
Capítulo 240
Depois de Dez Milênios no Inferno
Capítulo 240 - Remanescente (1)
[Hah.] Belphegor fingiu uma risada e encarou Balrog com incredulidade. [Você perdeu a cabeça, Balrog?]
Belphegor franziu a testa e apoiou o queixo na mão, recostando-se preguiçosamente em sua cadeira. Ele semicerrou os olhos.
Balrog era o vice-comandante do exército do rei demônio, bem como um dos demônios que havia recebido o favor do rei demônio. Ele estava muito acima do nível dos arquidemônios comuns e era conhecido por estar no mesmo nível dos príncipes do Inferno.
No entanto…
[Você ousa me enfrentar, Belphegor, sozinho?]
Balrog, em última análise, não era um príncipe do Inferno. Havia uma lacuna insuperável entre os príncipes e outros demônios, então, mesmo que ele tivesse recebido o poder do rei demônio e fosse considerado o mais forte entre os arquidemônios, era só isso.
Balrog não podia derrotar um príncipe do Inferno.
Os príncipes do Inferno nasceram para se tornarem governantes absolutos. Não havia nenhum ser nos vastos e amplos Nove Infernos, além das antigas bestas demoníacas, que pudesse lutar contra um príncipe do Inferno sozinho.
[Por quê? Está com medo?] Balrog perguntou, com um sorriso no rosto.
[Hah.] Belphegor fingiu rir mais uma vez. Ele baixou a cabeça e tentou conter a risada. [Você deve ter perdido a cabeça depois de vencer a guerra dos mil anos.]
Belphegor estendeu as mãos em direção a Balrog e continuou: [Lembre-se disso, Balrog: foi o rei demônio quem venceu, não você.]
[Você não poderia estar mais certo.]
Balrog acenou com a mão, e um chicote coberto de chamas vermelho-escuras apareceu de uma Fenda negra. Ele agarrou o chicote, e os cantos de sua boca se elevaram.
[E você perdeu.]
[…]
Belphegor permaneceu em silêncio e encarou Balrog. As memórias da amarga derrota na guerra dos mil anos retornaram a ele.
Foi extremamente desagradável.
[Você deve ter esquecido o quão assustador o mundo é por estar sob o rei demônio por tanto tempo.] Belphegor acrescentou zombeteiramente: [Um mero remanescente que não conseguiu nem proteger seu mestre.]
[…]
Um remanescente... As sobrancelhas de Balrog se contraíram.
[Você se esqueceu completamente de Beelzebub? Ele costumava ser seu mestre, não era?] Belphegor zombou.
Beelzebub, o Príncipe da Gula.
Entre os príncipes, ele foi o único que teve seu lugar roubado por outro demônio. Bael havia matado Beelzebub e tomado seu lugar.
A maior batalha antes da guerra dos mil anos havia sido a guerra entre Bael e Beelzebub. Beelzebub havia perdido, sua posição como príncipe do Inferno havia sido roubada, e até mesmo seu Armamento Infernal havia reconhecido Bael como seu novo mestre.
Bael devorou os retentores de Beelzebub. Todos eles, exceto um, morreram em imensa dor. Apenas um demônio conseguiu sobreviver a Bael. Na época, o subordinado mais leal de Beelzebub era Balrog.
[Aah, eu ainda me lembro de como você parecia quando perdeu seu mestre. Você representava bem a imagem de um perdedor que havia perdido seu mestre e teve seu desejo saqueado. Seus olhos mortos eram realmente uma visão para ser contemplada.]
[…]
[Kekeke. E você foi até o rei demônio para morrer da maneira mais miserável possível, não foi?]
O primeiro encontro entre Balrog e o rei demônio era uma história bastante famosa até mesmo nos Nove Infernos. Na época, Balrog considerava a morte mais miserável para um demônio morrer nas mãos de um humano, então ele foi até o rei demônio e implorou para que o rei demônio o matasse. Ele ansiava ser libertado da culpa de não ter conseguido proteger seu mestre ao seu lado.
[… Tenho certeza de que ninguém esperava que aquele humano se tornasse o rei demônio.]
Ninguém poderia ter imaginado que a pessoa que Balrog havia visitado para morrer da morte mais miserável se tornaria o rei demônio.
Belphegor balançou a cabeça como se nem sequer quisesse pensar no rei demônio.
[Mas eu estou curioso sobre isso, mesmo agora. Tenho certeza de que o rei demônio na época ainda era mais fraco do que você, então por que você o serviu? Hm? Você estava tão desesperado por um novo mestre? É realmente algo a lamentar. Você imaginou o quanto Beelzebub ficaria triste se visse você agora?]
