Depois de Dez Milênios no Inferno

Capítulo 586

Depois de Dez Milênios no Inferno

Capítulo Extra 66 - Covil dos Demônios da Noite (3)

— Que droga! — Oh Kang-Woo praguejou.

Ele não tinha ideia de onde eles estavam. Assim que um novo caminho se abria, um caminho existente desaparecia.

— Onde diabos nós estamos?

— Eu... também não tenho certeza neste ponto — respondeu Balrog, olhando ao redor e suspirando.

— Merda.

Kang-Woo estreitou os olhos. A estrutura do Portão estava mudando em tempo real.

— Isso era um labirinto mutante?

Ele nunca tinha ouvido falar de tal fenômeno.

— Hmm. Parece que não temos escolha — disse Balrog enquanto seus olhos brilhavam, uma imensa energia demoníaca se acumulando ao redor de seu punho. — Temos que explodir tudo, túnel e tudo.

— Espere.

Kang-Woo parou Balrog quando ele estava prestes a balançar o punho. Eles realmente seriam capazes de encontrar o caminho assim que destruíssem tudo, mas havia um problema.

— Eles poderiam fugir.

Não teria adiantado nada vir aqui se o monstro que transformou os Players em múmias escapasse.

— Urgh — Balrog gemeu.

— Vamos tentar caminhar por mais um pouco. Se ainda estivermos presos depois disso, exploda tudo.

— Entendido.

Balrog assentiu e seguiu Kang-Woo através do túnel complexamente entrelaçado.

— Foda-se!

— A culpa é toda sua!

— Que besteira!

Naquele momento, eles ouviram pessoas discutindo do outro lado do túnel.

— Balrog.

— Sim, meu rei.

Kang-Woo e Balrog se dirigiram para a fonte do som sem hesitação.

— Seus filhos da puta!

— Seus bastardos querem briga?!

— Hah! Venham pra cima!

Eles chegaram a uma caverna com cerca de cem metros de largura, onde duas facções, com cerca de vinte pessoas no total, estavam em confronto. Eles estavam olhando uns para os outros com raiva, com suas armas em punho.

— Isso nunca teria acontecido se vocês, filhos da puta, não fossem tão gananciosos pela relíquia!

— Nós resolvemos o quebra-cabeça primeiro!

Kang-Woo não sabia sobre o que eles estavam discutindo, mas estava ficando acalorado.

— Os vibradores da Helya!

— O que você disse? Que boca grande vindo das lanternas de carne elétricas de Ishvalda!

— Meu Deus, olha só pra eles.

Kang-Woo não pôde deixar de rir enquanto observava as duas facções se xingando ferozmente.

— Deixando isso de lado... Ishvalda?

Ele já tinha ouvido esse nome antes.

— Aquele cara Kim Tae-Ho, ou seja lá qual for o nome dele, mencionou isso.

Kang-Woo se lembrou do jovem que se apresentou como um apóstolo de sete estrelas de Ishvalda. Ele era uma das pessoas de outra Terra que Kang-Woo conheceu no Templo da Verdade. Ele usava raios infundidos com poder suficiente para impressionar até mesmo Kang-Woo.

— Aquele troll maldito.

Kang-Woo ainda tinha dores de cabeça ao se lembrar de como Kim Tae-Ho havia atraído a atenção do macaco dourado gigante Rajang para o grupo devido à sua imprudência.

— Os cadáveres não identificados que Lilith mencionou eram do mundo deles?

Essa parecia ser a explicação mais provável. Eles também eram da Terra, mas era, sem dúvida, um mundo exterior se comparado à Terra em que Kang-Woo vivia. Era natural que suas impressões digitais ou DNA não estivessem em nenhum banco de dados.

— Hah! Parece que as palavras não vão nos levar a lugar nenhum!

— Vocês nunca pretenderam resolver as coisas com palavras desde o início! Ouvi dizer que os apóstolos de Ishvalda eram maus, mas nunca esperei que fosse tão ruim!

— O que você disse?!

— Todo mundo sabe que vocês extorquem os moradores dos andares inferiores da Torre!

— Hah! Não acredito que estou ouvindo isso de alguém que matou pessoas para obter informações sobre essa relíquia!

— Cale a boca! Essa foi uma troca justa!

— Que besteira. Você chama matar cinco pessoas de troca justa?

— O-Onde você conseguiu essa informação...?

— Merda! O que vamos fazer agora?! Agora que estamos presos aqui, podem dar adeus à chance de sair daqui!

