
Capítulo 115
Depois de Dez Milênios no Inferno
Capítulo 115 - Um Tempo? (2)
— UAU!! — exclamou um jovem animadamente.
Ele estava em um parque de diversões que parecia uma reprodução de um mundo de conto de fadas. Havia um grande castelo e personagens fofinhos… O parque de diversões era tão fascinante que fez o homem se perguntar se ele havia atravessado um portal para outro mundo.
O jovem estava mais animado do que as crianças no parque de diversões, tanto que elas até olhavam para ele como se ele fosse patético. Esse homem era Oh Kang-Woo, o rei demônio e o senhor dos Nove Infernos.
— …
Tian Suyan permaneceu em silêncio.
Kang-Woo havia zombado dela, dizendo que ela tinha um gosto mais fofo do que ele imaginava inicialmente. No entanto, Kang-Woo agora estava olhando ao redor do parque de diversões como uma pessoa que tinha acabado de se mudar do interior para a cidade grande.
— Uau, eu já vi esse antes! — disse Kang-Woo.
Ele deu um tapinha na cabeça de um artista vestido com uma fantasia de um personagem de rato que ele tinha visto em seu orfanato. O funcionário temporário na fantasia acenou com suas mãos curtas para Kang-Woo, cumprimentando-o como um verdadeiro profissional.
— Mmm… — murmurou Suyan.
Ela observou em silêncio enquanto Kang-Woo tirava uma foto com o artista fantasiado.
Francamente, foi um pouco broxante para ela.
— Nunca pensei que Kang-Woo teria um lado assim…
Era como se fosse a primeira vez de Kang-Woo em um parque de diversões. Não, era como se fosse a primeira vez dele visitando um lugar projetado puramente para entretenimento. Ele parecia tão diferente de seu eu habitual que Suyan não pôde deixar de sorrir sem jeito.
— Fufu. Você zombou tanto de mim ontem, mas você é quem está aproveitando mais — comentou Suyan.
— Eu não sabia que era um lugar tão divertido — respondeu Kang-Woo, sorrindo satisfeito.
Suyan estremeceu um pouco ao ver Kang-Woo fazer um sorriso infantil tão inocente. Seu coração estava batendo mais rápido.
— Esse lado de Kang-Woo também não é ruim.
Ela teria franzido a testa se fosse qualquer outro homem, mas ela achou bastante charmoso que alguém que a tratava como uma criança mimada estivesse agindo como uma criança também. Suyan estava cega de amor.
— Tudo bem. Vamos em alguns brinquedos também — disse ela.
Suyan caminhou casualmente em direção a Kang-Woo e abraçou seu braço.
Apesar de sentir algo macio em seu braço, ele meramente disse: — Claro.
Kang-Woo não se importava. Não, para ser mais preciso, ele não estava com humor para se importar com essa sensação no momento.
— Incrível — comentou ele interiormente.
Ele nunca soube que existia um lugar como a Disneylândia na Terra. Claro, ele tinha visto algumas vezes em fotos, mas vê-lo na vida real era completamente diferente. Era completamente diferente do Inferno, que consistia principalmente de desertos desolados.
— Eu deveria vir de novo amanhã com Echidna e Seol-Ah.
Kang-Woo tinha dito às duas esta manhã que não seria capaz de se juntar a elas devido a negócios urgentes. Em resposta, Echidna assentiu em tristeza.
Ele se sentiu culpado, mas o plano deles estava sendo adiado por apenas um dia. Ele só precisava deixar Echidna se divertir o equivalente a dois dias amanhã, então ele pensou que estava tudo bem.
— Estou aqui para fins de pesquisa hoje.
Kang-Woo retomou a caminhada. Seus passos eram leves. Embora ele estivesse pensando que estava lá para fazer pesquisa, ele parecia o mais pronto possível para aproveitar o parque de diversões.
— Oh, isso é o que eles chamam de montanha-russa? — perguntou Kang-Woo, apontando para um brinquedo que parecia um trem.
Ele tinha visto fotos de pessoas andando nele e gritando.
— Vamos andar nele — disse ele.
— Hmm… Você provavelmente não vai gostar tanto.
— Por que não?
Kang-Woo inclinou a cabeça.
Suyan não respondeu e apenas sorriu.
Afinal, ele descobriria o porquê assim que entrasse na montanha-russa.
