
Capítulo 861
Sobrevivendo no Jogo como um Bárbaro
Nove ondas no total. No final dessa longa, longa jornada, o colapso finalmente chegou ao fim.
Swaaa!
A luz natural parecia ainda mais brilhante em contraste com a escuridão do Labirinto. Com aquele toque caloroso, minhas forças se esvaíram sem que eu percebesse. Parte de mim queria apenas deitar no chão e aproveitar esse momento, mas… Seria melhor adiar isso por um pouco mais de tempo.
Você conhece aquele ditado, certo? Alegria compartilhada é alegria duplicada.
Para isso, ainda havia algo que eu precisava fazer.
Turb, turb.
Caminhei devagar pelo jardim da mansão do Marquês, onde o portal temporário do labirinto havia sido aberto.
— Aqui! Alguém me ajude! Temos uma pessoa ferida!
O cenário era tão desastroso que nenhuma palavra simples poderia descrevê-lo. Todos os sobreviventes tinham ferimentos, grandes ou pequenos, e os sacerdotes que aguardavam nosso retorno, surpresos com sua condição, correram para tratá-los. Felizmente, não havia falta de sacerdotes.
Não, será mesmo correto chamar isso de sorte?
Há apenas uma razão pela qual não faltou mão de obra, apesar do número de feridos ser maior do que em qualquer retorno anterior. Foi porque muitas pessoas morreram.
“Parece que Duzentas? Trezentas? Talvez quatrocentas…”
É claro que não estou falando do número de pessoas que morreram. O número de pessoas que entraram, que era de quatro mil e trezentas, foi reduzido para cerca de trezentas a quatrocentas. Mesmo pela estimativa mais conservadora, isso significava que noventa por cento haviam morrido. Mesmo assim, essa taxa de sobrevivência é considerada alta porque os exploradores que entraram nessa expedição ao Labirinto eram todos exploradores de alto escalão com habilidades consideráveis. Se tivesse sido em circunstâncias normais.
“99,9%.”
Sim. Algo perto disso certamente teria acontecido.
— O-O que diabos aconteceu lá dentro?!
— Um colapso dimensional, aquela maldita calamidade, explodiu lá dentro.
— I-Isso é impossível! Tem certeza?! Kortan! Avise os superiores imediatamente!
Os oficiais militares, percebendo tardiamente a situação que se desenrolava dentro do Labirinto, começaram a correr de um lado para outro com urgência. Independentemente disso, continuei caminhando.
“Cadê eles…?”
Todos nós entramos juntos pelo portal no jardim do Marquês, então, se eles conseguiram sair em segurança, eu deveria conseguir encontrá-los aqui facilmente.
Sim, deveria ter sido assim.
Ba-dum!
…mas não estavam.
— B-Bjorn…!!
A Missha estava aqui.
Ba-dum!
Mas eles não estavam.
— A-Ahaha…! Eu sabia que vocês voltariam vivos!
O Mestre da Guilda estava aqui.
— Ah! Lorde Visconde…! Você está a salvo!
— Aaaah… que a luz da lua nos abençoe…
— Oooooh! Bjooorn! Eu sabia! Eu sempre acreditei!
Armin, a sacerdotisa e a Ainar estavam aqui.
Seuk.
O comandante da companhia, que desviou o olhar quando nossos olhos se encontraram. E o clã Illuma, que partiu dizendo que lamentava, mas que precisava proteger seus companheiros.
— Ah, ahaha… m-me desculpe! Mas não tivemos escolha! Ah, ei! N-Não vá bater em mim… hã?
Até o mago especial estava aqui. Então como…? Como isso podia estar acontecendo?
Piiiiiiiiiiiiii!
Eles não estão aqui.
Apenas os membros do nosso Clã Anabada.
— …
— …
Eles não estavam em lugar nenhum no jardim do marquês.
Eu caminhei, caminhei e caminhei mais um pouco. Missha, seguindo-me silenciosamente, não disse nada, assim como Ainar. Isso aconteceu depois de termos dado mais de três voltas no jardim.
Ba-dum, ba-dum!
De repente, ouvi as vozes ao meu redor em meus ouvidos, onde antes só havia o som estrondoso dos batimentos do meu próprio coração.
— …Olha só, está completamente catatônico.
— Não é para menos… só três sobreviveram.
— Nunca pensei que o clã Anabada fosse ser aniquilado…
— Bem, naquele inferno, não havia nada que nem mesmo o Visconde pudesse fazer…
Eram conversas sussurradas dos sobreviventes, olhando diretamente para mim.