[Belphegor.]
[Pfft, hahahaha!! Eu não consigo acreditar que você se esqueceu do mestre a quem você era tão leal assim que ele morreu e mudou para um novo.]
Tsk tsk.
Belphegor estalou a língua.
[É por isso que criar um vira-lata para ser leal não adianta nada.]
Slam!
O gigante Balrog disparou para o ar. Ele brandiu seu chicote, que estava coberto de chamas vermelho-escuras, com uma velocidade ofuscante.
[Hmph,] Belphegor bufou.
Sua Autoridade foi ativada de sua mão estendida.
Autoridade da Imobilidade.
Essa Autoridade, que poderia drasticamente diminuir o tempo em uma determinada área, restringiu o chicote.
O chicote, que estava se movendo em velocidade supersônica, parou no ar como se uma mão invisível o tivesse agarrado.
Tap!
Balrog soltou o chicote sem hesitação e disparou em direção ao chão enquanto batia suas asas. Ele juntou os dedos e balançou seus punhos para baixo no chão.
Rumble!!
Pedras se espalharam em todas as direções como tiros de canhão, obstruindo momentaneamente a visão de Belphegor.
A expressão de Belphegor se desfez.
Sua Autoridade da Imobilidade tinha uma condição – ela só poderia drasticamente diminuir o tempo em áreas dentro de seu campo de visão.
Como sua visão estava obstruída, a Autoridade da Imobilidade foi dispensada.
Balrog apareceu entre as pedras, e um enorme punho semelhante a uma pedra esmagou a cabeça de Belphegor.
BOOM!!
A cadeira em que Belphegor estava rolou para trás rapidamente. Antes que o punho o tivesse tocado, Belphegor havia conseguido usar a Autoridade da Imobilidade para proteger seu rosto.
[Kuh!]
Mesmo assim, ele não conseguiu mitigar totalmente o golpe. Sangue negro escorreu da boca de Belphegor depois que ele foi atingido pela energia demoníaca que emanava do punho de Balrog.
Com as costas retas, Balrog disse em uma voz grave: [Você fala demais. Sua boca não é tão preguiçosa quanto seu corpo?]
[…]
Belphegor fez uma careta. Ele estava humilhado pelo fato de que alguém como Balrog, que não era o rei demônio ou um príncipe do Inferno, havia conseguido dar o primeiro golpe.
[Remanescente inútil!]
Belphegor estendeu ambas as mãos e, com a Autoridade da Imobilidade, criou lâminas de tempo que não podiam ser vistas ou ouvidas. As lâminas sem forma, que distorceriam o tempo em um espaço fixo para cortar um alvo, caíram sobre Balrog.
Slash!
Balrog se agachou.
Quando a espada sem forma fez contato com sua energia demoníaca, o fluxo de energia demoníaca naquela área diminuiu drasticamente.
Balrog fechou os olhos.
Os ataques de Belphegor não podiam ser vistos, então usar seus olhos apenas o atrapalharia.
Ele precisava desviar dos ataques sem forma usando apenas a energia demoníaca que ele podia sentir deles. Usando movimentos rápidos que eram difíceis de acreditar que foram realizados por alguém com seu físico gigante, Balrog desviou das lâminas e se aproximou de Belphegor.
Ele cerrou a mão direita em um punho, e seu chicote, que estava no chão, voou em direção a ele como se estivesse vivo e envolveu seu punho. Ele torceu seu corpo e puxou seu punho para trás, que estava em chamas com chamas vermelho-escuras.
[Você realmente acredita que isso vai funcionar em mim?!]
Belphegor zombou dele. Ele criou uma barreira que envolveu seu corpo com a Autoridade da Imobilidade. Tudo o que entrava na área a cinco centímetros de sua pele era paralisado devido ao fluxo de tempo drasticamente inibido.
Era uma barreira absoluta.
[Quebra…]
Balrog esticou o pé esquerdo para frente e pisou firmemente no chão, puxando o ombro para trás e abaixando-se. Ele concentrou toda a sua força em um único ponto antes de liberar seu punho em uma demonstração de poder explosivo.
[… Dor de Ossos.] [1]
BOOOOM!
Era uma técnica de seu mestre, Oh Kang-Woo.
Embora fosse apenas um soco simples, o princípio por trás dele era extremamente complexo. Era preciso ter controle perfeito sobre a energia demoníaca que fluía dos quadris para o ombro e para o punho, e deixá-la explodir no momento em que se socava. Mas, é claro, até mesmo Balrog enfrentaria um recuo imenso se usasse tal técnica.