— É lento — pensou Kang-Woo desapontado enquanto estava no brinquedo.
A razão para isso não era que a Disneylândia tinha sido criada com crianças em mente. Era porque super-humanos como Kang-Woo podiam facilmente se mover cinco vezes mais rápido do que a velocidade máxima da montanha-russa. Ele podia até voar usando a Autoridade do Céu. Era estimulante o suficiente para uma pessoa normal, mas super-humanos como Kang-Woo não acharam agradável.
— Você deveria ter me dito — disse Kang-Woo.
— Eu não achei que palavras seriam suficientes para te convencer. Além disso, isso é tudo parte da experiência.
— Bem, isso é verdade.
Kang-Woo assentiu e foi para o outro lado do parque de diversões.
Enquanto eles pegavam coisas para comer e faziam pausas em bancos, tinha se tornado noite sem que ele percebesse.
— Foi melhor do que eu pensava que seria.
Kang-Woo pensou no dia que ele tinha passado com Suyan.
Ele tinha estado um pouco preocupado por causa da personalidade dela, mas ele tinha sido capaz de passar um dia com ela sem nenhum problema. Se ele fosse honesto, ele tinha gostado de sair com ela.
— Fufu. Já é noite — comentou Yeon-Joo.
— É mesmo.
— Estou feliz que fui capaz de ver um lado diferente de você hoje, Kang-Woo.
Suyan riu enquanto cobria sua boca. Ela se lembrou dele andando pelo parque de diversões com olhos brilhantes.
Kang-Woo gemeu, ficando constrangido tardiamente.
— Vamos voltar — disse ele.
— Ok — respondeu Suyan e abraçou o braço dele.
As duas pessoas então deixaram o parque de diversões. Kang-Woo entrou no carro que Suyan tinha preparado e retornou para o hotel.
Ele teve um tempo divertido e satisfatório.
Click.
Ao chegar no hotel, Kang-Woo saiu do carro.
— Certo então, te vejo de volta na Coreia — disse ele.
— Fufu, eu me diverti hoje — respondeu Suyan com um sorriso brilhante.
Ela agarrou levemente o braço dele como se ela não quisesse que o encontro deles terminasse dessa forma.
Apenas então, algo entrou em seu campo de visão.
— Oh?
Suyan sorriu amplamente enquanto ela pensava em uma ideia de brincadeira divertida.
Ela ficou na ponta dos pés e levantou sua cabeça. Seus lábios se moveram perto dos de Kang-Woo, mas não havia como Kang-Woo não ser capaz de reagir a uma ação repentina como essa. Ele agarrou o queixo de Suyan levemente.
Kang-Woo franziu a testa e então perguntou: — O que você está fazendo?
— Hmph. Quão pouco romântico da sua parte. Casais não deveriam ter pelo menos um beijo de despedida?
— Eu não me lembro de nunca ter me tornado um casal com você.
— Fufu. Bem, acho que isso é o suficiente por hoje.
Suyan estava sorrindo embora ela tivesse falhado em beijá-lo.
— Então te vejo de volta na Coreia, Kang-Woo~
Ela rapidamente voltou para o carro e deixou o hotel.
— …Que diabos? — Kang-Woo proferiu.
Havia algo de não natural na forma como Suyan saiu logo após o beijo fracassado como se ela estivesse fugindo.
— Ela estava envergonhada? — Kang-Woo se perguntou.
Ele se virou enquanto inclinava sua cabeça em confusão.
No entanto, no momento em que ele se virou, sua expressão congelou. A resposta para sua pergunta não estava longe. Ele agora entendia por que Suyan tinha escapado tão rápido.
— Kang-Woo?
— Kang… Woo?
— Merda — Kang-Woo amaldiçoou interiormente.
Echidna e Seol-Ah estavam olhando para ele em choque enquanto estavam em frente à entrada do hotel.
— …
Houve um silêncio pesado. Kang-Woo não conseguia se forçar a abrir sua boca.
A que quebrou o silêncio foi Echidna. Ela trotou em direção a Kang-Woo e agarrou sua manga.
— Kang-Woo, era por isso que você estava ocupado?
— …
Kang-Woo estava sobrecarregado de culpa. Ele se sentia como um homem que tinha sido pego em flagrante traindo seu parceiro.
Ele abaixou sua cabeça silenciosamente.
— Droga.