Tuk.
Quando parei de andar, os que murmuravam, percebendo que eu podia ter escutado, encolheram-se e fecharam a boca como se tivessem sido pegos em flagrante.
— …
— …
Não me dei ao trabalho de me aproximar deles. Não lhes dirigi palavras de advertência. Nem sequer os encarei ou demonstrei qualquer descontentamento.
— Bjorn…
Continuei andando, fingindo que não tinha ouvido nada. Então, alguém se aproximou de mim. Um cavaleiro perguntou cautelosamente se eu poderia acompanhá-lo para uma reunião sobre a situação dentro do Labirinto, e eu não respondi. Em vez disso…
Tuk.
Empurrei o ombro do cavaleiro suavemente para afastá-lo e continuei andando. Eu também não pretendia ficar girando inutilmente pelo jardim do marquês.
— A-Ah, ainda não foi dada autorização para dispersar! Esta operação foi uma missão militar ultra-secreta, então!
O cavaleiro da entrada, assustado, tentou me bloquear.
— Gelton. Saia.
Um superior apareceu e moveu o cavaleiro para o lado.
— Mas, senhor, a ordem recebida foi…
— Quem é o seu superior imediato?
— …Entendido.
Não houve mais conversa depois disso. Caminhei até a cidade pelo caminho que eles abriram e, durante esse tempo, o oficial superior simplesmente me saudou em silêncio. Como se estivesse expressando condolências pelo que eu havia perdido.
Não fiquei particularmente grato, nem foi reconfortante.
— …
— …
Mesmo depois de entrar na cidade, continuei caminhando. Passei pela capital real, Karnon, que parecia tranquila demais, e usei um círculo mágico militar para chegar a Kommelby. Kommelby era semelhante a Karnon. As ruas estavam cheias de gente e tranquilas. É claro que os efeitos da guerra recente ainda eram evidentes nas ruas.
Uma família que havia perdido sua casa sentada na rua. Uma mulher mendigando enquanto segurava um bebê recém-nascido nos braços. Um bêbado com uma perna da calça amarrada, encostado em uma parede e bebendo em plena luz do dia.
As ruas não estavam tão animadas como de costume em Kommelby. Mas, pelo menos aos meus olhos, parecia pacífico.
E…
— …
— …
Por algum motivo, hoje ninguém se aproximou de mim como costumavam fazer.
Kiiiik…
Depois de passar pelas ruas de Kommelby, chegamos em casa. Um prédio de três andares em excelente estado, a apenas dez minutos do Centro Comercial Alminus. A casa do clã Anabada, que compramos por um preço baixo com o apoio da Companhia de Trocas Melbeth.
Na verdade, fazia um bom tempo que eu não vinha aqui.
Depois que a guerra acabou, passei a maior parte do tempo na Terra Sagrada cuidando dos assuntos da tribo. O clima em Kommelby também não estava muito bom, então eu não queria vir.
— …
— …
Quando entramos, o barulho da rua foi diminuindo, tornando o silêncio ainda mais pronunciado. Embora fosse chamada de casa do clã, o segundo e o terceiro andares eram usados como alojamentos.
— …
O primeiro andar era decorado como uma sala de estar, onde normalmente realizávamos reuniões com os membros sempre que algo acontecia. Não, mesmo quando não havia nada de especial acontecendo, os membros entediados apareciam por lá, então o primeiro andar costumava ficar movimentado. De manhã, Auyen preparava as refeições na cozinha, e Sven Parav, que havia se hospedado em uma pousada próxima, costumava vir comer, dizendo que a comida da pousada não era boa.
Os quartos da Amelia e da Erwen ficavam no segundo andar. Os meus e os do Auyen ficavam no terceiro andar.
A residência da Ainar ficava na Terra Sagrada, mas por alguma razão ela costumava ficar acordada até tarde da noite e acabava dormindo no sofá da sala de estar.
— Hm… Bjorn…?
A voz da Missha me tirou do transe; eu estava parado, olhando para a sala vazia.
— Primeiro… vamos tomar um banho.
Sim. Era o melhor a fazer. Todos nós estávamos um caos.
— A-ahm… é… tá bom…
Missha concordou com a cabeça. Então subi ao terceiro andar, organizei rapidamente nossos equipamentos e roupas enquanto enchia a banheira, depois me espremi dentro dela e mergulhei.
