandar as armas de volta contra seus usuários, ferindo os Teriantropos.

“Vocês são burros ou o quê?” A voz de Nalrond era um sussurro, precisando de magia do ar para amplificá-la a um nível audível. “Se eles tivessem me forçado a fazer alguma coisa, eu teria contado a vocês no momento em que fiacamos a sós. Eles simplesmente salvaram minha vida.”

“Não temos como ter certeza de que eles não colocaram você sob um item escravo e eles ainda precisam provar sua inocência.” O ancião Bahn balançou a cabeça, apontando para o corpo espancado do Rezar.

“Sim, você pode.” Nalrond tirou todos os itens encantados que tinha e até a camisa. “Se alguma dessas coisas fosse um item escravo, eu não seria capaz de removê-los. Além disso, como alguém pode provar que não fez algo?”

“Acredite ou não, foi Mogar quem me feriu quando falhei no teste. Juro por meus ancestrais.”

Essas palavras surpreenderam os Dewans. Os Teriantropos o consideravam seu juramento mais sagrado. Recusar-se a acreditar em Nalrond significaria torná-lo seu inimigo mortal. Mesmo assim, seu ódio pelos humanos quase os cegaram para as evidências fornecidas pelo Rezar.

Quase.

“Você tem razão. Peço desculpas por nossa grosseria.” O Ancião Bahn fez uma profunda reverência a Nalrond, desconsiderando os outros.

Ninguém deixou esse detalhe passar e nem o fato de que os Dewans não haviam guardado suas armas. Apenas quando eles voltaram para dentro de casa e Friya ativou as matrizes de proteção, todos conseguiram relaxar.

“Já que toda aquela gritaria me acordou, posso muito bem contar o que aconteceu. Não vai demorar muito.” Nalrond disse enquanto lutava contra a exaustão que fazia suas pálpebras caírem.

Ele citou o que Mogar disse palavra por palavra, descrevendo a eles a aparência dos seus inimigos, bem como o fato de que ele havia falhado em usar qualquer forma de magia durante a batalha, enquanto as sombras usaram feitiços e equipamentos.

“Alguma pergunta?” Ele perguntou, voltando a dormir no momento em que recebeu um não como resposta.

Na verdade, eles tinham muitas, mas não queriam que ele ficasse acordado um segundo a mais do que o necessário.

“Não sei nada sobre Rezars ou uma mulher com um martelo, mas o homem que Nalrond descreveu me lembrou muito o Rei Louco.” Quylla disse.

“Faz sentido. A Loucura de Arthan provavelmente seria capaz de curar a força vital quebrada de Lith, mas a que preço?” Friya balançou a cabeça, considerando as implicações das visões de Nalrond.

“Se essa era a resposta, então por que Mogar não mostrou a ele Thrud? De acordo com o professor Vastor e Manohar, ela fez melhorias tremendas no trabalho de seu pai.” disse Quylla.

“Talvez porque ela esteja viva enquanto Mogar só pode acessar as memórias dod mortos.” Friya respondeu.

“Não pode ser tão simples. Mogar está com cada um de nós todos os dias. É obrigado a saber tudo sobre os vivos também. Acho que depende da pesquisa de Arthan sobre a força vital. Lembre-se de que ele foi o primeiro deus da cura.” disse Quylla.

“Como você sabe tanto sobre aquele maluco?” Morok perguntou.

“Apesar de todas as atrocidades que cometeu, Arthan lançou as bases da Escultura Corporal como a conhecemos. Durante meu tempo como Professora Assistente no Grifo Branco, o Professor Vastor me mostrou os registros sobre o Rei Louco.”

“O Reino os mantém em segredo, mas sem eles, fazer qualquer progresso com a Escultura Corporal seria impossível.” disse Quylla.

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