
Capítulo 289
Depois de Dez Milênios no Inferno
Capítulo 289 - Ferida Purulenta (3)
'Ufa, acho que já estamos longe o suficiente.'
Oh Kang-Woo suspirou e olhou para trás. Não havia ninguém os seguindo e eles não conseguiam mais ouvir os gritos ensandecidos.
'H-Hyung-nim.'
Kim Si-Hun, que havia sido arrastado pela mão, desviou o olhar enquanto corava.
'O quê? Por que diabos você está corando?'
Si-Hun apertou a mão de Kang-Woo com mais força enquanto murmurava: 'Isso é um pouco repentino demais...'
'Não me agarre com tanta força, cara.'
Kang-Woo franziu a testa e puxou a mão. Ele podia ver a decepção no rosto de Si-Hun.
'Por que você fez isso?', perguntou Si-Hun.
'Eu só não queria estar lá', disse Kang-Woo com uma voz cansada.
'Hahaha, eu também não, mas... ainda devemos voltar. Ainda temos coisas na nossa agenda.'
'A única coisa que falta é a festa na prefeitura.'
Toda a parte difícil já tinha sido feita; a única coisa que restava era a reunião social onde se bebia álcool enquanto se construía conexões políticas.
'E uma vez que chegarmos lá...'
Kang-Woo franziu a testa.
O que aconteceria em uma festa social era claro. Figuras influentes de todo o mundo grudariam em Si-Hun como moscas para conseguir o que pudessem dele, e a maioria deles seriam mulheres para tirar vantagem do instinto masculino.
'Eu me recuso a testemunhar algo assim.'
Kang-Woo nem sequer queria imaginar a cena de Si-Hun sendo cercado por dezenas de beldades estonteantes porque ele estava com muita inveja.
'Si-Hun é meu. Caiam fora.'
Kang-Woo colocou as mãos nos ombros de Si-Hun e disse: 'Você também não está cansado de conhecer pessoas?'
'E-Eu estou, mas...'
'Então tá. Abandone a programação da noite e saia comigo em vez disso.'
'Ah...'
Os olhos de Si-Hun se arregalaram, com hesitação evidente em seus olhos. Seu smartphone e orbe de cristal de comunicação estavam sendo bombardeados pelas ligações de Samuel.
'...'
A hesitação foi de curta duração.
Si-Hun lentamente assentiu. 'T-Tá bom!'
Seus olhos estavam brilhando como se ele pensasse que oportunidades como aquela não eram comuns.
Kang-Woo sorriu e chamou Balrog, que havia ficado para trás porque ainda estava se acostumando com seu corpo humano. 'Sim, Balrog. Estamos em...'
Arfando pesadamente, Balrog logo chegou ao beco. 'Haaa, haaa. Então é aqui que vocês estavam.'
'Como foi lá?'
'Houve um grande alvoroço. Samuel, acredito que esse era o nome dele? Ele estava gritando para reunir forças para encontrar vocês dois imediatamente.'
'Não é à toa...'
Si-Hun era um VVIP do ponto de vista de Samuel. Seria estranho se ele ficasse bem depois que uma pessoa assim desaparecesse sozinha.
'Bem, não vamos nos importar com as pequenas coisas.' Kang-Woo estalou a língua e balançou a cabeça. 'Vamos beber alguma coisa, só nós três.'
'S-Será que isso realmente vai ficar bem, hyung-nim?'
'Por que não ficaria?'
Em termos de dinâmica de poder, eles definitivamente estavam no topo; Samuel não podia forçá-los a fazer nada.
'Vamos lá.' Kang-Woo se virou e estreitou os olhos enquanto caminhava pelo beco deserto.
'E...'
Para ser honesto, ele não estava planejando ir tão longe. No entanto...
'... Algo está me incomodando.'
Ele queria descobrir a causa do mal-estar que ele estava sentindo o tempo todo.
Os três foram cada vez mais fundo em Valência enquanto caminhavam pelos becos. Depois de vinte minutos de caminhada...
'...'
'Isso é...'
'Uma favela...?'
Um cheiro horrível atacou seus narizes. Os olhos das pessoas andando pelas ruas estavam sem vida. Era completamente diferente da Valência que eles tinham visto pela primeira vez.
'Eles devem estar tentando esconder isso.'
Kang-Woo estreitou os olhos. Olhando para isso da posição de Samuel, certamente não era algo que ele gostaria de mostrar.