Esfrega, esfrega, esfrega…
Usei uma esponja para esfregar o sangue seco e os restos de carne grudados no meu corpo, depois ensaboei várias vezes para terminar. Quando desci para o primeiro andar depois de me lavar, Missha e Ainar já estavam lá, parecendo que tinham terminado de se lavar muito antes. Hmm, demorei tanto assim?
— Ei, Bjorn…
— Primeiro, vamos comer.
— A-ah… certo… vou preparar algo rápido com o que tenho no subespaço…
Missha correu para a cozinha e preparou uma refeição com os ingredientes que trazia no seu subespaço, e todos nos sentamos à mesa e comemos em silêncio.
— …Bjorn.
Quando a refeição curta terminou, desta vez não foi Missha, mas Ainar quem falou comigo, e eu rapidamente me levantei da minha cadeira.
— Primeiro…
— …
— Primeiro vamos dormir.
— A-ah… sim, é o melhor mesmo! Você também deve estar cansado…!
Depois disso, passei pelo segundo andar e entrei no meu quarto no terceiro andar, trancando a porta atrás de mim. O cheiro de sangue podre emanava da minha armadura e das roupas íntimas que eu havia deixado sujas, mas não fiz nada a respeito. Achei que isso poderia me ajudar a dormir melhor.
Me fez sentir como se ainda estivesse no Labirinto.
Sim, eu preciso dormir. Mesmo que seja apenas para o bem de amanhã.
Ploft.
Caí na cama como se tivesse desmaiado, e entrei em um sono profundo e lento… Enquanto o tempo, como sempre, corria rápido.
O sol nascia e se punha, o céu escurecia e depois voltava a brilhar. O mundo além das cortinas repetia-se incansavelmente.
Um dia, dois dias, três dias, quatro dias…
A certa altura, parei de contar quantos dias tinham passado e quantos mais dias tinham voado desde então. Durante esse tempo, muitas pessoas vieram à minha procura.
— Deixei a comida na porta… se ficar com fome, lembra de comer, tá? Certo?
A Missha preparava cada refeição com cuidado e deixava diante da porta.
— Dizem que foram 401… os que sobreviveram. Mas sabe o que é curioso? Quase cem deles sobreviveram por sua causa.
Às vezes, ela sentava-se do lado de fora da porta e falava sobre o que estava acontecendo lá fora por um longo tempo. Mesmo quando eu não respondia, ela continuava. Incansavelmente.
— Dá pra ouvir mesmo aí dentro, né? As pessoas do lado de fora te chamando sem parar. A cidade está em polvorosa de novo.
Que um novo registro foi adicionado à Pedra da Honra. Que o duque Kealunus, o recém-nomeado primeiro-ministro, estava me procurando. Que Armin havia passado por lá esta manhã.
— Yandel, não posso nem começar a imaginar como você deve estar se sentindo. Mas… este não é você. — Hmph, era o Sr. Urso desta vez… — Levante-se. Seja você mesmo.
Bem, eu nem sei o que significa ser eu mesmo. Por que as pessoas têm uma opinião tão boa de mim?
— Voltarei mais tarde. Ah, e… Obrigado. Por me ajudar naquela ocasião. Se não fosse por você, a realidade teria sido um inferno para mim, mesmo depois de voltar.
Depois do Sr. Urso, foi a Ainar.
— Bjooorn! Saia daí! Os guerreiros da Terra Sagrada estão todos preocupados e esperando por você! Se sairmos juntos e comermos algo delicioso, você se sentirá melhor!
A voz de Ainar, excessivamente alegre. Ao ouvi-la, percebo novamente o quão patético era o meu estado naquele momento.
— Hrmm… sou eu, Adnus. Como já deve saber, seu nome foi gravado novamente na Pedra da Honra. Mas infelizmente, desta vez seus outros companheiros não foram mencionados.
— …Mas que bobagem você está dizendo? Nyah!
— Então minha situação ficou um pouco embaraçosa! Se puder, quando aparecer em público, mencione que eu também!
— Se foi isso que você veio dizer, então saia agora mesmo! Saia agora mesmo! Já!
O mestre da guilda veio e foi expulso pela Missha. O anão veio e, sem dizer uma palavra, apenas bebeu álcool silenciosamente na porta antes de sair. Houve vários eventos, mas no final, eu não fiz nada e apenas deixei o tempo passar sem rumo. Por enquanto, eu só queria ficar assim, sem pensar em nada. Como quando eu costumava me trancar no meu quarto e jogar videogame.