Então ele se lembrou do rosto sorridente de Suyan, e ele fechou sua mão em um punho.
— Kang-Woo — Seol-Ah chamou enquanto ela se aproximava dele. Ela agarrou sua mão com um sorriso em seu rosto. — Você tem uma explicação para isso, certo?
— …Claro.
Pela primeira vez, o sorriso de Seol-Ah assustou Kang-Woo.
Seol-Ah o arrastou para dentro do hotel.
Cinco dias se passaram. Cha Yeon-Joo, que tinha sido chamada por todos os lados como representante de Kang-Woo, retornou ao hotel depois que tudo finalmente foi resolvido.
— Vamos… voltar para casa agora — disse Yeon-Joo, que parecia exausta.
Kang-Woo assentiu com um sorriso forçado e respondeu: — Bom trabalho.
— Eu… vou me certificar de que você vai me pagar por isso.
Pelo som de sua voz sem vida, parecia que Yeon-Joo tinha tido um tempo bem difícil.
O grupo retornou para a Coreia usando o avião particular do Corpo Hwarang [1]. Eles poderiam ter ido com Echidna, mas já que eles não estavam com pressa, eles não precisavam que ela fizesse o esforço.
[1] - Grupo de elite com poderes sobrenaturais.
Após chegar na Coreia, eles pegaram um táxi do aeroporto e rapidamente chegaram na Estação de Seul.
— Parece que faz tanto tempo.
— É mesmo.
Kang-Woo tinha estado no Japão por apenas uma semana, mas ele tinha sentido falta da paisagem urbana de Seul.
— Haaa… Eu vou voltar para casa para descansar, então cuidem do resto vocês mesmos — anunciou Yeon-Joo com uma voz cansada.
Ela cambaleou até seu apartamento.
— Vamos voltar para casa também, Kang-Woo — disse Seol-Ah enquanto ela apertava o botão do elevador.
— Pode ir entrando — respondeu Kang-Woo.
— E você?
— Eu tenho algo para fazer primeiro. Eu volto em breve.
Kang-Woo olhou para o céu. O sol estava alto. Eram apenas 2 da manhã—muito cedo para ficar em casa sem fazer nada pelo resto do dia.
— Diferente de Cha Yeon-Joo, eu não estou tão cansado.
Ele tinha sido capaz de ter uma longa folga graças a ela. Agora que ele estava de volta na Coreia, sua folga tinha acabado. Estava na hora de ele voltar à ação.
— Esse "algo" por acaso tem a ver com… — Seol-Ah questionou, estreitando seus olhos intensamente como um detetive interrogando um ex-condenado.
Kang-Woo riu e balançou sua cabeça.
— Não é nada assim, então não se preocupe — ele respondeu.
— Hmm. Você volta até o jantar, certo?
— Provavelmente. Não vai demorar muito.
— Ok, então eu vou preparar o jantar e esperar por você — ela disse com um sorriso.
O sorriso dela era tão bonito que fez o coração de Kang-Woo pular uma batida.
— Kang-Woo, você vai sair para trair de novo? — Echidna perguntou.
— Eu já disse que não.
— …Eu posso ir com você?
Echidna agarrou a manga de Kang-Woo. Ela tinha ficado consideravelmente chocada pelo último incidente.
Kang-Woo sorriu amargamente e assentiu.
— Você pode vir comigo.
Echidna não o incomodaria de qualquer forma.
A expressão dela se iluminou no momento em que ela ouviu as palavras de Kang-Woo.
Ela correu em direção a Seol-Ah e enquanto fechava suas pequenas mãos, ela disse: — Hm! Eu vou vigiar o Kang-Woo.
— Hohoho, por favor, faça isso — Seol-Ah respondeu.
— Deixe comigo.
Kang-Woo suspirou.
— Kang-Woo, para onde nós estamos indo? — Echidna perguntou.
— Para algum lugar quieto.
Kang-Woo pulou levemente e usou a Autoridade do Céu.
Echidna abriu suas asas e disse: — Devo te dar uma carona?
— Não, nós não vamos muito longe de qualquer forma.
Qualquer lugar estava bom contanto que fosse um lugar sem pessoas.
Echidna inclinou sua cabeça e perguntou: — Por que nós estamos indo para algum lugar quieto?
— Para criar equipamentos — Kang-Woo respondeu.
Ele agarrou o Olho de Susanoo que estava em seu bolso.