No entanto, Balrog tinha uma característica que nenhum outro demônio tinha: Armadura Demoníaca. Balrog possuía uma barreira de energia demoníaca acima de sua pele que ele nem precisava manter conscientemente.
Essa característica única protegeu seu punho, e…
[Kurgh!!!]
O corpo de Belphegor se curvou como um arco. Ele foi arremessado junto com sua cadeira e rolou sobre o chão violentamente. Ele tossiu uma quantidade enorme de sangue negro.
[C-Como?]
Belphegor olhou para Balrog em confusão.
Mesmo que a força no punho de Balrog fosse poderosa, ela não deveria ter sido capaz de passar por sua Autoridade, que controlava o fluxo do tempo. Não era possível.
[Merda, merda, merda!!]
Belphegor xingou com as mãos no chão. Balrog caminhou lentamente em direção a ele.
Remanescente.
Aquele apelido triste ecoou em sua cabeça.
'Pare de bancar a rainha do drama e suma daqui.'
Memórias do passado voltaram para ele como um flashback.
'Eu não consegui proteger meu mestre.'
'Quem perguntou?'
'Eu vim até você para pagar por meus pecados.'
'Que merda você está falando?'
Balrog explicou a Kang-Woo, que não parecia entender, a humilhação de morrer pela mão de um humano. Kang-Woo fingiu rir depois de ouvir a explicação.
'Oh, então você veio aqui para morrer?'
'Sim.'
'Haaa. Eu já deveria ter percebido por seus olhos mortos.'
Ele riu do absurdo e foi embora, ignorando Balrog.
'Guarde o show de piedade para a TV, babaca.'
'…'
'Pare de incomodar e suma daqui. Eu estou ocupado.'
'Você… não está com medo.'
'O quê?'
'Este é o Nono Inferno. É governado pelos príncipes do Inferno. É completamente diferente dos Infernos em que você esteve.'
'Eu já ouvi tudo isso antes de vir para cá, cara.'
'Não, você não sabe. Você… não tem ideia de quão aterrorizantes os príncipes são. Se você soubesse, não haveria como você não estar com medo.'
'Puta que pariu, você é tão intrometido.'
Kang-Woo pisou levemente no chão e voou em direção a ele; então ele agarrou sua gola.
Balrog finalmente conseguiu ver seus olhos.
Seus olhos brancos e íris pretas encararam Balrog.
'Ah…'
Calafrios percorreram a espinha de Balrog.
Os olhos de Kang-Woo estavam brilhando com um desejo mais forte do que o de qualquer demônio. Seus desejos estavam ardendo a ponto da loucura.
Balrog já conhecia o nome do desejo refletido em seus olhos.
'Eu não dou a mínima para os príncipes ou qualquer outra coisa que esteja aqui', disse Kang-woo. 'Não muda o que eu tenho que fazer.'
Responder ao mal com um mal maior e retornar a sede de sangue com uma sede de sangue ainda maior. Continuar avançando enquanto devora tudo no mundo.
'Se você terminou de falar, então suma daqui. Eu não tenho tempo para perder com um remanescente de merda como você. Se você quer uma morte humilhante, enfie sua cabeça no cu de uma besta demoníaca ou algo assim.'
[HAHAHAHA!]
Balrog, que estava caminhando em direção a Belphegor, de repente caiu na gargalhada depois de reviver o passado.
[Balrog…!]
[Aah, minhas desculpas. Eu apenas pensei em algo do passado.]
Balrog sorriu. Ele ergueu seu punho, que estava coberto de chamas vermelho-escuras, e acenou para Belphegor com a outra mão para provocá-lo.
[Levante-se, Belphegor. A batalha apenas começou.]
[Kuh.]
Belphegor encarou Balrog intensamente antes de colocar suas mãos no chão e se levantar. Ele colocou sua mão na cadeira em que estava sentado.
[Balrog.]
Uma densa energia demoníaca varreu os arredores.
Crack, Crunch!
A cadeira de rodas mudou de forma. Os fragmentos da cadeira quebrada se reuniram para criar uma armadura, que era branca como se tivesse sido feita de osso.
[Eu vou fazer você se arrepender de me fazer levantar.]
Preguiça, o Armamento Infernal na forma de uma armadura emitindo energia sombriamente maligna, envolveu Belphegor.
[1] - "Sky Breaker" em tradução literal, mas optei por "Dor de Ossos" para soar mais impactante e adequado ao contexto.