Os membros de cada facção estavam ficando cada vez mais agitados.

— Eu não sei de qual relíquia eles estão falando, mas...

Kang-Woo percebeu que ambas as facções eram uns merdas à sua maneira.

— Quer dizer, eu tinha a impressão de que era o caso do grupo Ishvalda, já que aquele troll maldito é um membro, mas eu não dou a mínima.

Ele não se importava se eles extorquiam dinheiro dos outros ou obtinham informações matando pessoas. O importante era que eles tinham informações sobre este lugar. Se não tivessem, nunca teriam dito que não poderiam sair daqui uma vez que estivessem presos.

— Ah, ahhh — Kang-Woo limpou a garganta enquanto dava um passo à frente. Ele falou o mais respeitosamente possível: — Por favor, parem de lutar, pessoal.

— Haaah?

— Quem diabos é esse pirralho?

Os membros de ambas as facções encararam Kang-Woo.

Kang-Woo sorriu e disse gentilmente: — Eu sou uma das pessoas que estão presas aqui. Não é hora de lutar. — Então ele gritou com todo o seu coração: — É hora de unirmos forças e encontrarmos uma saída juntos!

— ...

— ...

As expressões das pessoas que encaravam Kang-Woo se deformaram enquanto o olhavam como se não conseguissem compreender o que ele estava dizendo. Eles voltaram a encarar uns aos outros e a xingar.

— Malditos cachorros de Ishvalda!

— Hah! Parece que seus cérebros não são desenvolvidos o suficiente para entender as palavras!

Kang-Woo gritou rapidamente: — Pessoal! Violência não gera nada!

Sim, a violência nunca resolveu nada. Eles precisavam unir forças e sair daqui juntos.

— Venham pra cima, filhos da puta!

— Oh Helya! Conceda-me o poder do sol!

Fwoosh!

Chamas intensas rugiram.

— Recebam o julgamento de Ishvalda!

Crackle!

Raios azuis comparáveis às chamas faiscaram.

— Pessoal! Por favor, parem de lutar!!

— Kurgh! Morra!!

— Seus bastardos!

Boom! Clang!

As facções começaram a lutar umas contra as outras. Metal se chocando ecoou por toda a caverna enquanto as chamas e os raios rugiam.

— Pessoal! Por favor, parem de l—

— Morram, seus comedores de cu!

— Kuh! Filho da puta!

— Todo...

— Esses bastardos malditos.

— PAREM DE LUTAR, SEUS MERDAS!!!

Um impulso destrutivo tomou conta de Kang-Woo quando uma fina corda que mantinha seu senso de razão intacto se rompeu.

Bash! Crunch!

Kang-Woo correu para frente e deu um chute baixo nas duas pessoas mais próximas que estavam lutando. Suas pernas se dobraram em um ângulo não natural e eles gritaram enquanto desabavam no local.

— Huh...?

— O-O que foi isso?

Os outros pararam de lutar e encararam Kang-Woo com os olhos arregalados.

— AARRRRGGGGGHHHHH! — Kang-Woo gritou ferozmente enquanto atacava as pessoas que estavam lutando. — POR QUE CARALHOS VOCÊS, FILHOS DA PUTA, NÃO ESTÃO ME OUVINDO?!!

Ele não conseguia conter sua fúria.

— Kurgh! Cof!!!

— GAAAAAAAAAAH! M-MEU BRAÇOOOOOO!!

— EU MANDEI VOCÊS PARAREM DE LUTAR!!

Bash! Crunch! Crush!

Kang-Woo espancou todo mundo que entrava em seu campo de visão como um lobo em um rebanho de ovelhas. O som de ossos quebrando ecoou por toda a caverna.

— Arghh! E-Eu sinto mui...

— Huh? O que?

— Eu sinto mui— Cof!

— FALE CLARO, FILHO DA PUTA!!!

Crunch!

O homem vomitou sangue enquanto suas costelas se estilhaçavam.

— GAAAAAAAAAAHHH!! — Seus gritos encheram a caverna. — Cof! Cof! Gah...

— AGORA! REPITA DEPOIS DE MIM! VIOLÊNCIA!

— D-Dói... Eu vou mo-morrer...

— VIOLEEEEEEEEEEÊNCIA!!!

— GAAAAAAAAAHHH! E-Eu sinto muito! P-Por favor, pare de me bater!! V-Violeeeeeeeência!!

— É RUIM!

— É-É ruim...