Dez dias, duas semanas, um mês…
O tempo na sala escura passou rápido demais, mas havia um fim definitivo para isso. Hansu Lee e Bjorn são fundamentalmente diferentes. O mundo de Bjorn não era indulgente o suficiente para esperar até que ele pudesse superar as coisas por conta própria.
Craaaash!
A porta bem fechada foi destruída em pedaços, e a luz do mundo entrou com força.
— Ah, chega! Eu não aguento mais!!!
— …?
— Quanto tempo você vai dormir, Bjorn! Levante-se logo! Se continuar agindo de forma tão patética, vou tirar o cargo de chefe de você, está me ouvindo? Entendeu?
Ainar avançou até minha cama, iluminada pelo sol atrás de si.
— …fica com ele.
Virei a cabeça como se dissesse que nem sequer me dava ao trabalho de tentar, e imediatamente Ainar entrou em ‘ação’.
Puuuk!
Uma lança perfurou meu abdômen macio. Só depois de perceber o que havia acontecido comigo é que uma dor intensa e excruciante surgiu tardiamente.
— …Argh! O que você pensa que está fazendo?!
— O que parece? Já esqueceu a tradição do nossa tribo? O posto de chefe se conquista através de combate…!!
— Isso é absurdo…
— Levante-se, Bjorn! Ou eu vou continuar te espetando!
E, de fato, como se quisesse provar que não estava blefando, Ainar continuou cutucando minha pele com a ponta da lança, e acabei não tendo outra escolha a não ser me levantar.
— Oh, levantou? Devia ter feito isso desde o começo!
Hah, realmente, esses bárbaros. Não há como fazer com que entendam o bom senso.
— …Saia enquanto ainda estou pedindo gentilmente, Ainar.
— Hã? O que vai acontecer se você não pedir gentilmente? Você tem menos força nos olhos do que os jovens guerreiros que acabaram de terminar sua cerimônia de maioridade. Olhe! Você nem consegue fazer contato visual adequado! Quem pensaria em você como um grande guerreiro agora?
Na verdade, Ainar diminuiu a distância entre nós com passos ousados, como se não tivesse o menor medo de mim.
— Bem, vá em frente, tente. Você não precisa dizer isso de forma gentil.
— …
— Quer você diga coisas maldosas. Ou choramingue como uma criança. Ou diga bobagens que eu não consigo entender. Ou simplesmente nos espanquemos até ficarmos ensanguentados…! Seja o que for, eu não me importo, Bjorn. Então…!
Ainar envolveu minha cabeça com as duas mãos e, em seguida, deu uma cabeçada na minha testa como um rinoceronte.
KWAJIK!
O choque percorreu meu crânio e sacudiu meu cérebro. Mas eu não tinha energia para me importar com isso.
— Por favor…
Estávamos tão próximos que nossos narizes podiam se tocar. Não era mais possível evitar o olhar dela e desviar os olhos. Finalmente, pude ver o rosto da Ainar.
— Agora… fala alguma coisa… qualquer coisa…!
…Então era assim que ela estava me olhando esse tempo todo.
Por quase um mês. Ironicamente, o que mais fiz enquanto fiquei trancado no meu quarto com a única intenção de não pensar em nada foi pensar.
Pensar, pensar, pensar mais ainda.
Por mais que pensasse nisso, não conseguia acreditar. Cheguei até a ter a ilusão de que ainda poderia estar no Labirinto.
Afinal, existe a Cachoeira dos Sonhos.
E se, depois que a nona onda terminou e o período de estabilidade chegou, eu caí na Cachoeira dos Sonhos? E é por isso que estou tendo esse sonho absurdo?
Essa possibilidade realmente parecia mais realista.
Mas…
“Eu não posso continuar assim para sempre.”
Então, levantei minha colher e coloquei a sopa quente na boca. Na mesa de jantar do primeiro andar. À minha frente, Missha e Ainar me observavam nervosamente. Missha eu consigo entender, mas Ainar é um pouco ridícula. Ela de repente arrombou minha porta, enfiou uma lança na minha barriga e exigiu que conversássemos, mas agora está assim.
— E-Então… está gostoso…?
Logo que terminei a refeição e coloquei a colher de lado, a Missha falou comigo.
— Ah… é. Obrigado. Estava bom.
Respondi com sinceridade, e então caiu um silêncio esquisito.
— …
— …
Droga, que clima estranho. Mesmo eu, por mais grosso que seja, achava difícil puxar assunto numa situação dessas. Mas havia coisas que eu precisava dizer.
— Foi mal por ter preocupado vocês.