'Quer dizer... é inevitável.'
Kang-Woo estalou a língua. Não havia cidade sem uma favela. O estado da favela em Valência era um pouco grave, mas considerando que a cidade tinha sido feita recentemente, não podia ser evitado.
'Kuh...'
A expressão de Si-Hun desmoronou, provavelmente porque ele tinha se lembrado de promover Valência como uma cidade segura e bonita.
Kang-Woo deu um tapinha no ombro dele.
'Você não sabia, então não podia ter sido evitado. Além disso, problemas relacionados a favelas podem ser resolvidos com o tempo.'
Kang-Woo caminhou enquanto pensava que ele deveria mencionar esse assunto para Gaia mais tarde.
'... Mestre Kang-Woo.'
Naquele momento, Balrog o chamou em voz baixa.
'Eu sei.'
Kang-Woo assentiu. Não era difícil adivinhar o que Balrog estava prestes a dizer. Ele lentamente olhou ao redor.
'Hostilidade.'
Os olhos dos habitantes sem vida da favela vestindo trapos estavam cheios de hostilidade.
'... Vamos para outro lugar.'
Kang-Woo se moveu, sentindo que nada de bom sairia de ficar na favela. Enquanto eles saíam, alguns bares entraram em vista.
'Antes de entrarmos...'
Kang-Woo estalou o dedo, e a escuridão cobriu levemente os rostos de Si-Hun e Kang-Woo.
'Autoridade da Cegueira.'
Ele e Si-Hun tinham se tornado conhecidos demais para eles entrarem em um bar sem cuidado. Depois de esconder seus rostos com a Autoridade, Kang-Woo entrou em um bar com um enorme desenho de cerveja do lado de fora.
'Wahahahaha!'
'Porra! Então você vê...!'
Como esperado de um bar, era extremamente barulhento lá dentro.
Sentando-se em um canto, eles pediram três copos de cerveja de pressão. As cervejas saíram em apenas um minuto, e eles as beberam.
'Kaaah!' A carbonatação da cerveja fez Kang-Woo tremer. 'Isso acerta em cheio.'
Kang-Woo não pôde deixar de se sentir feliz bebendo um pouco de cerveja depois de se libertar daquela programação sufocante e chata.
Balrog também bebeu a cerveja de bom grado. 'Kaaah, isso é bom. Talvez seja porque este é um corpo humano, mas eu sinto que o álcool está tendo um efeito maior.'
'... Não beba muito', Kang-Woo avisou enquanto estreitava os olhos, recordando o que aconteceu quando Balrog ficou bêbado da última vez.
Eles caíram na gargalhada.
'Sim, isso é muito melhor.'
Não ir para a festa social para a qual eles não foram feitos tinha sido a decisão certa.
'Pensando bem, acho que esta é a primeira vez que bebo álcool com você, hyung-nim.'
Si-Hun também bebeu, tendo gostado do ambiente também. Sua expressão mudou, e parecia que ele tinha decidido não se importar mais com Samuel.
'Certo, vamos beber até nossos corações se fartarem!' Kang-Woo caiu na gargalhada e levantou sua caneca de cerveja.
Beber com Han Seol-Ah era bom, mas beber com os garotos tinha seu próprio charme.
'Em uma festa da salsicha...'
A conversa sobre romance não podia ficar de fora.
'Então, como está indo com Gaia?', perguntou Kang-Woo enquanto sorria.
'C-Cof! D-Do que você está falando, hyung-nim?'
Tossindo, Si-Hun desviou o olhar de Kang-Woo.
'Vamos lá. Você é quem disse orgulhosamente que foi amor à primeira vista. Então, como está indo?'
'Ahem...'
'Tsk, você é desprovido de coragem. Como você vai conquistar o coração de uma mulher assim?', acrescentou Balrog.
'O quê? Seu filho de uma...'
Eles conversaram alto. Kang-Woo sorriu levemente enquanto observava Balrog e Si-Hun discutirem um com o outro.
'Legal.'
O ambiente era tão bom que o mal-estar que ele tinha sentido aqui em Valência estava desaparecendo. Kang-Woo levantou a nova caneca de cerveja que eles tinham pedido.
Naquele instante...
'Kyaaaaaa!'
'Hahaha! Por que você está se fazendo de difícil?'
Estilhaçar.