— EU NÃO ESTOU OUVINDO VOCÊS, FILHOS DA PUTA!!!!

— Kurgh!! Urgh! É-É RUIIIIIIIIIIIIIM!!

— DE NOVO!! VIOLÊNCIA! É RUIM!!

— VIOLEEEEÊNCIA!! É RUIIIIIIIIIIIIIIIIIM!!

— ENTÃO POR QUE CARALHOS VOCÊS ESTAVAM LUTANDO?????!!!!!!!!!

Crunch, crack.

— Ah.

— Ele está morto.

— Huuu — Kang-Woo recuperou o fôlego.

Ele matou um deles acidentalmente, mas não importava.

— Há muito mais pessoas a quem posso perguntar.

Kang-Woo se virou lentamente para ver pessoas olhando para ele com palidez, seus olhos cheios de terror.

— Eu sabia.

Não havia nada como violência ilógica para incutir medo nas pessoas. Já que Kang-Woo gravou em suas mentes que ele era insano, eles não o desprezariam por causa de sua aparência jovem.

— Eu cuidarei do interrogatório, meu rei — Balrog comentou enquanto se aproximava.

Kang-Woo balançou a cabeça. — Não, está tudo bem.

Os interrogatórios eram melhor conduzidos pela fonte do medo da pessoa.

— Certo, então. Atenção, pessoal!

Kang-Woo bateu palmas para chamar a atenção deles.

Gasp!

— P-Por favor, nos poupe!

As pessoas se curvaram com medo só de Kang-Woo bater palmas. Kang-Woo sorriu com satisfação.

— Vocês sabem onde estamos? — Kang-Woo perguntou a uma pessoa aleatória enquanto colocava o pé em seus dedos.

— Eek! E-Eu sei!! EU SEIIIIIIIIIIIIIII!! — gritou um homem enquanto a pressão em seus dedos ficava mais forte.

— Onde estamos?

— U-Um espaço criado por u-um demônio!

— Um demônio...?

Kang-Woo estreitou os olhos.

— Um espaço criado por um demônio? Demônios... ainda existem?

Tanto quanto ele sabia, a maioria dos demônios dos Nove Infernos morreu na batalha entre ele e Bael. Mesmo que alguns demônios tivessem sobrevivido, ele estava confuso sobre o porquê de criarem um espaço em outra Terra para matar pessoas.

O homem tremeu ao gritar: — N-Nós não fizemos nada de errado! Nós simplesmente entramos em uma dungeon para encontrar uma relíquia! Mas aqueles malditos cachorros de Ishvalda ativaram uma armadilha e—!

Crush!

Kang-Woo pressionou o pé nos dedos do homem sem hesitação, dobrando-os em um ângulo não natural.

— GAAAAAAAHHH!!

— Eu não dou a mínima para quem fez o quê, então apenas responda às minhas perguntas.

— Gurghhh. E-Eu entendo...!

O homem chorou enquanto segurava seus dedos quebrados.

— Pensar que um demônio fez isso... É bastante difícil de acreditar — Balrog expressou.

— Sim. Existia algum demônio que pudesse criar espaços como este?

— Mm. Não me lembro muito bem.

Balrog caiu em pensamento enquanto inclinava a cabeça. Kang-Woo chutou levemente o quadril do homem caído.

— Você sabe qual demônio criou este espaço? — ele perguntou.

— Gurgh... M-Meus dedos...

— Pelo amor de Deus. Você está ignorando minhas perguntas agora, está?

— Eek! E-Eu vou falar! Eu vou falar!!! — o homem gritou enquanto batia a cabeça no chão.

Kang-Woo estalou a língua e esperou que o homem respondesse.

— Este lugar se chama... Covil dos Demônios da Noite.

— O que...?

Calafrios desceram pela espinha de Kang-Woo no momento em que ouviu como este lugar era chamado.

— E-Espere um segundo. Por demônios da noite, você quer dizer...

Ele se lembrou de um medo que não queria nem imaginar.

— Sim! É um espaço feito por s-súcubos para sugar a força vital dos homens!!

— ...!!! — Os olhos de Kang-Woo se arregalaram. Ele gritou do fundo do coração: — QUE PORRA VOCÊ DISSE?!! Isso é um covil de súcubos...?

Seus pés, firmemente plantados no chão, começaram a tremer incontrolavelmente.


[1] - Súcubos: Demônios femininos que seduzem homens para drenar sua energia vital durante o sono.

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