Sim, primeiro, um pedido de desculpas. É verdade que tenho estado uma bagunça patética ultimamente.
— Ah, n-não! Não precisa pedir desculpa! Nem um pouco!!
— Isso mesmo, Bjorn! Você sabe o quanto já fez por nós!
…Hmm. Até me arrependi de começar com isso. Não esperava que reagissem como se eu tivesse jogado um balde de água fervente nelas.
Enfim, deixei o pedido de desculpas para trás e fui direto ao ponto.
— Então… durante esse tempo todo, eu fiquei pensando em muita coisa.
Fui direto ao ponto. Um dos muitos pensamentos que eu tinha refletido repetidamente enquanto estava trancado no meu quarto… A única possibilidade que é um pouco realista.
— Talvez todos eles ainda estejam vivos.
— …Hã?
— Eu sei. Parece absurdo. Então vou explicar. Só fiquem quietas e escutem.
Diante dos olhares confusos das duas, expliquei lentamente a possibilidade que eu havia deduzido.
Até que…
— Uh… Então… Resumindo, existe a possibilidade de que todos os outros membros tenham caído no Primeiro Subsolo durante o colapso dimensional… É isso que você está dizendo…?
— Sim, você entendeu perfeitamente. Você também sabe disso, não é? Que inúmeros exploradores já entraram no Primeiro Andar Subterrâneo antes.
— B-Bem, isso é verdade…?
— Eu pensei sobre isso várias vezes, mas simplesmente não faz sentido que nenhum dos membros tenha conseguido voltar para a cidade.
Missha conseguiu se manter sozinha até me encontrar, não foi? Logicamente, pelo menos alguns dos membros da Anabada deveriam ter conseguido voltar com vida. Mas o número de sobreviventes é zero? Além disso, de acordo com a Missha, que perguntou a todos, ninguém os viu no Labirinto após a terceira onda, aparentemente?
— Se analisar friamente, essa hipótese é até mais plausível do que a ideia de que todos tenham morrido. Concorda?
— É-É… será que…?
Missha olhou de lado para Ainar, como se estivesse pedindo ajuda.
E…
— Por que está me olhando, Missha Kalstein?! Não jogue isso para mim!
Mesmo para uma bárbara, ela não era tão burra a ponto de não entender o significado por trás dessa reação.
— Vocês não estão acreditando em mim.
— N-Não é que não acreditamos…!
— Pare, Missha. Temos que dizer as coisas como são.
Ainar interrompeu Missha, que gesticulava com as mãos em sinal de negação.
— Não podemos adiar o funeral para sempre, Bjorn. Aceite. Eles morreram.
— …
— Não os insulte mais. Deixe-os partir.
A maneira como Ainar falava, com olhos frios e contidos, era de alguma forma desconhecida, mas combinava muito bem com ela. Se você observar com atenção, ela sempre demonstrou um lado mais racional e maduro do que eu em assuntos como esse. Mas isso era isso, e isso era isso.
— Não. Eu não vou fazer funeral nenhum. Não até eu vasculhar cada canto do Primeiro Subsolo com meus próprios olhos.
— …
— Essa é a minha decisão. Alguma objeção?
Falei com clareza e firmeza. Ainar me encarou longamente… e então sorriu.
— Não tenho absolutamente nada a reclamar.
A reação dela foi muito mais complacente do que eu esperava. Não, já tinha ido além do que se poderia chamar de simples complacência…
— Se foi isso que você decidiu, então eu o seguirei. Não importa quem no mundo critique você.
— …
— Bjorn, filho de Yandel… você é um grande guerreiro.
Diante daquele olhar carregado de fé cega, eu também não consegui evitar sorrir de volta.
“Fui pego.”
E, pela primeira vez em muito tempo…
Não era uma sensação ruim.
Um mar prateado cintilante. Todos os tipos de itens diversos flutuavam em suas ondas prateadas.
— Hah, não acredito nisso.
Uma mulher ruiva estava em pé sobre uma rocha, murmurando enquanto olhava para as ondas que quebravam.
— Não acredito que estou de volta a este maldito lugar novamente.
Seu monólogo revelava claramente sua irritação. Com isso, a dúzia de homens e mulheres ao seu redor soltaram suspiros profundos.
— Eles provavelmente acham que já estamos mortos lá fora, certo?
— …O que significa que não temos escolha a não ser voltar por conta própria.
— Hah, quanto tempo vai demorar para voltarmos desta vez…
Às vezes, saber demais pode fazer com que uma situação pareça ainda mais desesperadora.