O grito de uma mulher ecoou por todo o bar enquanto uma caneca de cerveja se estilhaçava.
Kang-Woo mudou seus olhos para a fonte do som.
Um grupo de homens sentados em uma mesa estava agarrando uma funcionária. Ela era uma mulher hispânica muito bonita com pele bronzeada.
'Hm? Pare de se fazer de difícil comigo e apenas sente a porra da bunda!'
'E-Eu não quero...'
'VadIA fodIDA!'
Tapa!
A cabeça da mulher virou violentamente junto com o som alto.
Um grito soou pelo bar.
Os olhos de Si-Hun se arregalaram enquanto os de Kang-Woo se estreitavam.
'Que porra é essa...'
'...'
A primeira coisa que Kang-Woo notou não foi a estatura gigante do homem ou a mulher que tinha acabado de ser esbofeteada. Era o uniforme que o homem estava vestindo. Kang-Woo podia ver claramente o uniforme preto com o escudo branco puro desenhado nele.
'Se não fosse por nós, você ainda estaria correndo dos monstros, vadIA. Como ousa brincar comigo?'
'Sniff, sniff...'
'Eu estou certo ou errado? Hein? Nós salvamos você, não salvamos?'
'S-Sim...'
'Você está certa pra caralhO! Então é melhor você fazer o que dizemos!'
Tapa!
O som alto ecoou mais uma vez.
Os sons de choro e riso foram ouvidos ao mesmo tempo.
Chocalho.
Si-Hun se levantou de sua cadeira. Ele murmurou: 'Esses bastardos...'
'Sente-se.'
'... Perdão?'
'Eu disse, sente-se', disse Kang-Woo calmamente.
'C-Como assim, hyung-nim?! Você não consegue ver que...'
'Balrog.'
'Sim, Mestre Kang-Woo.'
Balrog se levantou e agarrou os ombros de Si-Hun.
Kang-Woo colocou uma perna sobre a outra e olhou ao redor.
'Ohhh.'
Depois que ele deu uma olhada ao redor, ele entendeu tudo.
'Eu vejo como é.'
Ele finalmente entendeu a fonte de seu mal-estar depois de chegar em Valência.
'Ei! Baon! Eu chamei a vez nessa vadIA!'
'Hoje é minha vez, então cai fora pra caralhO!'
'Porra! Por que essa vadIA é a única decente neste bar maldito?!'
'E os homens? Não tem nenhum gostoso!'
'Dono! Saia daqui! Por que você não faz um trabalho melhor ao contratar pessoas?!'
'Kahahaha!'
Os homens soltaram risadas ensandecidas.
Não só parecia que eles estavam acostumados a fazer tal coisa, mas parecia que eles estavam gostando. O bar estava cheio de mulheres, e os Jogadores masculinos estavam batendo palmas e falando sujo com elas sem nenhum filtro.
'Alô?' Kang-Woo pegou seu smartphone e ligou para alguém enquanto encarava os uniformes dos Guardiões que os Jogadores masculinos estavam vestindo. Ele esperou por uma resposta.
'Ei! Baon! Meus olhos estão ficando entediados, então rasgue as roupas dela ou algo assim!'
'Kekeke. Só um segundo, droga.'
O homem grande conhecido como Baon rasgou as roupas da mulher hispânica.
Rasgar.
A mulher gritou enquanto sua pele bronzeada era exposta. Os homens estavam olhando lascivamente para o decote nu dela.
'Esses bastardos!' Si-Hun se levantou, incapaz de suprimir sua raiva por mais tempo, mas Balrog pressionou seus ombros.
'Eu disse para você ficar parado, humano.'
'Como você ainda pode dizer isso quando...'
'É a ordem do rei', disse Balrog em uma voz calma.
Si-Hun estremeceu. Ele ansiosamente mordeu seu lábio, olhou para Kang-Woo e abriu sua boca.
'Hyung-nim, o que você está...'
'Fique parado', disse Kang-Woo enquanto ele continuava a segurar seu smartphone.
A expressão de Si-Hun desmoronou. 'Hyung-nim!'
'Kim Si-Hun.' Kang-Woo olhou para Si-Hun com olhos profundos e afundados. Em uma voz fria e arrepiante, ele disse: 'Eu disse para você ficar parado.'
Si-Hun estremeceu.
'P-Pare!'
'Por que você está chorando tanto, vadIA?! Você já não sabe o que estava por vir no momento em que decidiu trabalhar aqui?'
Os homens riram. Seus desejos sujos e loucura encheram o bar.
'...'
Kang-Woo esperou com a boca fechada e seu smartphone em sua mão.
O tempo passou... Cinco minutos... Dez minutos...
A mulher parou de resistir e serviu álcool para os homens com suas roupas meio rasgadas. Seu rosto estava machucado por ter sido atingido pelo homem conhecido como Baon.
'... Haaa', Kang-Woo suspirou.
Ele colocou seu smartphone de volta no bolso.
'Eu tinha minhas dúvidas, mas...'
Acabou sendo o pior cenário que ele tinha imaginado.
Kang-Woo lentamente se levantou.
'Kahaha! Então eu...!'
Ele caminhou em direção a Baon, que tinha a mulher em um braço e estava apalpando seus seios grosseiramente.
'Com licença', disse Kang-Woo em uma voz cuidadosa, 'Eu gostaria de te perguntar algo.'
'E quem é você?' Baon olhou para Kang-Woo enquanto franzia a testa.
'O quê? Quer se juntar? Ela é minha para a noite, então vá para outro lugar. Se você está realmente desesperado, vá encontrar uma garota na favela.'
Ele espantou Kang-Woo como se não quisesse ser incomodado mais.
Kang-Woo balançou a cabeça.
'Não, não sobre isso...'
Baon olhou para ele com irritação.
'Que inferno, esta cidade está cheia de mulheres nativas, então qual é a sua merda? Oh... Será que...?'
Seus lábios se curvaram para cima.
'Você está tentando bancar o herói ou algo assim?'
'...'
Kang-Woo permaneceu em silêncio.
'Pfft! Ei, esse cara é de verdade!'
'Bwahahaha! Cara, quanto tempo faz?'
'Hohoho! Uau, ainda existem pessoas assim em Valência? Olhando para você agora, você é bem bonitinho. Por que você não vai dar uma volta com esta irmã mais velha aqui?'
Os homens e mulheres olhando excitados caíram na gargalhada.
'Ei, senhor.'
Chocalho.
Baon se levantou de sua cadeira.
'Você parece estar aqui como um turista... Se você não tem ideia do que está acontecendo aqui, então simplesmente suma daqui, por que não?'
'O que há de errado aqui? Você não viu o Dragão da Espada fazendo aquele comercial hoje?'
'Bwahahaha! Aquela besteira sobre este ser uma cidade segura e bonita? Quer dizer, eu acho que este lugar é um paraíso para as pessoas nos Guardiões!'
Risadas ensandecidas encheram o bar.
Kang-Woo olhou ao redor em silêncio.
'Certo, você entendeu que tipo de lugar este é agora, Sr. Herói?' Baon levantou sua mão e levemente deu um tapa na bochecha de Kang-Woo. 'Eu não sei de onde um otaku como você veio, mas pelo menos escolha suas batalhas sabiamente, ok?'
'Haaa...' Kang-Woo suspirou.
Era como o homem disse.
'Eu entendo que tipo de lugar este é agora.'
Ele também entendeu que pessoas como essas não podiam ser razoáveis.
Kang-Woo franziu a testa.
Baon sorriu maliciosamente. 'O quê? Você está bravo? Este é o problema com otaku fodIDO...'
Kang-Woo estendeu sua mão, agarrou Baon pela cabeça, e...
Baque!!!
Ele esmagou o rosto de Baon na mesa.
'Kyaaaaaa!'
'Q-Que porra é essa?!'
O nariz de Baon foi esmagado, e seus dentes da frente foram arrancados.
Mais uma vez, Kang-Woo perguntou cuidadosamente: 'Com licença.'
Estrondo.
Ele esmagou o rosto de Baon na mesa novamente.
'Eu gostaria...'
Estrondo.
Ele então esmagou o rosto de Baon em uma caneca de cerveja. Ela se estilhaçou, os fragmentos afiados perfurando as bochechas de Baon.
'De te perguntar...'
Estrondo.
Sangue espirrou em todas as direções; Baon não estava gritando mais.
'... Algo.'
Estalo!
A mesa grossa feita de madeira maciça se dividiu ao meio, e Kang-Woo jogou Baon de lado como se ele fosse lixo. Ele então se sentou em seu lugar.
'Vocês se importariam de responder, filhos da putA?'